Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans, 1927)

sunrise-poster-1927Na primeira cerimônia do Oscar, em 1929, haviam duas categorias principais: melhor filme – produção, que premiou Asas e melhor filme – produção única e artística, que teve como vencedor Aurora. Enquanto Asas envelheceu mal, Aurora nunca perdeu a força, sendo considerado por muitos como o filme mais bonito já feito.

O diretor alemão F.W. Murnau foi contratado por William Fox com total liberdade criativa para o seu primeiro trabalho em Hollywood. Ainda que Aurora tenha decepcionado nas bilheterias, ele continua agradando aos críticos a aos cinéfilos que não tem medo do cinema mudo. É curioso notar que Aurora foi lançado no ano que marca o auge e o declínio do cinema sem diálogos. A maturidade artística foi alcançada de maneira brilhante, mas o público preferia assistir aos filmes falados que começavam a surgir.

O que mais chama a atenção em Aurora é o seu espetacular visual, que conta com movimentos de câmera considerados quase impossíveis para época e que ajudam a deixar a fotografia ainda mais bela.

Temos aqui um homem que é influenciado pela amante para afogar a esposa. Na hora H ele se arrepende e passa um dia romântico com ela, com algumas surpresas pelo caminho. O roteiro pode parecer simples, mas ele trabalha com um assunto significativo de uma maneira que vai ganhando em emoção. É incrível também como Murnau muda o tom do filme em vários momentos: há um forte suspense na cena da barbearia e muito humor na sequência do porquinho bêbado, só para citar alguns exemplos.

Havia uma chance de tornar Aurora a maior tragédia do cinema, porém os roteiristas optaram por um previsível final feliz. Tudo bem, isso é o de menos. Eis aqui uma daquelas experiências grandiosas que só o cinema de qualidade pode oferecer.
9/10

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Uma Ponte Longe Demais (1977)

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Uma Ponte Longe Demais reconta uma tentativa frustrada dos aliados de tomar pontes na Holanda e Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Essa gigantesca campanha militar ficou conhecida como operação Market Garden. Vários atores de renome estão presentes, como James Caan, Michael Caine, Sean Connery, Gene Hackman, Anthony Hopkins, Robert Redford, Ryan O’Neal e Liv Ullmann. São tantos que falta tempo para todos se destacarem, mas James Caan possui uma cena particularmente intensa e emocional e Michael Caine demonstra bons exemplos do humor britânico. A duração de quase três horas é exagerada, afinal são muitas as cenas que se alongam demais sem que algo de relevante aconteça. De qualquer forma, os milhares de figurantes, os cenários, a violência nua e crua e os efeitos especiais competentes nos dão a sensação de que fazemos parte do conflito. Há bastante suspense também, principalmente na sequência em que o personagem de Sean Connery encontra-se preso atrás das linhas inimigas. É impressionante como o filme vai mudando de tom no decorrer de sua longa duração. A crueldade promovida pela guerra nunca é esquecida, mas são nas últimas cenas que a mensagem antibelicista se torna mais evidente. Uma Ponte Longe Demais é, sem dúvida, um excelente (e subestimado) filme de guerra.
8/10

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