Blade Runner – O Caçador de Androides (1982)


All those moments will be lost in time, like tears in rain.

Não me lembro de outro filme que tenha tantas versões como Blade Runner. Em 1982, ano do seu lançamento, ele não foi bem recebido pelo público e nem pela crítica. Com o passar do tempo, Ridley Scott foi lapidando esse diamante bruto e em 2007 nos entregou a provável versão definitiva. As maiores mudanças foram a retirada da narração em off de Harrison Ford e do final feliz, o que já fez grande diferença. A partir de 1992 Blade Runner passou a ser considerado um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos.

O que chama a atenção inicialmente é o visual. Ridley Scott construiu um futuro sombrio para a Los Angeles de 2019. Em uma mistura de ficção científica com o noir, desde a primeira cena é impossível não se impressionar com o visual repleto de luzes de neon, com os edifícios e suas arquiteturas arrojadas, carros voadores, a poluição, o excesso de população e a chuva que insiste em cair.

É criada uma atmosfera hipnótica, simplesmente não conseguimos desviar os olhos da tela. Sofremos uma imersão total neste futuro distópico. Todas as sequências possuem uma beleza única, mostrando toda a qualidade de Ridley Scott, do diretor de fotografia Jordan Cronenweth e de David Snyder, responsável pela direção de arte.

Só que para um filme ser admirado por tanto tempo ele precisa também de conteúdo, algo que Blade Runner tem.

Os replicantes são robôs criados por uma empresa para serem “mais humanos do que os humanos”. Após uma rebelião de um grupo de replicantes, eles se tornam ilegais na Terra. Deckard (Ford), um caçador de androides, recebe a missão de exterminar seis deles.

Os replicantes foram criados para viverem no máximo por 4 anos, algo que os leva ao desespero. Eles vão atrás do próprio criador para tentar entender essa existência efêmera. É o velho e bem humano medo da morte. Eles são robôs, mas agem igual aos humanos. O que separa um do outro? Seria a alma? Ambos querem fazer de tudo para viver o máximo de tempo possível e assim aproveitar as coisas boas que o mundo ainda pode oferecer, como o amor. Apesar do romance entre Deckard e a androide não ser muito convincente, a mensagem transmitida é eficiente.

Um teste de perguntas e respostas ajuda os caçadores a descobrirem quem são os replicantes. Quando Rachel pergunta a Deckard se ele já se submeteu ao teste suspeitamos de que ele mesmo pode ser um androide, isso sem falar na cena do sonho com o unicórnio. A dúvida vai perdurar talvez eternamente, o que não deixa de ser interessante. Só mais um detalhe que engrandece esse marco do cinema.
9/10

Crítica: Uma Manhã Gloriosa (2010)

 

Uma Manhã Gloriosa não é um filme que revolucione o gênero comédia, mas o fato é que bons momentos de humor são encontrados aqui, muito em função da atuação cheia de energia de Rachel McAdams. Ela interpreta Becky Fuller, uma produtora de televisão que se vê trabalhando no Daybreak, um programa matutino fadado ao fracasso.

Becky é uma workaholic ao extremo. Ela simplesmente não para.  Parece que ela está impulsionada por litros de café e Red Bull, sempre atrás de alguma matéria interessante que possa aumentar a audiência do programa. Ainda que o roteiro exagere na tentativa de nos fazer rir atráves do humor pastelão, Rachel McAdams nos conquista com sua presença de espírito e doçura.

Uma ideia para fazer o programa funcionar é ter Mike Pomeroy (Ford) como âncora. Ele é um jornalista renomado, vencedor de vários prêmios importantes. Vê-lo trabalhando no apelativo horário da manhã, esbanjando arrogância e sarcasmo, é garantia de boas risadas.

Apesar das qualidades, o filme sofre por ser formulaico e ter aquele ar de “mais do mesmo”. Quase nada é original e o rumo das coisas é fácil de advinhar. A trilha sonora em alguns momentos exagera na melosidade e prefiro nem comentar o romance, que é previsível, forçado e não colabora em nada para a história.

Deixando essas irregularidades de lado, podemos sim curtir os bons momentos de Uma Manhã Gloriosa, que não tem pretensão alguma, a não ser divertir.
IMDb

/b.k.