The Pacific – Parte Sete: Peleliu Hills


A inteligência militar americana não tinha ideia das cavernas japonesas em Peleliu. Além de um local de difícil acesso, os japoneses lutam até o fim, então fica claro que trata-se de mais uma batalha complicada.

Para ficarmos cientes da dificuldade, logo no início do episódio acompanhamos um batalhão retornando da frente de batalha. Os soldados estão completamente sujos, feridos e exaustos. Uma carnificina aguarada Sledge e os outros, que se dirigem para a frente.

Nos Estados Unidos, um inquieto e reflexivo John Basilone joga golfe durante muitas horas, machucando as próprias mãos. É evidente que ele não está contente em trabalhar nos bastidores da guerra. Ele quer voltar para o combate, mas no momento tem que cumprir as ordens.

The Pacific foi feliz em abordar bastante o lado psicológico de soldados específicos em meio ao caos da guerra, algo que não ocorreu tanto em Band of Brothers. Um ótimo exemplo disso é o magnífico personagem Eugene Sledge (Jospeh Mazzello). Mais uma vez ele é destaque. Antes de partir para a guerra, o seu pai falou que não aguentaria ver os brilhos dos olhos do filho sumirem após todo o sofrimento que o aguardava. Em poucos dias, Sledge é forçado a amadurecer. De um fuzileiro inexperiente, transforma-se em um verdadeiro guerreiro veterano.

A crueldade da guerra afeta drasticamente Sledge, que vai enfrentar situações que podem faze-lo perder sua essência de homem bom.

Para finalizar, devo ressaltar o impacto de uma cena emblemática desse episódio. Após mais um duro combante, Sledge está sentado para comer alguma coisa, quando escuta alguns barulhos próximos a ele. Num excelente movimento de câmera, vemos que trata-se de Snafu jogando pedrinhas na cabeça aberta de um soldado japonês.

Ao mesmo tempo em que essa cena exerce um certo humor negro doentio, ela nos mostra como a guerra pode endurecer um ser humano ao ponto dele perder o bom senso.

Melhor que Band of Brothers? Talvez não, mas temos que levar em conta que a abordagem que The Pacific faz da guerra é um tanto diferente e isso pode desagradar a alguns. Particularmente, estou cada vez mais empolgado.

/bruno knott

Zona Verde

Título original: Green Zone
Ano: 2010
Diretor: Paul Greengrass

Roy Miller é um soldado que tenta fazer as coisas de maneira correta em meio a Guerra do Iraque. Ele e seus comandados seguem pistas em busca de armas de destruição em massa. O problema é que sempre que chegam aos locais, não encontram nada mais do que privadas ou algo do tipo. Roy Miller questiona seus superiores a respeito das fontes dessas informações. Ele sente que há algo de errado no ar e decide ir fundo na toca do coelho. Uma decisão repleta de riscos.

Paul Greengrass é um diretor que não se contenta apenas com a ação. Seus filmes sempre aspectos políticos e conspiratórios. Zona Verde é um verdadeiro thriller de guerra, com uma história razoavelmente complexa, que exige um certo grau de atenção do público. O filme quer mostrar algo que todos sabemos: as tais armas de destruição em massa eram apenas uma desculpa para os EUA invadir o Iraque e fazer o que bem entendessem. O diretor nos coloca dentro daquele caos ao utilizar seu estilo quase documental de filmar. As interpretações de Matt Damon e Khalid Abdalla também merecem destaque. Tudo parece bem real.

Apesar das cenas de ação serem filmadas com a competencia habitual, não posso negar que em alguns momentos elas me pareceram um tanto longas e confusas. Isso não atrapalha o filme como um todo, mas é uma falha que poderia ser corrigida sem muito trabalho. Enfim, Zona Verde é um bom filme de guerra, com um lado político intrigante, mas que fica um pouco empalidecido após algo do nível de Guerra ao Terror.

Nota: 7

Além da Linha Vermelha

Título original: The Thin Red Line
Ano: 1998
Diretor: Terrence Mallick

O diretor Terrence Mallick tem praticamente 40 anos de carreira, mas apenas 5 filmes realizados. Isso mostra que ele não faz filmes apenas por fazer. Quando inicia um trabalho, Mallick se dedica completamente a ele, criando obras que sempre trazem um significado. Em Além da Linha Vermelha ele utilizou vários atores importantes do cinema para mostrar um pouco do que foi a campanha do Pacífico na Segunda Guerra Mundial. John Travolta, Sean Penn, Jim Caviezel, Adrien Brody, John Cusack, George Clooney e Woody Harrelson são alguns dos nomes que fazem parte deste elenco de respeito.

É um filme de guerra, mas a abordagem é um pouco diferente do que estamos acostumados. O ritmo é peculiar. Mallick nos conduz pela história de cada soldado sem pressa alguma. Existem narrações em off de vários personagens. Elas mostram o sentimento deles em relação a guerra, ao inimigo e a raça humana como um todo.. Fui completamente absorvido por este filme de guerra intimista, que tem um trabalho fantástico de fotografia de John Toll. Ele explora muito bem os cenários naturais, concebendo imagens belíssimas com um ar poético.

As batalhas são poucas, mas quando acontecem mostram toda a habilidade de criação de Terrence Mallick. Ele as filma de uma maneira elegante e empolgante, como um ballet de tiros e sangue. Além da Linha Vermelha tem suas falhas, como o roteiro que basicamente vai do nada a lugar nenhum, mas é uma experiência única e arrebatadora, se você entrar no clima.

Nota: 9

Guerra ao Terror

Título original: The Hurt Locker
Ano: 2008
Diretor: Kathryn Bigelow

Guerra ao Terror estreia neste final de semana nos cinemas brasileiros e eu não tenho medo de recomenda-lo a todos. Este filme de guerra dirigido por Katryin Bigelow (ex-mulher de James Cameron) foi indicado a 9 Oscars, além de ter ganho vários prêmios importantes, como o Directors Guild of America. E não foi obra de marketing, pois o filme é excelente.

Nós acompanhamos a história de um esquadrão de bomba no meio da guerra do Iraque. Isso quer dizer perigo. Temos noção desse perigo logo na cena inicial, quando um soldado interpretado por Guy Pearce tem que desarmar uma bomba, mas as coisas não dão muito certo.

Um novo especialista assume o posto, trata-se do Sargento de Primeira Classe William James (Jeremy Renner). Ele personifica muito bem as legendas no início do filme, que dizem que “a guerra é uma droga”, mas droga no sentido de ser viciante. É isso mesmo. A guerra vicia. Ele me fez lembrar do clássico personagem de Robert Duvall em Apocalypse Now, que adorava sentir o cheiro de Nalpam pela manhã.

A interpretação de Jeremy Renner é digna de um astro do mais alto nível. Ele se destaca sempre que aparece na tela, como um competente e um tanto irresponsável especialista.

Este é um filme de guerra extremamente tenso. Todas os acontecimentos deixam os personagens nos seus limites e a diretora Kathryn Bigelow consegue criar uma carga de suspense muito forte. Aquela cena no meio do deserto envolvendo um Sniper inimigo é prova disso. Sentimos que a vida dos soldados está sempre por um fio e isso é um feito digno de admiração.

Temos muito suspense, ótimas atuações e cenas realmente fortes. Uma delas pode ser considerada a cena mais forte do ano, ganhando até das cenas de canibalismo de A Estrada.

Eu diria que filmes bons também são viciantes e Guerra ao Terror é um exemplo disso.

Nota: 9

– Por B. Knott