Crítica: Fahrenheit 451 (1966)

451 graus Fahrenheit representa a temperatura ideal para que os livros sejam queimados nesta sociedade repressora mostrada do filme. Aqui a função dos bombeiros não é apagar incêndios, mas sim tacar fogo em qualquer livro encontrado e se o dono do livro não quiser se retirar do local, vai ser queimado junto.
Um bombeiro exemplar é Montag (Oksar Werner). Prestes a ser promovido, ele é capaz de encontrar livros nos locais mais escondidos possíveis e tenta transmitir isso em aulas para futuros bombeiros. Em uma conversa com uma mulher no ônibus é perguntado se lê os livros que deve queimar, respondendo que não, pois existem coisas melhores para fazer e também porque é proibido. Mas a curiosidade às vezes é algo incontrolável e Montag não resiste ao convidativo David Copperfield, de Dickens, que lê de cabo a rabo, algo que muda o seu destino de maneira irreversível.
Ao mesmo tempo em que Fahrenheit 451 é um manifesto a favor do livre pensamento, celebrando o poder da palavra escrita, ele reserva momentos de um humor bem peculiar, como quando Montag diz que o cheiro de querosene que emana de seu corpo é como um perfume ou quando ele relata um método bem especial na queima dos livros: segunda é dia de queimar Miller, terça Tolstoi, sexta Faulkner e assim por diante.
Este é o único filme falado em inglês dirigido por François Truffaut, que utilizou aqui alguns elementos da nouvelle vague, além de chamar Bernard Herrmann (habitual colaborador de Hitchcock) para assinar a trilha sonora. Não podemos deixar de enaltecer também o trabalho de Ray Bradbury, falecido há menos de 1 mês. Ele foi o responsável por diversas histórias de ficção científica, sendo uma delas a que deu origem a este filme, escrita em 1953 e de mesmo nome.
8/10