Crítica: Corações de Ferro (Fury, 2014)

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Corações de Ferro, filme dirigido por David Ayer (Marcados para Morrer) e estrelado por Brad Pitt, é um lembrete de como o inferno da guerra pode transformar o homem. Por se tratar de um gênero de que gosto bastante e de ter como diretor um cara talentoso, minhas expectativas estavam bem altas. Boa notícia: elas foram muito bem correspondidas.

A trama se passa no período final da Segunda Guerra Mundial, momento em que os desesperados nazistas já sabiam que a derrota era certa, mas não queriam dar o braço a torcer. Acompanhamos um pequeno grupo de soldados que invade a Alemanha em um tanque. Quatro deles já são macacos velhos na ‘arte’ da guerra e um é um recém chegado dos mais inexperientes.

Há algo de clichê nessa situação de um novato dentro de um grupo calejado, porém aqui as coisas funcionam bem. O roteiro habilmente escrito faz o arco narrativo deste personagem soar bem natural e permite com que nos importemos com ele.

Um dos objetivos principais de Corações de Ferro é mostrar a camaradagem que surge entre os soldados no meio da guerra, ainda mais quando dividem o pequeno espaço de um tanque.

E é claro que não podemos esquecer da violência. Não faltam cenas que mostram o verdadeiro horror da guerra, seja quando vemos membros decepados jorrando sangue ou quando presenciamos atos covardes, mas justificáveis até certo ponto.

Apesar de uma sequência um tanto fora de lugar envolvendo o encontro os soldados e duas mulheres e a batalha final que, apesar de muito bem feita, é hollywoodiana demais, temos aqui um dos melhores filmes de guerra dos anos 2000.

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Crítica: Quanto Mais Quente Melhor (1959)

Não é fácil conceber uma comédia atemporal, mas é isso que Billy Wilder conseguiu com Quanto Mais Quente Melhor. Mais de 50 anos depois ainda é possível rir com as várias situações genuinamente engraçadas presentes aqui, algo que se deve ao espirituoso roteiro de I.A.L. Diamond e Billy Wilder e também às atuações inspiradas de Jack Lemmon e Tony Curtis.  Jack Lemmon está cheio de energia interpretando um músico que se passa por mulher para fugir de mafiosos, mas como esquecer da própria masculinidade quando se está ao lado de uma mulher como Sugar Kane, vulgo Marilyn Monroe?
Apesar de pertencer de fato ao gênero comédia, ele transita por outros gêneros, como o romance, ação e até mesmo empresta alguns elementos de filmes de máfia. Impressiona a maneira como Billy Wilder foi capaz de criar uma comédia cujo ponto de partida é um fuzilamento.
O filme inteiro funciona, mas não dá para não enaltecer Marilyn Monroe, uma atriz que esbanjava sensualidade e tinha uma presença como pouco se vê no cinema. Ela e Tony Curtis demonstram uma boa química e são donos de diálogos um tanto ousados para a época. Falando em diálogos, a última cena do filme é brilhante ao conseguir capturar muito bem a essência de tudo o que vimos antes. Inesquecível.

Review: Um Lugar Qualquer (2010)



Ao empregar uma narrativa nada convencional, este novo trabalho de Sofia Coppola afasta o público mais apressado e desejoso de ver tudo mastigado. As longas cenas que se desenrolam sem cortes e, aparentemente, sem muita coisa acontecendo, são essenciais para o propósito da diretora de desglamourizar a vida de uma estrela de cinema, focando em seu isolamento físico e emocional.

Johnny Marco é um famoso ator de Hollywood que tem tudo o que o dinheiro pode comprar, começando por uma Ferrari. Álcool, cigarros e mulheres são presenças constantes na vida de Johnny, interpretado de maneira precisa por Stephen Dorff. É difícil ter simpatia pelo personagem, pois o distanciamento criado por Coppola é grande, mas logo percebemos que ele não é uma pessoa ruim, já que trata bem os funcionários dos estabelecimentos que frequenta e tem uma boa relação de amizade com a filha, apesar de não ser um pai presente devido ao trabalho.

Um Lugar Qualquer não apresenta um começo, meio e fim bem definidos, mais parece que Coppola coloca uma câmera perseguindo Johhny e deixa as coisas acontecerem. Apesar disso, há um momento de percepção própria de Johnny que pode ser chamado de clímax. Se você não se importar nada com a cena, o filme não te convenceu, mas se você sentir um pouco de pena, vai perceber que pelo menos uma empatia foi criada e aí você compreende e aceita os meios que a diretora usou para demonstrar suas intenções.

Título original: Somewhere
Ano: 2010
País: USA
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Duração: 97 minutos
Elenco: Stephen Dorff, Elle Fanning, Chris Pontius

/ um lugar qualquer (2010) –
bruno knott,
sempre.


Review: Robin Wood (2010)


Nota: 6

O objetivo de Ridley Scott não era mostrar Robin Hood e sua característica de roubar dos ricos para dar aos pobres. A ideia é contar como a lenda surgiu. Robin Longstride acompanhava o exército de Ricardo Coração de Leão no retorno das cruzadas quando a morte do rei e uma promessa feita no leito de morte de um nobre inglês o fazem mudar de rumo. Robin percebe-se no meio de uma invasão francesa às terras inglesas. O povo inglês encontra-se dividido, graças ao ingênuo e mesquinho Príncipe João. Alguém terá que os unir. Quem será?

É triste constatar que um elenco tão sólido e um trabalho técnico de qualidade tornam-se escravos de um roteiro bobo e previsível. O roteirista Brian Helgeland já realizou ótimos trabalhos anteriormente, como Sobre Meninos e Lobos e Los Angeles Cidade Proibida, mas aqui ele errou feio. Russell Crowe apesar de atuar bem parece ter apenas repetido o que fez em Gladiador. Qual a diferença entre este Robin Wood e Maximus? Difícil responder. Se a ideia era contar como surgiu a lenda, não faria mais sentido utilizar um ator mais jovem?

Apesar das duas horas e meia de duração eu não me senti cansado vendo o filme, mas é claro que muitas cenas desnecessárias poderiam ter sido cortadas. Os cenários são fantásticos, recriando muito bem o período. Além disso, a batalha final é muito bem executada, com bastante sangue e violência. É o melhor momento de Robin Hood, mesmo que tenha uma bizarrice envolvendo a participação de Marion e de umas crianças selvagens. Mais uma prova do roteiro falho.


Título original: Robin Wood
Ano: 2010
País: USA
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Brian Helgeland
Duração: 140 minutos
Elenco: Russell Crowe, Cate Blanchett, Max von Sydow, William Hurt, Matthew Macfadyen, Kevin Durand, Mark Strong

/ robin wood (2010) –
bruno knott,
sempre.

* * *
Quero agradecer ao parceiro Jonathan Nunes, do blog Cinema Arte Diversão por ter me oferecido o selo Dardos. É o primeiro selo que recebo nessa jornada pelo mundo dos blogs de cinema. Valeu.

As regras são as seguintes:

1. Exibir a imagem do selo no seu blog
2. Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação.
3. Escolher outro blog para receber o Prêmio Dardos
4. Avisar ao escolhido.

O Blog que indico é o: CinePipocaCult, da Amanda Aouad, porque é um blog com costantes atualizações, que nos informa muito bem sobre o que ocorre no mundo do cinema, uma visita obrigatória.

A Caixa (2009)

Cotação: 6

A Caixa, cujo roteiro é inspirado em uma obra de Richard Matheson (autor de Eu Sou a Lenda), mostra vários pontos positivos de Richard Kelly, mas está bem longe de ter a qualidade de Donnie Darko. Muito se espera dos lançamentos do diretor, afinal ele é o criador do clássico cult Donnie Darko. Infelizmente, a cada novo filme temos uma nova decepção. Aqui temos um casal de classe média vivendo na Virgínia dos anos 70. Norma (Diaz) é uma professora e Arthur (Marsden) trabalha na NASA. Eles vivem tranquilamente as suas vidas até que recebem uma estranha caixa na porta de casa. A caixa não apresenta nada de anormal, a não ser um botão na superfície. Na sequência, eles são visitados por Arlington Steward, (Langella) que faz uma proposta nada usual: se eles apertarem o botão, ganharão 1 milhão de dólares, mas uma pessoa que eles não conhecem irá morrer. O casal tem 24 horas para tomar uma decisão.

É um enredo bastante interessante que propicia várias discussões relacionadas a moralidade e também nos permite fazer reflexões sobre a vida em sociedade. Me coloquei no lugar do casal e tentei imaginar o que faria em uma situação dessas. É uma situação sombria por si só, mas Richard Kelly deixa tudo com uma atmosfera mais sinistra ainda. Ele sabe como adicionar suspense e um ar bizarro nos seus filmes. Um exemplo é uma cena envolvendo um papai-noel no meio de uma estrada deserta. Estranha e assustadora. Apesar da ótima atmosfera e da boa ideia do roteiro, Richard Kelly se perde um pouco em sua ambição e desenvolve o filme de uma maneira absurda, fugindo de qualquer bom senso tangível, mesmo para uma ficção.

Não acho que tudo precisava ser explicado, já que um mistério sempre vai bem, mas há um excesso de pontas soltas que atrapalha o resultado final. De qualquer forma, me senti recompensado. Não é sempre que vemos um filme que estimule reflexões filosóficas e que faça analogias bacanas com a mitologia e com a bíblia. Em A Caixa vemos algumas mulheres apertando o botão e isso pode significar várias coisas: uma referência a Eva, a Pandora ou até mesmo uma suposta misoginia do diretor. Cabe a nós interpretar e decidir. Richard Kelly é ótimo para criar thrillers de suspense inteligentes, mas espero que o seu próximo trabalho tenha menos ficção e menos ambição. Quem sabe assim ele realize outra grande obra.



Título original: The Box
Ano: 2009
País: EUA
Direção: Richard Kelly
Roteiro: Richard Kelly
Duração: 115 minutos
Elenco: Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella, Sam Oz Stone

/bruno knott

Boas expectativas: Somewhere (2010, Sofia Coppola)

Sou um grande fã de Sofia Coppola. Além de ser filha de Francis Ford Coppola, ela vem mostrando ter talento próprio a cada filme que faz.

Ela não deu certo como atriz, como fica facilmente comprovado com a bizarra performance dela em O Poderoso Chefão 3, mas como diretora ela é excelente.

Sofia Coppola está por trás dos ótimos Virgens Suicidas (1999) e Maria Antonieta (2006) e da pequena obra-prima chamada Encontros e Desencontros (2003).


Vai demorar um pouco para nós brasileiros podermos acompanhar no cinema o novo filme da diretora. Somewhere não tem previsão de estreia para o Brasil e a minha vontade de assistir ao filme só aumenta.

O fato do filme ter ganho o Leão de Ouro no festival de Veneza é mais um motivo para me animar.

Assim como ocorreu em seus filmes anteriores, Somewhere conta com uma trilha sonora especial, com músicas das bandas Phoenix, Foo Figthers, Kiss e Strokes

Tem como dar errado?

Espero responder isso o mais breve possível.

/bruno knott

Vírus (2009)


Cotação: 8

As primeiras imagens de Vírus mostram uma família se divertindo na praia. É uma imagem antiga, chuviscada. As crianças brincam na areia e perseguem gaivotas. Logo essas imagens dão lugar a 4 pessoas dentro de um carro, no qual se pode ler a frase “Road Warrior” pintada capô, numa referência a Mad Max. Brian é quem está atrás do volante. Ele dirige a mais de 100 quilômetros por hora, toma uma cerveja e age como um louco. Ao seu lado está Danny, um rapaz bem mais comedido. No banco de trás, a namorada de Brian e uma amiga de Danny. Os dois rapazes são os irmãos das imagens iniciais e agora são sobreviventes em um mundo vazio e sem futuro.

Um vírus está acabando com o planeta Terra e com todos os seus habitantes. É fácil ser infectado e uma vez hospedeiro, não há mais chances de se manter vivo por muito tempo. É por isso que os irmãos criam regras de sobrevivência. Isso soa como Zumbilândia, mas não se enganem. Vírus é um filme com um tom mais sério e sem zumbis. O objetivo dos irmãos é dirigir até a praia que é mostrada no início, como se ela fosse um tipo de porto seguro para eles. É um road-movie que coloca os personagens em situações desesperadoras, mas não espere ação e nem terror. Espere ver quatro pessoas normais lidando de maneiras imprevisíveis com perdas e com um mundo que está se acabando.

Existem várias cenas fortes, algumas que eu até não esperava ver. Em momentos extremos é que a verdadeira essência da pessoa se revela e o filme foi muito feliz em mostrar isso. Em uma sequência, há uma demonstração do amor incondicional que um pai sente pelo filho e em outra, os personagens não hesitam em abandonar os outros para tentar sobreviver. Me surpreendi com a capacidade desses atores em me fazer acreditar no que estava vendo.

Claro que o filme tem erros, alguns até graves. Os clichês comuns em filmes assim estão presentes. Você vai ver alguém tomando decisões absurdamente erradas, assim como alguns buracos no roteiro. O bom é que o filme funciona. Se concentrar na maneira como os personagens reagem ao fim das coisas como elas são é o verdadeiro charme de Vírus, que ainda encontra tempo para alívios cômicos verossímeis, como uma partida de golfe diferente. Uma agradável e perturbadora surpresa, eu diria.


Título original: Carriers
Ano: 2009
País: EUA
Direção: Alex e David Pastor
Roteiro: Alex e David Pastor
Duração: 84 minutos
Elenco: Lou Taylor Pucci, Chris Pine, Piper Perabo, Emily VanCamp

/bruno knott

Direito de Amar


Título original: A Single Man
Ano: 2009
Diretor: Tom Ford

Tom Ford é conhecido pelo seu trabalho no mundo da moda, sendo considerado um dos estilistas mais famosos dos Estados Unidos.  A estreia dele como diretor de cinema não poderia ser mais promissora com este fantástico Direito de Amar. O filme nos apresenta a George Falconer (Colin Firth) no dia em que ele decide dar um fim a própria vida. Ele teve um relacionamento de 16 anos com Jim, mas um acidente de carro tirou a vida deste e levou George a um profundo estado depressivo. “Acordar pela manhã dói”, nos informa George numa narração em off.

O clima triste do filme é realçado pelo espetacular trabalho técnico de Tom Ford, do diretor de fotografia Eduard Grau e pela trilha sonora marcante de Abel Korzeniowski. É um trabalho técnico arduamente lapidado e que pode ser considerado exagerado por alguns. Particularmente, não vejo problemas em exagerar na qualidade. Mais do que requinte técnico, o filme tem alma e graças a Colin Firth, que oferece o seu melhor trabalho até aqui. Ele transmite toda a tristeza do personagem com os olhos e com o tom de voz, algo difícil de se ver hoje em dia. Somos expectadores de um dia na vida de George, um dia sombrio, afinal ele decide se matar, mas há espaço para reconsiderações. A maneira como ele se envolve com as pequenas coisas é algo de extrema beleza, como quando ele acaricia um fox terrier, lembrando-se dos cães que teve em conjunto com Jim.

A mudança na tonalidade das cores quando estes momentos de prazer acontecem foi uma ótima sacada de Tom Ford e Eduard Grau. Falando assim parece não ser muito sutil, mas garanto que é muito eficiente e tocante. Direito de Amar é capaz de proporcionar reflexões sobre a vida e a morte de uma maneira poderosa. O final irônico pode dividir opiniões e até o momento não consegui decidir se gostei ou não. O fato é que estamos diante de um dos melhores filmes do ano.


Nota: 8

– bruno knott

Elefante

Título original: Elephant
Ano: 2003
Diretor: Gus Van Sant

Apostando num ritmo lento e em um distanciamento dos personagens, Gus Van Sant transforma em filme o Massacre de Columbine, ocorrido em 1999. Num colégio americano, 12 jovens e um professor são mortos por dois alunos fortemente armados. Quem não se lembra deste caso? Quem não ficou chocado com toda essa situação?

Em Elefante, Gus Van Sant não quer descobrir o motivo disto ter ocorrido. Ele apresenta argumentos, mas não os discute de maneira aprofundada. Bullying, jogos violentos, facilidade para adquirir armas, filmes nazistas, exclusão e vontade de fazer algo diferente. Para pessoas normais, não são influências suficientes para praticar assassinatos. Mas, quem disse que os dois eram normais? Ambos apresentavam sérios disturbios psicológicos e chegou um momento em que não aguentaram mais as perseguições que sofriam.

Não sei se havia necessidade deste ritmo lento, com o diretor filmando as costas dos persongens por vários minutos, mas isso funcionou para mim. É uma técnica que dá mais verossimilhança a história, além de ser algo visualmente interessante. De qualquer forna, o que marca mesmo são os angustiantes minutos finais, em que temos os dois jovens colocando em prática as suas vontades. É um final poderoso e chocante e que serve como um alerta para que outros elefantes brancos não sejam esquecidos.

Nota: 8

– b. knott

Tudo Pode dar Certo

Título Original: Whatever Works
Ano: 2009
Diretor: Woody Allen

O roteiro do filme é alvo de críticas por ter sido feito nos anos 70 e por contar com clichês do diretor. Algumas situações e diálogos datados são perceptíveis, mas não há tanto problema nisso, pois Woody Allen quer divertir o público de uma maneira despretensiosa.

Boris (Larry David) é um rabugento de 60 anos. Ele se auto-proclama um gênio e se gaba por ter sido indicado a um Nobel da física. Hoje ele ensina xadrez para crianças. Boris sempre diz o que pensa, nunca hesitando em diminuir intelectualmente quem cruza seu caminho. É hipocondríaco, misógino e já tentou suícidio. Essas características garantem risadas e também algumas boas reflexões sobre os padrões da sociedade atual. Uma das melhores cenas é aquela em que Boris acorda de madrugada gritando: “O Horror! O Horror!” numa referência a Apocalypse Now. Sua vida muda quando encontra Melody (Evan Rachel Woods), uma jovem de 20 anos, chorando nas escadas da sua própria casa. A príncipio, ele despeja sarcasmo e mal-humor na moça, mas aos poucos vai admirando o seu jeito relativamente inocente. Os dois se casam e vivem razoavelmente bem. Quando a mãe de Melody entra em cena o casamento corre perigo e o filme ganha em qualidade.

Gosto de Larry David, principalmente por ser co-criador de Seinfeld, mas ele não funciona muito bem aqui. Sua falta de carisma não permite uma aproximação do público. Se Woody Allen fosse o protagonista a história seria outra. Além disso, Boris é o único personagem que não evolui. Todos passam por mudanças significativas em suas vidas e ele continua o mesmo até o último minuto. Mesmo inferior a Match Point e Vicky Cristina Barcelona, Whatever Works proporciona uma boa dose de diversão. Seria mais produtivo para Wood Allen continuar filmando na Europa. O ar do velho continente faz bem ao diretor.

Nota: 7

Apocalypse Now

Título original: Apocalypse Now
Ano: 1979
Diretor: Francis Ford Coppola

Este é um filme celebrado em todos os cantos do mundo. É uma obra obrigatória para todos os amantes do cinema, gostem de filmes de guerra ou não. Apocalypse Now é muito debatido desde o seu lançamento, não é um comentário meu que vai fazer alguma diferença. A ideia é apenas registrar aqui toda a admiração que nutro por ele.

Durante a Guerra do Vietnam o capitão Willard (Martin Sheen) recebe uma missão pouco usual: ele deve percorrer as entranhas do Camboja em busca do Coronel Kurtz (Marlon Brando) e exterminá-lo. Kurtz era um militar respeitado nos EUA até abandonar suas obrigações militares e criar uma milícia com o povo local, operando com metódos altamente bizarros. O caminho até Kurtz é cheio de perigos e temos a oportunidade de ver a desorganização de boa parte das patrulhas americanas no conflito. Os soldados estavam mais interessados em beber, fumar maconha e atirar em qualquer coisa em movimento. Apocalypse Now é um verdadeiro épico de guerra. A criação de Francis Ford Coppola impressiona a cada frame. Ele cria um filme que estimula os nossos sentidos de uma maneira ímpar.

Melhor que a parte técnica é o lado psicológico da história. Durante o caminho Willard aprende mais coisas sobre o antigo coronel. Ao mesmo tempo ele admira e teme o que Kurtz se tornou. O público tem o mesmo sentimento do protagonista e não vemos a hora deles se encontrarem. Os diálogos entre os dois são impressionantes e funcionam como um forte manifesto anti-belicista.  Apesar de longo, o filme tem um ritmo agradável. São tantas cenas fantásticas que nem pensamos em olhar no relógio. É difícil eleger uma cena preferida, mas a minha é o famoso ataque feito pelos helicópteros ao som de Cavalgada das Valquírias, com o Robert Duvall interpretando um alucinado tenente que adora o cheiro de nalpam pela manhã.

Nota: 9,5

Zona Verde

Título original: Green Zone
Ano: 2010
Diretor: Paul Greengrass

Roy Miller é um soldado que tenta fazer as coisas de maneira correta em meio a Guerra do Iraque. Ele e seus comandados seguem pistas em busca de armas de destruição em massa. O problema é que sempre que chegam aos locais, não encontram nada mais do que privadas ou algo do tipo. Roy Miller questiona seus superiores a respeito das fontes dessas informações. Ele sente que há algo de errado no ar e decide ir fundo na toca do coelho. Uma decisão repleta de riscos.

Paul Greengrass é um diretor que não se contenta apenas com a ação. Seus filmes sempre aspectos políticos e conspiratórios. Zona Verde é um verdadeiro thriller de guerra, com uma história razoavelmente complexa, que exige um certo grau de atenção do público. O filme quer mostrar algo que todos sabemos: as tais armas de destruição em massa eram apenas uma desculpa para os EUA invadir o Iraque e fazer o que bem entendessem. O diretor nos coloca dentro daquele caos ao utilizar seu estilo quase documental de filmar. As interpretações de Matt Damon e Khalid Abdalla também merecem destaque. Tudo parece bem real.

Apesar das cenas de ação serem filmadas com a competencia habitual, não posso negar que em alguns momentos elas me pareceram um tanto longas e confusas. Isso não atrapalha o filme como um todo, mas é uma falha que poderia ser corrigida sem muito trabalho. Enfim, Zona Verde é um bom filme de guerra, com um lado político intrigante, mas que fica um pouco empalidecido após algo do nível de Guerra ao Terror.

Nota: 7