Resenha de filme: Santos ou Soldados (2003)

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Santos ou Soldados é uma prova de que é possível fazer um bom filme de guerra com um orçamento modesto. Para tal, são necessários um roteiro competente, atuações convincentes e criatividade na hora de trabalhar com os efeitos especiais. É o que temos aqui. A trama mostra quatro soldados que conseguiram fugir do massacre de Malmedy (Bégica), episódio da Segunda Guerra em que prisioneiros americanos foram covardemente assassinados por soldados alemães. Esses quatros soldados ganham a companhia de um inglês que cai de paraquedas na região. Eles estão atrás das linhas inimigas e vão tentar encontrar uma base aliada. Além da sobrevivência, eles também tem o objetivo de passar uma informação importante aos seus superiores.

Baseado em fatos reais, o filme oferece sequências que transmitem bem o medo e a tensão de tentar passar despercebido em uma área infestada de inimigos. Qualquer barulho nas redondezas pode ser indicativo da presença dos alemães. O grupo também precisa enfrentar o frio, a neve e a pequena quantidade de suprimentos.

Apesar das dificuldades, é uma oportunidade para que criem-se laços ainda mais fortes de amizade entre os soldados. Mesmo com a pequena duração, é possível conhecermos boa parte dos personagens e seus conflitos pessoais.

Outro ponto positivo é o combate propriamente dito. Não temos espetáculos visuais nos moldes de O Resgate do Soldado Ryan, mas as cenas de batalha são verossímeis e realçam a crueldade da guerra.

É uma pena que Santos ou Soldados tente apelar para lágrimas do público através de situações forçadas, como o soldado que quer um cigarro e por todo o subtexto religioso.

Não estamos diante de um top 20 do gênero, mas é um trabalho que merece ser visto.

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Resenha de Filme: Cartas de Iwo Jima (2006)

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A empreitada comandada por Clint Eastwood é digna de aplausos. Com A Conquista da Honra e o ótimo Cartas de Iwo Jima, o diretor nos apresentou a um importante conflito da Segunda Guerra Mundial sob a perspectiva dos dois lados envolvidos. Em Cartas de Iwo Jima, vemos o desenrolar da batalha do ponto de vista dos japoneses, os derrotados.

Boa parte do filme é dedicada a preparação do exército japonês para a defesa da ilha contra o ataque iminente. As dificuldades eram enormes. Muita energia era gasta com a escavação de túneis e o psicológico também era afetado pela pressão imposta por alguns oficiais. Os soldados conviviam com a falta de água e de comida, além da enorme saudade do lar e do medo de não conseguirem voltar com vida. Eastwood investe em três personagens principais, inclusive utilizando flashbacks para mostrar onde eles estavam antes da guerra. A identificação mais fácil é com o rapazote Saigo, um padeiro pai de família jogado no meio daquele caos.

E que caos. As cenas de batalha transmitem com precisão toda a violência da batalha. Não foi à toa que o filme recebeu o Oscar de melhor edição de som. Apesar da notória qualidade técnica, os momentos mais intimistas é que marcam, como o sofrimento dos soldados japoneses e a opção de boa parte deles pelo harakiri (o ritual suicida do guerreiro) ao invés da rendição.

Os únicos aspectos que me incomodaram um pouco foram a fotografia exageradamente dessaturada e a duração levemente exagerada. No mais, um dos grandes filmes de guerra dos últimos anos e uma ideia genial de Clint Eastwood.

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Crítica: Platoon (1986)

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Não é exagero dizer que Platoon é um dos filmes de guerra mais autênticos e realistas já produzidos, principalmente se pensarmos em termos de Guerra do Vietnã. Para comprovar tal afirmação, basta sabermos que o diretor Oliver Stone serviu na infantaria americana no conflito e que o personagem principal basicamente representa o próprio diretor. Ao analisarmos entrevistas de Stone sobre o filme e a Guerra em si, vemos declarações sinceras que demonstram seu desejo de transmitir para o público a sensação de estar no meio daquele caos. Para completar, uma exibição do filme a alguns veteranos da guerra e a reação deles é outro indicativo da verossimilhança de Platoon.

Assim como o novato Chris Taylor (Charlie Sheen) aterrizamos no Vietnã e temos as piores impressões possíveis. O calor, cadáveres transportados em sacos plásticos e o olhar vazio de um veterano indo embora são sintomáticos. Em um missão de reconhecimento, Chris percebe que o perigo não reside apenas nos vietcongues, mas também na floresta densa, na umidade, nos insetos, nas cobras e nas poucas horas de sono. Mais tarde, ele descobre que até o mesmo o seu próprio pelotão pode representar um risco, afinal existe um racha entre os sargentos Barnes e Elias.

Uma guerra como essa é capaz de transformar o ser humano rapidamente. Uma morte causada pelo exército inimigo serve como desculpa para atos covardes contra uma vila indefesa. A loucura toma conta de alguns, assim como o mais profundo medo. Percebam a diferença de Chris no começo e no final do filme. Para sobreviver aqui é necessário adaptar-se e contar com um pouco da sorte.

O filme acerta em cheio ao retratar de maneira honesta e visceral a guerra do Vietnã, com momentos de muita tensão, medo e violência. E claro, temos que aplaudir Stone por mostrar toda a controvérsia acerca deste conflito.

Um top 10 do gênero.

5

Crítica: Corações de Ferro (Fury, 2014)

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Corações de Ferro, filme dirigido por David Ayer (Marcados para Morrer) e estrelado por Brad Pitt, é um lembrete de como o inferno da guerra pode transformar o homem. Por se tratar de um gênero de que gosto bastante e de ter como diretor um cara talentoso, minhas expectativas estavam bem altas. Boa notícia: elas foram muito bem correspondidas.

A trama se passa no período final da Segunda Guerra Mundial, momento em que os desesperados nazistas já sabiam que a derrota era certa, mas não queriam dar o braço a torcer. Acompanhamos um pequeno grupo de soldados que invade a Alemanha em um tanque. Quatro deles já são macacos velhos na ‘arte’ da guerra e um é um recém chegado dos mais inexperientes.

Há algo de clichê nessa situação de um novato dentro de um grupo calejado, porém aqui as coisas funcionam bem. O roteiro habilmente escrito faz o arco narrativo deste personagem soar bem natural e permite com que nos importemos com ele.

Um dos objetivos principais de Corações de Ferro é mostrar a camaradagem que surge entre os soldados no meio da guerra, ainda mais quando dividem o pequeno espaço de um tanque.

E é claro que não podemos esquecer da violência. Não faltam cenas que mostram o verdadeiro horror da guerra, seja quando vemos membros decepados jorrando sangue ou quando presenciamos atos covardes, mas justificáveis até certo ponto.

Apesar de uma sequência um tanto fora de lugar envolvendo o encontro os soldados e duas mulheres e a batalha final que, apesar de muito bem feita, é hollywoodiana demais, temos aqui um dos melhores filmes de guerra dos anos 2000.

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Uma Ponte Longe Demais (1977)

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Uma Ponte Longe Demais reconta uma tentativa frustrada dos aliados de tomar pontes na Holanda e Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Essa gigantesca campanha militar ficou conhecida como operação Market Garden. Vários atores de renome estão presentes, como James Caan, Michael Caine, Sean Connery, Gene Hackman, Anthony Hopkins, Robert Redford, Ryan O’Neal e Liv Ullmann. São tantos que falta tempo para todos se destacarem, mas James Caan possui uma cena particularmente intensa e emocional e Michael Caine demonstra bons exemplos do humor britânico. A duração de quase três horas é exagerada, afinal são muitas as cenas que se alongam demais sem que algo de relevante aconteça. De qualquer forma, os milhares de figurantes, os cenários, a violência nua e crua e os efeitos especiais competentes nos dão a sensação de que fazemos parte do conflito. Há bastante suspense também, principalmente na sequência em que o personagem de Sean Connery encontra-se preso atrás das linhas inimigas. É impressionante como o filme vai mudando de tom no decorrer de sua longa duração. A crueldade promovida pela guerra nunca é esquecida, mas são nas últimas cenas que a mensagem antibelicista se torna mais evidente. Uma Ponte Longe Demais é, sem dúvida, um excelente (e subestimado) filme de guerra.
8/10

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kinopoisk.ru

The Pacific – Parte Oito: Iwo Jima

Li muitos comentários negativos sobre este episódio. A maioria reclama da falta de ação e do excesso de cenas intimistas e de romance, algo parecido com o que ocorreu no terceiro episódio.

Temos que levar em consideração que a ideia aqui é homenagear o marine John Basilone, considerado um dos grandes heróis americanos da guerra.

Basilone mostra-se insatisfeito por não estar participando do combate. No momento, ele treina jovens soldados, mas ele quer mais.

O respeito que Basilone mostra para com o inimigo é digno de nota. Quando um soldado em treinamento fala que quer ir para o Pacífico para “matar japas”, Basilone discorre sobre as virtudes do “soldado japonês”. Ele respeita o inimigo e sabe que vence-lo não é tarefa fácil.

Antes que vejamos qualquer sinal de batalha, vamos ver um Basilone exigente treinando soldados e um romântico se apaixonando pela soldado Lena Riggi.

A mini história de amor é eficiente e desenvolve ainda mais este belo personagem. Uma conversa sobre café é capaz de mostrar particularidades de ambos e também de nos fazer acreditar que eles estão se apaixonando.

Há quem possa dizer que o episódio soe como um O Resgate do Soldado Ryan invertido, com bla-bla-bla no início e ação no fim, mas acredito que filmes de guerra que só mostram batalhas não acrescentam muita coisa.

A passagem da calmaria do romance para a situação frenética que foi Iwo Jimma é feita de maneira genial. Após uma noite de amor entre Basilone e Lena Riggi, há uma cena mostrando a janela da casa deles e um céu encoberto, como se uma tempestade estivesse para acontecer. Em um corte rápido somos jogados para todo o caos de Iwo Jima, juntamente com Basilone.

E aí nos oferecem mais cenas fabulosas de batalha. Esse pessoal realmente sabe o que faz.

Basilone foi o único soldado a receber uma medalha de honra e voltar e morrer na guerra.

Seus últimos instantes de vida tem um sentido de urgência impressionante. Sabemos que alguma coisa vai acontecer e não será nada bom.

No final, uma tomada área mostra Basilone em meio a milhares de soldados americanos mortos. Apesar de seus atos heróicos, naquele momento ele não é nada mais do que estatística, o que não deixa de ser algo um tanto depressivo.

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/bruno knott

The Pacific – Parte Seis: Peleliu Airfield


No começo da sexta parte de The Pacific o soldado Sid Phillips está de volta aos Estados Unidos. Ele visita os pais do seu melhor amigo Sledge, que acaba de entrar na guerra. Obviamente, uma das coisas que os pais de Sledge querem saber é a situação na qual o filho se encontra nas ilhas do Pacífico. Sid procura conforta-los, dizendo para eles não se preocuparem, pois Sledge está com os melhores e que não fica tão exposto ao fogo cruzado.

A conversa de Sid transforma-se numa grande ironia, já que Peleliu Airfield é, até agora, o episódio com as cenas mais sangrentas e violentas da série, provavelmente fazendo jus ao o que realmente foi a guerra do Pacífico.

Novamente somos lembrados que o clima da região é também um grande inimigo. Um calor de 43 graus e a falta de água levam os soldados a sofrerem pela insolação e desidratação.

Para termos uma ideia de quão problemática era a situação, quando os soldados encontram uma poça de água logo decidem não ingerir sequer uma gota, com medo de que ela estivesse envenenada pelos “japas”.

O exército recebe a missão de atravessar uma pista de pouso para combater os japoneses nas colinas onde estão escondidos. Atravessar uma pista de poucos metros se transforma na tarefa mais perigosa que aqueles soldados já tiveram que enfrentar.

Foi absolutamente impressionante acompanhar essas cenas de batalha na pista de pouso. Os soldados americanos indo de peito aberto, tentando chegar ao outro lado e os japoneses defendendo com a ferocidade característica.

Estejam certos que essas cenas tem toda a intensidade e adrenalina que esperávamos da série. Sentimos aquela empolgação que não ocorre com frequência. Nosso coração palpita enquanto vemos e escutamos tiros, bombas, morteiros e corpos voando para todos os lados, numa verdadeira carnificina.

The Pacific mostra os sacríficios que só mesmo um soldado no meio de uma guerra pode fazer. A cenas em que o colega de Sledge divide o seu cantil de água com os outros e a que Leckie vai em busca de um médicio para Wilburn são tocantes nesse sentido.

Além do grande destaque em termos de ação, há neste episódio um diálogo interesse em que o capitão do pelotão tenta convencer Sledge e a ele próprio que essa é uma guerra que vale a pena ser lutada. Se é um discurso válido ou não cabe a cada um de nós decidir.

O fato é que este episódio me animou ainda mais. Finalmente The Pacific tomou o rumo certo e acho difícil que se desvie do caminho. Ainda bem.

/bruno knott

O Resgate do Soldado Ryan

Título original: Saving Private Ryan
Ano: 1998
Diretor: Steven Spielberg

Esta incursão de Steven Spielberg na Segunda Guerra Mundial proporcionou uma verdadeira revolução do gênero. A sequência mais marcante do filme é, sem dúvida, a invasão da Normandia. Ela foi filmada de maneira realista e frenética, mas nunca confusa. Spielberg consegue transmitir toda a violência do conflito nestes 20 e poucos minutos iniciais.

No meio desse caos, o capitão Miller (Tom Hanks) recebe a missão de encontrar o soldado Ryan e levá-lo para casa. O soldado ganhou este direito após seus três irmãos morrerem no conflito.

Apesar do roteiro não ser dos melhores, ele conta com momentos interessantes que retratam o sofrimento dos soldados em meio a guerra e a saudade que eles sentem de casa. Spielberg mostra sensibilidade para lidar com esses momentos intimistas, como exemplo, destaco a cena em que o médico se arrepende de algumas atitudes anteriores ao conflito e aquela em que Upham tenta salvar um soldado alemão do fuzilamento.

Enfim, é um filme muito bem equilibrado, com um ritmo que sempre nos deixa interessados no que está acontecendo. Em 1998 fomos presenteados com dois excelentes filmes de guerra, este e o Além da Linha Vermelha. Como ambos perderam o Oscar para Shakespeare Apaixonado é algo difícil de explicar.

Nota: 8

Apocalypse Now

Título original: Apocalypse Now
Ano: 1979
Diretor: Francis Ford Coppola

Este é um filme celebrado em todos os cantos do mundo. É uma obra obrigatória para todos os amantes do cinema, gostem de filmes de guerra ou não. Apocalypse Now é muito debatido desde o seu lançamento, não é um comentário meu que vai fazer alguma diferença. A ideia é apenas registrar aqui toda a admiração que nutro por ele.

Durante a Guerra do Vietnam o capitão Willard (Martin Sheen) recebe uma missão pouco usual: ele deve percorrer as entranhas do Camboja em busca do Coronel Kurtz (Marlon Brando) e exterminá-lo. Kurtz era um militar respeitado nos EUA até abandonar suas obrigações militares e criar uma milícia com o povo local, operando com metódos altamente bizarros. O caminho até Kurtz é cheio de perigos e temos a oportunidade de ver a desorganização de boa parte das patrulhas americanas no conflito. Os soldados estavam mais interessados em beber, fumar maconha e atirar em qualquer coisa em movimento. Apocalypse Now é um verdadeiro épico de guerra. A criação de Francis Ford Coppola impressiona a cada frame. Ele cria um filme que estimula os nossos sentidos de uma maneira ímpar.

Melhor que a parte técnica é o lado psicológico da história. Durante o caminho Willard aprende mais coisas sobre o antigo coronel. Ao mesmo tempo ele admira e teme o que Kurtz se tornou. O público tem o mesmo sentimento do protagonista e não vemos a hora deles se encontrarem. Os diálogos entre os dois são impressionantes e funcionam como um forte manifesto anti-belicista.  Apesar de longo, o filme tem um ritmo agradável. São tantas cenas fantásticas que nem pensamos em olhar no relógio. É difícil eleger uma cena preferida, mas a minha é o famoso ataque feito pelos helicópteros ao som de Cavalgada das Valquírias, com o Robert Duvall interpretando um alucinado tenente que adora o cheiro de nalpam pela manhã.

Nota: 9,5

Além da Linha Vermelha

Título original: The Thin Red Line
Ano: 1998
Diretor: Terrence Mallick

O diretor Terrence Mallick tem praticamente 40 anos de carreira, mas apenas 5 filmes realizados. Isso mostra que ele não faz filmes apenas por fazer. Quando inicia um trabalho, Mallick se dedica completamente a ele, criando obras que sempre trazem um significado. Em Além da Linha Vermelha ele utilizou vários atores importantes do cinema para mostrar um pouco do que foi a campanha do Pacífico na Segunda Guerra Mundial. John Travolta, Sean Penn, Jim Caviezel, Adrien Brody, John Cusack, George Clooney e Woody Harrelson são alguns dos nomes que fazem parte deste elenco de respeito.

É um filme de guerra, mas a abordagem é um pouco diferente do que estamos acostumados. O ritmo é peculiar. Mallick nos conduz pela história de cada soldado sem pressa alguma. Existem narrações em off de vários personagens. Elas mostram o sentimento deles em relação a guerra, ao inimigo e a raça humana como um todo.. Fui completamente absorvido por este filme de guerra intimista, que tem um trabalho fantástico de fotografia de John Toll. Ele explora muito bem os cenários naturais, concebendo imagens belíssimas com um ar poético.

As batalhas são poucas, mas quando acontecem mostram toda a habilidade de criação de Terrence Mallick. Ele as filma de uma maneira elegante e empolgante, como um ballet de tiros e sangue. Além da Linha Vermelha tem suas falhas, como o roteiro que basicamente vai do nada a lugar nenhum, mas é uma experiência única e arrebatadora, se você entrar no clima.

Nota: 9

Platoon

Título original: Platoon
Ano: 1986
Diretor: Oliver Stone

Chris Taylor (Charlie Sheen) acaba de chegar no Vietnã e em pouco tempo ele percebe o erro que cometeu quando voluntariou para o conflito. As dificuldades que ele enfrenta são imensas. Ele é alvo de desconfiança de alguns dos veteranos e qualquer erro que ele cometa pode lhe trazer grandes problemas. É como tentar andar sobre ovos sem quebra-los.

Oliver Stone coloca seus personagens e o público num ambiente opressivo. O diretor nos faz cientes de que o perigo não se deve apenas aos vietcongs escondidos em cada canto da floresta, mas também, ao próprio ambiente, repleto de florestas densas, quentes, com cobras e mosquitos transmitindo diversas doenças. Para piorar, há um conflito interno entre os sargentos Barnes e Elias, que provoca um racha no pelotão. É evidente o teor anti-belicista do filme e até mesmo, anti-americano, principalmente se levarmos em conta os diálogos de alguns personagens que não cansam de falar mal da política do seu próprio país.

As cenas de batalhas empolgam pelo seu visual que se aproxima da realidade. Não há nenhum tipo de embelezamento artificial, é algo cru e por isso, impressiona. A guerra é algo que tem potencial para tornar homens animais. E aqueles homens que já são animais? Eles utilizam a guerra para por em prática seus desejos cruéis e sanguinários, como fica evidente em uma cena chocante que ocorre numa aldeia vietnamita. Este filme contém muitas cenas fortes e perturbadoras, que mostram toda a imbecilidade que foi a guerra do Vietnam.

Nota: 8

– B.K.

Entre Irmãos

Título original: Brothers
Ano: 2009
Diretor: Jim Sheridan

Entre Irmãos é um drama de guerra que não consegue fugir de alguns clichês do gênero. Sam Cahill (Maguire) é o irmão “bom”. Tem um bom relacionamento com a mulher Grace (Portman) e os filhos, é organizado, respeitado e está prestes a ir para o Afeganistão. Tommy (Gyllenhaal) é o patinho feio da família. Acaba de sair da prisão, é nervosinho e tem algumas rusgas com o pai. Poucos dias depois de chegar no Afeganistão, Sam desaparece e é dado como morto. Isso arrasa a família, mas ao mesmo tempo, aproxima seu irmão Tommy da mulher Grace. Não demora muito e já podemos adivinhar que Sam não está morto coisa nenhuma.

É um filme previsível. Sabemos quase que exatamente quais os caminhos que a história vai tomar. O bom é que as atuações fazem tudo valer a pena, principalmente no caso de Tobey Maguire. Não tenho dúvida em afirmar que é o melhor trabalho dele. Uma indicação ao Oscar seria um reconhecimento mais do que justo. Pena que não ocorreu. Vocês podem achar que se trata de um filme bem meia boca, um drama de guerra familiar meio tosco, mas o fato é que as atuações compensam.

Sam é mais um daqueles casos de um soldado que não consegue se readaptar a vida fora dos campos de batalhas. Junte-se a isso um ciúme doentio e teremos um personagem explosivo. Não sabia que Tobey Maguire era capaz de fazer o que fez aqui. Sem dúvida é uma performance que não se pode deixar de conferir. Entre Irmãos é um filme de mediano para bom, com ótimas atuações e uma cena bem chocante em um campo de prisioneiros. Está longe de ser um Guerra ao Terror, mas merece uma ida ao cinema.

Nota: 7