Crítica: The Program (1993)

the-program-1993A ideia em The Program é interessante: nos mostrar o dia a dia dos jogadores de futebol americano universitário, focando em seus problemas de relacionamento, uso de anabolizantes, pressão por vitórias, notas baixas e assim por diante. É uma pena que tudo é feito da pior maneira possível, isso graças a um roteiro pessimamente escrito. Quase nada do que é visto aqui parece autêntico, começando pelos romances mais do que forçados. Os diálogos fracos não ajudam em nada também. O filme tenta abordar muita coisa em pouco tempo, dessa forma acabamos não nos importando com nada e com ninguém, inclusive com o resultado do jogo decisivo. Pelo menos as cenas dentro do campo são intensas e até belas quando é utilizada a câmera lenta. Fora isso, uma grande perda de tempo.
4/10 

Crítica: A Chance (All The Right Moves, 1983)

all-the-right-movesMesmo não sendo baseado em fatos reais, All The Right Moves soa verossímil quando nos apresenta aos seus personagens principais e seus conflitos. Stefen (Tom Cruise) é um jovem que está no último ano do ensino médio. Ele é um cornerback (defensor) no time do colégio e tem chances de ser recrutado por uma universidade, mas ele sabe que o seu futuro não está na NFL e sim no diploma de engenharia que almeja conseguir.

Para adicionar contornos ainda mais realistas, o jovem Stefen tem que conviver com a ameaça de um destino sombrio, ao mesmo tempo em que precisa amadurecer para não estragar o seu relacionamento com Lisa.

O time está prestes a enfrentar um grande adversário e tanto Stefen como o técnico Nickerson serão observados de perto por olheiros. A atmosfera para o jogo decisivo é muito bem construída. Sentimos a intensidade dos jogadores e da comissão técnica nos treinamentos pesados, a empolgação dos familiares na noite anterior a partida e toda a tensão no vestiário. Isso sem falar em um discurso motivacional contundente. O jogo em si é mostrado de uma maneira um tanto confusa, mas a garra dos jogadores fica evidente. O resultado vai influenciar diretamente a vida de Stefen e de Nicherkson, para o bem ou para o mal.

Infelizmente, o roteiro possui alguns momentos nada inspirados, como quando tenta esfregar na nossa cara aquele clima estereotipado dos colégios americanos ou quando mostra um bando de marmanjos cantando e dançando de cueca.

São erros desculpáveis para um filme pequeno e subestimado, mas que tem algo a dizer.
7/10

A Gangue Está em Campo (Gridiron Gang, 2006)

gridiron-gang-2006Em A Gangue Está em Campo temos uma prova de que o futebol americano – e o esporte em geral – pode ter grande importância social ao fazer a diferença na vida de muitas pessoas. Baseado em fatos reais, a trama mostra um oficial de justiça criminal que decide montar um time de futebol com os jovens problemáticos que estão sob sua supervisão. Desanimado com o fato de que 75% desses jovens ou voltam para a prisão ou acabam mortos, Sean Porter acha que a bola oval pode ensiná-los a serem pessoas melhores e, quem sabe, ter um futuro decente.

Dwayne Johson esbanja energia, carisma e autoridade, dando bastante autenticidade para um personagem que precisa lidar com garotos imprevisíveis. O ator é essencial para o filme funcionar. É uma pena que o roteiro abuse dos clichês do gênero, como focar em dois jogadores que inicialmente se odeiam, transmitir a sensação de que o time é um azarão completo, fabricar um vilão no time adversário e ter um decisão decidida no último lance. Pelo menos, tudo é feito com bastante emoção, tanto nos jogos, como nas mensagens que o filme quer (e consegue) passar.
7/10

Crítica: Meu Nome é Radio (2003)

radio-2003Em meio a um roteiro formulaico e a um excesso de melodrama, existe aqui um filme contado de maneira direta que nos mostra admiráveis atos de humanidade. O futebol americano é o meio que serve para a aproximação do técnico Jones com Radio, um rapaz que sofre de uma séria doença neurológica. Aos poucos Radio vai fazendo parte da rotina de treinos e jogos, até se tornar um símbolo do time. É um feel good movie que funciona em certos momentos, mas que perde por força por não fugir do lugar comum e por achar que é necessário nos entregar um vilão. O ator Cuba Gooding Jr. realizou um trabalho eficiente, ainda que levemente exagerado. Ed Harris garante nossa conexão com a história com sua autoridade carismática.
6/10

Crítica: O Calouro (The Freshman, 1925)

the-freshman-1925Quando falamos em humor no cinema mudo, os nomes que nos vem à cabeça são Charles Chaplin e Buster Keaton. O fato é que existiam outros bons comediantes na época, como Harold Lloyd. Tendo como marca seus óculos redondos e seu jeito desastrado, seu personagem fez muito sucesso nos Estados Unidos. Talvez seu melhor trabalho seja O Homem Mosca, sem dúvida uma comédia bem divertida.

Em Calouro ele interpreta um jovem que acaba de ingressar em uma universidade e que tem como objetivo se tornar popular. Os veteranos decidem pregar uma peça em Harold, fazendo ele pensar que alcançou a fama e conquistou a simpatia dos outros alunos. Quando ele descobre que na verdade virou motivo de chacota, decide provar seu heroísmo jogando futebol americano.

Devido a curta duração não há tempo para o filme ficar cansativo, mas existem algumas gags um tanto repetitivas, como as sequências envolvendo um smoking mal costurado. De qualquer forma, Harold Lloyd demonstra grande qualidade no humor físico, além de esbanjar carisma.

As cenas do treinamento do time de futebol americano são hilárias, assim como o grande jogo no fim. São várias as trapalhadas e malandragens criativas que ele utiliza para tentar vencer o jogo. Outro destaque fica por conta dos letreiros recheados de ironia.

Se O Calouro não está no nível de um Chaplin ou um Keaton, pelo menos oferece boas doses de diversão.
7/10

Crítica: The Express (2008)

Film Title: The ExpressA história de Ernie Davis é uma das mais impactantes e inspiradoras do mundo do esporte. Mesmo com tão pouco tempo de vida, seus feitos poderiam servir de material para uma trilogia. Aliás, este é um dos problemas de The Express. Com pouco mais de duas horas de duração, alguns acontecimentos são mostrados de maneira apressada, principalmente no terceiro ato. Não que isso atrapalhe o resultado final, mas é evidente que o resultado poderia ter sido dramaticamente mais poderoso.

Acompanhamos aqui a carreira de Ernie Davis como o running back titular da universidade de Syracuse. Ele não só tinha que substituir Jim Brown a altura, como também enfrentar um grande mal da sociedade americana da década de 1950/60: o racismo. Até em regiões mais esclarecida ele era recebido com olhares intimidadores, mas no sul as coisas eram muito piores. Ernie e seus dois companheiros negros de time foram proibidos de se hospedarem em um hotel no Texas, além de serem alvos da ira de ignorantes torcedores rivais. Dentro das quatro linhas ele também sofria com decisões suspeitas de juízes e com a violência exagerada dos adversários.

Mas parafraseando o próprio Ernie Davis, ele iria dizer o que tinha a dizer no campo. E como disse. O jogador bateu vários recordes e levou seu time ao título do Cotton Bowl de 1960, sendo o MVP (melhor jogador) da partida. Em 1961 ele venceu o Heisman Trophy, prêmio dado ao melhor jogador universitário da temporada, sendo o primeiro negro a alcançar esse feito.

As expectativas eram grandes para um futuro promissor na NFL, ainda mais quando foi escolhido como o número um no draft e foi fazer parte do Cleveland Browns, equipe que contava com seu ídolo Jim Brown. O rapaz havia acabado de alcançar seu sonho, vencendo todas as dificuldades colocadas em seu caminho, sendo elogiado até pelo presidente Kennedy, mas aí a vida o fez enfrentar o pior desafio possível: uma doença incurável.

Com uma excelente atuação de Rob Brown, somos capazes de sentir a tristeza de Davis e de nos comover de verdade. O diretor Gary Fleder deixa as coisas acontecerem naturalmente com sua direção sóbria. A reconstrução de época é das mais competentes e a energia dos jogos é quase palpável.

Para os fãs do gênero, é essencial. Para os fãs do bom cinema, uma ótima pedida.
8/10

Gênios da Pelota (Horse Feathers, 1932)

horse-feathers-1932Em Gênios da Pelota – quarto filme dos irmãos Marx – um novo reitor de uma universidade decide investir no time de futebol, fazendo tudo da maneira mais lunática possível. Se pensarmos bem, não dá para considerá-lo um filme de futebol americano, mesmo que a sequência final seja a representação de um jogo. Um jogo bem bizarro, por sinal. Temos aqui uma comédia nonsense em que os irmãos Marx desfilam seu repertório de trocadilhos, malandragens, piadas de uma linha, humor pastelão e até números musicais. Um dos momentos mais divertidos se dá em uma aula de anatomia nada convencional e claro, no jogo em si, que conta com cascas de bananas, uma carroça e absolutamente nenhuma regra. É um filme até divertido, mas nada memorável.
6/10

Crítica: Touchback (2011)

touchback-2011Apesar de ser um entusiasta do gênero, não há como fechar os olhos para as falhas gritantes de Touchback, filme dirigido por Don Handfield e estrelado por Brian Presley. A trama até começa interessante, mesmo investindo no clichê de um jogador promissor de high school que sofre uma lesão e precisa encerrar a carreira. O problema é que o roteiro pouco inspirado beira a ingenuidade ao fazer Scott Murphy reviver seus dias de glória como estrela do colégio e o momento chave que definiu sua vida. Para completar, o filme passa suas mensagens de maneira piegas. A ideia não é ruim, mas já foi trabalhada anteriormente com mais competência. As cenas dos jogos também não trazem nada de novo, portanto, não há muito o que ser aproveitado aqui.
6/10

Crítica: Brian’s Song (1971)

brians-song-1971Brian’s Song é um filme feito para TV que trata de uma história real. De acordo com a pesquisa que fiz, o roteiro foi bem fiel à realidade, engrandecendo ainda mais a experiência. O ano é 1965 e os personagens principais são Gayle Sayers e Brian Piccolo, dois running backs novatos que particiam do training camp do Chicago Bears. Eles são completamente diferentes um do outro. Enquanto Gayle Sayers é de poucas palavras e tímido, Brian é daquelas pessoas extrovertidas que sempre tem uma piada na ponta da língua.

Nessa época ainda havia um pouco de racismo dentro da liga e para mostrar que isso estava cada vez mais no passado, a comissão técnica decidiu torná-los companheiros de quarto. Acompanhamos o fortalecimento de uma amizade de maneira verossímil. No início os dois não hesitavam em pregar peças um no outro, garantindo momentos de humor, mas logo o respeito e admiração se intensificam, tanto dentro como fora do campo.

Uma das várias situações que demonstra isso é quando Gayle lesiona gravemente o joelho, perdendo a posição para Brian na sequência. Este se mostra decepcionado por virar titular dessa forma e assume a responsabilidade de botar Gayle novamente em forma.

Infelizmente, o imponderável aparece. Brian passar mal durante os jogos e o médico da equipe nota que ele vem perdendo peso. É diagnosticado um câncer.

A determinação de Brian é inspiradora e certamente teve muita influência na carreira vitoriosa de Gayle na NFL, com direito a quase 5 mil jardas corridas, 56 touchdowns, 4 pro bowls, uma vaga na seleção da década de 1960, o seu número 40 aposentado nos Bears e um lugar no hall da fama do esporte.

Brian’s Song enaltece o valor da amizade e nos emociona bastante no ato final. Grande pequeno filme!
9/10

Crítica: Virando o Jogo (2000)

virando-o-jogo-2000

Como comédia Virando o Jogo nos faz rir em raros momentos, como filme de esporte o resultado é simplesmente pífio. A história se resume a uma greve de jogadores profissionais e um grupo de renegados chamado para substituí-los, com destaque para Shane Falco, um quarterback de college football que ficou marcado por uma derrota catastrófica.

A maneira como conhecemos esses jogadores substitutos oferece humor pela bizarrice, afinal somos apresentados a um jogador de soccer magrelo, fumante e com uma bomba no pé direito, um lutador de sumô que come vários ovos antes das partidas, um ex-presidiário, um policial completamente maluco, um empregado de uma loja capaz de correr como o vento, mas que não consegue agarrar uma bola e assim por diante.

Irritantemente formulaico, Virando o Jogo é previsível do primeiro ao último minuto. É difícil nos conectarmos com alguma coisa aqui, já que os personagens são unidimensionais e caricaturais ao extremo. Há um excesso de situações absurdas que nem com boa vontade conseguimos aceitar, isso sem falar em piadas repetidas ciclicamente ou a insistência de se fazer humor com a música “I Will Surive”. É claro que também não podia faltar um romance e este é dos mais clichês.

Gene Hackman tenta trazer um pouco de dignidade para o filme, mas nem ele consegue salvá-lo. Este é para ver e esquecer.
5/10

Crítica: Invincible (2006)

MARK WAHLBERGO ano é 1976 e o Philadelphia Eagles, tradicional time da NFL, passa por um período sombrio. São 11 derrotas seguidas e um fim de temporada deprimente em seu próprio estádio. A torcida não aguenta mais tanta humilhação, algo que é potencializado pela situação econômica ruim que passa o país, com alto índice de desemprego, greves e fábricas indo a falência. Apesar disso tudo, Vince Papale e Tommy tem esperanças de que as coisas mudem para o time no ano que vem.

A única coisa que dá um pouco de alegria para Vince e seus amigos é jogar futebol. Apesar de ser amador, não é qualquer jogo, é coisa séria. Cada snap é disputado com sangue, suor, lágrimas e lama. Ninguém quer sair derrotado. Após mais uma vitória em um desses jogos, Vince chega em casa e toma um verdadeiro esporro da mulher. No dia seguinte, é demitido do colégio onde trabalhava e ainda por cima é abandonado pela mulher. É o fundo do poço para ele.

Dick Vermeil é contratado para ser o novo técnico do Philadelphia Eagles e sua primeira atitude demonstra um certo desespero, mas também ousadia: realizar um try-out que qualquer um pode participar, um verdadeiro peneirão. Incentivado por amigos, Vince decide participar e vai muito bem, ganhando o direito de fazer parte dos treinos dos Eagles visando o início da temporada.

Imaginem vocês, um bartender e professor de colégio de 30 anos com chances de jogar a NFL. Pois é, isso realmente aconteceu. Invincible é baseado na história real de Vince Papale, mas é claro que foram feitas algumas mudanças para o filme ganhar em termos dramáticos e emoção.

Invincible é um dos ótimos filmes de futebol americano. Ele tem uma história bem inspiradora, já que Vince sai do nada para entrar em um jogo oficial do esporte mais popular dos Estados Unidos. E o melhor ainda, para ajudar o time que tanto ama. A dedicação dele no training camp é absurda. Ele tem poucas expectativas de ser mantido no time, mas sua determinação o impede de desistir.

São vários os momentos que podemos destacar, como quando ele dá a notícia para o melhor amigo de que entrou no time, um jogo na lama e na chuva e outro que vou deixar vocês assistirem por vocês mesmo. Para deixar tudo ainda melhor, o diretor Ericson Core concebe cenas de extrema beleza dos jogos, adicionando intensidade e violência, sem utilizar a câmera tremida.

Este já garantiu lugar na lista dos 10 melhores do gênero.
9/10

Crítica: Rudy (1993)

rudy-1993Mais do que um filme sobre futebol americano, Rudy é a comovente história real de um rapaz que decidiu ir em busca do seu grande sonho: estudar e jogar futebol pela universidade de Notre Dame. Desde criança Rudy alimentava esse desejo, mas todos ao seu redor faziam questão de lembrá-lo de que chegar lá seria praticamente impossível. O próprio pai de Rudy lhe disse que “faculdade é algo para garotos ricos, inteligentes ou para grandes atletas, não é para você”. Mesmo com tudo contra, ele decidiu seguir em frente.

Ele precisava vencer batalhas e mais batalhas diariamente. Primeiro tinha que se preocupar em encontrar um lugar para morar e depois com as notas para ingressar em Notre Dame. Após ser rejeitado várias vezes, ele finalmente entra na universidade e fica diante de outro desafio: garantir um lugar no time de futebol e fazer parte dos 50 atletas que de fato entram em campo.

Apesar de ser baixinho e fraco para os padrões do esporte, Rudy demonstra uma determinação imensa. Ele encara cada minuto do treino como se fosse um super bowl, algo que a princípio incomoda os companheiros de time, mas que depois serve para inspirá-los.

Beneficiado também pela competente atuação de Sean Astin, o filme emociona de maneira autêntica, nunca apelando para o melodrama. É uma história com força própria e que acerta mesmo quando investe em clichês do gênero. Trata-se de mais um grande trabalho do diretor David Anspaugh e do roteirista Angelo Pizzo, que se destacaram anteriormente por Hoosiers.
8/10