Sorte no Amor (Bull Durham, 1988) | Crítica

Se fizermos um levantamento sobre filmes de esportes vamos perceber que a maioria tem uma qualidade duvidosa. Particularmente, sou apreciador do gênero, apesar de ele geralmente me decepcionar.

Sorte no Amor (que de agora em diante chamarei pelo título original) é um filme que tem um grande número de admiradores, principalmente americanos. Será que é porque eles amam baseball? Pode ser.

O fato é que pouco me envolvi com essa tresloucada mistura de comédia, romance, esporte e um tiquinho de drama. O diretor Ron Shelton foi jogador de baseball nas ligas menores, então há autenticidade em várias sequências. Pena que elas não são uma constante.

Nuke LaLoosh é o novo arremessador dos Durham Bulls, um time que participa de algo que seria equivalente a quarta divisão do futebol brasileiro. Ele é uma promessa, um verdadeiro diamante bruto. O braço tem a potência de um canhão, mas suas decisões são as piores possíveis e isso tanto dentro como fora de campo. A comissão técnica contrata um jogador experiente para servir de mentor para o jovem Nuke. Crash Davis chega ao time com uma boa bagagem. Agora tudo depende de os dois se darem bem.

Quem está dividida em relação a Crash e Nuke é Annie Savoy. Fanática por baseball, ela tem o costume de se relacionar com o melhor jogador do time por uma temporada, todos os anos. Quem ela irá escolher desta vez?

Bull Durham acerta em cheio ao nos coloca no do dia a dia de um time das ligas menores de baseball. O atleta enraivecido ao ser mandado embora, o lado supersticioso dos jogadores e a decepção por não ter aproveitado a chance na elite são algumas das situações que o filme aborda com qualidade.

Mas o brilho acaba aí.

O triângulo amoroso não é nada inspirado e bem caricatural. O objetivo era claramente esse, mas infelizmente isso me afastou bastante da trama. Os diálogos um tanto absurdos também não colaboraram. Às vezes achava que estava diante de um filme feito para TV.

O filme diverte com algumas piadas e acerta em alguns detalhes do esporte, mas a mistura de gêneros e o romance novelesco atrapalham bastante. Sinceramente, tenho dificuldade de entender a presença de Bull Durham no livro 1001 filmes para ver antes de morrer.

Na época do lançamento, criou-se uma boa expectativa para o diretor Ron Shelton. Ele até acertou a mão em Homens Brancos Não Sabem Enterrar, mas depois disso foi colecionando desastres. Bull Durham era um indício e muitos não sabiam.

Nota: 6

Hoosiers (Momentos Decisivos, 1986)

hoosiers-1986De tanto ler comentários positivos sobre Hoosiers em críticas de outros filmes esportivos minhas expectativas estavam bem altas quando apertei o play e iniciei essa experiência. Mesmo com vários clichês do gênero, nota-se que eles são trabalhados da melhor maneira possível, nos entretendo, emocionando e inspirando na mesma medida. Agora entendo perfeitamente as comparações e os inúmeros elogios.

Em uma pacata cidade do interior do Indiana, o time de basquete da escola local é a grande (ou a única) atração. Norman Dale é o novo técnico que terá a missão de levar esse desacreditado time a conquistar algo relevante. No primeiro treino, Norman se depara com apenas 7 jogadores e uma enorme pressão dos moradores da cidade, que não hesitam em deixar claro que eles é que sabem o que é o melhor para a equipe. Ele precisa mostrar autoridade e rápido. Com um estilo de treinar diferente, aos poucos ele ganha a confiança de alguns, mas qualquer deslize pode significar sua demissão.

Hoosiers aborda diversos temas que o gênero possibilita: um técnico buscando redenção, um time azarão e dedicado, um jogador talentoso que quer desistir da promissora carreira e um profundo conhecedor do esporte que tornou-se um alcoólatra.

Nada de muito criativo, mas tudo muito honesto e emocionante. Temos aqui exemplos contundentes de como o esporte é capaz de unir as pessoas, tanto no sentido do companheirismo entre os jogadores, como nas relações deles com os familiares.

Hosiers ainda oferece uma detalhada recriação de época (a história se passa nos anos 1950) e cenas empolgantes das partidas, com direito a câmera lenta e situações dramáticas. E destaque também para Gene Hackman, em uma brilhante atuação.
8/10