Crítica: 48 Horas! (Went the Day Well?, 1942)

went-the-day-wellNunca tinha ouvido falar no diretor Alberto Cavalcanti e foi com muita surpresa que descobri que ele era brasileiro. Responsável por este clássico um tanto esquecido, Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro em 1897 e iniciou a carreira no cinema em 1920 na França.

O filma nos mostra uma vila inglesa recebendo soldados em busca de um local para descansar e planejar uma defesa contra um iminente ataque nazista.Na verdade, esses soldados são alemães disfarçados de aliados. Tal descoberta é feita aos poucos pelos habitantes, proporcionando cenas de suspense e tensão.

Algumas coisas soam absurdas, é verdade, mas Cavalcanti transmite um tom de urgência quase palpável e assim entramos de corpo e alma na história. Algumas sequências se destacam pela violência e outras pela coragem dos ingleses defendendo o lar da ameaça alemã.
8/10

 

Anderson Silva – Como Água

– O documentário do diretor Pablo Croce mostra os dois meses de preparação de Anderson Silva para enfrentar Chael Sonnen, confronto que se realizou no UFC 117 em 17 de agosto de 2010. Não é necessário ser fã de lutas para gostar do que é visto aqui, afinal boa parte do filme não está focado nos combates em si. Pablo Croce nos transforma em telespectadores da rotina extenuante de preparação de Spider, que consiste na parte física, mas também no estudo do estilo do adversário. Bastante tempo é também dedicado nos bastidores da luta, com várias entrevistas e declarações de ambos os lutadores. Não é difícil perceber que Anderson Silva é um cara centrado e que quer apenas vencer e voltar para casa inteiro, já Sonnen gosta mais de falar e provocar. Declarações irônicas às vezes fazem bem para criar um clima nos esportes, seja Boxe (lembram de Ali?), UFC ou futebol (lembram do Vampeta?), mas Sonnen claramente exagera em alguns comentários. A tensão vai aumentando a medida que a luta se aproxima, simplesmente não há como esperar o momento com passividade, mesmo que já saibamos o resultado. Temos aqui um filme que retrata um pequeno espaço de tempo da carreira do Spider, mas que já é suficiente para termos uma boa ideia do seu caráter e dedicação. Não é à toa que ele é um dos ídolos nacionais do momento.

7/10

info

Crítica: Uma Manhã Gloriosa (2010)

 

Uma Manhã Gloriosa não é um filme que revolucione o gênero comédia, mas o fato é que bons momentos de humor são encontrados aqui, muito em função da atuação cheia de energia de Rachel McAdams. Ela interpreta Becky Fuller, uma produtora de televisão que se vê trabalhando no Daybreak, um programa matutino fadado ao fracasso.

Becky é uma workaholic ao extremo. Ela simplesmente não para.  Parece que ela está impulsionada por litros de café e Red Bull, sempre atrás de alguma matéria interessante que possa aumentar a audiência do programa. Ainda que o roteiro exagere na tentativa de nos fazer rir atráves do humor pastelão, Rachel McAdams nos conquista com sua presença de espírito e doçura.

Uma ideia para fazer o programa funcionar é ter Mike Pomeroy (Ford) como âncora. Ele é um jornalista renomado, vencedor de vários prêmios importantes. Vê-lo trabalhando no apelativo horário da manhã, esbanjando arrogância e sarcasmo, é garantia de boas risadas.

Apesar das qualidades, o filme sofre por ser formulaico e ter aquele ar de “mais do mesmo”. Quase nada é original e o rumo das coisas é fácil de advinhar. A trilha sonora em alguns momentos exagera na melosidade e prefiro nem comentar o romance, que é previsível, forçado e não colabora em nada para a história.

Deixando essas irregularidades de lado, podemos sim curtir os bons momentos de Uma Manhã Gloriosa, que não tem pretensão alguma, a não ser divertir.
IMDb

/b.k.

Crítica: Além da Vida (2010)


Em Além da Vida, o diretor Clint Eastwood nos apresenta a três personagens principais: a francesa Marie Lelay, o americano George Lonegan e o garoto inglês Marcus. O que conecta os três é a relação deles com a morte. Marie Lelay acaba de escapar de um desastre natural, George tem a habilidade se comunicar com os mortos e Marcus enfrenta a tristeza de ter perdido alguém próximo. A morte e o que vem depois dela são temas delicados. Cada um tem uma opinião sobre o assunto, geralmente embasada em religião ou até mesmo em profundas reflexões próprias.

A cada ano que passa sou cada vez mais cético e vivo bem assim. Achei importante dizer isso, pois quero que saibam que minhas ideias sobre o assunto não afetaram em nada minha experiência com o filme. Clint Eastwood não quer te fazer acreditar na vida após a morte ou algo do tipo. Ele quer contar uma história extremamente melancólica utilizando uma certa linha de pensamento sobre o tema. O resultado é um pouco irregular, mas com qualidade suficiente para ser algo marcante. Entre as três sub-tramas, a que é melhor desenvolvida é a de George Lonegan (Matt Damon). O ator está ótimo e passa muito bem o sentimento da personagem em relação a sua habilidade. Para George esse poder é uma maldição e entendemos o motivo disso quando ele tenta iniciar um relacionamento com uma garota. Para completar, o roteiro ainda encontra tempo para demonstrar a paixão dele por Charles Dickens. Detalhe bacana que se mostra importante no terceiro ato.

A irregularidade que mencionei se mostra presente quando o filme torna-se arrastado em alguns momentos. Entendo que Clint quer demonstrar o sofrimento e a desilusão de seus personagens, mas um bocejo ou outro de nossa parte pode acontecer. De qualquer forma, todos devem concordar que ele sabe como contar uma história e aqui não é diferente. O terreno para que os três se encontrem é preparado de maneira natural e cada vez mais passamos a nos importar com os personagens e suas reflexões e atitudes. Não vou negar que o melhor momento de Além da Vida está nos primeiros minutos, mas se você é uma pessoa com um mínimo de sentimento e que não tem o costume de atirar pedras em quem não pensa da mesma maneira que você, é provável que encontre muita coisa boa aqui.

Título original: Hereafter
Ano: 2010
País: USA
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Peter Morgan
Duração: 129 minutos
Elenco: Matt Damon, Cécile De France, Frankie McLaren, George McLaren, Richard Kind, Bryce Dallas Howard

/ além da vida (2010) –
bruno knott,
sempre.

A Rede Social (2010)


NOTA: 9

Quando soube que um filme sobre a criação do Facebook seria feito estranhei. À primeira vista me parecia um assunto banal. Me enganei profundamente. O nascimento da mais famosa rede social do mundo envolve diversos detalhes interessantes e nas mãos de David Fincher eles se transformaram em um filme espetacular.

Logo na primeira cena fica claro que A Rede Social valoriza e muito o diálogo dos seus personagens. Em poucos minutos já temos uma ideia de como funciona a cabeça de Mark Zuckerberg e isso se deve ao roteiro de Aaron Sorkin, a marcante atuação de Jesse Eisenberg e também ao fato de David Fincher deixar as coisas acontecerem sem tentar algum tipo de ousadia em termos de direção.

Zuckerberg toma um fora daqueles da namorada e sua ira transforma-se em um site chamado Facemash. O objetivo do site é comparar os atributos físicos de várias garotas de Harvard. Obviamente, o site faz um sucesso estrondoso. São tantas visitas em tão pouco tempo que a rede da universidade cai. Com isso, Zuckerberg ganha fama e atrai a atenção dos gêmeos Winklevoss. Os irmãos querem que Zuckerberg os ajude a criar uma rede social virtual para os estudantes de Harvard. Ele aceita.

Pouco mais de um mês se passa e Zuckerberg não dá sinal de vida para os gêmeos. Juntamente com o amigo brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield) ele cria o Facebook, algo bem mais abrangente do que a ideia dos gêmeos.

O diretor David Fincher conta essa história de maneira atraente. São 3 momentos diferentes que se intercalam na tela. No primeiro temos as coisas acontecendo de fato, o facebook sendo criado e tudo o mais. Os outros dois são os processos enfrentados por Zuckerberg. Em um deles, ele é processado pelos gêmeos Winklevoss, que alegam roubo de propriedade intelecual e no outro quem move a ação é Eduardo Saverin, ex-melhor amigo que  foi traído de maneira épica por Zuckerberg.

A Rede Social é daqueles filmes em que tudo funciona: o roteiro que investe  nos diálogos ágeis, a direção segura de Fincher, a trilha sonora envolvente de Trent Reznor (líder do Nine Inch Nails)…

Além de tudo,  A Rede Social tem um ótimo ritmo. Ele termina e você não consegue acreditar como tudo passou tão rápido.

Falando em velocidade, é impressionante a maneira como funciona a mente de Zuckerberg. O filme nos mostra como ele colocou situações simples do cotidiano dentro do seu site. Dificilmente alguém cria alguma coisa do nada. Os gênios tem grande capacidade de observar bem o mundo a sua volta e quando uma ideia aparece eles não descansam até termina-la. Basicamente foi assim que Zuckerberg criou o Facebook e se transformou no bilionário mais jovem do mundo. Até parece fácil!

Outro destaque é a participação de Justin Timberlake. Ele já provou que sabe atuar e dessa vez o cantor/ator se superou. Timberlake faz o papel do criador do Napster, que demonstrando uma malandragem fora do comum, acaba fazendo parte do Facebook e lucrando com ele. A cena em que os dois ficam frente a frente dentro de uma balada e conversam sobre os rumos do site é uma das melhores do longa. Jesse Eisenberg transmite com o olhar a admiração e respeito que seu personagem sente pelo outro.

Por fim, devo dizer que A Rede Social é um dos grandes filmes de 2010. Foram duas horas extremamente agradáveis dentro do cinema. Ele oferece um assunto interessante, trabalhado de maneira inteligente pelo roteiro e inspirada pelos atores. Não existe uma cena desnecessária, não existe uma cena chata. Apesar da seriedade do assunto, há espaço para ótimas cenas de humor que nunca soam forçadas.

Merece ser elevado ao posto de obra-prima? Não sei responder ainda, mas que está perto, está.

Título original: The Social Network
Ano: 2010
País: EUA
Direção: David Fincher
Roteiro: Aaron Sorkin
Duração: 121 minutos
Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Harmer, Rooney Mara,

/a rede social (2010) –
bruno knott,
sempre.

Cinema Paradiso (1988)

Nota: 8

O vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1990 é uma verdadeira declaração de amor ao cinema. O diretor Giuseppe Tornatore faz de Cinema Paradiso um trabalho sincero e que realmente tem algo a dizer. Para completar, Ennio Morricone assina a trilha sonora e deixa a experiência mais marcante ainda.

O filme é contado através de um longo flashback. Totó em idade adulta recebe a notícia de que um certo Alfredo havia morrido. Ele deita em sua cama e começa a relembrar do passado. Quando criança, Totó já era apaixonado por cinema e assim como toda a cidade em que vivia passava horas assistindo a diversos filmes na telona. É empolgante acompanhar as reações do público aos filmes. Eles parecem viver as histórias e com isso derramam lágrimas sem fim nos filmes tristes, riem absurdos com Chaplin e ficam raivosos por não poderem assistir cenas de beijo, que eram censuradas pelo padre da cidade. O tal Alfredo era o projecionista do cinema, trabalho que adorava, pois sentia que ele próprio tinha poder sobre as emoções do público.

Rapidamente Totó e Alfredo desenvolvem uma grande amizade. Como o garoto perdeu o pai na guerra e Alfredo não tinha filhos, fica evidente que Alfredo se transforma numa figura paterna. Sorte de ambos, que aprendem muitas coisas importantes um com o outro. Cinema Paradiso é tão rico em detalhes que exige uma segunda assistada. Não falo só das inúmeras referências ao cinema, mas também da própria população da cidade e seus exemplares excêntricos, como o mendigo que diz ser dono da praça e um engomadinho que não hesita em cuspir na cabeça dos outros. Declaração de amor ao cinema e também uma amostra de quão importante uma amizade verdadeira pode ser. Quando Totó resolve ir para cidade grande Alfredo lhe dá um conselho que pode ser considerado clichê, mas que não é tão fácil de seguir: não importa o que você fizer da vida, AME ISSO. Sábias palavras de um personagem encantador, assim como todo o filme.

Título original: Nuovo Cinema Paradiso
Ano: 1988
País: Itália
Direção: Giuseppe Tornatore
Roteiro: Giuseppe Tornatore
Duração: 124 minutos
Elenco: Salvatore Cascio, Antonella Attili, Philippe Noiret, Leopoldo Trieste, Marco Leonardi

/bruno knott

O Lobisomem (2010)

Nota: 6

Ambientado na Inglaterra do século XIX, O Lobisomem nos apresenta a Lawrence Talbot (Del Toro), um famoso ator shakespeariano. Ele recebe a visita de Gwen (Blunt), que pede a sua ajuda para encontrar Ben, marido de Gwen e irmão de Lawrence. Assim como o filho pródigo, ele retorna à terra natal e reencontra o pai, Sir John (Hopkins). Lawrence logo descobre que o irmão está morto e a julgar pelo aspecto do cadáver não foi um assassinato cometido por um simples homem, mas por uma verdadeira besta. No caso, uma besta forte, peluda, com dentes afiados, que aparece na lua cheia e que tem sede de sangue. Quem será?

Em termos de história não há muita coisa que se aproveite. Del toro, como todos já sabíamos antes de ver o filme, se transforma em lobisomen e toca o terror na cidade. Deixemos de lado o desenvolvimento de personagens e as atuações convincentes. Não dá para esperar nada desse roteiro e os atores estão no piloto automático, com poucas exceções. Mesmo assim, existem coisas bem aproveitáveis em O Lobisomem. O trabalho de direção de arte e a fotografia criam um clima suficientemente sombrio. O diretor Joe Johnston faz um trabalho competente no início do filme, quando constrói cenas decentes de algo que pode ser considerado suspense.

Mas… Benicio Del Toro não mostra nenhum carisma e não nos importamos nem um pouco com o dilema moral que seu personagem enfrenta como ser humano. Claro que o roteiro não ajuda, mas não dá pra aceitar o fato de Lawrance e Gwen se apaixonarem de uma hora pra outra. A química simplesmente não existe. E para que um  filme tão longo com tão pouca coisa a dizer? De qualquer forma, não posso deixar de exaltar as boas cenas de gore. A maneira como o Lobisomem sai matando e arrancando membros dos habitantes da região é fantástica. Se você tem interesse em ver esquartejamentos com algum humor negro e não está muito a fim de uma boa história, é aqui que você quer estar.

Título original: The Wolfman
Ano: 2010
País: EUA
Direção: Joe Johnston
Roteiro: Andrew Kevin Walker, David Self
Duração: 119 minutos (versão do diretor)
Elenco: Benicio Del Toro, Emily Blunt, Anthony Hopkins, Hugo Weaving

– O diretor Joe Johston (Jumanji, Mar de Fogo) ganhou o Oscar de melhor efeitos especiais em 1981, por Os Caçadores da Arca Perdida.

– Andrew Kevin Walker é o roteirista de Seven e David Self escreveu Estrada Para a Perdição. Que decadência, não?

E aí, gostaram do filme? É assístivel pelas cenas de gore ou é uma perda de tempo completa?

obs: essa ideia de colocar algumas curiosidades sobre os filmes eu roubei do fantástico blog da stella. confiram: BY STAR FILMES.

/bruno knott

2012 (2009)


Cotação: 5

Roland Emmerich é evidentemente fascinado por filmes-catástrofe e 2012 é a terceira investida do diretor no gênero. Quem gosta do cinema com abuso de efeitos especiais pode até gostar deste aqui, mas fica claro que trata-se de um filme extremamente irregular e um tanto cansativo. Não que Independence Day e O Dia Depois de Amanhã sejam exemplares, mas eles mantém nossa diversão e o nosso interesse na maior parte do tempo.

Segundo o calendário Maia em 2012 o mundo chega ao fim e é com essa previsão que foi feito todo o marketing do filme. É uma ideia interessante, que infelizmente foi muito pouco aproveitada no roteiro. Em uns 75% do tempo somos bombardeados com cenas de destruição muito bem executadas. Tudo foi feito numa escala monumental. Você pode ver Tsunamis inundando cidades, terremotos consumindo ruas, carros, casas e até a erupção de um gigantesco vulcão. O problema é que dificilmente alguém consegue se importar com os personagens e com as histórias pra lá de clichês deles. Chega um momento em que a ação já enjoou e como não dá para nos satisfazermos com a história em si, queremos mais é que o filme termine mesmo.

Gosto bastante de John Cusack, mas aqui ele está no piloto automático, assim como a maioria do elenco. O único destaque fica para Woody Harrelson, interpretando um cara louco, altamente chapado e cheio de teorias da conspiração. Aliás, há um exagero enorme no número de personagens paralelos. Se alguns deles não existissem 2012 seria um filme mais enxuto e automaticamente mais interessante.


Título original:
2012
Ano: 2009
País: EUA
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: Roland Emmerich, Harald Kloser
Duração: 158 minutos
Elenco: John Cusack, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor, Thandie Newton, Oliver Platt, Woody Harrelson, Danny Glover, Morgan Lily

.site oficial
.IMDb

/bruno knott

Jean Charles


Título original: Jean Charles
Ano: 2009
Diretor: Henrique Goldman

Todo mundo se lembra do que aconteceu com o brasileiro Jean Charles em Londres, no ano de 2005. Vítima do despreparo da polícia local, Jean foi confundido com um terrorista e foi assassinado dentro do metrô. O filme de Henrique Goldman está longe de tentar beatificar Jean. Ele é mostrado com todas as suas qualidades, mas também com os seus defeitos, fazendo do filme um retrato verossímel de toda a situação. A direção de Goldman é eficiente ao contar toda essa história. Ele mostra muito bem o medo que os ingleses estavam tendo, devido aos recentes ataques terroristas na cidade, mas também mostra o preconceito para com as outras populações, principalmente com os muçulmanos. O filme passa rápido, tem uma trilha sonora que colabora, mas o diferencial é mesmo o Selton Mello. Que ator magnífico. Ele vive o personagem de maneira intensa. Suas gírias são muito bem empregadas e suas atitudes soam sempre verdadeiras. A cena que mais me chamou a atenção é aquela em que Jean Charles fala com a mãe pelo telefone. Só por ela o Selton já poderia ganhar prêmios e mais prêmios. Infelizmente, o clímax da historia não foi muito bem trabalhado. Ele poderia ter se tornado um filme muito mais poderoso. De qualquer forma, me arrependo por não ter assistido antes a mais um bom filme nacional.

Nota: 7

/guillemots – trains to brazil (o título da música é uma homenagem a Jean Charles)

/bruno knott

Kick-Ass – Quebrando Tudo


Título original:
Kick-Ass
Ano: 2010
Diretor: Matthew Vaughn

É inegável o sucesso de Kick-Ass. Ele convenceu os críticos, como mostra o 76% de aprovação no Rotten Tomatoes e contagiou o público, fato comprovado pela posição atual no ranking dos usuários do IMDb. E vou ser bem sincero para vocês, o filme também me conquistou, a começar pela história: Dave Lizwewski, um garoto aficcionado por HQs não aguenta mais ver as pessoas (inclusive ele mesmo) em dificuldades sem ninguém para ajuda-las. Ele não entende por que os super-heróis só existem nos quadrinhos e os vilões estão presentes no mundo real também. A coisa certa a fazer é comprar uma fantasia e sair por aí combatendo o crime, não é?

Para Dave Lizweski sim! Como ele mesmo diz, é a mistura perfeita de otimismo e ingenuidade. De maneira atrapalhada e com muita vontade de fazer a diferença, Dave sai pelas ruas tentando trazer um pouco de justiça para o mundo, ao mesmo tempo em que o diretor Matthew Vaughn traz um tipo de colírio para os nossos olhos. O filme está repleto de virtudes e a principal é a capacidade do diretor de misturar os mais diversos temas sem perder o tom. Em poucos instantes experimentamos um mistura de humor, violência, ação e sensibilidade. Aliás, as cenas de ação são executadas de maneira exemplar pelo diretor. Há um requinte estético absurdo. Muitas vezes as cenas são ajudadas por uma trilha sonora que aumenta ainda mais a tensão e o tom de urgência das situações. É uma trilha que me fez lembrar de Explosions in the Sky com Friday Night Lights.

Quem acaba roubando a cena é a jovem atriz Chloe Moretz. O filme se chama Kick-Ass, mas poderia se chamar Hit Girl, que é a personagem interpretada pela Chloe. Como se não bastassem essas qualidades, o filme conta com inúmeras referências interessantes, como aos western spaghetti e até mesmo a LOST. Foi uma excelente experiência assistir a este filme, sem dúvida um dos grandes filmes do ano até o momento, o que não deixa de ser uma surpresa.

Nota: 8

bruno knott

O Segredo dos Seus Olhos

Título original: El secreto de sus ojos
Ano: 2009
Diretor: Juan José Campanella

Decidi esperar um tempo antes de tecer comentários a respeito deste trabalho do diretor Campanella. Tomei essa decisão pois o filme teve um impacto enorme em mim e achei que escrever logo após assistí-lo iria me fazer superestimar as qualidades dele. Depois de uma semana o sentimento permanece o mesmo. Lendo diversos reviews e lembrando das várias cenas memoráveis, o filme não para de crescer no meu conceito. Não sei se estou exagerando, mas creio que estamos diante de uma obra-prima.

Benjamin Esposito (Ricardo Darín) é um ex-investigador policial que decide escrever um livro. Ele compartilha essa vontade com Irene (Soledad Villamil), que parece não gostar muito da ideia. O livro vai funcionar como o relato de um caso em que ambos trabalharam há 25 anos. Uma jovem estuprada e assassinada. Segundo Esposito, toda a vida dele gira em torno daquele caso e dos acontecimentos que o envolveram. Através de flashbacks vamos descobrir os motivos.

É impressionante a fluidez com que Campanella conduz a história. Ele mantém o interesse do público em todos os momentos e das mais variadas formas. Fazia tempo que eu não via um filme com tantas qualidades: cenas de humor honesto, criadas a partir de situações verossímeis; uma cena de ação frenética e estimulante, quase que sem cortes, filmada dentro de um estádio de futebol, que me causou um misto de ansiedade e tensão; uma história de amor cativante, com detalhes enriquecedores, como aquele que inclui uma máquina de escrever com um defeito específico.

Tudo isso não funcionaria não fosse a quase sobrenatural química entre esses mais do que competentes atores. O Segredo dos Seus Olhos é um filme criativo, rico e que foge do óbvio. Por enquanto, é o melhor lançamento de 2010 que pude acompanhar no cinema. Sem dúvida, mereceu o Oscar de melhor filme estrangeiro. O Brasil tem produzido excelentes filmes, mas podemos aprender alguma coisa com nossos hermanos que estão logo ali.

Nota: 10

A Onda

Título original: Die Welle
Ano: 2008
Diretor: Dennis Gansel

O trailer de A Onda chamou minha atenção, mas não ao ponto de me empolgar de verdade. Isso começou a mudar quando ótimos comentários sobre o trabalho de Dennis Gansel pipocaram pelos blogs e sites especializados.

Estava na locadora em busca de um filme estrangeiro quando me deparei com “A Onda”. Não pensei duas vezes e peguei o DVD.

Não me arrependi nem um pouco. Já vou adiantando que trata-se de um filme que mexe com o público e que dificilmente deixa alguém passivo na frente da TV, o que geralmente é um sinal qualidade.

O filme começa com Rainer Wenger dirigindo seu carro pelas ruas da Alemanha atual e ouvindo rock no último volume. O cara parece tudo, menos um professor de História. É até engraçado ver Rainer com seu estilo desleixado no meio de professores de terno e gravata. Só por essa apresentação do personagem já podemos ter uma ideia da sua essência.

Ele é escalado para dar um curso de autocracia no colégio onde leciona. Ele não está nada empolgado com isso, pois queria mesmo era dar aulas sobre Anarquia. Algo mais apropriado ao seu estilo, eu diria.

Ocorre que ele resolve explicar o assunto de uma maneira nada convencional. Uma discussão a respeito de ditadura e nazismo entre os alunos inspira o professor a dar uma verdadeira aula prática do assunto.

Neste momentos já estamos conectados com o filme e aguardamos o desenrolar dos acontecimentos com ansiedade. Aos poucos aquele bando de alunos nada aplicados vai se transformando em algo bem diferente. Rainer, por sabe-se lá qual motivo, vai botando ideias autocráticas em ação.

Ele próprio vai representar o ditador e vai mandar nos alunos. Eles terão que obedecer ou serão convidados a se retirar do curso.

Eles precisam de um uniforme, afinal, necessitam ser reconhecidos por eles próprios e temidos pelos outros. A cor branca é escolhida.

Eles precisam de um nome, pois precisam ser chamados de alguma coisa. Está formada A ONDA.

O que seria de uma marca sem um logo, certo? Um logo é criado e espalhado pelos quatro cantos da cidade para demarcar o território.

Este curso tem duração de uma semana e em alguns dias todos já estão diferentes. Eles sentem que fazem parte de uma família, se sentem seguros uns com os outros e vêem na figura do professor um verdadeiro líder.

Mas isso tudo é saudável? As pessoas quando estão em grupos tem a tendência de fazer coisas que jamais fariam quando sozinhas.

Todo esse ar pseudo-nazista-experimental do filme é a sua grande qualidade. Eu fiquei preocupado com os rumos que esse grupo iria tomar. Qual era o objetivo real desses garotos? Nenhum, será? Apenas sentir que faziam parte de uma família? Que era uma unidade?

O mais difícil é compreender as motivações do professor para iniciar um movimento desses. Não sabemos ao certo se ele queria apenas ensinar os alunos de uma maneira diferente ou se havia uma sede de ditadura em seu sangue.

O filme me agradou em sua maior parte. A ideia foi genial e possibilita muitas e muitas discussões.

Existem problemas, mas nada que atrapalhe o filme como um todo. Me incomodou a passagem de tempo, que parece um tanto artificial. É meio difícil aceitar que tudo ocorre em apenas uma semana. Além disso, não tem como não dizer que o final é forçado. De qualquer forma,  ele é essencial para que o filme cause um impacto ainda maior e deixe impressões positivas. Um verdadeiro paradoxo, assim como esse professor Rainer.

Nota: 8