Crítica: A Viagem (Cloud Atlas, 2012)

CLOUD ATLAS
Para o bem ou para o mal, devemos reconhecer a coragem do trio Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski ao levar para a telona um livro muito difícil de ser adaptado. Ambicioso é a primeira palavra que me veio a mente enquanto assistia a Cloud Atlas. Talvez não se trate de uma obra-prima, mas ele está longe de ser um filme qualquer.

A ideia principal é relacionar os acontecimentos e os personagens de seis épocas diferentes, algo que vai do ano 1849 até 2346. São seis histórias que de um jeito ou de outro se conectam e é estimulante reconhecer essas ligações. Em um primeiro momento uma certa confusão pode tomar conta, mas aos poucos as coisas vão clareando em nossa mente e aí a tendência é tudo ficar cada vez mais interessante.

É natural que algumas agradem mais. A minha preferida é a que se passa em 1849 e mostra um advogado ajudando um escravo clandestino, mas o fato é que todas possuem suas qualidades. Mesmo a mais fraca delas, que para mim é aquela na Seul futurística, possui ótimas cenas de ação e um estilo que faz lembrar Blade Runner.

O humor também não fica de lado, principalmente nas sequências que se passam na época atual, em que Jim Broadbent e um insano Tom Hanks se destacam.

Os mesmo atores interpretam diversos personagens, geralmente completamente mudados por uma pesada e eficiente maquiagem. Chama bastante a atenção o arco narrativo dos personagens de Tom Hanks e de Jim Sturgess ao longo dos séculos. Há qualquer coisa de belo em acompanhar suas reencarnações(?) enfrentando os mesmos dilemas e recebendo oportunidades de fazer tudo de uma maneira diferente.

É o tipo de filme que pede mais de uma ida ao cinema e não só para descobrir coisas novas, mas também para absorver todo o impacto visual e emocional que ele oferece. Agora, se você se sentiu cansado ao longo desses 170 minutos é melhor pensar duas vezes antes de reviver a experiência.
8/10

Minority Report – A Nova Lei (2002)

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Minority Report é o tipo de filme que exige um pouco mais da nossa massa cinzenta, mas que também oferece cenas de ação de alta qualidade. Não são muitos os diretores com a capacidade de conduzir um projeto ambicioso como esse, sorte que nesse caso a tarefa ficou com Steven Spielberg.
Dono de um roteiro inteligente, Minority Report nos apresenta a um futuro não tão distante, no qual os criminosos são presos antes de cometerem seus crimes. As primeiras cenas explicam esse processo sem nos deixar confusos, o que não deixa de ser um feito respeitável dada a complexidade da coisa. John Anderton (Cruise) é um dos principais policiais que utilizam essa tecnologia, mas as coisas ficam complicadas para ele quando o sistema o acusa de assassinato.
A parte de ação se concentra basicamente na fuga de Anderton, em cenas que demonstram como os efeitos especiais podem colaborar para uma história. A criatividade de Spielberg parece não ter limites aqui, por isso podemos ver perseguições com carros voadores, aranhas mecânicas que farão de tudo para identificar seus alvos e mais.
E é claro que um dos aspectos mais interessantes de Minority Report reside nas discussões éticas que ele levanta, já que, na realidade, as pessoas acabam presas sem cometer crime algum.
O filme nos reserva reviravoltas surpreendentes ao longo de suas quase duas horas e meia, sem perder o ritmo, além de possuir um final bem costurado e imprevisível. Mais um grande acerto de Spielberg.
8/10

Crítica: O Exterminador do Futuro (1984)

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O Exterminador do Futuro possui todas as qualidades de uma grande ficção científica, a começar pela história. Rápidas cenas nos mostram um futuro apocalíptico em que uma guerra brutal entre humanos e máquinas se desenrola há vários anos. Os humanos vislumbram uma pequena esperança de vitória graças a resistência liderada por John Connor, mas as máquinas decidem enviar um cyborg para o passado com o objetivo de matar Sarah Connor, mãe de John. Os humanos também enviam um representante da espécie para protege-la, o problema é que o adversário é o pior possível.
O cyborg é representado por ninguém mais, ninguém menos do que Arnold Schwarzenegger. Ele está literalmente programado para matar e parece difícil que alguém consiga impedir que ele complete a missão. Schwarzenegger pode não ser um grande ator, mas o cara deu vida a um personagem extremamente estiloso aqui e ainda imortalizou frases de efeito, como a impactante “I’ll be back!
James Cameron conduz com dinamismo várias cenas de ação, sendo minha preferida a sequência no departamento de polícia. Tudo caminha para um clímax empolgante e um final imprevisível. Algo que pode incomodar os mais rigorosos é um monstruoso paradoxo temporal que o roteiro cria, mas será que existe algum filme com viagens no tempo sem paradoxos? Difícil…
8/10 

 

Crítica: Solaris (1972)

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Considerado um filme preparatório para a realização de StalkerSolaris é uma ficção científica contemplativa e de ritmo lento. O mistério está presente do começo ao fim. O que está por trás de Solaris? É feito por seres humanos, por aliens ou algo além disso? Ele levanta algumas questões filosóficas, mas não as responde. Um personagem fala que felizes são aqueles que não se questionam sobre coisas importantes, o que dá uma boa ideia sobre o clima do filme. De qualquer forma, ele exige bastante atenção, pois não é fácil de ser absorvido. Em alguns momentos, ele traz a mesma sensação de ler Dostoievski bêbado, algo intelectualmente complicado.
7/10

Crítica: Dredd (2012)

Após a frustrada primeira versão cinematográfica deste personagem dos quadrinhos, era de se esperar que Dredd não tivesse mais chances na telona. Sorte a nossa que não. Dirigido por Pete Travis e com Karl Urban como o juiz, esse reboot nos oferece tudo aquilo que o filme de 1995 com o Stallone jamais conseguiu: ação de qualidade, violência e 90 minutos de puro entretenimento.
Um dos aspectos mais interessantes de Dredd é a ambientação. Estamos em meio a um futuro distópico no qual a cidade de Mega-City One alcança a marca de 800 milhões de habitantes. A cidade é toda cercada por muros, pois fora deles nada mais resta a não ser um deserto radioativo. Dentro as coisas não são muito melhores, afinal a criminalidade chega a níveis absurdos. Para tentar controlar os bandidos, a lei fica inteiramente na mão dos chamados Juízes, que tem a função de julgar, condenar e executar.
Dredd, um dos juízes mais competentes, recebe a tarefa de avaliar uma possível nova juíza, que mesmo não obtendo as notas necessárias, recebe mais uma chance por possuir a útil habilidade de ler mentes.
Os dois atendem um chamado vindo de um imenso prédio onde três homicídios aconteceram. Após encontrarem o assassino, Dredd e a novata estão prestes a sair quando uma voz feminina informa que o prédio será fechado até que os juízes sejam mortos. A dona da voz é Ma-Ma, a pessoa que manda em toda aquela região e que está por trás da droga Slo-Mo, cujo efeito é fazer o usuário ter uma percepção de mundo muito mais lenta do que o normal.
O roteiro é simples e direto e é justamente por isso que tudo funciona tão bem. Embaladas por uma viciante trilha sonora eletrônica, as sequências de ação estão repletas de energia e muito sangue. Não há espaço para misericórdia aqui. Quem resolver ir contra a lei terá que se acertar com o Juiz Dredd, algo não muito recomendado. A câmera lenta garante um tom artístico para toda a violência. São cenas visualmente muito bonitas, ainda que geralmente o que é retratado não é nada agradável. É interessante notar que a utilização da câmera lenta é justificada pelo roteiro, pois ela nos mostra o que a pessoa sente após usar a droga.
Karl Urban, o eterno Éomer de Senhor dos Anéis, faz um ótimo trabalho com o que lhe é permitido. Dredd jamais tira o capacete, então o ator se expressa apenas com a voz e com movimentos da boca e só com isso consegue a empatia do público, inclusive desferindo um pouco de humor negro.
Trata-se de um filme que não tem maiores pretensões, mas que é bem eficiente no que se propõe. Ele não foi bem nas bilheterias, o que pode ser explicado em parte pela classificação indicativa de 18 anos. O fato é que estamos diante de um dos melhores filmes de ação do ano e que fica ainda melhor no cinema, pena que já está saindo de cartaz.
8/10

Crítica: A Invasão (1996)

Nesta ficção científica a tal invasão do título não se dá através de épicas batalhas aéreas, mas sim com os aliens já na Terra, disfarçados de seres humanos, roubando aos poucos nossos recursos e contribuindo da pior maneira possível para o aquecimento global. Zane (Charlie Sheen) é um astrofísico que capta um sinal misterioso e, em suas investigações, torna-se alvo de um grupo que tem muito a esconder. Temos aqui a velha história do solitário cientista querendo provar aos outros a existência de seres de outro planeta. Por um tempo, A Invasão consegue manter uma sensação de paranoia interessante, mas quanto mais descobertas são feitas, mais o filme perde a graça. De qualquer forma, o ar de filme B nos permite relevar certas forçadas de barra do roteiro e os efeitos especiais não tão competentes. Charlie Sheen demonstra energia e carisma, segurando as pontas. Pode não adicionar nada de muito relevante ao gênero, mas ao menos diverte.
5/10