Melhores Westerns: A Proposta (2005)

Proposition

Foi com muita curiosidade e boas expectativas que iniciei a sessão de A Proposta, um Western cuja história se passa na Austrália dos anos 1880.

As coisas começam de uma maneira inquietante. Uma música cantarolada por uma criança, fotos em preto e branco mostrando um crime chocante ocorrido há pouco, até que o filme realmente começa e nos coloca no meio de um tiroteio. Os irmãos Mikey e Charlie Burns tentam se defender do policial Stanley, sem sucesso. Os dois são capturados.

Stanley tem uma proposta para Charlie: matar o outro (e mais perigoso) irmão e assim conseguir salvar a si próprio e Mikey, que em 9 dias será enforcado.

Charlie inicia uma jornada solitária pelo imenso e opressivo outback australiano, com tempo suficiente para refletir sobre que atitude tomar quando encontrar Arthur, mas sem se descuidar dos inúmeros perigos a sua volta.

Um dos pontos fortes de A Proposta é o fato de seus personagens principais apresentarem personalidades complexas. O capitão Stanley procura ser justo da melhor maneira possível, o que pode acarretar em consequências negativas em uma terra em que a lei quase não tem voz. Uma terra podre. Tão podre que podemos ver e ouvir moscas por todos os lados.

A violência aqui é brutal, crua e realmente perturbadora. Algumas cenas podem causar um certo desconforto.

Com um ritmo contemplativo e com espaço para doses de lirismo, trata-se de uma experiência forte, mas levemente irregular. Pode ser considerado um dos grandes faroestes dos tempos modernos, apesar de estar distante em qualidade de obras como Os Imperdoáveis ou o seriado Deadwood.
[8.5]

Crítica: Bravura Indômita (2010)




Os irmãos Coen já se estabeleceram como cineastas extremamente sólidos. A filmografia deles é algo invejável, sempre com ótimos trabalhos (excluindo Matadores de Velhinha) e às vezes com obras-primas, como Fargo e Onde os Fracos Não Tem VezBravura Indômita pode não merecer o epíteto de obra-prima, mas sem dúvida representa toda a qualidade e estilo do cinema dos irmãos.

Aqui temos a primeira real incursão dos Coen no western e o resultado não poderia ter sido melhor. A madura garota Matie Ross (Steinfeld) só tem uma ideia na cabeça: caçar o homem que matou o pai dela, em qualquer lugar em que ele esteja. Ela contrata um marshal para ajudá-la nessa empreitada, apesar do mesmo passar tempo demais com alcool no sangue. Claro, falo de Rooster Cogburn, interpretado com todos os atributos que podemos esperar de um ator tão bom como Jeff Bridges. O elenco é excelente, assim como o roteiro e a fotografia de Roger Deakins, que com facilidade transmite o clima do velho oeste.

Bravura Indômita também contém o humor peculiar dos irmãos, dessa vez numa intensidade maior do que o normal, principalmente nos primeiros trinta minutos. Diálogos um tanto cínicos são pronunciados de maneira natural pelos atores, garantindo nosso riso. Como exemplos, lembro-me de quando Rooster fala que não paga por whisky, já que confisca tudo como homem da lei e também quando o personagem de Matt Damon diz que no Texas ele ficou tantos dias sem água que bebeu água suja de uma pegada de cavalo e ficou feliz por isso. Quando o assunto é violência, as coisas ficam bem sérias e rapidamente voltamos a sentir o perigo do ambiente hostil. Os Coen conseguem fazer essa transição com naturalidade. Como ponto negativo, acredito que o filme perde um pouco da força quando tenta buscar um certo sentimentalismo nos personagens, mas nada que incomode de fato.

Título original: True Grit
Ano: 2010
País: USA
Direção: Ethan Coen, Joel Coen
Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen
Duração: 110 minutos
Elenco: Jeff Bridges, Matt Damon, Hailee Steinfeld, Josh Brolin, Barry Pepper

/ bravura indômita (2010) –
bruno knott,
sempre.

 

Crítica: Matar ou Morrer (1952)

Will Kane (Gary Cooper) está prestes a ser substituído do cargo de xerife, pois acaba de se casar com uma quaker que é contra o uso de armas e violência. O problema é que no trem do meio dia chegará a cidade um bandido preso por Will e libertado por um tribunal do norte. Tal bandido, com a ajuda de três parceiros, busca vingança. Faltando algumas horinhas para o meio dia, Kane decide enfrenta-los, mas nesse meio tempo ele deve encontrar alguém que se habilite a encarar a morte com ele e também evitar que sua mulher o abandone.

Tarefa difícil que ganha uma tensão quase insuportável nas mãos do diretor Fred Zinnemman. Durante os 85 minutos o sentido de urgência jamais diminui, afinal o diretor faz questão de mostrar o relógio se aproximando do meio dia, além de repetir tomadas do trilho que se estende para o horizonte, como se o trem pudesse chegar a qualquer momento. Como não poderia ser diferente, a busca de Will por reforços é desesperadora. Todos tem algum argumento para não fazer parte do tiroteio que se aproxima, mas fica evidenciado que o maior empecilho é a covardia. O lado bom fica extremamente claro para a população. Por que não ajudar?

O trabalho de montagem é um dos grandes destaques de Matar ou Morrer, algo que pode ser confirmado na cena em que o trem finalmente chega. A tensão vai aumentando aos poucos, primeiro com som do trem ficando mais alto, depois com cortes rápidos e closes em alguns personagens. É um excelente trabalho, tanto técnico, como de atores. Para quem gosta de westerns Matar ou Morrer é como fazer uma quadra de ases bebendo um bom whisky.

Título original: High Noon
Ano: 1952
País: USA
Direção: Fred Zinnemann
Roteiro: Carl Foreman
Duração: 85 minutos
Elenco: Gary Cooper, Grace Kelly, Lee Van Cleef

/ matar ou morrer (1952) –
bruno knott,
sempre.