Crítica: Meu Nome é Radio (2003)

radio-2003Em meio a um roteiro formulaico e a um excesso de melodrama, existe aqui um filme contado de maneira direta que nos mostra admiráveis atos de humanidade. O futebol americano é o meio que serve para a aproximação do técnico Jones com Radio, um rapaz que sofre de uma séria doença neurológica. Aos poucos Radio vai fazendo parte da rotina de treinos e jogos, até se tornar um símbolo do time. É um feel good movie que funciona em certos momentos, mas que perde por força por não fugir do lugar comum e por achar que é necessário nos entregar um vilão. O ator Cuba Gooding Jr. realizou um trabalho eficiente, ainda que levemente exagerado. Ed Harris garante nossa conexão com a história com sua autoridade carismática.
6/10

Crítica: Sem Dor, Sem Ganho (Pain & Gain, 2013)

pain-and-gain-2013Por mais absurdo que possa parecer, Sem Dor, Sem Ganho é baseado em uma história real, algo que o letreiro do filme faz questão de nos avisar duas vezes. Daniel Lugo (Wahlberg) é um marombeiro que acredita em malhar e também no sonho americano. Ele é um tipo de gerente de academia, tem um bom salário, mas quer mais do que apenas pagar as contas no fim do mês. Pelo voice-over do início já temos uma ideia de quem é este personagem, que tem como heróis Vito Corleone, Scarface e Rocky e que trata com má vontade a todos os alunos que “desperdiçam os seus dons”.

Daniel Lugo tem um plano para mudar de vida: encontrar um cliente rico, sequestrá-lo e extorqui-lo. Para tanto, vai precisar da ajuda de alguns comparsas e na própria academia ele seleciona dois fisiculturistas mais burros do que ele mesmo.

Muitos críticos possuem uma verdadeira aversão ao diretor Michael Bay e de sua carreira duvidosa. Particularmente, acredito que cada filme deve ser avaliado pelo o que ele é, deixando o passado do diretor de lado. Este Sem Dor, Sem Ganho é uma experiência incrivelmente divertida. São várias as cenas genuinamente cômicas, com um pé no humor negro e às vezes até beirando o surreal.

Com direção e edição ágeis, o filme jamais perde o ritmo. São sucessões ininterruptas de sequências bizarras que nos fazem rir, com direito a uma discussão sobre suplementação com leite materno e um bombadão impotente. Isso sem falar nas decisões idiotas que os três sempre tomam quando vão cometer os crimes.

Podemos reclamar do excesso de narrações em off, afinal isso faz o filme perder o foco em alguns momentos. Piadas de mal gosto também estão presentes, mas na maioria das vezes elas funcionam. Faltou um pouco de tato ao contar uma história real dessa maneira cômica, ainda mais pelo fato de tudo ter ocorrido há pouco tempo. Este material poderia gerar um filme com um preso dramático em mãos mais talentosas.

De qualquer forma, Sem Dor, Sem Ganho deve ser enaltecido por jamais tentar ser mais do que é. Trata-se de uma sátira recheada de um humor agressivo e eficiente, capaz de realmente divertir ao longo de suas duas horas. Nunca nos aproximamos emocionalmente dos “marombeiros ninjas”. Eles são criminosos e o roteiro deixa isso bem claro. Não há chances para redenção. Eis uma história de quem pegou a própria vida e a jogou no ralo.
7.5

Ficha do filme no Adorocinema

Crítica: O Segredo do Abismo (1989)


James Cameron é um perfeccionista como poucos. Ele é capaz de transformar filmes de puro entretenimento em arte, além de arrecadar milhões e mais milhões nos cinemas. No seu lançamento em 1989 O Segredo do Abismo recebeu diversas críticas negativas, passando a ser reconhecido como o pior trabalho da carreira de Cameron. Isso mudou com a versão do diretor com cerca de 30 minutos a mais, lançada alguns anos depois, que tratou de corrigir pontas soltas e de potencializar o que já funcionava bem.
Aqui temos a história de um submarino nuclear que se vê com sérios problemas após ter contato com uma força misteriosa. Para tentar o resgate, o governo manda os funcionários de uma plataforma de petróleo que estava nas proximidades. O que será que destruiu o submarino? É um mistério que vai durar por boa parte do filme.
Emprestando alguns elementos de Alien, Aliens e Contatos Imediatos de Terceiro Grau, O Segredo do Abismo conta com impressionantes cenas embaixo da água. O suspense é trabalhado de maneira primorosa, se transformando em um verdadeiro terror psicológico em alguns momentos. A edição de som e a natural sensação de claustrofobia de um submarino colaboram bastante para isso. As cenas de ação são muito competentes e nos envolvem completamente, algo que sempre podemos esperar de um diretor como James Cameron.
Como se isso fosse pouco, a essência do filme talvez seja uma história de amor. Por mais que tenhamos um olhar preconceituoso para esse romance no início, somos completamente atingidos pela força emocional que ele possui graças as atuações de Ed Harris e Mary Elizabeth Mastrontonio e também ao próprio roteiro. Como não podia deixar de ser, alívios cômicos também estão presentes e de maneira natural. O meu preferido é aquele momento em que a tripulação canta uma música melosa, todos juntos.
Há algumas falhas como um vilão que não agrega muito e um desfecho que traz uma sensação de anticlímax, mesmo transmitindo uma contundente mensagem contra a violência. Nada que atrapalhe a experiência como um todo.
8/10