Anderson Silva – Como Água

– O documentário do diretor Pablo Croce mostra os dois meses de preparação de Anderson Silva para enfrentar Chael Sonnen, confronto que se realizou no UFC 117 em 17 de agosto de 2010. Não é necessário ser fã de lutas para gostar do que é visto aqui, afinal boa parte do filme não está focado nos combates em si. Pablo Croce nos transforma em telespectadores da rotina extenuante de preparação de Spider, que consiste na parte física, mas também no estudo do estilo do adversário. Bastante tempo é também dedicado nos bastidores da luta, com várias entrevistas e declarações de ambos os lutadores. Não é difícil perceber que Anderson Silva é um cara centrado e que quer apenas vencer e voltar para casa inteiro, já Sonnen gosta mais de falar e provocar. Declarações irônicas às vezes fazem bem para criar um clima nos esportes, seja Boxe (lembram de Ali?), UFC ou futebol (lembram do Vampeta?), mas Sonnen claramente exagera em alguns comentários. A tensão vai aumentando a medida que a luta se aproxima, simplesmente não há como esperar o momento com passividade, mesmo que já saibamos o resultado. Temos aqui um filme que retrata um pequeno espaço de tempo da carreira do Spider, mas que já é suficiente para termos uma boa ideia do seu caráter e dedicação. Não é à toa que ele é um dos ídolos nacionais do momento.

7/10

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Tyson


Título original: Tyson
Ano: 2008
Diretor: James Toback

Iron Mike é uma das lendas do esporte. Sua carreira foi meteórica. Tornou-se campeão mundial bem jovem e por algum tempo foi considerado invencível. Infelizmente, a carreira dele foi repleta de altos e baixos, principalmente devido a sua vida fora do ringue. Este documentário não tem nenhum tipo de invenção no quesito direção, ele não ousa nesse sentido. O que temos é Mike Tyson sentado no sofá da própria casa, olhando para a câmera e discorrendo sobre a vida e a carreira. Mesmo tendo este estilo tradicional, Tyson é extremamente eficiente durante seus poucos menos de 90 minutos.

Mike Tyson abre o coração e nos fala sobre muitas coisas: os motivos que o levaram a lutar, a importância de Cus D’Amato no seu desenvovilmento como boxeador e como pessoa, as noites que ele passava vendo e estudando lutas antigas, o vício em mulheres, o temperamento agressivo e auto-destrutivo, o casamento que não deu certo com a atriz Robin Givers, o tempo na prisão, as duas lendárias lutas com Evander Holyfield e vários outros temas.

É uma pena que o relacionamento com o empresário Don King tenha sido tão pouco explorado. Vai ver ele não queria falar sobre isso. No mais, é um documentário que conta com uma entrevista sincera e magnética de Iron Mike. O filme é curto e passa voando e eu recomendo para qualquer um que queira saber mais sobre uma das pessoas mais comentadas do século passado.

Nota: 7

– bruno knott

O Equilibrista

Título original: Man on Wire
Ano: 2008
Diretor: James Marsh

Philippe Petit estava em um consultório odontológico, aguardando a sua vez de ser atendido, quando viu em uma revista algo esplêndido: o futuro World Trade Center. As torres gêmeas nem haviam sido construídas ainda, mas tiveram um grande efeito no rapaz. Philippe Petit iria conquistar as duas torres. Não importava quando, mas um dia ele iria de uma torre a outra em um cabo de aço! Dá para imaginar uma coisas dessas?

O filme recria toda a dificuldade que Petit e seus amigos tiveram para conseguir realizar essa façanha. Afinal, para Petit poder fazer a travessia, eles teriam que levar um equipamento pesadíssimo para ambas as torres e em segredo. O diretor James Marsh coloca suspense em quase todas as partes desse processo, mantendo um clima de tensão fabuloso. O próprio Petit conta a sua história e de uma maneira muito agradável. Ele é um excelente contador de histórias, ele fala e você presta atenção, você se sente hipnotizado pelas suas palavras e é claro, pelos seus atos. Antes de chegar ao clímax, vemos Petit fazendo o que sabe em outros lugares, como Notre Dame e na Austrália. Tudo com uma trilha sonora linda e uma fotografia magnífica.

Mas estamos ansiosos para as torres gêmeas! Como o filme é muito bem dirigido o tempo passa voando e rapidamente estamos com Petit no momento derradeiro. Quando ele tem que decidir se transfere o pé da ponta do edíficio para a corda… congelamos. Nossa. Que magnífico. Que inspirador! Ver essas imagens, juntamente com a trilha sonora, torna tudo muito poético, parece um sonho ver alguém andando naquelas alturas. Eu me senti motivado, me sentido tocado por essa história. Fico imaginando o que as pessoas que acompanharam in loco sentiram.

Por alguns instantes esquecemos que as torres não estão mais lá.

Nota: 9,5

– Por B. Knott