Crítica: Uma Manhã Gloriosa (2010)

 

Uma Manhã Gloriosa não é um filme que revolucione o gênero comédia, mas o fato é que bons momentos de humor são encontrados aqui, muito em função da atuação cheia de energia de Rachel McAdams. Ela interpreta Becky Fuller, uma produtora de televisão que se vê trabalhando no Daybreak, um programa matutino fadado ao fracasso.

Becky é uma workaholic ao extremo. Ela simplesmente não para.  Parece que ela está impulsionada por litros de café e Red Bull, sempre atrás de alguma matéria interessante que possa aumentar a audiência do programa. Ainda que o roteiro exagere na tentativa de nos fazer rir atráves do humor pastelão, Rachel McAdams nos conquista com sua presença de espírito e doçura.

Uma ideia para fazer o programa funcionar é ter Mike Pomeroy (Ford) como âncora. Ele é um jornalista renomado, vencedor de vários prêmios importantes. Vê-lo trabalhando no apelativo horário da manhã, esbanjando arrogância e sarcasmo, é garantia de boas risadas.

Apesar das qualidades, o filme sofre por ser formulaico e ter aquele ar de “mais do mesmo”. Quase nada é original e o rumo das coisas é fácil de advinhar. A trilha sonora em alguns momentos exagera na melosidade e prefiro nem comentar o romance, que é previsível, forçado e não colabora em nada para a história.

Deixando essas irregularidades de lado, podemos sim curtir os bons momentos de Uma Manhã Gloriosa, que não tem pretensão alguma, a não ser divertir.
IMDb

/b.k.

O Dorminhoco (1973)


Cotação: 8

Se você está a fim de assistir a um filme com bastante humor, ficção e uma boa dose de bizarrice, eis uma bela opção. Woody Allen, além de dirigir, é o personagem principal do filme. Ele interpreta Miles Monroe, um cara que foi ao hospital para operar uma úlcera e acaba acordando 200 anos depois, exatamente no ano de 2173. Nessa época, os EUA está dominado por um Líder, no melhor estilo 1984. A população é controlada e para a diversão existe uma máquina chamada orgasmotron e uma bola metálica que deixa as pessoas chapadas, o orb.

O humor está presente das mais variadas formas nesse futuro concebido pelo diretor. Por exemplo, algumas coisas que hoje em dia são consideradas maléficas a saúde tornaram-se benéficas, como o cigarro e as comidas gordurosas. Woody Allen também oferece diálogos cheios de ironia, principalmente em relação a personalidades e fatos dos anos 70. Em um momento, Miles Monroe precisa se disfarçar de robô para não ser pego pela polícia e aí temos gags visuais no maior estilo Chaplin, com uma trilha sonora bem característica de filmes mudos de comédia.

Acredito que a históra em si não seja tão importante aqui, mas devo dizer que Miles entra para o grupo da resistência que tenta acabar com o Líder. A maneira pela qual eles tentam isso é surreal e torna-se um dos momentos mais engraçados de O Dorminhoco. É uma ótima comédia do diretor, repleta de risadas fáceis e algumas que precisam de um certo conhecimento histórico. São 90 minutos de entretenimento puro.

Título original: Sleeper
Ano: 1973
País: EUA
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen e Marshall Brickman
Duração: 89 minutos
Elenco: Woody Allen, Diane Keaton

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/bruno knott