Crítica: Duelo de Titãs (2000)

remember-the-titans-2000Estamos no ano de 1971, época em que o racismo ainda era forte no estado americano da Virginia. Tentando mudar um pouco esse panorama, o governo estabeleceu uma lei obrigando a integração racial das esquipes esportivas. A mudança começa pelo comando técnico do time de futebol americano do colégio local, que agora fica a cargo do afro-descendente Herman Boone. Após alguns desentendimentos, Bill Yoast, o técnico anterior, aceita a posição de coordenador defensivo. Ambos vão trabalhar juntos com o objetivo de realmente unir os jogadores.

Muitos achavam que haveria algum tipo de favorecimento durante os treinamentos, mas nada disso ocorre. O técnico Boone impõe um regime de treino militar, de extrema intensidade, levando os jogadores ao cansaço absoluto, com tratamento igual para todos. Uma corrida às três da madrugada e um treino longo sem permitir que os atletas se hidratassem são provas disso.

Aí entra um dos pontos mais interessantes de Duelo de Titãs: a dinâmica da relação entre os dois técnicos. Enquanto Boone às vezes exagera na rigidez, Yoast aborda os jogadores de uma forma mais tranquila. Mais do que preparar um time com possibilidades de vencer, eles querem formar um grupo de verdadeiros irmãos. Essa união dos atletas serve de inspiração para cidade, que ainda convive com revoltantes exemplos de racismo.

Mesmo com alguns clichês do gênero e com cenas pouco inspiradas dos jogos, o filme possui força própria, reservando momentos de emoção genuína e fazendo um comentário social dos mais relevantes. Não dá para deixar de elogiar também as ótimas escolhas da trilha sonora, como Creedence, Cat Stevens e The Temptations. Mais um aspecto importante que faz Duelo de Titãs ser um ótimo entretenimento.
8/10

 

O Livro de Eli


Título original: The Book of Eli
Ano: 2010
Direção: Albert e Allen Hughes

Já fazia um tempinho que eu queria assistir O Livro de Eli e um review no blog By Star Filmes foi o estímulo que faltava.

Sou fascinado pela temática do fim do mundo e do mundo pós-apocaliptico. São vários os exemplos recentes: A Estrada, Presságio, 2012 e Eu Sou a Lenda. Infelizmente, nenhum deles me agrada plenamente, mas sempre aproveito alguma coisa nesse tipo de filme, como foi o caso com O Livro de Eli. Como é costume no gênero, não há uma explicação sobre o que levou o mundo ao estado em que está. Eu não me importo, contanto que o tal mundo seja concebido de maneira eficiente. Devo dizer que os irmãos Hughes sabem como criar um mundo pós-apocaliptico. Tudo é muito sujo, sem vida e desolado. O sol é uma das grandes ameaças, assim como as pessoas que esqueceram como viver civilizadamente, transformando as cidades em verdadeiras terras sem lei, no melhor estilo western.

Um andarilho chamado Eli (Denzel Washington) tem a missão de transportar um livro até o oeste. Não existe nenhum outro livro igual. Todos os outros foram queimados, pois diziam que ele foi um dos motivos da guerra que culminou com as explosões. Eli todo dia o lê e tenta viver de acordo com ele. Em pouco tempo conseguimos advinhar de qual livro se trata, então não considerem um spoiler saber que o livro é o último exemplar da bíblia. Ok. O filme conta com cenas de ação muito eficientes, empolgantes e quase sempre bem originais. Até os 30 minutos iniciais trata-se de algo excelente, mas que depois só piora.

Alguns diálogos nos fazem pensar sobre o nosso mundo, como quando Eli diz que antigamente as pessoas desperdiçavam coisas que agora elas não tem, como a água.  Durante a maior parte do filme Eli tenta seguir para o oeste sem ser capturado por Carnegie (Gary Oldman), que está atrás do livro. Carnegie quer utilizar a bíblia para controlar as massas e transforma-las em escravos ou algo do tipo. O maior problema de O Livro de Eli é que o desfecho transforma quase tudo que veio antes em meras desculpas para que as cenas de ação e perseguição fossem criadas. Apesar da evidente irregularidade, existe muitas coisas aproveitáveis. Recomendo, mas com ressalvas.

Nota: 6

/bruno knott