Crítica: A Mosca (1986)

A Mosca é uma mistura de ficção científica, terror, romance e tragédia. A trama nos mostra o cientista Seth Brundle e seu experimento que tinha potencial para mudar o mundo de uma maneira positiva, mas que acaba saindo muito errado. Brundle enfrenta mudanças físicas e psicológicas impressionantes que nos vão sendo reveladas aos poucos. Primeiro são pelos nascendo em lugares estranhos, depois uma preferência absurda por alimentos açucarados e assim por diante.
Como não podia deixar de ser, várias cenas puxam para o gore que Cronenberg tanto gosta. Quando um trabalho é bem feito ele atravessa as barreiras do tempo e eu diria que ainda hoje certas cenas podem causar aflição.
O fato é que A Mosca funciona tão bem graças aos personagens bem construídos. Apesar da situação absurda embarcamos nela e realmente nos importamos com o destino de Brundle e Veronica. Se não fosse assim, o filme não continuaria ganhando novos fãs a cada ano que passa.
9/10

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Crítica: Videodrome (1983)

Max Renn, o responsável por um pequeno canal de TV, tenta conquistar os telespectadores com uma programação nada usual. A ideia de Max é buscar programas que ofereçam pornografia, violência, mutilações e sadomasoquismo, quanto mais intenso melhor. Um amigo de Max consegue captar um sinal do chamado Videodrome, um programa de televisão que oferece justamente o que ele procura, mas assistir a ele traz consequências perturbadoras para Max, como alucinações visuais e auditivas. Quem está por trás de Videodrome quer utilizá-lo para realizar uma verdadeira lavagem cerebral nos telespectadores e Max é a primeira cobaia.
É inegável que trata-se de um filme que desperta a nossa curiosidade. Cronenberg está longe de ser um cineasta previsível e aqui pode estar a maior prova disso. No meio de muita bizarrice e de cenas grotescas, não faltam críticas sociais e metáforas das mais criativas, que às vezes podem causar até uma certa repulsa no público ou pelo menos um mal-estar momentâneo. É difícil dizer qual o real objetivo de Cronenberg com Videodrome, mas uma coisa é certa: para termos uma boa noção devemos assistir mais do que uma vez. Por mais que fiquemos atentos, um certo grau de confusão parece inevitável. Se você gostou do que viu vale a pena investir mais 90 minutos nele, algo que farei em breve.
7/10  

Crítica: Um Método Perigoso (2011)

Os melhores momentos de Um Método Perigoso estão nas conversas entre Freud e Jung, os personagens principais deste novo trabalho de Cronenberg que nos faz mergulhar nos primeiros dias da psicanálise. Alguns diálogos estão recheados de um tom mais acadêmico, mas isso não atrapalha a nossa experiência como um todo. Infelizmente não dá para dizer o mesmo quando o assunto é o ritmo, que é um tanto irregular, sendo bem monótono de vez em quando.
Keira Knightley tem uma performance que divide opiniões, exaltada por uns e criticada por outros quase que na mesma intensidade. Para mim ela exagerou na sua caracterização, nos dando um verdadeiro exemplo do overacting. Outro pecado do filme é a falta de algum acontecimento realmente impactante, de forma que ele perde a força sobre nós assim que os créditos aparecem na tela.
O que fica de bom é mais uma boa atuação de Viggo Mortensen, um ator que claramente se entrega aos seus papéis, realizando um trabalho de pesquisa bem sério na composição de seus personagens. Se Cronenberg não foi brilhante, pelo menos ele dá um ar clássico para a história, fazendo uso de ótimos recursos de direção e fotografia para transmitir o lado emocional de Freud, Jung e Sabina.
6/10
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