Crítica: Corações de Ferro (Fury, 2014)

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Corações de Ferro, filme dirigido por David Ayer (Marcados para Morrer) e estrelado por Brad Pitt, é um lembrete de como o inferno da guerra pode transformar o homem. Por se tratar de um gênero de que gosto bastante e de ter como diretor um cara talentoso, minhas expectativas estavam bem altas. Boa notícia: elas foram muito bem correspondidas.

A trama se passa no período final da Segunda Guerra Mundial, momento em que os desesperados nazistas já sabiam que a derrota era certa, mas não queriam dar o braço a torcer. Acompanhamos um pequeno grupo de soldados que invade a Alemanha em um tanque. Quatro deles já são macacos velhos na ‘arte’ da guerra e um é um recém chegado dos mais inexperientes.

Há algo de clichê nessa situação de um novato dentro de um grupo calejado, porém aqui as coisas funcionam bem. O roteiro habilmente escrito faz o arco narrativo deste personagem soar bem natural e permite com que nos importemos com ele.

Um dos objetivos principais de Corações de Ferro é mostrar a camaradagem que surge entre os soldados no meio da guerra, ainda mais quando dividem o pequeno espaço de um tanque.

E é claro que não podemos esquecer da violência. Não faltam cenas que mostram o verdadeiro horror da guerra, seja quando vemos membros decepados jorrando sangue ou quando presenciamos atos covardes, mas justificáveis até certo ponto.

Apesar de uma sequência um tanto fora de lugar envolvendo o encontro os soldados e duas mulheres e a batalha final que, apesar de muito bem feita, é hollywoodiana demais, temos aqui um dos melhores filmes de guerra dos anos 2000.

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Marcados para Morrer – End of Watch (2012)

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A ideia em End of Watch é mostrar o dia a dia de dois policiais de Los Angeles, investindo bastante na amizade entre eles e no espírito de camaradagem da classe. Michael Peña e Jake Gyllenhaal entregam atuações de alto nível, tornando verdadeira a amizade dos seus personagens, com diálogos que fluem naturalmente e que nos fazem rir na maior parte do tempo. A química entre os dois é um dos pontos altos do filme. Eles não são heróis, mas querem fazer seus trabalhos da melhor maneira possível. Ambos passam por momentos importantes em suas vidas pessoais e tudo nos é mostrado de uma maneira realista e até emotiva às vezes.  Quando percebemos que estão brincando com fogo ao atrapalhar o cartel que age na região ficamos apreensivos com o que pode ocorrer. Graças a essa conexão com a dupla o filme nos reserva momentos de bastante impacto emocional.
Algumas cenas são mostradas através de uma câmera carregada por Bryan (Gyllenhaal), inclusive em cenas de ação, algo que pode incomodar aqueles que sentem desconforto com a câmera tremida. Acredito que tenha sido uma boa escolha do diretor David Ayer, pois aumenta-se a tensão e o tom de urgência das situações.
No final das contas, End of Watch traz um ar de novidade para um gênero já muito explorado. É um filme muitas vezes violento, poderoso emocionalmente e que nos diverte nos inspirados diálogos da dupla principal, convenhamos, coisas nem sempre fáceis de serem alcançadas.
9/10