Crítica: Pi (1998)


Pi, o primeiro filme do diretor Darren Aronofsky, possui elementos que o tornam fascinante, ainda que em alguns momentos seja de difícil compreensão. Max Cohen é um gênio dos números. Ele acredita que a matemática é a linguagem da natureza e que através dela pode-se encontrar um padrão para tudo, inclusive para o mercado de ações. Um pessoal de Wall Street está muito interessado nas pesquisas de Max, que também é perseguido por judeus que acreditam que a torá possui um padrão de 216 dígitos que vai revelar o verdadeiro nome de Deus.
Max é um cara recluso, passando horas buscando uma resposta para esses dilemas matemáticos em seu computador. Ele apresenta claros sintomas de esquizofrenia, como alucinações auditivas, alucinações visuais e delírios de perseguição. Ele faz uso de um antipsicótico, a promazina, que pelo jeito não está dando resultado. Não faltam remédios também para a sua enorme dor de cabeça, algo que o debilita de uma maneira angustiante.
O filme inteiro tem uma atmosfera de pesadelo, mas Aronofsky nem sempre nos deixa claro o que é real ou não. A montagem agil e a trilha sonora eletrônica colaboram para todo o clima de paranoia que é criado.
Somos apresentados aqui a teorias matemáticas difíceis de serem entendidas no ritmo frenético em que a história é contada, mas dá para perceber que são fascinantes. Pi exige um pouco mais de atenção do que a maioria dos filmes, oferecendo um material estimulante intelectualmente. A resolução não é algo claro. Tudo está aberto a interpretações.
Alguém que estreia de uma maneira tão promissora só poderia dar certo na carreira. Aronofsky vem se destacando a cada trabalho: Réquiem para um Sonho, O Lutador e Cisne Negro estão aí para comprovar o talento desse grande diretor.
8/10 

Crítica: Cisne Negro (2010)


Quando você for assistir a Cisne Negro prepare-se! Não é um filme comum. É uma viagem perigosa e eletrizante. É daquele tipo de filme que te hipnotiza, que faz o teu coração palpitar, que te assusta, que te enche de adrenalina e te comove até o instante final. O tempo voa, mas você quer permanecer o máximo de tempo possível na frente da tela, mesmo com a aflição que a história causa. O mais incrível é que o diretor Darren Aronofsky transmite essas sensações a partir de um roteiro cujo assunto principal é o ballet.

Para interpretar os papéis principais de Swan Lake é necessário uma atriz que transmita pureza quando está em cena o cisne branco e ousadia, quando é o cisne negro que toma conta do palco. Nina (Portman) é perfeita quando personifica o cisne branco, mas tem dificuldades quando chega o momento do cisne negro. Todo o sacrifício que uma bailarina enfrenta para tentar alcançar a perfeição é mostrado. Nina é consumida pela ideia de ser a atriz principal do ballet e sua transformação é conduzida sem censuras por Darren Aronofsky. Ela não come direito, treina incessantemente e segue alguns conselhos não muito ortodóxos do diretor da peça, Thomas.

Nina não enfrenta apenas mudanças físicas. A peça vira uma obsessão para ela, que ainda tem que enfrentar ciúmes das outras bailarinas e também o controle que a mãe ainda exerce sobre ela. Nina é uma mulher de 28 anos, mas praticamente não tem liberdade. A mãe não permite que ela se tranque no quarto, quarto esse que é bem infantil, cheio de bichos de pelúcia e que abusa da cor rosa. Para interpretar o cisne negro ela deve mudar muitos aspectos. Natalie Portman se entrega ao papel como poucas atrizes conseguiriam. É uma atuação para ser lembrada por muito tempo. Não bastasse a exemplar direção de Aronofsky, a música clássica tocada com mais vigor em momentos importantes deixa tudo mais vibrande e pulsante. Há quem reclame de alguns excessos do diretor e de uma certa visceralidade, mas são fatores essenciais para representar tudo o que se passa com Nina. Perfeição é utopia? Talvez não para Aronofsky e para Natalie Portman.

Título original: Black Swan
Ano: 2010
País: USA
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz
Duração: 108 minutos
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Winona Ryder

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bruno knott,
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