Resenha de livro | Vidas Secas

Vidas Secas foi o quarto romance escrito por Graciliano Ramos. Publicado no ano de 1938, o livro é classificado como uma obra regionalista da segunda fase do modernismo. Escrito em terceira pessoa com uma linguagem direta e objetiva, Vidas Secas nos apresenta a uma família de retirantes nordestinos que está em busca de dias melhores.

Fabiano, Sinhá Vitória, os filhos e a cachorrinha Baleia ganham vida nas páginas de Graciliano Ramos. As situações pelas quais passa a família exemplificam a desigualdade social e o massacre do homem comum pela classe dominante. A injustiça está presente por todos os cantos deste cenário árido, quente e com poucas esperanças. Mesmo curto, o autor consegue analisar o psicológico de cada personagem, expondo o interior deles de maneira tocante. É possível ler os capítulos fora de ordem que mesmo assim tudo fará sentido. É por isso que ele é chamado de um romance desmontável.

É sempre uma experiência enriquecedora reler a obra máxima de Graciliano Ramos. A cada leitura consigo perceber coisas novas e me impressionar com este que é um dos melhores livros já publicados em terras brasileiras. Poucas vezes a crítica social soou tão forte e verdadeira.

Review | Game of Thrones 8×01 – Winterfell

Minhas expectativas estavam naturalmente altas para este primeiro episódio da oitava temporada e no final das contas posso dizer que gostei do que vi, ainda que com algumas ressalvas. Quem acompanha Game of Thrones desde 2011 sabe que na maioria das vezes os roteiristas desenvolvem a trama com calma, aumentando a intensidade aos poucos até chegar no ápice em um episódio chave. Essa temporada terá apenas seis episódios e apesar do início mais comedido – cheio de reencontros e momentos intimistas – deu para perceber que as coisas vão pegar fogo na sequência.

Finalmente Theon consegue se redimir perante a irmã. Pareceu um tanto fácil e rápido demais, mas o que importa é que ele conseguiu resgatar Yara das mãos de Euron. E pelo jeito, ele está rumando para Winterfell. Até consigo vislumbrar ele morrendo em breve, talvez se sacrificando para salvar alguém que ele prejudicou anteriormente. Theon é um dos personagens mais trágicos de Game of Thrones, digno de um misto de sentimentos e merecedor de um pouquinho mais de crédito.

Falando em Euron, eis aí um cara sinistro, arrogante e confiante. Basicamente, algumas das qualidades que Cersei quer em um homem. Pelo menos é o que pareceu aqui. Game of Thrones gosta de ter pelo menos um vilão meio exagerado como foram Joffrey e Ramsay. Nas últimas temporadas, esse papel cabe a Euron. Convenhamos, ele tem bem menos presença que os já saudosos Joff e Ramsay, mas tem o seu apelo.

Mas vamos para Winterfell. É muito bom ver Winterfell recheada de personagens que amamos. E melhor ainda foi presenciar reencontros com consideráveis doses de emoção. É surreal pensarmos que a última vez que Jon e Arya se viram foi na primeira temporada, na época em que Ned Stark ainda estava vivo. Seria ótimo se houvesse mais tempo disponível para aproveitarmos esse reencontro, mas a trama precisa andar. Apesar do tempo curto, o roteiro foi lá e investiu em uma cena bem boba. Claro que me refiro ao passeio de dragão pelos ares do Norte. Que coisa patética.

O episódio foi razoavelmente morno na maior parte do tempo e melhorou muito nos minutos finais. Foi impactante testemunhar Sam falando para Jon sobre sua real origem. Fica um tanto difícil saber o que ele irá fazer agora. De acordo com os costumes de Westeros, o rei é ele e não a titia Daenerys.

Foi um alívio saber que nosso amado Thormund está vivo, assim como Beric. O problema é que o Rei da Noite está pertinho e com sede de carnificina. Coitado do molequinho Umber. Confesso que tomei um belo susto quando ele gritou.

E para encerrar em alto nível e nos deixar a semana inteira com vontade de ver o segundo episódio, tivemos nada mais nada menos do que Jaime Lannister em Winterfell. Ele chega e já dá de cara com Bran na cadeira de rodas. Isso sem falar que logo estará diante de Daenerys, a filha do rei que ele matou.

Não tenho nenhum problema em admitir que esperava mais da season premiere, mas sei do que o seriado é capaz. Considerando tudo o que já vimos e todas as possibilidades, é justo esperar por um desfecho épico. Sinto que estamos caminhando para isso.

Nota: 7.8

The Americans – 5×13: The Soviet Division

Um season finale que prepara o terreno em grande estilo para a próxima e derradeira temporada.

O episódio anterior acabou com um cliffhanger intenso, aumentando ainda mais as expectativas para esse season finale. The Soviet Division cumpriu bem o papel de preparar as coisas para a última temporada e ainda investiu nos arcos de alguns personagens secundários, mas que gostamos bastante.

SPOILERS! 

Tuan é um garoto frio, calculista e totalmente doutrinado pela ideologia que defende. Ele não esteva nem aí para a possível morte de Pasha. Para ele, só importava completar a missão. Já Phillip correu o risco de levantar suspeitas quando foi até a casa de Pasha, mas ele claramente não está mais aguentando o peso na consciência. Talvez ele chegasse no limite se o suicídio de Pasha se consumasse.

Que momento fantástico foi a conversa entre Elizabeth e Tuan. Tuan provavelmente faz Elizabeth lembrar de como ela era antes. O diálogo dos dois mostra mais uma vez a qualidade dos roteiristas de The Americans e claro, de Keri Russell. Aposto que Tuan ficou um tanto assustado ao ver Elizabeth profetizando que um dia ele irá falhar se continuar sozinho.

No final das contas, o pai de Pasha parece irredutível em não voltar para a Russia.

Falando em Russia, a grande questão do episódio era a possibilidade de Phillip e Elizabeth encerrarem suas atividades nos Estados Unidos e partirem. Eles levam uma vida praticamente impossível, sempre atentos, sempre vigilantes e ainda criando dois filhos. Mas nos Estados Unidos eles jamais vão passar fome, eles podem jogar uma partida de squash, podem ter um armário repleto de roupas e um futuro promissor para os filhos. Será que vale a pena abandonar tudo isso para viver uma vida incerta na Russia?

Henry provavelmente não terá condições alguma de iniciar uma vida nova em um país tão diferente, ainda mais depois de saber que foi aceito na escola que tanto almejava entrar.

O fato é que a descoberta de que Breland (o pai de Kimmy) vai virar um chefão da divisão soviética da CIA faz com que Liz e Philip repensem tudo. Particularmente, acho estranho esse ser um motivo para fazer com que eles permaneçam nos Estados Unidos. Se eles querem mesmo abandonar o serviço era só passar a informação adiante e a Central arranjar outra pessoa para investir em Kimmy.

Paciência.

The Soviet Divsion teve mais duas coisas bem interessantes.

Foi muito bom ver Martha na Russia aprendendo essa língua tão difícil. E ainda melhor foi ela adotar uma órfã. Martha ficou visivelmente emocionada nessa cena trabalhada com muita sensibilidade. É bom ver que The Americans não esquece de seus personagens, mesmo aqueles que não são tão importantes no momento.

E para finalizar, parece que as suspeitas de Phillip se confirmaram: Renee provavelmente é uma espiã. Coitado de Stan. Essa historinha da casa ser inundada já foi estranha, mas ela dizendo que Stan não deve abandonar o seu trabalho na divisão da contrainteligência foi demais. Mas eu notei que Stan suspeitou de algo. Essa vai ser mais uma questão bem relevante para a próxima temporada.

Enfim, tivemos um episódio digno da qualidade do seriado. Aparou algumas arestas, levantou hipóteses e nos deixou empolgados para a conclusão que se aproxima.

 

Review: Game of Thrones 5×07 – The Gift

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Mesmo o mais fervoroso fã de Game of Thrones deve admitir que essa quinta temporada é a mais fraca até o momento. Eu estava um tanto temeroso quanto ao futuro do seriado, mas finalmente tivemos um bom episódio, que funcionou muito bem por si só e também para preparar as coisas para o restante da temporada.

Algumas sequências soaram um tanto forçadas e pouco inspiradas, como Bronn na prisão e até mesmo Sam e Gilly, mas de resto deu para notar que a trama ganhou muita força, prometendo momentos de impactado em breve.

A construção da cena de Cersei, Margaery e o alto septão foi incrível. Cersei parecia no total controle da situação, inclusive fazendo comentários irônicos para Margaery, até que as coisas mudam completamente e ela acaba presa. O septão parece não perdoar ninguém.

É inegável que o ponto alto do episódio foi o encontro entre Tyrion, Jorah e Daenerys. Muita coisa pode resultar dessa união. Será que a rainha dos dragões vai acolher o anão e perdoar Jorah? Ela realmente precisa de alguém como Tyrion para lhe indicar o caminho certo, já que ela parece um tanto perdida no governo de Meereen.

Agora sim. Estamos diante de intrigas que se forem bem trabalhadas podem gerar sequências grandiosas. Finalmente, o seriado voltou a empolgar!

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Daredevil 1×03 – Rabbit in a Snow Storm

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‘Rabbit in a Snow Storm’ utiliza a maior parte do seu tempo para mostrar Matt e Foggy defendendo um cliente em julgamento. O cliente em questão é Healy, que brutalmente assassinou um bandido local, a mando de Wilson Fisk.

As cenas no tribunal mostram a boa capacidade de argumentação de Matt e também alguns de seus poderes, como a capacidade de perceber que alguém está em apuros ao ouvir as batidas do coração.

Vemos também o jornalista Ulrich em um dilema: escrever algo que faça o seu jornal vender mais ou ir em busca de uma história realmente importante para a cidade?

Mas é claro, que a melhor parte deste episódio ficou para o final. Em mais uma empolgante luta, dessa vez entre Matt e Healy, vemos este último simplesmente suicidar-se após entregar o nome do seu ‘chefe’. Trata-se de Wilson Fisk, o ‘Rei do Crime’.

Os roteiristas de Demolidor foram muito felizes em gastar três episódios para finalmente mostrá-lo. As expectativas ficaram lá no alto para esse momento derradeiro. Agora, tudo pode acontecer.
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Review: Demolidor 1×02 – Cut Man

daredevil-cut-man-1x02-E o segundo episódio de Demolidor conseguiu ser ainda melhor do que o piloto. ‘Cut Man’ tem início com Matt Murdock ensanguentado em uma lixeira. Ele é ajudado por Claire, uma enfermeira que, apesar de desconfiada da situação, não vai deixar ninguém morrer em suas mãos.

Aos poucos vamos entendendo o que aconteceu. Murdock foi atrás daquele garoto sequestrado no episódio anterior, mas isso era uma cilada. Ele apanhou bastante. Algumas costelas quebradas, cortes profundos, muito sangue perdido e até um pneumotórax. Por sorte, Claire tem habilidades de um clínico experiente.

O roteiro opta por não nos mostrar essa sequência, fica na imaginação. Particularmente, acredito que tenha sido uma atitude correta. Sobra um tempo para investir no passado de Matt e sua relação com o pai.

Os flashbacks mostram Matt se adaptando à cegueira da melhor maneira possível e também ao fato de ter os outros sentidos mais potentes do que o normal.

O pai de Matt recebe uma proposta de cair no quinto round em uma luta, mas o orgulho e o desejo de não decepcionar o filho fazem com que ele vença. Isso trará consequências óbvias. E tristes.

Sempre que o Matt adulto se encontra em dificuldades ele se lembra do pai e da capacidade dele em aguentar muita porrada e se levantar.

A cena final mostrando o resgate do garoto é algo de belo. Belo e violento. Sentimos o cansaço e a dor de Matt, mas o fato é que ele não pode desistir. É uma sequência sem cortes, esteticamente brilhante. Inclusive, me fez lembrar do filme Oldboy, o que é ótimo.

O lado leve de ‘Cut Man’ fica para a madrugada etílica de Foggy e Karen. Boas risadas e bebidas de alto teor alcoólico e qualidade duvidosa.

Agora conhecemos um pouco mais de Matt Murdock e sabemos que Demolidor é um seriado muito bem produzido, sombrio, com personagens interessantes e uma história que tem bastante potencial. Vamos para o próximo episódio?
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Melhores Westerns: Pistoleiro Sem Destino (The Hired Hand, 1971)

the-hired-hand-1971Pistoleiro Sem Destino é um western bem diferente daqueles que estamos acostumados a assistir. Vários elementos comuns ao gênero não aparecem aqui ou aparecem em momentos bem específicos. Apesar disso, trata-se de uma experiência encantadora. Estreando na direção, Peter Fonda adiciona sensibilidade, uma agradável melancolia e recursos estilísticos um tanto ousados para filmes de faroeste. Somos brindados com várias sequências em que a fotografia e a trilha sonora se destacam e dão a ideia de que o velho oeste nem sempre era um amálgama de caos e desespero. Claro, a trama investe um pouco em ação e nas convenções do gênero quando mostra um conflito e um desejo de vingança, mas Pistoleiro sem Destino deve ser lembrado por enaltecer a camaradagem dos dois personagens principais, a coragem de uma mulher e por suas imagens de rara beleza. [9]

Review: Game of Thrones 4×10 – The Children

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Como é fascinante acompanhar Game of Thrones, tanto para quem leu os cinco livros como para quem ainda não teve essa experiência. A única coisa ruim é que as temporadas passam voando e esta não foi diferente.

Uma parte do público ficou um pouco frustrada com o fato de que não tivemos nada sobre Tyrion e Porto Real no episódio passado, mas agora não se pode mais reclamar disso.

Bastante coisa foi mostrada aqui e muitas tramas avançaram. Convenhamos, algumas avançaram tomando rumos bem diferentes do que pensávamos, não é mesmo?

Daenerys é tomada de surpresa quando libertos pedem para voltar a serem escravos, pois a vida agora é pior do que antes. Como se fosse pouco, ela descobre que seus dragões passaram a atacar crianças. A dolorosa solução é acorrentá-los. Drogon, o mais forte, não foi encontrado. Liberta os escravos, prende os “filhos”. Não está fácil o reinado de Mhysa.

Jon, corajosamente, conversando com Mance Ryder foi ótimo. Cada vez mais ele demonstra ser um líder nato. As coisas ficaram um pouco mais fáceis para ele com a chegada de Stannis, mas agora não há como saber o que vai acontecer. A patrulha não pode tomar partido na guerra dos tronos. Os irmãos tem decisões a fazer.

O encontro de Brienne, Arya e o Cão de Caça foi o ponto alto do episódio para mim. A luta de Brienne e o Cão foi espetacular, muito violenta e muito intensa, com um resultado imprevisível. Agora Arya mais uma vez encontra-se sozinha, cada vez mais calejada na arte de sobreviver em um mundo hostil, cada vez menos inocente. Valar Morghulis!

Bran é outro que finalmente chegou aonde supostamente deveria, não sem uma batalha que não serviu para muita coisa a não ser enrolar as coisas um pouco mais e matar mais um personagem. No cliffhanger mais interessante do episódio, recebemos a notícia de que ele jamais voltará a andar, mas irá voar. Isso mesmo! Agora, como, quando e para quê é algo que não posso nem imaginar.

E aí chegamos a esperada sequência de Tyrion. Infelizmente, como muitas coisas foram abordadas, sobrou pouco tempo para fazer com que o impacto da morte de Shae e Twyn fosse tão grande como nos livros. Tudo pareceu fácil demais, banal demais. Sorte que a espetacular atuação de Peter Dinklage elevou a qualidade das coisas.

No geral faltou emoção, ainda mais para quem já leu os livros e isso foi fatal para o episódio.

A temporada terminou e não conseguimos antever nenhum tipo de conclusão para nenhum personagem e quase nenhum aspecto da trama envolvendo a disputa pelo poder em Westeros. Quando Daenerys vai atravessar os mares? Quando os Starks vão se reunir? Qual o função que Brandon exercerá? O que o futuro reserva para Arya? O que será dos selvagens, da patrulha da noite e de Stannis? E os caminhantes brancos? E os Bolton, os Greyjoy? Quais os planos reais de Varys e Mindinho? Como ficará a situação de porto real sem o cara que realmente mandava lá dentro? Jaime e Cersei vão de fato assumir para o povo que tudo que é dito sobre eles é verdade? E Tyrion, para onde irá fugir o anão?

A quantidade de situações em aberto mostra o quão rico é Game of Thrones, mas também nos faz ter um pouco de receio. Será que os arcos narrativos serão concluídos de uma maneira que faça jus a tudo o que vimos até o momento?

Só George Martin e HBO podem responder. Seguirei confiando.
7/10

Review: Game of Thrones 4×09 – The Watchers on the Wall

game-of-thrones-watchers-on-the-wallA opção por mostrar apenas o núcleo da Muralha não poderia ter sido mais acertada, pois dessa forma nossa imersão na aguardada batalha entre os selvagens e a patrulha da noite foi total. As coisas começaram até calmas, com uma divertida conversa entre Jon Snow e um apaixonado Sam Tarly do lado de dentro da muralha e, fora dela, uma Ygritte furiosa dizendo que irá matar Jon Snow na primeira oportunidade que tiver.

Rapidamente os selvagens estão diante do portão e a luta começa! A tensão está no ar e podemos ver o medo nos olhos de alguns corvos, afinal o exército selvagem é enorme e conta ainda com gigantes e mamutes. E eles aparecem por todos os lados, escalando a muralha de gelo, tentando atravessar o túnel e pulando os muros. O terror que a situação produz chega a ser palpável. Uns se enchem de coragem e defendem o território até a morte, já outros se acovardam e se escondem, como Janos Slynt, ex-comandante da patrulha de Porto real. Como foi bacana ver Sam Tarly tendo atos de bravura, tanto em termos de combate como de amor.

As sequências de batalha foram dirigidas com maestria por Neil Marshall, que transformou esse confronto em algo épico. Não faltou violência e intensidade e o melhor de tudo é que em nenhum momento experimentamos alguma confusão. A segura e inteligente direção de Marshall permitiu que sempre soubéssemos o que estava acontecendo, algo essencial para se aproveitar esse tipo de cena. Sobrou até tempo para um lindo plano-sequência mostrando a dimensão do conflito. Emoção também não faltou, principalmente quando alguns patrulheiros recitaram o juramento antes de enfrentar o gigante e também na triste e inevitável morte de Ygritte.

Este empolgante episódio terminou em um piscar de olhos. Para os fãs de ação de qualidade foi um prato cheio e saboroso. Acho que não é exagero dizer The Watchers on the Wall apresentou a melhor sequência de batalha feita para a TV, superando Blackwater e o Series Finale de Spartacus. Agora nos resta saber como ficarão as coisas em Porto Real no último episódio desta excelente temporada. Peço desculpas pelo palavrão, mas GoT é foda!
9.5/10

/confiram o texto do Marcio, do PorraMan
/curtam o intratecal no facebook
/e voltem semana que vem para o season finale

Review: Game of Thrones 4×07 – Mockingbird

game-of-thrones-4x07-mockingbirdNão é exagero dizer que Mockingbird foi um dos melhores episódios dessa temporada, principalmente se analisarmos o lado mais intimista da história. Tivemos aqui um momento muito especial com o Cão de Guarda e Arya Stark e outro com Oberyn e Tyrion.

Cão de Guarda e Arya tiveram uma conversa das mais reveladoras. Sandor Clegane contou para garota como ganhou algumas de suas cicatrizes e revelou um lado emocionalmente frágil. Ele simplesmente não consegue entender como seu irmão foi capaz de fazer o que fez. Arya, por sua vez, vai mostrando competência na arte de matar. Pelo menos ela o faz de maneira justa, dentro da realidade de Westeros.

Oberyn e Tyrion também possuíram uma sequência de forte impacto dramático. O príncipe de Dorne descreveu minunciosamente um acontecimento da infância de Tyrion, no qual Cersei já demonstrava possuir um ódio mortal em relação ao irmão. Mais uma vez Peter Dinklage brilhou.

Ainda tivemos um pouco de humor com Bronn e suas frases de efeito, Brienne e Pod obtendo informações importantes sobre o paradeiros das garotas Stark, Daenerys agindo impulsivamente, um mistério envolvendo a garota Shireen e um fim intenso para a ciumenta Lysa Arryn.

Game of Thrones sabe trabalhar as relações de seus personagens como poucos. Mesmo sem batalhas e com muito pouco sangue, não há como negar a força de Mockingbird.
9/10

Review: Game of Thrones 4×06 – The Laws of Gods and Men

game-of-thrones-4x06-the-laws-of-gods-and-menTenho uma certa preferência pelos episódios que mostram menos personagens, mas que investem mais tempo neles e em suas tramas. É o caso deste ótimo “The Laws of Gods and Men”, que mostra situações interessantes e importantes ocorrendo com Stannis e Davos em Bravos, Daenerys em Meereen, Ramsay e Theon e ainda foca no intenso julgamento de Tyrion.

Em Meereen passamos a conhecer a cansativa rotina atual de Daenerys, resumida a ouvir reclamações e pedidos do povo. Vimos que os dragões estão enormes e famintos, levando à loucura os pastores de cabras. A mãe dos dragões ainda precisou dialogar com Hizdahr Loraq que pediu permissão para enterrar o pai crucificado e, corajosamente, questionou se é justo punir um crime com outro crime.

Em Bravos, Stannis e Davos buscam por dinheiro e pela ajuda do pirata Salladhor Saan. Qual será o próximo passo de Stannis? Será que já é hora de tentar um novo ataque ao trono de ferro após o fracasso que foi Blackwater?

Vimos também que Theon Greyjoy assumiu de vez a nova personalidade. Ele é Reek e nada mais do que isso. Mesmo com a chance de ser resgatado pela irmã Yara (Asha), o ex-varão preferiu fica em sua jaula aos mandos do mestre, como um verdadeiro cachorrinho. O fato é que o insano Ramsay parece ter reservado um sinistro plano para ele. Temos que aguardar. Tivemos aqui boas cenas de combate que ajudaram no dinamismo do episódio.

E claro, o julgamento de Tyrion para finalizar. Tudo foi construído com a qualidade e inteligência que o seriado já mostrou possuir. Várias testemunhas foram chamadas e todas tinham algo de comprometedor a dizer sobre o indefeso anão. Alguns até mostraram evidências, como o grande meistre Pycelle. Tentando proteger o irmão, Jaime faz um acordo com o pai: ele abandona a guarda real, vai para o rochedo Casterly e Tyrion tem sua vida poupada, tendo que ingressar na patrulha da noite. Tudo parecia seguir por esse caminho quando Shae é chamada para depor. E as coisas que ela contou afetaram Tyrion de todas as maneiras possíveis. Fico imaginando a decepção e depois a raiva dele quando ouviu certas coisas. Ele tentou segurar um pouco, até que explodiu em ódio, dizendo “EU ADORARIA SER O MONSTRO QUE VOCÊS ACHAM QUE EU SOU”. Foi uma sequência de enorme impacto emocional, que comprovou o talento do ator Peter Dinklage e nos deixou bem ansiosos para o próximo episódio.
8.5/10

Review: Game of Thrones 4×04 – Oathkeeper

Game-of-Thrones-Oathkeeper-1Após o episódio morno da semana passada, Game of Thrones retorna a sua qualidade habitual com “Oathkeeper“. Temos aqui bastante coisa acontecendo, muitas informações, várias expectativas criadas para os próximos episódios e uma cena final chocante.

Durante a conversa entre Mindinho e Sansa, ficou claro que ele foi o responsável pela morte de Joffrey. Foi possível também verificar a enorme ambição deste personagem imprevisível. O que ele quer? O que ele pretende com esse tipo de ação? TUDO, é o que ele responde. Mindinho agora vai em direção a Lysa Arryn, irmã de Catelyn Stark.

O fato é que Mindinho não agiu sozinho quando tirou a vida do rei. Esta foi uma trama bem elaborada, que contou ainda com a participação de Olenna Tyrell. A simpática senhora sabe como as coisas funcionam nas linhagens reais. Agora, ela oferece preciosas dicas para Margaery conquistar a afeição e fazer cabeça do jovem Tommen, o futuro rei. É interessante perceber que o garoto Tommem parece ter um bom coração. Sempre odiamos Joffrey e o seu reinado. Será que as coisas serão diferentes agora? Será que vamos torcer, por exemplo, para Daenerys chegar em Porto Real e decepar a cabeça do coitado? E convenhamos, a mãe dos dragões está ficando bem violenta e vingativa, com quem merece, é claro.

Tivemos alguns bons momentos de humor, como a tutoria oferecida por Bronn para Jaime, com direito a uma técnica inesperada e eficaz. Outra cena que arrancou risadas, foi aquela em que o escudeiro Pod chamou Brienne de Sir, se retratando logo em seguida. Os dois agora vão se unir com o objetivo de encontrar Sansa Stark, afinal Brienne fez essa promessa para Catelyn anteriormente. Para ajudar na busca e como prova de amizade, Jaime presenteia Brienne com a espada “Cumpridora de Promessa“.

Falando em Jaime, o regicida está em uma posição delicada. Ele acredita que Tyrion não foi o responsável pela morte de Joffrey, mas isso faz Cersei ficar ainda mais fria com ele.

Mas as coisas realmente esquentaram (…sério?) no Norte. Jon Snow convence Allister Thorne da importância de ir até a Fortaleza de Craster e lidar com os traidores antes que Mance apareça por lá. Jon Snow forma um grupo de voluntários, mas conta com a presença do mais do que suspeito Locke, que recebeu a ordem dos Bolton de encontrar os garotos Stark.

E não é que Brandon Stark e seu grupo estavam bem próximos a casa de Craster? Aliás, o local virou uma zona. Os traidores da patrulha da noite violentam as mulheres do local de todas as formas possíveis e mantém a tradição de levar os filhos de Craster como oferenda para os Caminhantes Brancos. Infelizmente, Brandon e os outros foram capturados. Foi legal ver Bran usando o poder de controlar o corpo do lobo gigante, mas foi triste ver o animal caindo em uma armadilha.

Dessa vez tivemos o desprazer de acompanhar o destino de uma “oferenda”. Game of Thrones já nos mostrou várias crueldades e hoje tivemos mais um exemplo. O bebê chegou às mãos de um tipo de líder dos caminhantes brancos e, com um toque, iniciou uma inevitável transformação. Mais um para o exército!

A guerra dos tronos continua sangrenta e indefinida, mas quando o povo de Westeros vai se preocupar realmente com os caminhantes brancos? Se demorarem muito, pode ser tarde.

Temos muita tensão pela frente! E lembrando… seriado é seriado, livro é livro. Para que comparar? Para que falar que o episódio é ruim apenas porque está diferente dos livros? Bom senso, galera!
9/10