A Estrada

Título original: The Road
Ano: 2009
Diretor: John Hillcoat

O mundo como o conhecemos já não existe mais e o motivo não importa. Agora tudo não passa de cinzas, isolamento, desespero e frio. É neste mundo pós-apocalíptico que encontramos um pai (Viggo Mortensen) e um filho (Kodi Smit-McPhee) tentando sobreviver sem perder a sanidade. E a estrada para a sobrevivência está longe de ser fácil. As poucas pessoas que restam fazem parte de grupos que não hesitam em roubar, matar ou até mesmo praticar canibalismo.

John Hillcoat dá vida a este mundo morto de uma maneira marcante, sempre buscando explorar a destruição e o desolamento do que um dia foi a Terra. A química de Viggo e Kodi é impressionante e isso é essencial para fazer o filme funcionar. Percebemos como o Homem faz de tudo para salvar o Garoto e também para ensina-lo como sobreviver sozinho, caso seja necessário um dia. A ideia do Homem é ir o mais perto possível da costa marítima, mas para chegar até lá eles têm que passar por coisas grotescas. Existem cenas muito fortes ao longo de A Estrada, capazes de mexer com o público. Palmas para Hillcoat, que teve coragem de mostrar quase tudo o que está no livro de Cormac McCarthy.

Como vocês podem ver é um filme triste. Na verdade, é até depressivo. Ainda mais quando vemos rápidos flashbacks mostrando o mundo como era antes. Sabiamente, o diretor utiliza uma fotografia totalmente diferente nestes momentos, cheia de cores e vida. Estes opostos podem te sensibilizar se você não estiver preparado. Infelizmente, existem algumas falhas no filme, como o fato dele não permitir uma conexão maior com os persoangens e o o  ritmo um pouco lento, que pode desagrar a alguns. De qualquer forma, é um dos melhores filmes do gênero disponível por aí.

Nota: 8

Meridiano de Sangue ou O rubor crepuscular no Oeste

Autor: Cormac McCarthy
Ano: 1985

Nah, isso não tem nada a ver com a saga Crepúsculo, apesar do nome. Este livro acaba de ser lançado no Brasil e é o Cormac em grande forma. Gostei muito de ler A Estrada e Onde os Velhos Não Tem Vez e com Meridiano de Sangue a experiência foi igualmente gratificante e singular. Confesso que demorei algumas páginas para entrar na história, mesmo já conhecendo o estilo peculiar do escritor. Não desista e será recompensado. Aos poucos me senti fazendo parte daquele Oeste sangrento, quente, mortal e fascinante. Em A Estrada, Cormac nos mostrou o fim do mundo e aqui ele nos apresenta a um país que ainda estava engatinhando. Qual o mais violento? Difícil dizer. Acompanhamos o Kid durante a maior parte das páginas e o que ele faz é escalpelar índios para ganhar uma grana. Sobra sangue. Cormac não tem medo de descrever assassinatos de crianças, bebes e até de cachorros. Ele quer nos mostrar que aquele ambiente é barra-pesada e para sobreviver você não pode hesitar nunca. Sobra espaço também para algumas reflexões e filosofias relacionadas à guerra e aos homens como um todo. É um livro difícil, pesado, mas que vai fazer você chegar na última página e dizer: PUTAQUEPARIU.


– por B. Knott