Crítica: O Jovem Frankenstein (1974)

 

O Jovem Frankenstein é provavelmente o melhor trabalho do diretor Mel Brooks. Mesmo quase 40 anos depois do lançamento, o filme ainda é extremamente eficiente na difícil tarefa de fazer rir. E ele faz isso de uma maneira inteligente, com um vasto leque de personagens excêntricos e ótimas piadas, cheias de presença de espírito e alguns trocadilhos certeiros. Trata-se de uma paródia do Frankenstein original de 1931 dirigido por James Whale, mas que não desrespeita o material original, mesmo mudando o estilo de terror para comédia. Dessa vez o personagem principal é o neto do Dr. Frankenstein famoso, em uma caracterização inesquecível de Gene Wilder. Aliás, não faltam atores de qualidade interpretando personagens realmente engraçados, como o corcunda de olhos esbugalhados Igor (Marty Feldman), o inspetor da polícia com sua mão mecânica, o cego que oferece sua estranha hospitalidade e o próprio monstro (Peter Boyle). Muito do que vemos no filme original é visto aqui, mas quase sempre com um resultado diferente, como a famosa cena do encontro entre o Monstro e a garotinha. Isso sem falar em alguns cenários, que são exatamente os mesmos.  O Jovem Frankenstein simplesmente oferece tudo o que podemos esperar de uma comédia de qualidade. Clássico!
9/10

O Dorminhoco (1973)


Cotação: 8

Se você está a fim de assistir a um filme com bastante humor, ficção e uma boa dose de bizarrice, eis uma bela opção. Woody Allen, além de dirigir, é o personagem principal do filme. Ele interpreta Miles Monroe, um cara que foi ao hospital para operar uma úlcera e acaba acordando 200 anos depois, exatamente no ano de 2173. Nessa época, os EUA está dominado por um Líder, no melhor estilo 1984. A população é controlada e para a diversão existe uma máquina chamada orgasmotron e uma bola metálica que deixa as pessoas chapadas, o orb.

O humor está presente das mais variadas formas nesse futuro concebido pelo diretor. Por exemplo, algumas coisas que hoje em dia são consideradas maléficas a saúde tornaram-se benéficas, como o cigarro e as comidas gordurosas. Woody Allen também oferece diálogos cheios de ironia, principalmente em relação a personalidades e fatos dos anos 70. Em um momento, Miles Monroe precisa se disfarçar de robô para não ser pego pela polícia e aí temos gags visuais no maior estilo Chaplin, com uma trilha sonora bem característica de filmes mudos de comédia.

Acredito que a históra em si não seja tão importante aqui, mas devo dizer que Miles entra para o grupo da resistência que tenta acabar com o Líder. A maneira pela qual eles tentam isso é surreal e torna-se um dos momentos mais engraçados de O Dorminhoco. É uma ótima comédia do diretor, repleta de risadas fáceis e algumas que precisam de um certo conhecimento histórico. São 90 minutos de entretenimento puro.

Título original: Sleeper
Ano: 1973
País: EUA
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen e Marshall Brickman
Duração: 89 minutos
Elenco: Woody Allen, Diane Keaton

.imdb

/bruno knott

A Ressaca


Título original: Hot Tub Time Machine
Ano: 2010
Direção: Steve Pink

A Ressaca foi feito para ser o Se Beber, Não Case de 2010, mas não consegue. Não consegue, pois este filme não tem uma estrutura narrativa tão eficiente e nem garante a mesma quantidade de risadas de Se Beber, Não Case. De qualquer forma, é uma experiência divertida na maior parte do tempo.

Nos minutos iniciais ficamos cientes de que as vidas de Adam (John Cusack), Nick Webber (Craig Robinson) e Lou (Rob Corddry) não são lá grande coisa, tanto que Lou tenta o suicídio. Depois do acontecido, os amigos resolvem passar um tempo no Kodiak Valley, um local em que eles costumavam se divertir nos anos 80. Jacob, sobrinho de Adam, vai junto.

O roteiro claramente não quer se levar a sério na questão da viagem no tempo e nem deveria. O fato é que os 4 voltam para o ano de 1986 e é aí que o filme engrena. Algumas das melhores piadas acontecem quando os quatro começam a perceber que voltarem no tempo. O que vou dizer não é exatamente um spoiler, mas uma dessas piadas envolve um cantor que estava bombando na época.

Voltar no passado seria uma boa oportunidade para os três tomarem decisões diferentes para quem sabe terem um futuro melhor, mas Jacob recomenda que eles façam as coisas da mesma forma que fizeram antes, se não problemas podem ocorrer.

Se você espera algo parecido com De Volta Para o Futuro, pode esquecer. A ressaca não tem nada da magia, do humor ou da sensibilidade daquele filme. As semelhanças ficam por conta  da presença de Crispin Gloover e do conceito de viagem no tempo.

O filme conta com algumas piadas inspiradas e com outros bons momentos, como aquele em que Nick resolve cantar uma música do Black Eyed Peas e faz sucesso com o público. Mas é pouco. É evidente que este era um material rico, com potencial para se transformar num jovem clássico, algo que ficou muito longe de acontecer.

Nota: 7

/bruno knott