Crítica: A Hora do Espanto (2011)


A Hora do Espanto é um remake do filme de mesmo nome lançado em 1985. Apesar de não haver muitas justificadas para que fosse feita uma nova versão, ela acaba superando o original em vários aspectos.
A ideia é a mesma: Charley, um garoto dos subúrbios norte-americanos desconfia que o seu vizinho Jerry é um vampiro. E ele tem os seus motivos para isso, já que a casa de Jerry tem as janelas vedadas e, em uma cena construída com muita tensão e competência, percebemos que Jerry simplesmente não consegue entrar na casa do garoto. Classicamente, para o vampiro entrar na casa de alguém ele precisa ser convidado. Acho que depois dessa já dá pra fechar o diagnóstico.
Aqui, o “vampirismo” é tratado de um jeito mais nostálgico e por isso agrada tanto. Collin Farrell confere muita autoridade ao personagem, que parece se divertir quando está prestes a usar seus afiados caninos em suas presas.  A primeira parte do filme é embalada por um clima de mistério e suspense, pois demora um pouco até Charley ter a certeza de que lida com algo mais perigoso do que um simples vizinho metido a pegador.
Não é só tensão e sangue que vemos em A Hora do Espanto. O humor também esta presente, seja nos diálogos entre os garotos ou até mesmo em algumas cenas recheadas do bom e velho humor negro.
É uma boa maneira para lembrarmos de quem são os vampiros de verdade, principalmente nessa época Twilight em que vivemos. A Hora do Espanto pode não ter a profundidade de Deixe-me Entrar, mas ele oferece quase tudo o que um fã do gênero espera.
7/10 

Coração Louco


Título original: Crazy Heart
Ano: 2009
Diretor: Scott Cooper

Jeff Bridges, em interpretação magistral, dá vida a Bad Blake, uma velha lenda da música country. Antigamente detentor de enorme prestígio, hoje está falido e precisando tocar em pequenas cidades no meio do nada para sobreviver. Ele não se desgruda da garrafa de whisky, fuma e está acima do peso. Praticamente uma prescrição para um evento cardiovascular. Apesar de não estar mais na moda, ele é admirado e respeitado por fãs antigos, o que é um indício de que ele entende do que faz.

A rotina de Bad Blake muda quando conhece a jornalista Jean (Maggie Gyllenhaal). Jean entrevista Bad Blake e passamos a conhecer ambos um pouco mais a fundo. Ele não hesita em responder as perguntas da jornalista, exceto quando o assunto é o filho que não vê a mais de 20 anos e Tommy (Colin Farrell), um antigo púpilo de Blake que hoje faz um sucesso estrondoso. É importante ressaltar o ótimo trabalho de Farrell, que transforma Tommy num cara que nunca deixa de exaltar as qualidades de Blake e a importância deste em sua carreira.

Scott Cooper estreia na direção de maneira correta. Ele tenta evitar alguns clichês ou pelo menos tenta torna-los suportáveis e consegue em boa parte das vezes. O diretor absorve bem o clima country e deixa Jeff Bridges mostrar toda a qualidade dele. Não posso deixar de lamentar pelo desfecho que ocorre de maneira abrupta e pelo relacionamento de Bad Blake com Jean. Entendo que era inevitável que os dois tivessem um romance, mas me pareceu algo muito pouco convincente.

Nota: 7

/ryan bingham – the weary kind

/bruno knott