Os Melhores Filmes de 2014

OS MELHORES FILMES LANÇADOS NO BRASIL EM 2014

1 O Abutre
cartaz-nightcrawler
O Abutre é um filme espetacular, angustiante, tenso, daqueles que prendem a atenção de maneira quase hipnótica e que demoram para sair da sua cabeça. Como se isso fosse pouco, ainda oferece uma das melhores atuações dos últimos anos. Gyllenhaal estava tão compenetrado no papel que em uma cena que Bloom dá um soco no vidro o ator realmente desferiu o golpe, tendo que ir para o pronto atendimento fazer uma sutura. Bravo!

2 Nebraska
Nebraska poster
São várias as cenas marcantes e que emocionam de maneira honesta. Destaco o diálogo no qual uma mulher diz para David que o pai dele sofre de demência e ele diz que não, que o problema é que ele acredita no que os outros falam.

3 O Lobo de Wall Street
lobo-de-wall-street-poster
São três horas que passam como se fosse duas. Nosso interesse jamais diminui. São várias as sequências inusitadas que garantem risadas, seja pelo humor negro ou pelo politicamente incorreto. Vi coisas aqui que nunca vi antes no cinema e me diverti muito. Fica uma dica: o humor é trabalhado de uma maneira pesada e pode chocar os mais facilmente impressionáveis.

4 Boyhood
poster-boyhood
O diretor Richard Linklater, famoso pela trilogia Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-Noite, investiu 12 anos na produção de Boyhood, filmando durante alguns dias por ano e o resultado é dos mais incríveis. Assistimos na tela o crescimento e amadurecimento do personagem principal, além da inevitável passagem do tempo.

5 12 Anos de Escravidão
12-anos-de-escravidao-cartaz
O filme funciona não só como um excelente exemplar do cinema, mas também como um lembrete do abominável período escravocrata. Este filme deve fazer parte de qualquer aula de História sobre o tema. Estamos diante de um clássico instantâneo, com todo o merecimento.

6 Inside Llewyn Davis
inside-llewyn-davis-poster
Ninguém mais além dos irmãos Coen poderia fazer um filme como este. Humor peculiar, diálogos inspirados e músicas de rara beleza são oferecidos aqui.

7 Interestelar
interestelar-poster
Christopher Nolan acerta em cheio nas cenas de ação, nas belas sequências que apenas mostram a nave vagando pelo espaço e também nos momentos mais intimistas. Quem considera Nolan um diretor frio vai ter que rever seus conceitos a partir de agora.

8 Garota Exemplar
gone-girl-poster
Não faltam surpresas, reviravoltas, humor negro e até uma crítica à imprensa tendenciosa. A montagem eficiente, a trilha sonora inspirada de Trent Reznor e as atuações sólidas de Ben AffleckRosamund Pike são essenciais para fazer deste um dos ótimos filmes do ano.

9 Ida
ida-cartaz
Contando com uma fotografia espetacular, Ida nos mostra que o sofrimento causado pela Segunda Guerra não terminou com o fim do conflito. Um trabalho exuberante do diretor Pawel Pawlikowski.

10 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
cartaz-hoje-eu-quero-voltar-sozinho
Sensível, emocionante, profundo e divertido. São cerca de 95 minutos que passam voando e nos deixam ávidos por mais. Estamos diante de uma história de amadurecimento que funciona tão bem devido ao brilhante roteiro e à qualidade do trio de atores principais. Criamos empatia com eles desde o início e assim compartilhamos suas alegrias e tristezas.

Aí está! Vi vários filmes lançados no ano passado, mas não tantos como eu gostaria. Infelizmente, não pude conferir Relatos Selvagens e John Wick. Como menções honrosas: – Fruitvale Station, A Imagem que Falta, Sob a Pele, Oslo 31 de agosto, Guardiões de Galáxia, Still Life, Amantes Eternos , O Lobo Atrás da Porta e Ela.

– Melhor animação: Big Hero 6
– Melhor atuação masculina: Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
– Melhor atuação feminina: Rosamund Pike (Garota Exemplar)

Crítica: A Luta Pela Esperança (2005)

Das Comeback

Sempre tive preguiça de assistir a Luta Pela Esperança, um pouco por se tratar de boxe – um tema já muito abordado – e, também, pela relativamente longa duração. Não que se trate de umótimo filme, mas o fato é que fui surpreendido por suas qualidades e quase me arrependi de ter esperado tanto tempo para “encará-lo”.

O roteiro é baseado na história de James Braddock, uma verdadeira lenda do esporte. Como a maioria das adaptações cinematográficas, várias modificações foram feitas, algumas gerando resultado positivo e outras nem tanto.

Tudo se passa nos anos que se seguem a Grande Depressão, provavelmente o pior período enfrentado pelo povo americano. James Braddock e sua família foram uma das muitas vítimas daquela trágica realidade. Por um excesso de derrotas, lesões e pela falta de dinheiro, Braddock teve que largar o boxe e tentar arranjar algum dinheiro em serviços temporários, algo nem sempre possível.

O pior momento de vida dele e também o momento de maior impacto emocional do filme, se dá quando Braddock deixa o orgulho de lado e vai pedir dinheiro para alguns de seus conhecidos.

Eis que a oportunidade de voltar aos ringues cai dos céus. O problema é que um de seus próximos adversário é dos mais brutais, tendo, inclusive, matado dois oponentes com seus potentes golpes.

A Luta Pela Esperança não se esforça para fugir da fórmula dos filmes de esporte e exagera ao transformar Max Baer em um vilão de caráter desprezível. Os 144 minutos de duração também se tornam um defeito, já que nem todas as cenas se mostram realmente importantes para a história.

Apesar de tudo, graças a eficiente direção de Ron Howard e as inspiradas atuações de Russell Crowe e Paul Giamatti (indicado ao Oscar de ator coadjuvante por esse trabalho), conseguimos nos envolver com todo o drama vivido pelo lutador e ainda experimentamos um pouco de suspense na luta final. Aliás, é mesmo dentro do ringue que A Luta pela Esperança se destaca. As lutas são mostradas com muita brutalidade e competência técnica, com direito a boas doses de emoção.

Não é um filme que eu assistiria novamente, mas não poso negar que tive uma boa experiência e que me sinto à vontade para recomendá-lo, principalmente para os que tem mais afinidade pelo tema.
8/10

Estreias de maio – 2014

Alguns destaques que vão estrear nos cinemas brasileiros este mês.

08/05
O Passado (Le Passé, 2013)
Gênero: Drama
Dir: Asghar Farhadi
Com: Bérénice Bejo, Tahar Rahim

15/05
O Espelho (Oculus, 2014)
Gênero: Terror
Dir: Mike Flanagan
Com: Karen Gillan, James Lafferty

Godzilla (2014)
Gênero: Sci-fi
Dir: Gareth Edwards
Com: Aaron Taylor-Johnson, Bryan Cranston, Elizabeth Olsen

Sob a Pele (Under the Skin, 2013)
Gênero: Sci-fi
Dir: Jonathan Glazer
Com: Scarlett Johansson, Paul Brannigan

Praia do Futuro
Gênero: Drama
Dir: Karin Aïnouz
Com: Wagner Moura, Clemens Schic

O Teorema Zero (The Zero Theorem, 2013)
Gênero: Sci-fi
Dir: Terry Gilliam
Com: Christoph Waltz, Mélanie Thierry

22/05
A Grande Escolha (Draft Day, 2014)
Gênero: Drama, Esportes
Dir: Ivan Reitman
Com: Kevin Costner, Chadwick Boseman, Jennifer Garner

X-Men – Dias de um futuro esquecido
Gênero: Aventura, Adaptação HQ
Dir: Bryan Singer
Com: Jennifer Lawrence, Hugh Jackman
Michael Fassbender, James McAvoy

29/05
A Estrada 47
Gênero: Drama, Guerra
Dir: Vicente Ferraz
Com: Danie de Oliveira, Richard Sammel

Miss Violence
Gênero: Drama
Dir: Alexandros Avranas
Com: Kostas Antalopoulos, Constantinos Athanasiades

No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow, 2014)
Gênero: Ação, Sci-Fi
Dir: Doug Liman
Com: Tom Cruise, Emily Blunt

Estreias da semana: 11/01/13

A ideia é relacionar as estreias mais relevantes da semana, seja no quesito comercial ou artístico, digamos assim.

cinema-semana

* Além das montanhas (Dupa dealuri)
Direção: Christian Mungiu
Com: Cosmina Stratan, Cristina Flutur, Valeriu Andriuta e Dana Tapalaga
Nota no IMDb:
8
Trailer

* Jack Reacher – O último Tiro (Jack Reacher)
Direção: Christopher McQuarrie
Com: Tom Cruise, Rosamunde Pike, Robert Duvall
Nota no IMDb: 7.3
Trailer

* Uma Família em apuros (Parental Guidance)
Direção: Andy Fickman
Com: Billy Cristal, Bette Midler, Marisa Tomei, Tom Everett Scott
Nota no IMDb: 5.8
Trailer

* A Viagem (Cloud Atlas)
Direção: Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski
Com: Tom Hanks, Hugh Grant, Halle Berry, Susan Sarandon
Nota no IMDb8
Review
Trailer

Review: Robin Wood (2010)


Nota: 6

O objetivo de Ridley Scott não era mostrar Robin Hood e sua característica de roubar dos ricos para dar aos pobres. A ideia é contar como a lenda surgiu. Robin Longstride acompanhava o exército de Ricardo Coração de Leão no retorno das cruzadas quando a morte do rei e uma promessa feita no leito de morte de um nobre inglês o fazem mudar de rumo. Robin percebe-se no meio de uma invasão francesa às terras inglesas. O povo inglês encontra-se dividido, graças ao ingênuo e mesquinho Príncipe João. Alguém terá que os unir. Quem será?

É triste constatar que um elenco tão sólido e um trabalho técnico de qualidade tornam-se escravos de um roteiro bobo e previsível. O roteirista Brian Helgeland já realizou ótimos trabalhos anteriormente, como Sobre Meninos e Lobos e Los Angeles Cidade Proibida, mas aqui ele errou feio. Russell Crowe apesar de atuar bem parece ter apenas repetido o que fez em Gladiador. Qual a diferença entre este Robin Wood e Maximus? Difícil responder. Se a ideia era contar como surgiu a lenda, não faria mais sentido utilizar um ator mais jovem?

Apesar das duas horas e meia de duração eu não me senti cansado vendo o filme, mas é claro que muitas cenas desnecessárias poderiam ter sido cortadas. Os cenários são fantásticos, recriando muito bem o período. Além disso, a batalha final é muito bem executada, com bastante sangue e violência. É o melhor momento de Robin Hood, mesmo que tenha uma bizarrice envolvendo a participação de Marion e de umas crianças selvagens. Mais uma prova do roteiro falho.


Título original: Robin Wood
Ano: 2010
País: USA
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Brian Helgeland
Duração: 140 minutos
Elenco: Russell Crowe, Cate Blanchett, Max von Sydow, William Hurt, Matthew Macfadyen, Kevin Durand, Mark Strong

/ robin wood (2010) –
bruno knott,
sempre.

* * *
Quero agradecer ao parceiro Jonathan Nunes, do blog Cinema Arte Diversão por ter me oferecido o selo Dardos. É o primeiro selo que recebo nessa jornada pelo mundo dos blogs de cinema. Valeu.

As regras são as seguintes:

1. Exibir a imagem do selo no seu blog
2. Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação.
3. Escolher outro blog para receber o Prêmio Dardos
4. Avisar ao escolhido.

O Blog que indico é o: CinePipocaCult, da Amanda Aouad, porque é um blog com costantes atualizações, que nos informa muito bem sobre o que ocorre no mundo do cinema, uma visita obrigatória.

A Rede Social (2010)


NOTA: 9

Quando soube que um filme sobre a criação do Facebook seria feito estranhei. À primeira vista me parecia um assunto banal. Me enganei profundamente. O nascimento da mais famosa rede social do mundo envolve diversos detalhes interessantes e nas mãos de David Fincher eles se transformaram em um filme espetacular.

Logo na primeira cena fica claro que A Rede Social valoriza e muito o diálogo dos seus personagens. Em poucos minutos já temos uma ideia de como funciona a cabeça de Mark Zuckerberg e isso se deve ao roteiro de Aaron Sorkin, a marcante atuação de Jesse Eisenberg e também ao fato de David Fincher deixar as coisas acontecerem sem tentar algum tipo de ousadia em termos de direção.

Zuckerberg toma um fora daqueles da namorada e sua ira transforma-se em um site chamado Facemash. O objetivo do site é comparar os atributos físicos de várias garotas de Harvard. Obviamente, o site faz um sucesso estrondoso. São tantas visitas em tão pouco tempo que a rede da universidade cai. Com isso, Zuckerberg ganha fama e atrai a atenção dos gêmeos Winklevoss. Os irmãos querem que Zuckerberg os ajude a criar uma rede social virtual para os estudantes de Harvard. Ele aceita.

Pouco mais de um mês se passa e Zuckerberg não dá sinal de vida para os gêmeos. Juntamente com o amigo brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield) ele cria o Facebook, algo bem mais abrangente do que a ideia dos gêmeos.

O diretor David Fincher conta essa história de maneira atraente. São 3 momentos diferentes que se intercalam na tela. No primeiro temos as coisas acontecendo de fato, o facebook sendo criado e tudo o mais. Os outros dois são os processos enfrentados por Zuckerberg. Em um deles, ele é processado pelos gêmeos Winklevoss, que alegam roubo de propriedade intelecual e no outro quem move a ação é Eduardo Saverin, ex-melhor amigo que  foi traído de maneira épica por Zuckerberg.

A Rede Social é daqueles filmes em que tudo funciona: o roteiro que investe  nos diálogos ágeis, a direção segura de Fincher, a trilha sonora envolvente de Trent Reznor (líder do Nine Inch Nails)…

Além de tudo,  A Rede Social tem um ótimo ritmo. Ele termina e você não consegue acreditar como tudo passou tão rápido.

Falando em velocidade, é impressionante a maneira como funciona a mente de Zuckerberg. O filme nos mostra como ele colocou situações simples do cotidiano dentro do seu site. Dificilmente alguém cria alguma coisa do nada. Os gênios tem grande capacidade de observar bem o mundo a sua volta e quando uma ideia aparece eles não descansam até termina-la. Basicamente foi assim que Zuckerberg criou o Facebook e se transformou no bilionário mais jovem do mundo. Até parece fácil!

Outro destaque é a participação de Justin Timberlake. Ele já provou que sabe atuar e dessa vez o cantor/ator se superou. Timberlake faz o papel do criador do Napster, que demonstrando uma malandragem fora do comum, acaba fazendo parte do Facebook e lucrando com ele. A cena em que os dois ficam frente a frente dentro de uma balada e conversam sobre os rumos do site é uma das melhores do longa. Jesse Eisenberg transmite com o olhar a admiração e respeito que seu personagem sente pelo outro.

Por fim, devo dizer que A Rede Social é um dos grandes filmes de 2010. Foram duas horas extremamente agradáveis dentro do cinema. Ele oferece um assunto interessante, trabalhado de maneira inteligente pelo roteiro e inspirada pelos atores. Não existe uma cena desnecessária, não existe uma cena chata. Apesar da seriedade do assunto, há espaço para ótimas cenas de humor que nunca soam forçadas.

Merece ser elevado ao posto de obra-prima? Não sei responder ainda, mas que está perto, está.

Título original: The Social Network
Ano: 2010
País: EUA
Direção: David Fincher
Roteiro: Aaron Sorkin
Duração: 121 minutos
Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Harmer, Rooney Mara,

/a rede social (2010) –
bruno knott,
sempre.

A Caixa (2009)

Cotação: 6

A Caixa, cujo roteiro é inspirado em uma obra de Richard Matheson (autor de Eu Sou a Lenda), mostra vários pontos positivos de Richard Kelly, mas está bem longe de ter a qualidade de Donnie Darko. Muito se espera dos lançamentos do diretor, afinal ele é o criador do clássico cult Donnie Darko. Infelizmente, a cada novo filme temos uma nova decepção. Aqui temos um casal de classe média vivendo na Virgínia dos anos 70. Norma (Diaz) é uma professora e Arthur (Marsden) trabalha na NASA. Eles vivem tranquilamente as suas vidas até que recebem uma estranha caixa na porta de casa. A caixa não apresenta nada de anormal, a não ser um botão na superfície. Na sequência, eles são visitados por Arlington Steward, (Langella) que faz uma proposta nada usual: se eles apertarem o botão, ganharão 1 milhão de dólares, mas uma pessoa que eles não conhecem irá morrer. O casal tem 24 horas para tomar uma decisão.

É um enredo bastante interessante que propicia várias discussões relacionadas a moralidade e também nos permite fazer reflexões sobre a vida em sociedade. Me coloquei no lugar do casal e tentei imaginar o que faria em uma situação dessas. É uma situação sombria por si só, mas Richard Kelly deixa tudo com uma atmosfera mais sinistra ainda. Ele sabe como adicionar suspense e um ar bizarro nos seus filmes. Um exemplo é uma cena envolvendo um papai-noel no meio de uma estrada deserta. Estranha e assustadora. Apesar da ótima atmosfera e da boa ideia do roteiro, Richard Kelly se perde um pouco em sua ambição e desenvolve o filme de uma maneira absurda, fugindo de qualquer bom senso tangível, mesmo para uma ficção.

Não acho que tudo precisava ser explicado, já que um mistério sempre vai bem, mas há um excesso de pontas soltas que atrapalha o resultado final. De qualquer forma, me senti recompensado. Não é sempre que vemos um filme que estimule reflexões filosóficas e que faça analogias bacanas com a mitologia e com a bíblia. Em A Caixa vemos algumas mulheres apertando o botão e isso pode significar várias coisas: uma referência a Eva, a Pandora ou até mesmo uma suposta misoginia do diretor. Cabe a nós interpretar e decidir. Richard Kelly é ótimo para criar thrillers de suspense inteligentes, mas espero que o seu próximo trabalho tenha menos ficção e menos ambição. Quem sabe assim ele realize outra grande obra.



Título original: The Box
Ano: 2009
País: EUA
Direção: Richard Kelly
Roteiro: Richard Kelly
Duração: 115 minutos
Elenco: Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella, Sam Oz Stone

/bruno knott

Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo (2010)


Cotação: 5

É de conhecimento de todos que Príncipe da Persia – As Areias do Tempo tinha como principal objetivo fazer dinheiro. É um blockbuster que tenta soar épico e que escancara a intenção de Jerry Bruckheimer de criar um novo Piratas do Caribe, pelo menos em termos de bilheteria.

O roteiro é bem previsível e muito pouco estimulante. Dastan (Jake Gyllenhaal) é injustamente acusado de matar o seu pai adotivo, o rei da persia. O herói tenta provar sua inocência e também deve impedir que o mundo seja destruido pelo mau uso de uma arma que permite voltar no tempo. Gyllenhaal é um ótimo ator, mas aqui ele não tem oportunidade de mostrar suas qualidades artísticas. De qualquer forma, o carisma dele, a beleza da atriz Gemma Arterton e a direção ágil de Mike Newell permitem alguns bons momentos de diversão.

O personagem de Alfred Molina é um dos pontos positivos do filme, já que suas tiradas cômicas garantem boas risadas. Príncipe da Pérsia pode agradar em alguns momentos, sendo você fã ou não do jogo, mas o destino dele é ser rapidamente esquecido.

Título original: Prince of Persia: The Sands of Time
Ano: 2010
País: EUA
Direção: Mike Newell
Roteiro: Boaz Yakin, Doug Miro e Carlo Bernard
Duração: 116 minutos
Elenco: Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Ronald Pickup

Estreias 24/09

Que filmes estreiam em circuito nacional neste fim de semana?

O último exorcismo [The Last Exorcism, EUA, 2010], de Daniel Stamm. Elenco: Patrick Fabian, Ashley Bell, Louis Herthum. Sinopse: Um pai de família pede ajuda ao reverendo Cotton Marcus, certo de que sua filha adolescente está possuída por um demônio que deve ser exorcizado antes que uma tragédia inimaginável aconteça.  Duração: 87 min.
Nota no IMDb: 5.9
Aprovação no ROTTEN: 71%



Wall Street: O dinheiro nunca dorme
[Wall Street: Money Never Sleeps, EUA, 2010], de Oliver Stone. Elenco: Michael Douglas, Shia LaBeouf, Josh Brolin. Sinopse: Jovem economista tem de juntar forças com Gordon Gekko, veterano de Wall Street. Continuação de Wall Street (1987). Duração: 138 min.
Nota no IMDb: 7.1
Aprovação no ROTTEN: 54%


– Duas estreias interessantes e bem diferentes uma da outra. É sempre bom ver Oliver Stone na telona, mesmo que ultimamente ele não tenha acertado muito. E um terrorzinho sempre cai bem também, não é?

O Nevoeiro (2007)

Cotação: 8

Quando Frank Darabont resolve adaptar para as telas os livros de Stephen King podemos esperar por algo acima da média. Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre não me deixam mentir. Incluo nesta lista o maravilhoso O Nevoeiro, a parceria mais recente da dupla. Muitos falam sobre o final do filme. Alguns odeiam, outros acham a melhor coisa dos últimos tempos. Digo apenas que é excelente, mas que o filme tem várias outras qualidades. O conto escrito por Stephen King é ótimo. Ele faz parte do livro Tripulação de Esqueletos. Frank Darabont toma algumas liberdades e faz escolhas que melhoram o que já era bom.

Como o nome já anuncia, um nevoeiro enorme aparece na cidade. Muitos moradores estão no mercado local em busca de suprimentos quando o misterioso nevoeiro se aproxima. Um homem ensanguentado entra no mercado desesperado, gritando que “há algo no nevoeiro” e aí o filme começa.

Tudo transcorre num ritmo agradável, suficiente para manter nossa atenção e para desenvolver os personagens e seus medos. Demora até todos acreditarem que trata-se de uma verdadeira ameaça e apartir daí as coisas vão ficando cada vez piores. O Nevoeiro é um verdadeiro estudo sobre a raça humana. Ele mostra como alguns podem se comportar de maneira extremamente irracional em uma situação como essa. Mrs. Carmody (Marcia Gay Harden) quer fazer todos acreditarem que o nevoeiro é algo enviado por deus para que todos se arrependam e aceitem o fim.

É impressionante como as pessoas são facilmente manipuladas em momentos de urgência e desespero. Darabont mostra isso e muito mais. Além de permitir várias discussões sobre a sociedade, há muito suspense e terror psicológico e até mesmo um ar bacana de filme B. É uma história rica, que alcança o ápice no devastador, inesperado e irônico final.

Título original: The Mist
Ano: 2007
País: EUA
Direção: Frank Darabont
Roteiro: Frank Darabont, baseado em conto de Stephen King
Duração: 126 minutos
Elenco: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden, Andre Braugher, Jeffrey DeMunn

/bruno knott

A Ressaca


Título original: Hot Tub Time Machine
Ano: 2010
Direção: Steve Pink

A Ressaca foi feito para ser o Se Beber, Não Case de 2010, mas não consegue. Não consegue, pois este filme não tem uma estrutura narrativa tão eficiente e nem garante a mesma quantidade de risadas de Se Beber, Não Case. De qualquer forma, é uma experiência divertida na maior parte do tempo.

Nos minutos iniciais ficamos cientes de que as vidas de Adam (John Cusack), Nick Webber (Craig Robinson) e Lou (Rob Corddry) não são lá grande coisa, tanto que Lou tenta o suicídio. Depois do acontecido, os amigos resolvem passar um tempo no Kodiak Valley, um local em que eles costumavam se divertir nos anos 80. Jacob, sobrinho de Adam, vai junto.

O roteiro claramente não quer se levar a sério na questão da viagem no tempo e nem deveria. O fato é que os 4 voltam para o ano de 1986 e é aí que o filme engrena. Algumas das melhores piadas acontecem quando os quatro começam a perceber que voltarem no tempo. O que vou dizer não é exatamente um spoiler, mas uma dessas piadas envolve um cantor que estava bombando na época.

Voltar no passado seria uma boa oportunidade para os três tomarem decisões diferentes para quem sabe terem um futuro melhor, mas Jacob recomenda que eles façam as coisas da mesma forma que fizeram antes, se não problemas podem ocorrer.

Se você espera algo parecido com De Volta Para o Futuro, pode esquecer. A ressaca não tem nada da magia, do humor ou da sensibilidade daquele filme. As semelhanças ficam por conta  da presença de Crispin Gloover e do conceito de viagem no tempo.

O filme conta com algumas piadas inspiradas e com outros bons momentos, como aquele em que Nick resolve cantar uma música do Black Eyed Peas e faz sucesso com o público. Mas é pouco. É evidente que este era um material rico, com potencial para se transformar num jovem clássico, algo que ficou muito longe de acontecer.

Nota: 7

/bruno knott

Direito de Amar


Título original: A Single Man
Ano: 2009
Diretor: Tom Ford

Tom Ford é conhecido pelo seu trabalho no mundo da moda, sendo considerado um dos estilistas mais famosos dos Estados Unidos.  A estreia dele como diretor de cinema não poderia ser mais promissora com este fantástico Direito de Amar. O filme nos apresenta a George Falconer (Colin Firth) no dia em que ele decide dar um fim a própria vida. Ele teve um relacionamento de 16 anos com Jim, mas um acidente de carro tirou a vida deste e levou George a um profundo estado depressivo. “Acordar pela manhã dói”, nos informa George numa narração em off.

O clima triste do filme é realçado pelo espetacular trabalho técnico de Tom Ford, do diretor de fotografia Eduard Grau e pela trilha sonora marcante de Abel Korzeniowski. É um trabalho técnico arduamente lapidado e que pode ser considerado exagerado por alguns. Particularmente, não vejo problemas em exagerar na qualidade. Mais do que requinte técnico, o filme tem alma e graças a Colin Firth, que oferece o seu melhor trabalho até aqui. Ele transmite toda a tristeza do personagem com os olhos e com o tom de voz, algo difícil de se ver hoje em dia. Somos expectadores de um dia na vida de George, um dia sombrio, afinal ele decide se matar, mas há espaço para reconsiderações. A maneira como ele se envolve com as pequenas coisas é algo de extrema beleza, como quando ele acaricia um fox terrier, lembrando-se dos cães que teve em conjunto com Jim.

A mudança na tonalidade das cores quando estes momentos de prazer acontecem foi uma ótima sacada de Tom Ford e Eduard Grau. Falando assim parece não ser muito sutil, mas garanto que é muito eficiente e tocante. Direito de Amar é capaz de proporcionar reflexões sobre a vida e a morte de uma maneira poderosa. O final irônico pode dividir opiniões e até o momento não consegui decidir se gostei ou não. O fato é que estamos diante de um dos melhores filmes do ano.


Nota: 8

– bruno knott