Crítica: A Vila (2004)

Os críticos e boa parte do público pegaram pesado com Shyamalan no lançamento de A Vila. O descontentamento foi grande, principalmente pela reviravolta final que se mostra forçada em uma segunda assistida. Concordo que existem furos no roteiro que comprometem nossa aceitação dos rumos da história, mas nada impede que relevemos algumas situações. Certamente, a jornada valerá muito mais a pena. Com um olhar menos crítico (ou menos ranzinza), é possível mergulhar nessa história que é ao mesmo tempo uma metáfora da política do medo e também uma historinha de bicho-papão em uma escala maior do que estávamos acostumados quando crianças. A maneira com que os anciões fazem todos acreditarem no perigo que representa o simples fato de entrar na floresta é assustadora. Shyamalan, mais uma vez, cria uma atmosfera de tensão utilizando-se de sutilezas, até o momento em que ele julga adequado mostrar um pouco mais. E o momento se mostra sempre correto. Ele é um grande contador de histórias e A Vila é mais uma prova. O diretor não se contenta só em criar um suspense de qualidade e também trabalha temas como o amor, violência e até humor. Para tudo isso funcionar ele conta com um elenco de primeira, encabeçado por Bryce Dallas Horward, Joaquin Phoenix, Adrien Brody e William Hurt. Sinceramente, A Vila oferece quase tudo o que eu espero de um bom filme.
7/10
IMDb 

Crítica: Além da Vida (2010)


Em Além da Vida, o diretor Clint Eastwood nos apresenta a três personagens principais: a francesa Marie Lelay, o americano George Lonegan e o garoto inglês Marcus. O que conecta os três é a relação deles com a morte. Marie Lelay acaba de escapar de um desastre natural, George tem a habilidade se comunicar com os mortos e Marcus enfrenta a tristeza de ter perdido alguém próximo. A morte e o que vem depois dela são temas delicados. Cada um tem uma opinião sobre o assunto, geralmente embasada em religião ou até mesmo em profundas reflexões próprias.

A cada ano que passa sou cada vez mais cético e vivo bem assim. Achei importante dizer isso, pois quero que saibam que minhas ideias sobre o assunto não afetaram em nada minha experiência com o filme. Clint Eastwood não quer te fazer acreditar na vida após a morte ou algo do tipo. Ele quer contar uma história extremamente melancólica utilizando uma certa linha de pensamento sobre o tema. O resultado é um pouco irregular, mas com qualidade suficiente para ser algo marcante. Entre as três sub-tramas, a que é melhor desenvolvida é a de George Lonegan (Matt Damon). O ator está ótimo e passa muito bem o sentimento da personagem em relação a sua habilidade. Para George esse poder é uma maldição e entendemos o motivo disso quando ele tenta iniciar um relacionamento com uma garota. Para completar, o roteiro ainda encontra tempo para demonstrar a paixão dele por Charles Dickens. Detalhe bacana que se mostra importante no terceiro ato.

A irregularidade que mencionei se mostra presente quando o filme torna-se arrastado em alguns momentos. Entendo que Clint quer demonstrar o sofrimento e a desilusão de seus personagens, mas um bocejo ou outro de nossa parte pode acontecer. De qualquer forma, todos devem concordar que ele sabe como contar uma história e aqui não é diferente. O terreno para que os três se encontrem é preparado de maneira natural e cada vez mais passamos a nos importar com os personagens e suas reflexões e atitudes. Não vou negar que o melhor momento de Além da Vida está nos primeiros minutos, mas se você é uma pessoa com um mínimo de sentimento e que não tem o costume de atirar pedras em quem não pensa da mesma maneira que você, é provável que encontre muita coisa boa aqui.

Título original: Hereafter
Ano: 2010
País: USA
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Peter Morgan
Duração: 129 minutos
Elenco: Matt Damon, Cécile De France, Frankie McLaren, George McLaren, Richard Kind, Bryce Dallas Howard

/ além da vida (2010) –
bruno knott,
sempre.