Crítica: Corpo Fechado (2000)

Logo na primeira cena, M. Night Shyamalan demonstra sutileza e calma para contar uma história interessante. Sem esfregar na nossa cara, ele nos mostra que David Dunn tem problemas no relacionamento com a mulher e também um forte arrependimento de escolhas no passado.
Corpo Fechado é uma grande homenagem ao mundo das histórias em quadrinhos. Temos aqui um homem comum que vai descobrindo ter certos dons, cujo nome e sobrenome começam pela mesma letra (como Peter Parker e Bruce Banner), que quase sempre está de verde e que possui a sua própria “kryptonita”.
O diretor faz essa história absurda parecer algo real. Um dos motivos para isso é o forte apelo humano em cada diálogo e cada atitude dos personagens. Um diálogo específico que me chamou a atenção é aquele que David Dunn diz que a primeira vez que sentiu que o casamento não daria certo, foi quando teve um pesadelo e não quis acordar a mulher para ela dizer que estava tudo bem.
Um clima tenso e melancólico está presente durante quase todo o filme. Somos sugados para esse mundo graças a Shyamalan, que investe em tomadas longas e movimentos de câmera requintados para dar fluidez à história. Este é mais um filme do diretor que melhora com o tempo.

Nota: 9/10
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Crítica: O Sexto Sentido (1999)

Mesmo sendo a reviravolta final o grande momento do filme, a impressionante qualidade dele se mantém não importa quantas vezes você o assista. M. Night Shyamalan constrói uma atmosfera de suspense que nos deixa angustiados em diversas cenas. O roteiro funciona tão bem nesse sentido graças ao trabalho inspirado de Bruce Willis, Toni Collette, Olivia Williams e do fantástico Haley Joel Osment.
O fato é que O Sexto Sentido não pode ser considerado apenas um filme de suspense. Shyamalan aproveita a história para mostrar as dificuldades que uma mãe tem para criar um filho sozinha, ainda mais quando ele sofre de um suposto distúrbio psiquiátrico inexplicável e é vítima de perseguições no colégio. Os sustos ocorrem e são sempre competentes, mas momentos mais intimistas como a conversa de Cole com a mãe dentro do carro emocionam e mostram uma faceta de Shyamalan que as vezes é esquecida pela crítica e pelo público.
Detalhes como o uso da cor vermelha em cenas de tensão e as pistas que o roteiro oferece em relação ao desfecho engrandecem ainda mais este filme, que está envelhecendo muito bem e que tem o direito de ser chamado de jovem clássico.

nota: 9/10
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