Crítica: Pacto de Sangue (1944)

A cada filme de Billy Wilder que assisto mais fico impressionado com a capacidade do diretor em transitar por diversos gêneros, sempre mantendo um alto padrão de qualidade. Pacto de Sangue é um film-noir que possui todas as características que fazem desse estilo uma experiência audiovisual tão interessante: a fotografia em preto e branco, o uso de sombras, a narração em off, a história contada em flashback, a femme-fatale e um enrendo contendo um plano de assassinato muito bem elaborado e perigoso.
Walter Neff, um vendedor de seguros, entra em contato com Phyllis Dietrichson para fechar um acordo aparentemente inofensivo, mas ela faz uso da sedução e desperta a ganância em Walter para planejar a morte do marido de forma que pareça um acidente, tendo como objetivo uma gorda compensação monetária.
O plano é colocado em prática de maneira ousada e envolve um acidente em um trem. A tensão cresce a cada passo dado pelo protagonista. Juntamente com ele, temos a sensação de que nada dará errado, afinal todas as arestas parecem ter sido aparadas, mesmo com alguns percalços. Pura ilusão. Um colega de trabalho de Walter recebe a missão de investigar toda essa história e aí o sentido de urgência se estabelece. O cerco se fecha de maneira preocupante e acompanhamos o desenrolar dos fatos com o coração palpitando. Trata-se de uma história refinada e cheia de detalhes inteligentes, que ainda se beneficia de uma direção muito envolvente de Billy Wilder e um desfecho impactante. Vai continuar envelhecendo muito bem.
9/10

Crítica: Quanto Mais Quente Melhor (1959)

Não é fácil conceber uma comédia atemporal, mas é isso que Billy Wilder conseguiu com Quanto Mais Quente Melhor. Mais de 50 anos depois ainda é possível rir com as várias situações genuinamente engraçadas presentes aqui, algo que se deve ao espirituoso roteiro de I.A.L. Diamond e Billy Wilder e também às atuações inspiradas de Jack Lemmon e Tony Curtis.  Jack Lemmon está cheio de energia interpretando um músico que se passa por mulher para fugir de mafiosos, mas como esquecer da própria masculinidade quando se está ao lado de uma mulher como Sugar Kane, vulgo Marilyn Monroe?
Apesar de pertencer de fato ao gênero comédia, ele transita por outros gêneros, como o romance, ação e até mesmo empresta alguns elementos de filmes de máfia. Impressiona a maneira como Billy Wilder foi capaz de criar uma comédia cujo ponto de partida é um fuzilamento.
O filme inteiro funciona, mas não dá para não enaltecer Marilyn Monroe, uma atriz que esbanjava sensualidade e tinha uma presença como pouco se vê no cinema. Ela e Tony Curtis demonstram uma boa química e são donos de diálogos um tanto ousados para a época. Falando em diálogos, a última cena do filme é brilhante ao conseguir capturar muito bem a essência de tudo o que vimos antes. Inesquecível.