Crítica: O Último Desafio (2013)

the-last-stand-2013O retorno de Arnold Schwarzenegger como protagonista não poderia ser melhor. Após uma longa ausência, o ator austríaco mostrou que não perdeu o carisma e nem a presença na tela. O Último Desafio não é uma obra-prima, mas é entretenimento de qualidade para quem procura por boas cenas de ação, violência e humor.

Talvez um tanto apagado pelo nome de Schwarzenegger, devemos ressaltar a presença do diretor sul-coreano Kim Jee-Woon. Ele chamou a atenção no ótimo e perturbador Eu Vi O Diabo, que possuia uma trama criativa e cenas de gore extremo. A transição para o cinema hollywoodiano fez Kim Jee-Woon pegar um pouco mais leve, mas o sangue não deixa de jorrar vermelho e rutilante em O Último Desafio. Além de tudo, fica clara a segurança do diretor na concepção das sequências de perseguições de carros, sempre buscando ângulos e movimentos de câmera que aumentam o impacto das cenas.

A história, no entanto, é bem absurda. Envolve um traficante que consegue escapar da polícia e está no caminho de uma cidadezinha onde acredita que poderá atravessar a fronteira para o México. Mas quem está trabalhando como xerife do local é Ray Owens (Schwarzenegger), que obviamente vai fazer de tudo para impedi-lo.

Esperem por clichês, forçadas de barra e reviravoltas supostamente surpreendentes, mas também por detalhes que adicionam humor e enriquecem o filme.

Não podemos esperar algo realmente sério quando temos o típico vilão malvado por excelência ou quando um bandido resolver usar um lança-míssil em cima dos pacatos policiais, não é? O jeito é entrar na onda e foi justamente o que eu fiz. Como não rir ao ouvir alguém dizer que “temos um psicopata em um batmóvel” ou ao ver o personagem de Arnold botar um óculos para poder ler e reclamar da idade? Existem outros momentos bem divertidos, além de inusitadas e intensas cenas de morte.

Acho que vocês já sabem o que esperar de O Último Desafio, filme que me surpreendeu de uma maneira bem positiva.
7/10

Crítica: O Exterminador do Futuro (1984)

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O Exterminador do Futuro possui todas as qualidades de uma grande ficção científica, a começar pela história. Rápidas cenas nos mostram um futuro apocalíptico em que uma guerra brutal entre humanos e máquinas se desenrola há vários anos. Os humanos vislumbram uma pequena esperança de vitória graças a resistência liderada por John Connor, mas as máquinas decidem enviar um cyborg para o passado com o objetivo de matar Sarah Connor, mãe de John. Os humanos também enviam um representante da espécie para protege-la, o problema é que o adversário é o pior possível.
O cyborg é representado por ninguém mais, ninguém menos do que Arnold Schwarzenegger. Ele está literalmente programado para matar e parece difícil que alguém consiga impedir que ele complete a missão. Schwarzenegger pode não ser um grande ator, mas o cara deu vida a um personagem extremamente estiloso aqui e ainda imortalizou frases de efeito, como a impactante “I’ll be back!
James Cameron conduz com dinamismo várias cenas de ação, sendo minha preferida a sequência no departamento de polícia. Tudo caminha para um clímax empolgante e um final imprevisível. Algo que pode incomodar os mais rigorosos é um monstruoso paradoxo temporal que o roteiro cria, mas será que existe algum filme com viagens no tempo sem paradoxos? Difícil…
8/10 

 

O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991)

Com um alto orçamento e com a presença do midas James Cameron, o filme possui sequências de ação ambiciosas. É um sem-fim de dublês arriscando a vida, perseguições de caminhões, motos e até helicópteros, muitas explosões, tiros e a adrenalina correndo solta. O diferencial é que tudo é orquestrado de uma maneira fluida, sem jamais nos causar qualquer tipo de confusão.
Mas a verdade é que filmes de ação sem bons roteiros não sobrevivem por muito tempo e é claro que O Exterminador do Futuro 2 tem uma trama intrigante, profunda até, que nos permite refletir sobre o ser humano e sua compulsão pelo progresso tecnológico.
Aqui o cyborg T-101 (Schwarzenegger) é enviado do futuro para proteger o garoto John Connor, que futuramente vai ser o responsável pela resistência na luta contra as máquinas. O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final nos mostra um destino sombrio para o planeta, no qual os sobreviventes do holocausto nuclear que matou bilhões se encontram em uma interminável guerra contra as máquinas pensantes. John Connor e sua mãe  pretendem alterar os rumos da História e vão em busca do responsável pela evolução das máquinas. Será que o futuro pode mesmo ser mudado?
Outra evidente qualidade de Exterminador do Futuro 2 é o humor. São várias as cenas em que o cyborg T-101 recebe lições de humanidade de John Connor, algo que resulta em momentos muito engraçados e até tocantes. Não falta também o humor negro, principalmente em algumas mortes criativas e dolorosas. Ah sim, frases de efeito também, como a gloriosa “Hasta la vista, Baby“.
Apesar de longo, o filme voa. É uma combinação perfeita de técnica e uma história inteligente. Levou quatro Oscar para casa em 1992 e, mais importante, a eterna admiração dos cinéfilos.
9/10

Crítica: O Vingador do Futuro (1990)

Quando se fala em Schwarzenegger é quase certo que nos venha a cabeça os filmes O Exterminador do Futuro, Predador e Conan, mas este O Vingador do Futuro é sem dúvida um dos grandes trabalhos do ator. Cresci assistindo a este filme, mas confesso que sem entender muito naquela época. Só a presença de Schwarzenegger e um monte de sangue e membros decepados me deixavam fascinado e um pouco com medo. Quinze anos depois é impressionante constatar que o filme não perdeu a força. É uma ficção-científica inteligente e com bastante ação, que vai ganhando um ritmo cada vez mais frenético a medida que se aproxima do clímax.
Douglas Quaid é obcecado pelo planeta marte, mas não possui o dinheiro necessário para fazer uma viagem até o planeta vermelho. A saída mais econômica é ir até a empresa Total Recall e comprar uma memória de uma viagem a Marte. Como um plus, ele tem a opção de ser uma pessoa diferente nessa memória e escolhe ser um agente secreto, perseguido por assassinos e que encontra uma morena “atlética” e “atirada”.  O fato é que essa ida a Total Recall o faz perceber que a sua memória tinha sido apagada e ele é realmente um agente secreto que precisa agora buscar respostas.
A história de O Vingador do Futuro é baseada em um conto do mago da ficção Philip K. Dick, chamado We Can Remember It for You Wholesale. Durante todo o filme nós ficamos tentando adivinhar se Quaid está vivendo a realidade ou um sonho, sem termos certeza absoluta. Essa dúvida é um dos pontos fortes do filme, isso sem falar nas várias cenas violentas e que beiram ao gore. Paul Verhoeven não demonstra nenhum tipo de piedade para com os personagens, que morrem de maneiras criativas e sinistras. Não existe politicamente correto aqui, permitindo que Quaid se defenda de tiros usando uma pessoa como escudo, que um ratinho indefeso receba um tiro de espingarda e que Arnold faça uma piada ofensiva contra um mutante de cara feia.
Existe um lado de sátira social, assim como Verhoeven fez em Robocop e Tropas Estelares. A diferença é que o cenário é Marte e o tempo é o futuro, mas os podres da nossa sociedade estão lá. Corrupção, terrorismo, assassinatos e muito mais.
Quanto mais nos aproximamos do desfecho mais empolgante o filme fica, sempre com bastante ação e várias revelações surpreendentes pelo caminho, além da presença de personagens dos mais grotescos de se ver. É tudo o que esperamos de uma ficção científica sem tantas pretensões, mas cheia de qualidades. BK
8/10