A Paixão de Joana d’Arc (1928)

passion-de-jeanne-darc-falconettiA Paixão de Joana d’Arc mostra o momento decisivo de uma das figuras mais emblemáticas da História mundial. O filme foi baseado no material disponível do julgamento de Joana e conta com uma direção precisa e inovadora do dinamarquês Carl Theodor Dreyer e uma interpretação hipnótica de Maria Falconetti.  Trata-se de um dos melhores exemplares do cinema mudo. Há que possa considerá-lo arrastado, mas é difícil não sentir toda a emoção transmitida pelas expressões faciais de Falconetti. O diretor trabalha bastante com closes e ângulos de câmera diferenciados, favorecendo nossa proximidade com Joana e tornando-a totalmente submissa a seus acusadores. Uma experiência grandiosa para todos os cinéfilos.
[10]

Crítica: Os Inocentes (1961)

Não são muitos os diretores que são capazes de construir uma atmosfera tensa e cheia de suspense como Jack Clayton fez em Os Inocentes. A ambientação ajuda bastante, já que a governanta Miss Giddens aceita um emprego em uma enorme e isolada mansão. Ela deve cuidar de um casal de crianças e evitar se comunicar com o tio, justamente quem a contratou para o serviço. Não demora muito e ela começa a notar coisas estranhas relacionadas ao local, como vultos, vozes e ruídos misteriosos. O suspense aumenta de maneira gradual, com algumas revelações importantes do passado da mansão e dos antigos empregados, culminando em um desfecho impactante. Filmes em que crianças se mostram mais inteligentes do que deveriam ser me assustam, como é o caso deste Os Inocentes. É interessante notar que nem tudo é devidamente explicado, o que abre uma brecha para mais de uma interpretação. É a casa realmente mal-assombrada ou tudo se passa na cabeça de Miss Giddens? Não importa qual das interpretações você defenda, o filme merece reconhecimento pelo o que ele é na sua essência: um terror psicológico de qualidade superior.
8/10 

Crítica: Metrópolis (1927)

Considerado por muitos como o primeiro filme de ficção científica, Metrópolis nos apresenta a uma sociedade futurista repleta de arranha-céus e carros voadores, em que os mais favorecidos moram na superfície e os operários habitam as profundezas, trabalhando de maneira repetitiva e sem descanso. A situação fica insustentável quando um cientista cria uma máquina com imagem de mulher. Essa mulher-máquina vai semear a discórdia entre as classes, proporcionando o estopim de uma grande revolta.
Não é exatamente pelo roteiro que Metrópolis se destaca, mas pelo visual concebido por Fritz Lang, além dos eficientes efeitos especiais e pelas sequências de ação repletas de figurantes, cerca de 30 mil. O filme quase faliu o estúdio Universum Film, que investiu cerca de 1.300.000 no projeto, algo impensável para os padrões daquela época.
Não é um filme apenas historicamente importante, pois ainda hoje ele agrada. Metrópolis é dinâmico, dono de um entretenimento fácil de ser digerido, mesmo discutindo esse tema de luta de classes, um pouco de política e religião, mas tudo de uma maneira bem acessível. Uma palavra para definir o diretor Fritz Lang? Visionário.
8/10 

Crítica: Quanto Mais Quente Melhor (1959)

Não é fácil conceber uma comédia atemporal, mas é isso que Billy Wilder conseguiu com Quanto Mais Quente Melhor. Mais de 50 anos depois ainda é possível rir com as várias situações genuinamente engraçadas presentes aqui, algo que se deve ao espirituoso roteiro de I.A.L. Diamond e Billy Wilder e também às atuações inspiradas de Jack Lemmon e Tony Curtis.  Jack Lemmon está cheio de energia interpretando um músico que se passa por mulher para fugir de mafiosos, mas como esquecer da própria masculinidade quando se está ao lado de uma mulher como Sugar Kane, vulgo Marilyn Monroe?
Apesar de pertencer de fato ao gênero comédia, ele transita por outros gêneros, como o romance, ação e até mesmo empresta alguns elementos de filmes de máfia. Impressiona a maneira como Billy Wilder foi capaz de criar uma comédia cujo ponto de partida é um fuzilamento.
O filme inteiro funciona, mas não dá para não enaltecer Marilyn Monroe, uma atriz que esbanjava sensualidade e tinha uma presença como pouco se vê no cinema. Ela e Tony Curtis demonstram uma boa química e são donos de diálogos um tanto ousados para a época. Falando em diálogos, a última cena do filme é brilhante ao conseguir capturar muito bem a essência de tudo o que vimos antes. Inesquecível.