Crítica: Nebraska (2013)

nebraskaWoody Grant é um senhor de 80 anos que acredita ter ganhado um prêmio de 1 milhão de dólares. Para retirar o suposto prêmio, ele precisa ir até a cidade Lincoln, Nebraska. Woody tenta fazer a viagem do único jeito que pode atualmente: a pé. Sua família fica preocupada com as atitudes dele, até que David, o filho mais novo, decide levá-lo até lá, mesmo sabendo que o tal prêmio não passa de uma propaganda enganosa para vender revistas. O que ele quer comprar com o dinheiro? Uma caminhonete nova e um compressor de ar.

A viagem é uma oportunidade para Woody e David se aproximarem afetivamente, além de poderem visitar a cidade em que moraram por muitos anos. É muito interessante acompanhar a dinâmica do relacionamento entre os dois. Woody é um tanto teimoso, fechado e dificilmente sorri, mas tem um bom coração.  Talvez ele não tenha sido o melhor dos pais, mas David o trata de maneira respeitosa.

Quando os dois chegam na cidade natal e encontram outros familiares, vamos conhecendo ainda mais sobre o passado deles. Alexander Payne conta essa história sem pressa e com muita sensibilidade. A fotografia em preto e branco ajuda a estabelecer a atmosfera um tanto melancólica da trama. De qualquer forma, não se trata de um filme depressivo. Longe disso. O drama é muito bem equilibrado com o humor.

Criamos uma empatia imediata com Woody e ficamos irados quando percebemos que alguns de seus conhecidos decidem se aproximar apenas por acharem que ele é um novo milionário. E como a própria mulher de Woody diz, isso é um perigo, afinal ele não sabe dizer não.

Nebraska é um filme carregado de nostalgia. São várias as cenas marcantes e que emocionam de maneira honesta. Destaco o diálogo no qual uma mulher diz para David que o pai dele sofre de demência e ele diz que não, que o problema é que ele acredita no que os outros falam. Belo!
9/10 

Crítica: Os Descendentes (2011)

Em um dado momento de Os Descendentes Matt King (George Clooney), em uma narração em off, nos diz que a família é como um arquipélago: os membros fazem parte de um mesmo todo, mas individualmente, cada um é uma ilha isolada se afastando cada vez mais.

Não é segredo para ninguém que existe um ar novelesco em Os Descendentes, mas no melhor sentido possível.

Aqui temos um homem enfrentando as dificuldades de cuidar das duas filhas, após a esposa sofrer um acidente de barco que a levou ao coma. Paralelo a isso, ele deve decidir a venda de um grande pedaço de terra do Havai, que está na sua família há séculos.

Assisti ao filme sem ter lido nada sobre ele e acredito que ele fica mais interessante quando somos pegos de surpresa por algumas reviravoltas. Portanto, não estragarei a experiência de ninguém com spoilers.

Este é um drama familiar dirigido com bastante segurança por Alexander Payne. A ideia de um pai distante que deve agora se aproximar das filhas pode não ser original, mas a maneira como essa situação é retratada aqui é das mais comoventes. Simplesmente entrei na história e me importei com as ações de cada personagem, algo que é favorecido pela ótima atuação de Clooney e de Shailene Woodley. Até mesmo o personagem Sid, que a princípio parece uma tentativa frustrada de se fazer humor, acaba nos conquistando de uma maneira misteriosa.

Apesar da família muito rica vivendo no Havaí, a essência do filme é algo que se aproxima de todos nós. É doloroso demais ter um familiar em uma situação dessas, ainda mais quando muita coisa ficou sem ser resolvida, tanto da parte do marido como da filha mais velha. Além disso, a venda ou não das terras permite a Matt King pensar sobre suas raízes, sobre toda uma história da família que está por trás das terras, mesmo que o ponto de partida para isso seja uma simples vingança.

Os Descendentes oferece boas doses de emoção, sem nunca ser melancólico. É um daqueles filmes que você torce para durar mais, mesmo não sendo tão curto.
9/10

RECOMENDADO PARA QUEM… está a procura de um drama familiar de qualidade, com um pouco de humor.