Crítica: Splice – A Nova Espécie (2009)

Mais um daqueles casos em que as coisas começam bem e terminam mal. Os dois cientistas do filme, interpretados com qualidade por Sarah Polley e Adrien Brody, criam uma nova espécie ao misturar o material genético de vários animais. Empurrados por um desejo de saber que estão certos, misturam o DNA deste novo ser com DNA humano, fazendo nascer Dren. A ideia é utilizar essa nova espécie para curar doenças como parkinson, alzheimer e diabates. Mas aí vem o embate moral e religioso. Pena que o filme não se aprofunda muito nessa questão, que é apenas mencionada em alguns diálogos, como quando Elsa diz: Se Deus não quer que criemos uma nova espécie, por que ele nos deu um mapa para isso? Os melhores momentos de Splice estão no seu início, que tem uma pegada de thriller e mistério. O diretor Vicenzo Natali emprega muito suspense nas cenas que antecedem o nascimento de Dren, nos deixando com uma certa aflição.

Enquanto “filhote”, Dren desperta nossa simpatia, mas a medida que ela cresce vai se tornando um pé no saco e o filme perde qualidade. Algumas surpresas interessantes são mostradas, mas quando a ficção científica se transforma em um terror comum as coisas desandam. Faltou inteligência e criatividade para as resoluções. Bons temas poderiam ser discutidos com mais afinco, como a questão ética na criação de um novo ser, o verdadeiro interesse dos laboratórios (salvar vidas ou ganhar dinheiro?) e até mesmo a relação conturbada de Elsa com a própria mãe.

Boas ideias que se afogaram em um pequeno lago de clichês.
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/b. knott