Os Melhores Filmes de 2011

Tivemos um ótimo ano no cinema em 2011, principalmente fora de Hollywood. Infelizmente, não vi nenhum filme nacional que me marcou tanto a ponto de considerá-lo um dos 10 melhores, o que mais se aproximou disso foi O Palhaço. Talvez vocês sintam falta de alguns indicados ao Oscar, como Bravura Indômita e O Discurso do Rei, mas faz parte.

Nem preciso dizer que a lista representa apenas a minha OPINIÃO.

OS MELHORES FILMES DE 2011

1 Cisne Negro (Darren Aronofsky, 2010)

Como se não bastasse a performance grandiosa de Natalie Portman, que interpreta uma bailarina cuja obsessão é atingir a perfeição, Cisne Negro tem uma história contada com muita energia, suspense e sensualidade. A trilha sonora colabora para literalmente nos deixar de queixo caído, além de nos permitir um passeio pelas mais diversas sensações, desde medo e aflição, até a alegria de assistir a algo que merece ser chamado de obra-prima.

2 Incêndios (Denis Villeneuve, 2010)

Dono de um material pesado, Incêndios é mais um exemplo do bom cinema. Não é todo dia que vemos um drama familiar de qualidade em que o pano de fundo é o Oriente Médio e seus conflitos impulsionados pela região. Aqui também não faltam revelações, reviravoltas inesperadas e cenas realmente marcantes, como por exemplo a inesquecível sequência do ônibus.

3 Biutiful (Alejandro González Iñarritu, 2010)

Uxbal é um pai de dois filhos que descobre estar com câncer terminal. Para dar de comer às crianças ele realiza trabalhos pouco louváveis, como ser o mediador entre um construtor e chineses ilegais, que são quase como escravos. Biutiful é um filme extremamente carregado e triste, que te deixa abalado por um bom tempo. É desgraça atrás de desgraça. Apesar de não possuir algum tipo de alívio cômico ou de nos oferecer alguma esperança de que as coisas vão dar certo, não há como não se sentir inspirado quando vemos um pai fazendo de tudo para que os  filhos possam viver bem.

4  Planeta dos Macacos: A Origem (Rupert Wyatt, 2011)

Planeta dos Macacos: A Origem explica como o nosso mundo se transformou naquilo que assistimos com espanto em O Planeta dos Macacos de 1968. Não faltam referências ao filme antigo, algo que agrada bastante aos fãs, mas o que realmente torna este trabalho acima da média é tudo o que envolve o personagem Caesar, desde os trejeitos do ator Andy Serkis que dá vida ao símio, como todas as suas ações e atitudes, que nos fazem compreender seus propósitos e literalmente torcer por ele. O filme funciona muito bem nesse lado intimista, afinal é um verdadeiro estudo de personagem, mas também acerta quando vai para o lado da ação. Honestamente, são poucos os filmes de ação que possuem cenas com tanta adrenalina e beleza como acontece aqui. Meu coração palpitava e quase fiquei sem fôlego durante toda a sequência que se passa na Golden Gate. Blockbuster sim, mas de qualidade.

5 Melancolia (Lars Von Trier, 2011)

O que fazer quando um planeta chamado Melancolia vem de encontro a Terra? Acreditar que o fim do mundo está chegando ou que ele vai desviar na hora H, como dizem alguns? Melancolia é basicamente dividido em duas partes, na primeira há um casamento no qual percebemos a que nível chega a depressão de Justine (Kirsten Dunst), além de apresentar alguns personagens e toda a tensão existente entre eles. A segunda parte foca mais na aproximação do planeta Melancolia. A angústia vai tomando conta de maneira dolorosa. Lars Von Trier cria uma atmosfera que beira o desespero e nos faz pensar sobre que atitudes tomaríamos em uma situação extrema como essa. Aceitar resignadamente o destino cruel ou entrar em choque?

6 Poesia(Chang-dong Lee, 2010)

Mija é uma senhora de 66 anos que deve lidar com os primeiros sinais da demência, com a dificuldade de ajudar a um senhor vitima de AVC e com um neto rebelde que parece estar envolvido em um crime brutal. Ela também resolve participar de um curso de poesia. A força de vontade de Mija emociona, assim como vários outros aspectos do filme. Poesia não é algo que pode ser ensinado, é algo que está dentro do coração de alguém que tem a coragem e o estímulo para botar para fora, mas Mija não pensa em desistir. O desfecho é até previsível, mas mesmo assim tem um impacto enorme e é carregado de muito sentimento.

7 127 Horas (Danny Boyle, 2010)

Uma história real que te faz pensar na vida. Ver um cara que ama aventura e o ar livre preso em uma rocha é de cortar o coração. James Franco tem uma atuação magnífica, digna de ser lembrada por muito tempo. Mais ou menos como fez Tom Hanks em Náufrago. Os momentos mais marcantes são aqueles em que ele faz um monólogo para se manter são e relembra de alguns erros que cometeu, como o de não dizer para onde ia e de não ligar de volta para a própria mãe. A fotografia é excelente, assim como a direção de Danny Boyle. Dividir a tela em várias partes é sempre um recurso interessante quando aplicado do jeito certo, que é o que acontece aqui.

8  A Árvore da Vida (Terrence Malick, 2011)

Terrence Malick não economiza na ambição e nos mostra algo inédito no cinema: o nascimento do nosso planeta Terra. Tudo se inicia com o Big Bang e culmina com o nascimento de um bebe. Além das imagens poderosas, acompanhamos o crescimento de duas crianças e a relação delas com o pai, que tenta faze-las entender que você não pode ser uma pessoa muito boa para ter sucesso e a relação com a mãe, que os faz acreditar que o amor é a coisa mais importante de todas. O final pode ser um pouco cansativo e arrastado, mas nada que atrapalhe essa experiencia única.

9 Rango (Gore Verbinski, 2011)

Trata-se de um animação para adultos. O requinte técnico impressiona muito e a história é digna de grandes westerns. As referencias são um algo a mais, passando desde Westerns Spaghetti de Sergio Leone até o mito Clint Eastwood. Para completar, Johnny Depp dá voz a Rango, o personagem principal.

10 Em Um Mundo Melhor (Susanne Bier, 2010)

São muitos os momentos dramáticos que vemos Em Um Mundo Melhor. Além do médico sem fronteiras que enfrenta um dilema ético quando deve tratar de um assassino, o filme trabalha muito bem o Bullying, que é um tema batido, mas infelizmente é um problema que ainda se mantém atual. Um acontecimento crucial é a agressão que o médico sofre durante um passeio no parque. Ele quer passar a mensagem para os filhos de que a pessoa que agride não passa de um idiota, mas será que no mundo em que vivemos o certo não seria revidar da mesma maneira? É um filme prolífico em termos de levantar inúmeras discussões. Só acho que ele poderia ter tido um desfecho muito mais poderoso, que faria jus a tudo o que vimos antes.

** menções honrosas
Trabalho Sujo
Deixe-me Entrar
Bravura Indômita
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II 



Indicados ao Oscar 2011 (ranking)

Enquanto a premiação não chega, resolvi organizar uma lista dos indicados a melhor filme de acordo com minha  preferência e fazer alguns comentários.

Coisa simples e objetiva.

A de filme estrangeiro fica para a próxima.

1 Cisne Negro (Darren Aronofsky)


Para mim, o melhor dos 10 que concorrem ao prêmio. Sem dúvida a atuação de Natalie Portman é o grande destaque, mas a direção de Aronofsky merece todo o reconhecimento também. Ele consegue imprimir um ritmo frenético quando o roteiro necessita e também cria uma atmosfera de tensão e urgência que nos deixa em um suspense tremendo. Do começo ao fim, o filme exala perfeição.
Cultura intratecal
IMDb

2 127 Horas (Danny Boyle)


Uma história real que te faz pensar na vida. Ver um cara que ama aventura e o ar livre preso em uma rocha é de cortar o coração. James Franco oferece uma atuação magnífica, digna de ser lembrada por muito tempo. Os momentos mais marcantes são aqueles em que ele decide fazer um monólogo para se manter são e relembra de alguns erros que cometeu, como o de não dizer para onde ia e de não ligar de volta para a própria mãe. O trabalho de fotografia é excelente, assim como a direção de Danny Boyle. Dividir a tela em várias partes é sempre um recurso interessante quando aplicado do jeito certo, que é o que acontece aqui.
Cultura intratecal
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3 A Rede Social (David Fincher)

Ótimo retrato da geração atual, que passa mais tempo no Facebook, Orkut e Twitter do que em qualquer outra coisa. Jesse Eisenberg está ótimo, mas para mim o destaque em termos de atuação é Andrew Garfield, injustamente desprezado pelo Oscar. David Fincher resolveu não aparecer mais do que o roteiro (não que isso seja sempre ruim, ele é um grande diretor) e deixou os atores darem vida à história, sempre embalados pela bela trilha sonora de Trent Reznor. Zuckerberg se mostra um ótimo observador ao colocar coisas banais do dia a dia dentro do seu projeto do Facebook. Ver sua mente trabalhando é algo estimulante, apesar do seu jeito meio babaca de ser.
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4 Bravura Indomita (Ethan Coen, Joel Coen)


Finalmente temos uma oportunidade de ver os irmãos Coen em um autêntico western, gênero que combina tão bem com o estilo deles. Os irmãos se saem muito bem aqui. Bravura Indômita é um filme tecnicamente empolgante e que conta com o bom trabalho de Jeff Bridges e a excelente, magnética e marcante atuação da garota Hailee Steinfeld. Durante os trinta primeiro minutos o humor negro característico dos Coen é bem empregado, talvez como nunca antes em seus outros filmes. A história perde um pouco da força em algumas cenas intimistas entre o trio que está procurando o bandido, mas nada que incomode, pois sempre temos aquela sensação de  que alguma coisa interessante (e violenta) está para acontecer.
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5 Toy Story 3 (Lee Unkrich)


Este terceiro filme da franquia Toy Story é capaz de deixar emocionado o ser-humano mais sangue frio do universo, pelo menos um pouquinho. Nem preciso comentar sobre a perfeição técnica da animação, mas devo dizer que o roteiro é excelente. A história proporciona momentos de ação eletrizantes e outros momentos mais emotivos. É impossível não nos colocar no lugar de Andy e lembrar da época em que fomos deixando de ser crianças. Claro, quando você é criança você quer virar adulto o quanto antes, mas quando você é adulto não tem como não ser tomado por uma forte nostalgia em relação àquela época de vez em quando . Toy Story 3 mexe com nossos sentimentos de uma maneira agradável e sincera, coisa que muito filme “adulto” está longe de conseguir fazer.
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6 A Origem (Cristopher Nolan)


É digno de aplausos quando aparece um filme que te tira do conforto habitual e te faz usar o cérebro. A maneira como Cristopher Nolan consegue deixar acessível um roteiro complicado é fantástica. A Origem é uma ficção científica original e ambiciosa, que mostra que o cinema ainda tem muito a nos oferecer. A escolha por um final ambíguo é mais uma prova de que a intenção não era mastigar tudo para o público, algo não muito comum no cinema americano. Minha reclamação é pelo excesso de cenas de ação barulhentas e cansativas. Não estou sozinho quando digo que o filme poderia ter menos tiros e explosões e explorar mais a incrível ideia de invadir os sonhos de outra pessoa. Se  todas as cenas de ação fossem verdadeiramente empolgantes, como aquelas sem gravidade, tudo bem… mas não foi o caso. O tédio em alguns momentos é enorme. Um filme bacana e original. Obra-prima? Realmente, não.
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7 Inverno da Alma (Debra Granik)


Não fosse a atriz Jennifer Lawrence e sua personagem, Inverno da Alma não seria a metade do que é. Acompanhar Ree em busca do pai é uma experiência perigosa, mas fascinante. A coragem e autocontrole da garota são impressionantes, mesmo quando se coloca em situações extremas, com pessoas que não ligariam se tivessem que adicionar mais um crime em suas fichas. A diretora Debra Granik simplesmente deixa a história rolar, não sem antes criar uma atmosfera fria, melancólica e com poucas esperanças.
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8 O Vencedor (David O. Russel)


Merece ser visto pelas fantásticas atuações. Mark Wahlberg, Amy Adams, Melissa Leo e Christian Bale nos transportam para dentro da história com facilidade, pena que ela não nos emociona como deveria. Para mim, o maior culpado do filme não ser realmente memorável é o diretor David O. Russel. Ele acertou ao filmar as cenas de boxe como se as vissemos em uma TV nos anos 90, mas errou feio no momento em que mais precisava triunfar: no desfecho. Filmes como Rocky e Menina de Ouro, apesar de não serem perfeitos, são donos de finais marcantes. O clímax em O Vencedor parece ter sido trabalhado de uma maneira aborrecida e apressada, o que impede alguma vibração de nossa parte.
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9 O Discurso do Rei (Tom Hooper)


É um good movie com contexto histórico. A química entre Colin Firth e Geoffrey Rush é mantida durante todo o filme. Ambos estão excelentes, mas Firth acaba se destacando por ter interpretado uma figura histórica, que ainda por cima era dona de uma gagueira épica. O objetivo do filme é te deixar com um sorriso no rosto, algo que é sempre positivo quando o roteiro é de qualidade. O diretor Tom Hooper mostra muita habilidade na construção do clímax, quando o tal discurso do título deve ser proferido. Aquele microfone mais parece uma arma para o Rei George, sensação que é muito bem passada por Firth e registrada por Tom Hooper. No mais, acho que é um filme que foi feito pensando-se em angariar prêmios, o que dá uma certa artificialidade para ele. Também me causa estranheza o fato dos personagens se sentirem felizes após saberem que o país acaba de entrar na guerra. O rei conseguiu falar, bacana… mas milhares estão prestes a morrer. O que é mais importante?
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10 Minhas Mães e Meu Pai (Lisa Chodolenko)


Dos indicados é o mais fraco, mas está longe de ser ruim. É um filme que se mantém interessante graças ao elenco extremamente competente. Não vejo porque reclamar da falta de ousadia do roteiro, como alguns tem feito. A intenção não era chocar ou algo do tipo. Tem espaço para momentos de humor e outros mais sérios. Basicamente, é um retrato do cotidiano de muitas famílias, só que esta não é convencional em sua composição. Finalmente Mark Rufallo foi reconhecido pelo Oscar. Já não era sem tempo.
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/b. knott

Crítica: 127 Horas (2010)


O aventureiro Aron Ralston (James Franco) pega seu carro e dirige para fora da cidade, indo em direção da natureza composta por Canyons e um clima árido. No caminho, ele fala para a própria câmera: Apenas eu, a noite e a música. Amo isso! Já podemos ter uma noção sobre o personagem. Danny Boyle filma os primeiros minutos do filme empregando muita energia, sempre acompanhado pela trilha sonora de A.R. Rahman. Ver Aron voando baixo com sua bicicleta em meio a uma paisagem tão bonita e se sentindo livre é um antagonismo gritante com o que vem a seguir.

O filme é baseado em uma história real. Ele mostra como Aron ficou com o braço preso em uma enorme rocha, no meio de uma fenda. Com a quantidade de água que ele tem, restam apenas 127 horas de vida. E é isso. O que poderia ser algo cansativo, torna-se uma experiência memorável nas mãos de Danny Boyle. Com um excelente trabalho de fotografia e, claro, uma atuação soberba de James Franco, nos colocamos no lugar do personagem e compartilhamos todos os sentimentos e aflições dele.

James Franco poderia ter desandado para um overacting, mas ele soube muito bem o que fazer. Durante o tempo que fica com o braço preso, Aron relembra certos aspectos da vida que poderia ter feito diferente e pensa sobre alguns erros que cometeu, como não dizer para onde ia e esquecer uma garrafa de gatorade no carro. O monólogo em que ele cria um tipo de talk show para se manter são é uma das grandes cenas do ano. Apesar do clímax gráfico e macabro, 127 Horas é um filme que afirma a vida a todo custo. A superação de Aron Ralston pode servir como motivação para vencermos nossos próprios problemas, que esperamos que não sejam tão complicados como o dele foi.

Título original: 127 Hours
Ano: 2010
País: USA / UK
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Danny Boyle, Simon Beaufoy
Duração: 94 minutos
Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn

/ 127 horas (2010) –
bruno knott,
sempre.

* Fui presenteado com um selo pela Amanda, do blog CinePipocaCult, fato que me ajuda a manter a motivação de ter um blog sobre cinema. Obrigado.

Nome: Bruno Knott
Uma música: Edmonton (Rural Alberta Advantage).
Humor: Autodepreciativo.
Estação: Carandiru.
Como prefere viajar: THC.
Um seriado: Six Feet Under.
Uma frase dita por você: Quero a capacidade de fugir do óbvio.
O que achou do selo: Sinto-me honrado por ter recebido e feliz por indicar esses ÓTIMOS blogs:

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