Chernobyl 1×02 – Please Remain Calm | Crítica

Depois do intenso e inesquecível pesadelo que foi o primeiro episódio, Please Remain Calm nos mostra o alto escalão soviético ainda tentando compreender a magnitude do que aconteceu em Chernobyl. É revoltante ver como muitos ainda queriam fazer vistas grossas diante do perigo de tudo aquilo. O professor Valery Legasov basicamente tem que pedir desculpas para explicar a urgência da situação.

Em um diálogo que serve para que o público leigo (como eu) tenha uma ideia de como funciona uma usina nuclear, Valery convence o vice-presidente do Conselho de Ministros Boris Shcherbina da ameaça que toma conta da atmosfera do leste europeu.

Mas esse desastre pode alcançar proporções ainda maiores. A física Ulana Khomyuk explica que uma nova e ainda maior explosão pode ocorrer se medidas urgentes não forem tomadas.

Três pessoas terão que se sacrificar pela nação. A ideia é entrar na usina para abrir as válvulas e esvaziar o tanque. Conseguimos ter uma noção do que esses três sentiram ao colocar seus pés na água radioativa. Novamente, a tensão é trabalhada com maestria, culminando em uma cena final de deixar qualquer um aflito.

Please Remain Calm também mostrou a situação do hospital local repleto de pacientes com os mais variados sintomas da radiação. Caos total.

E que tal toda uma cidade ter que ser evacuada por causa da explosão? As pessoas simplesmente tiveram que abandonar tudo o mais rápido possível graças a incompetência dos responsáveis pela usina.

A ideia de construir uma usina nuclear para se impor perante o resto do mundo já é condenável, mas tão ruim quanto isso é não possuir alguma estratégia definida para diminuir o impacto de um desastre. Bom, com tanta negligência e desinformação isso deveria ser a última preocupação dos responsáveis pela usina.

A minissérie Chernobyl está funcionando tanto como drama como um lembrete de como aqueles que estão no comando quase sempre são os menos preparados para tal.

Nota: 8

Chernobyl 1×01 – 1:23:45 | Crítica

A estreia de Chernobyl não poderia ser mais promissora. A aposta da HBO para preencher o vazio após o final de Game of Thrones já me conquistou. Pena que é uma minissérie de apenas cinco episódios. Vou ver aos poucos para aproveitar bem. Me recuso a maratonar uma minissérie como essa.

O desastre de Chernobyl se inicia com a explosão do reator nuclear número 4. A falta de informações e a negligência dos superiores faz tudo ser mais caótico e revoltante. Os efeitos da radiação começam a ser sentidos e uma angustiante atmosfera de pesadelo toma conta.

Graças a um absurdo descaso, a esmagadora maioria não sabia que estava colocando sua vida em risco por estar no local. O importante para os engravatados era abafar o desastre e manter as aparências de uma já decadente União Soviética.

As sequências que se seguem a explosão são dignas dos melhores filmes de terror e suspense. Por estarmos diante de um evento real, tudo se torna ainda mais assustador.

A última cena mostrando as pessoas de Pripyat vivendo suas rotinas normalmente enquanto o impacto da radiação se aproxima é perturbadora. Mas mais perturbador ainda é ver como agiram as supostas autoridades.

Este primeiro episódio não se preocupou tanto em desenvolver os personagens principais. O objetivo era nos transportar para os arredores de Pripyat quando o caos nuclear se iniciou. E claro, isso foi feito com maestria.

Vem mais coisas boas por aí.

Nota: 9

Crítica: It’s Bruno!

É o Bruno é um seriado despretensioso que pode agradar principalmente aos que gostam de cachorros. São apenas 8 episódios de mais ou menos 15 minutos, o que faz de É o Bruno uma boa opção para se assistir antes de dormir. Bom, pelo menos por uma semana. A ideia é nos fazer rir com boas doses de ironia e de situações exageradas. Muito do que vemos aqui é engraçado por soar absurdo, mas bem sabemos que muitos tratam seus cães como seus próprios filhos. Malcom é um rapaz enfezado que vive em função de seu cão, o extremamente simpático Bruno. Ele faz de tudo pelo cãozinho, inclusive extrapolando o bom senso. Nesses 8 episódios enfrentam desde uma ida ao mercado local em busca de peito de peru até um sequestro, claro que tudo com uma pegada leve e divertida. É uma pena que em dado momento o roteiro invista em um vilão em vez de explorar situações mais comuns com ironia. No geral, é mais um acerto de uma ousada Netflix.

Nota:

Game of Thrones 8×06: The Iron Throne – Crítica

Fui assistir ao series finale de Game of Thrones com as expectativas moderadas e me surpreendi positivamente. Com cerca de 1 hora e 20 minutos, o episódio ofereceu muito daquilo que nos acostumamos ao longo dessas oito temporadas. Teve política, violência, humor e surpresas.

Muitos estão condenando as escolhas dos roteiristas. Há quem diga que personagens foram desconstruídos e que alguns tiveram atitudes que não condizem com o seu passado.

Não podem estar mais enganados.

A reclamação principal é obviamente a transformação de Daenerys em Rainha Louca. Os fãs da Mãe dos Dragões acham que isso surgiu do nada e portanto consideraram o episódio e a temporada uma merda colossal. Parece piada.

Indícios de que Daenerys poderia seguir por esse caminho estão em várias atitudes dela ao longo dos anos. Os roteiristas fizeram questão de colocar Tyrion falando com Jon sobre os atos condenáveis dela. Foi uma maneira
de fazer o público também entender. Pelo jeito, sem muito sucesso.

O fato é que Daenerys era uma tirana por natureza e uma sucessão de acontecimentos fizeram com que ela finalmente explodisse. E uma cidade inteira teve que sofrer as consequências de tamanha fúria. Ela sempre foi do sangue do dragão, no mau sentido.

As primeiras cenas de The Iron Throne revelam o tamanho da destruição perpetrada por ela e pelo dragão. A fotografia cinza realça o caos e a melancolia. A atmosfera é pesada demais. Tyrion, Jon e Arya ficam basicamente sem reação diante de tamanha barbárie.

Tyrion tinha uma pequena esperança de que Jaime tivesse sobrevivido, mas ele logo encontrou os seus dois irmãos unidos sem vida de baixo dos escombros. Uma cena tocante e grandiosa muito por causa da atuação de Peter Dinkalage.

Confesso que não esperava que Jon fosse o responsável por botar um fim na loucura de Daenerys. Parecia que Arya faria o serviço. Se pensarmos de maneira lógica, dificilmente Jon ficaria a sós com Daenerys, mas de qualquer forma, a cena foi bem executada e tanto Emilia Clarke como Kit Harington – sempre tão criticados – fizeram um bom trabalho.

E como foi triste ver Drogon diante do que estava acontecendo. Na sequência, a reação dele não poderia ser mais simbólica: destruir o trono
que impulsionou tudo isso. Espetacular.

A partir dai ficou a dúvida sobre quem comandaria os sete reinos. As coisas foram obviamente apressadas, mas interessantes. Sobrou tempo para uma inspirada piada sobre o sistema político de Westeros. Sam estava inventando a democracia e virou motivo de chacota. Coitado.

Bran, o Quebrado como o rei foi surpreendente de fato. Pelo menos dessa forma justifica-se toda a importância que era dada a ele ao longo das temporadas e faz com que o sacrifício de Hodor de segurar a porta tenha sido essencial. É uma pena que  o ator é bem fraco. E ele parecia promissor quando era um gurizinho.

E que belo final tiveram os Starks. Sansa evoluiu muito e jamais dobraria o joelho. Ela é a pessoa certa para  comandar o Norte. Eu esperava mais de Jon Snow, mas ele é o que é. Um homem justo e com poucas pretensões. No final das contas,ele escolheu um caminho semelhante ao do Meistre Aemon. Arya salvou Westeros do Rei da Noite e agora irá explorar o mundo. Acho que no final das contas, ela é a minha personagem favorita de Game of Thrones.

Vários epílogos para encerrar uma história e deixar claro que as coisas irão continuar.

Game of Thrones contou uma história extremamente ambiciosa, misturando política e fantasia e nos entregou episódios maravilhosos. As últimas duas temporadas foram apressadas e tiveram seus deslizes, mas no geral concluíram de maneira mais do que satisfatória tudo o que foi feito. É impossível agradar a todos. Temos que aceitar que nem todos os personagens terão finais felizes ou grandiosos. Isso está dentro do realismo que a série sempre buscou.

Sou do grupo de quem aprova o que foi feito e agora me despeço
de um dos melhores seriados de todos os tempos com uma salva de palmas e já com um ar nostálgico.

Nota: 9

Crítica | Game of Thrones 8×05: The Bells

Desde a primeira temporada aprendemos que não se deve esperar por finais felizes em Game of Thrones. Por que diabos as coisas iriam mudar agora?

Muita gente considerou este episódio ruim pelo fato de Daenerys ter sucumbido à loucura. Então quer dizer que se um personagem não faz exatamente o que o público quer o seriado inteiro é uma bosta e se perdeu? Isso é coisa de gente birrenta que não tem capacidade de analisar uma obra de maneira não passional.

Os indícios de que Daenerys poderia emular o pai foram espalhados ao longo das 8 temporadas de Game of Thrones. Daenerys sempre desejou o poder acima de tudo e praticou atos cruéis em sua jornada. Ela crucificou, traiu e queimou. E agora queimou tudo e todos em Porto Real.

A batalha já estava vencida, mas a torrente de emoções que sentia e fato de ser uma Targaryen levaram ela a destruir a capital de Westeros. Ela e o seu dragão trouxeram as chamas do inferno para a cidade e seus habitantes. Foi extremamente cruel.

Miguel Sapochnik conseguiu criar essa sequência com maestria. Foi um verdadeiro festival de fogo e sangue. A decisão por nos colocar no ponto de vista de Arya em meio ao caos foi muito acertado. Dessa forma conseguimos ter uma ideia melhor do tamanho da cagada que Daenerys fez.

The Bells teve outros bons momentos, como o muito esperado confronto entre o Cão e o Montanha, embate este que ficou conhecido por Cleganebowl. O miserável do Montanha estava fazendo jus ao lema dos Greyjoy ” o que está morto não pode morrer”. Que bela fotografia aqui.

Difícil ter outro final para Cersei que não esse. Ela aguentou firme até os últimos minutos, mas não havia mais o que fazer. Essa foi uma das melhores personagens de Game of Thrones e Lena Headey um dos grandes destaques do elenco.

Jaime Lannister teve um  arcos narrativos mais complexos da série e é óbvio que eu preferia vê-lo partindo de outra forma, mas o amor dele pela Cersei falou mais alto.

Resta saber agora o que Jon Snow e os demais vão fazer diante da loucura estabelecida de Daenerys. É um tanto difícil ela se redimir agora. Não me parece haver tempo.

Analisando essa curta temporada, não dá para negar que houve muita pressa principalmente para acabar com o Rei da Noite. Essa era a grande ameaça e tudo terminou em um piscar de olhos.

De qualquer forma, considero que as coisas estão se encerrando de maneira satisfatória.

The Bells é Game of Thrones na sua essência. Foi um episódio difícil de digerir por ser extremamente violento e melancólico. É uma pena que parte do público considere que os personagens são suas propriedades e que o roteiro tenha que fazer exatamente o que eles querem.

Nota: 9

Crítica | Game of Thrones – 8×04: The Last of the Starks

Fazia tempo que Game of Thrones não entregava um episódio tão intenso como este The Last of the Starks. Aqui a trama nos fez lembrar de grandes momentos do seriado ao investir em intriga, humor, diálogos inteligentes, reviravoltas e mortes realmente chocantes.

No final das contas a guerra contra o Rei da Noite e os Outros foi um mero empecilho para o que realmente importa: a guerra dos tronos. Nem os mortos conseguem ser mais cruéis que os seres humanos. Cersei já ultrapassou todos os limites e talvez justamente por isso esteja viva e com uma coroa na cabeça e uma taça de vinho na mão. Será que vai ser assim no final? Tudo é possível agora.

O povo em Winterfell soube aproveitar a vitória contra o Rei da Noite. Houve tempo para honrar os mortos, brindar e discutir o futuro.

Finalmente o modus operandi de Daenerys é questionado. A rainha dos dragões sempre foi arrogante, mas libertou escravos, matou vilões e trouxe justiça para o outro lado do Mar Estreito. Mas será ela a pessoa ideal para se sentar no trono de ferro? Por que ela quer tanto ser a Rainha dos Sete Reinos?

Varys sempre disse que busca servir o reino da melhor maneira possível e temos que levar em conta quando ele chega a conclusão de que Daenerys não é a melhor opção. Particularmente, gostei quando ele disse que talvez o melhor governante seja aquele não quer governar.

Há quem esteja criticando o episódio pela suposta desconstrução de Daenerys. Bom. Já haviam indícios de que isso seria possível e mesmo se não houvessem, qual o problema? Então todos os personagens precisam sempre evoluir e tomar as atitudes mais corretas? É assim na vida real? Não. Daenerys seguir os passos do Rei Louco não faz Game of Thrones ser ruim. E de qualquer forma, pode ser que isso nem aconteça.

O que aconteceu em The Last of Starks e chamou a atenção foi Brienne com Jaime. Deixem a Cavaleira dos Sete Reinos ser feliz e sofrer em paz. Ela sempre gostou de Jaime e agora que os dois se aproximaram é natural que sofra com a partida dele. Ou quer dizer que a mulher não pode chorar porque é desconstrução da personagem? Me poupem.

O episódio estava bom e aí ele melhorou absurdamente quando testemunhamos duas mortes difíceis de encarar. Que crueldade com o dragão Rhaegal. Confesso que eu não esperava essa morte antes da batalha que está para acontecer. E foi pesado, hein?

E quem achou por um segundo que Cersei aceitaria a proposta de paz? É óbvio que a resposta seria não e quando isso foi ficando cada vez mais evidente tememos por Missandei. Esses 10 minutos finais foram de extrema aflição, no melhor estilo Game of Thrones.

Triste saber que Verme Cinzento e Missandei não vão mais realizar o sonho de viverem juntos longe de Westeros.

O bicho vai pegar no próximo episódio. Será que Daenerys vai incorporar o Rei Louco e queimar tudo em Porto Real? Quero ver passar por aquelas bestas gigantes com flechas sedentas pelo couro do dragão.

E Jon… por quê diabos você não se despediu do Fantasma de maneira decente?

A expectativa para esses últimos episódios está enorme.

Nota: 9.8

Seriados e minisséries para ficar de olho em 2019

É impossível acompanhar a quantidade de seriados e minisséries que ganham as telas a cada ano. Às vezes nos pegamos assistindo a algo pelo marketing absurdo e no final das contas chegamos a conclusão que perdemos tempo. O jeito é tentar garimpar, ler as críticas, prestar atenção em qual canal está produzindo e quem é o nome por trás de tudo.

Parece que 2019 vai nos reservar boas experiências na TV. Selecionei aqui cinco seriados e minisséries que me chamaram a atenção:

Chernobyl

Em cinco episódios Chernobyl irá se basear em fatos reais para contar a história por trás do desastre nuclear que amedrontou o mundo. Estreia no dia 10 de maio na HBO. Todos os episódios serão dirigidos por Johan Renck, cujo currículo conta com de The Walking Dead, Breaking Bad e Vikings. No elenco podemos destacar Jared Harris (The Crown, Mad Men), Stellan Skarsgard (Gênio Indomável) e Emily Watson (Embriagado de Amor).

Watchmen

Essa é a que eu mais estou curioso. Watchmen é um marco das histórias em quadrinhos e ganhou um filme decente em 2009, mas é óbvio que algo melhor poderia ter sido feito. Talvez Damon Lindelof (Lost, The Leftovers) seja mesmo a pessoa que pode explorar todo o potencial do material, ainda mais com a HBO. A trilha sonora fica por conta de Trent Reznor do Nine Inch Nails.

Catch 22

Christopher Abbott, George Clooney, Kyle Chandler e Hugh Laurie estrelam essa comédia satírica e de humor negro baseada no livro de Joseph Heller. Estreia no dia 17 de maior no Hulu. São apenas 6 episódios.

Good Omens

Uma fábula sobre o fim do mundo baseada na obra de Terry Pratchett e Neil Gaiman. Direção fica por conta de Douglas Mackinnon, que trabalhou em episódios de Sherlock e Doctor Who. Estreia no dia 31 de maio na Amazon Prime (pelo menos nos EUA).

The Mandalorian

Star Wars tem milhares de possibilidades e The Mandalorian é mais uma investida no seu universo expandido. Pedro Pascal (Narcos, Game of Thrones) será o pistoleiro da raça mandaloriana e os eventos ocorrerão após a queda do Império e antes do surgimento da Primeira Ordem. O seriado será disponibilizado pelo streaming da Disney.

*

Que seriado ou minissérie você quer ver em 2019?

Crítica | Game of Thrones – 8×03: The Long Night

Game of Thrones – 8×03: The Long Night

A batalha contra o Rei da Noite e o exército das mortos prometia bastante. O diretor Miguel Sapochnik já havia mostrado sua qualidade com os épicos ‘Hardhome’ e ‘Battle of the Bastards’, então nossa empolgação era compreensível.

Tudo começou da melhor maneira possível: uma trilha sonora espetacular adicionando tensão a cada nota, a disposição dos soldados e os rostos temerosos de nossos personagens preferidos. Aí tivemos a primeira investida com os dothraki e suas espadas flamejantes. Ouvir os gritos cada vez mais baixos e as espadas se apagando a uma a uma foram indícios de que sobreviver a Batalha de Winterfell seria basicamente um milagre.

Infelizmente, minha empolgação foi diminuindo graças a péssima qualidade da imagem da HBO HD. Minha nossa senhora. Por alguns momentos eu achava que estava assistindo a uma fita VHS em minha antiga televisão Sanyo de 20 polegadas. Foi extremamente frustrante me sentir perdido em várias cenas. A noite foi realmente escura e cheia de terrores. Onde estava o Senhor da Luz para nos ajudar um pouco?

Ainda bem que Melissandre e os dragões conseguiram iluminar um pouco o céu de Westeros.

Quando os mortos começaram a subir pelo muro tudo melhorou. A fotografia se revelou extremamente bonita e finalmente pude entender o que ocorria. A carnifica comeu solta. Alguns personagens foram se despedindo, quase sempre após algum sacrifício pessoal. A Lady Mormont levou um gigante junto com ela, Beric ajudou Arya e Edd ajudou Sam.

The Long Night não foi ‘apenas’ ação. Ver o povo escondido mas criptas de Winterfell remeteu a uma situação parecida vivida por Cersei e sua corte no episódio Blackwater. A coitada da Sansa esteve presente nas duas. O pavor era palpável ali dentro.

A intensidade da batalha foi aumentando. É claro que tudo foi bem grandioso, com uma porrada de figurantes, dragões, mortos, gigantes e todo o resto, mas os momentos mais épicos foram reservados para os minutos finais.

Novamente a trilha sonora embalou uma sequência que ganhou contornos grandiosos. Theon! Acho que agora podemos dizer que ele conseguiu sua redenção. Ele precisava disso mais do que ninguém.

E que tal o final? Era óbvio que o Rei da Noite não iria vencer a batalha, mas por um momento tudo pareceu perdido. Nada como um bom Deus Ex Machina para resolver tudo, não é mesmo? Não há outro nome para o que aconteceu. Arya surgiu do nada, matou o vilão e todo o exército morreu em definitivo. Isso me fez lembrar do exército dos mortos resolvendo a batalha em Senhor dos Aneis.

De qualquer forma, o caminho de Arya começou a ser trilhado para isso desde quando empunhou a Agulha pela primeira vez. As lições de Syrio Forel, o tempo que passou com o Cão e o treinamento em Braavos fizeram dela a pessoa certa para evitar o fim do mundo. Que belo arco narrativo, hein?

Agora são apenas mais três episódios e tudo pode acontecer.

Nota: 9.5

The Walking Dead “The Big Scary U” Crítica

Eu achava que não teria coragem de voltar a assistir a Walking Dead depois da péssima sétima temporada e do fraquíssimo início da oitava. Eu havia abandonado o seriado quando tive o desprazer de testemunhar o episódio 8×03, mas agora – em um ato heroico e masoquista – voltei para o mundo dos zumbis. The Big Scary U evidencia novamente a falta de criatividade dos roteiristas. A trama não avança e as cenas pouco verossímeis estão presentes, ainda que em menor número do que nos episódios anteriores. O único alento aqui foi a tentativa de adicionar camadas ao unidimensional Negan. Em termos de profundidade ele está bem abaixo do Governador, por exemplo. Quem sabe isso mude no futuro. Agora que voltei a assistir pretendo ir até o final, custe o que custar.

Nota: 6.1

Review | Game of Thrones 8×01 – Winterfell

Minhas expectativas estavam naturalmente altas para este primeiro episódio da oitava temporada e no final das contas posso dizer que gostei do que vi, ainda que com algumas ressalvas. Quem acompanha Game of Thrones desde 2011 sabe que na maioria das vezes os roteiristas desenvolvem a trama com calma, aumentando a intensidade aos poucos até chegar no ápice em um episódio chave. Essa temporada terá apenas seis episódios e apesar do início mais comedido – cheio de reencontros e momentos intimistas – deu para perceber que as coisas vão pegar fogo na sequência.

Finalmente Theon consegue se redimir perante a irmã. Pareceu um tanto fácil e rápido demais, mas o que importa é que ele conseguiu resgatar Yara das mãos de Euron. E pelo jeito, ele está rumando para Winterfell. Até consigo vislumbrar ele morrendo em breve, talvez se sacrificando para salvar alguém que ele prejudicou anteriormente. Theon é um dos personagens mais trágicos de Game of Thrones, digno de um misto de sentimentos e merecedor de um pouquinho mais de crédito.

Falando em Euron, eis aí um cara sinistro, arrogante e confiante. Basicamente, algumas das qualidades que Cersei quer em um homem. Pelo menos é o que pareceu aqui. Game of Thrones gosta de ter pelo menos um vilão meio exagerado como foram Joffrey e Ramsay. Nas últimas temporadas, esse papel cabe a Euron. Convenhamos, ele tem bem menos presença que os já saudosos Joff e Ramsay, mas tem o seu apelo.

Mas vamos para Winterfell. É muito bom ver Winterfell recheada de personagens que amamos. E melhor ainda foi presenciar reencontros com consideráveis doses de emoção. É surreal pensarmos que a última vez que Jon e Arya se viram foi na primeira temporada, na época em que Ned Stark ainda estava vivo. Seria ótimo se houvesse mais tempo disponível para aproveitarmos esse reencontro, mas a trama precisa andar. Apesar do tempo curto, o roteiro foi lá e investiu em uma cena bem boba. Claro que me refiro ao passeio de dragão pelos ares do Norte. Que coisa patética.

O episódio foi razoavelmente morno na maior parte do tempo e melhorou muito nos minutos finais. Foi impactante testemunhar Sam falando para Jon sobre sua real origem. Fica um tanto difícil saber o que ele irá fazer agora. De acordo com os costumes de Westeros, o rei é ele e não a titia Daenerys.

Foi um alívio saber que nosso amado Thormund está vivo, assim como Beric. O problema é que o Rei da Noite está pertinho e com sede de carnificina. Coitado do molequinho Umber. Confesso que tomei um belo susto quando ele gritou.

E para encerrar em alto nível e nos deixar a semana inteira com vontade de ver o segundo episódio, tivemos nada mais nada menos do que Jaime Lannister em Winterfell. Ele chega e já dá de cara com Bran na cadeira de rodas. Isso sem falar que logo estará diante de Daenerys, a filha do rei que ele matou.

Não tenho nenhum problema em admitir que esperava mais da season premiere, mas sei do que o seriado é capaz. Considerando tudo o que já vimos e todas as possibilidades, é justo esperar por um desfecho épico. Sinto que estamos caminhando para isso.

Nota: 7.8

Game of Thrones: “Second Sons” Crítica

Game of Thrones | 3×08 – Seconds Sons

O ritmo volta a fluir com naturalidade em Game of Thrones. Já podemos dizer que a terceira temporada é a melhor até agora?

Daenerys segue tentando angariar mais membros para o seu exército. Ela conversou com os líderes dos Segundos Filhos e despertou a cobiça de um e a paixão de outro. Daario Naharis decidiu chamar a atenção de Daenerys de um jeitinho especial. Para ele, decapitar os seus companheiros era uma boa maneira de demonstrar lealdade para a Mãe dos Dragões. Pelo jeito, ela aprovou.

Quando achávamos que as coisas ficaram ruins para Arya com o Cão de Caça, descobrimos que na verdade ele quer levar a garota para a mãe dela. É claro que ele vai querer uma boa recompensa em troca, mas já está mais do que provado que ele está longe de ser um vilão.

Vilão mesmo é o Joffrey. O rapazote queria atazanar o tio e Sansa na noite de núpcias. Ele ainda disse para Sansa que não importa qual Lannister gere um filho nela. Quando alguém vai parar essa peste?

Bom. Quem parece ter um plano para por um fim no Joffrey e também em Balon Greyjoy e Robb é Melisandre. Finalmente entendemos o que ela queria com Gendry. O sangue real tem poder. Ou pelo menos é nisso que ela acredita. As sanguessugas fizeram o seu serviço e Stannis jogou três delas no fogo e disse o nome de Robb, Joffrey e Balon. Será que eles tem tanto poder assim para matar o rei atual e os aspirantes ao trono? Lembremos que através da magia Melisandre deu a luz a uma sombra que matou Renly em um piscar de olhos.

Com o lado político, os casamentos e a criação de laços entre personagens como Brienne e Jaime acabamos nos esquecendo um pouco da ameaça vinda do Norte. A segunda temporada acabou com uma verdadeira horda de mortos-vivos indo em direção a muralha e neste episódio tivemos um lembrete dessa grande ameaça. Coube ao nosso não mais covarde Sam matar um caminhante branco para salvar Gilly. Mas por que diabos ele não pegou a obsidiana do chão?

Só faltam dois episódios.

Alguém aí está com medo do que pode acontecer em The Rains of Castamere?

Nota: 8.2

Game of Thrones: “The Bear and the Maiden Fair” Crítica

Game of Thrones | 3×07 – The Bear and the Maiden Fair

Em outras oportunidades o roteiro de Game of Thrones também abordou vários núcleos e subtramas e conseguiu um ótimo resultado. Em The Bear and the Maiden Fair as coisas ficaram um tanto dispersas e o ritmo irregular. Não se trata de um episódio ruim, porém o resultado final ficou abaixo do esperado. Um tempo precioso foi perdido com sequências pouco interessantes, como o insosso romance entre Robb e Talisa. De relevante aí, só a revelação de que Talisa está gravida. Falando em romance, tivemos um diálogo desnecessário entre um selvagem e Ygritte. Parece que Jon Snow tem um concorrente enciumado.

Theon segue o seu tormento nas mãos do torturador. A tortura é psicológica e física. Ao que tudo indica, Theon se transformará no mais novo eunuco de Westeros. Não sou muito fã dessas cenas, confesso. Por mais que Theon tenha cometido erros, não me agrada vê-lo neste estado.

Daenerys segue evoluindo a cada episódio. A transformação dela em uma verdadeira rainha salta aos olhos. O caminho para o trono é longo. Libertar escravos em uma cidade escravagista parece ser um bom aprendizado para quem quer governar com justiça. Ela tem dragões e um exército, mas também tem firmeza. Estou gostando cada vez mais da mãe dos dragões.

O grande momento aqui foi mesmo a sequência final. Claro que foi impactante ver Brienne duelando com o urso usando apenas uma espada de madeira, mas ver Jaime se jogando na arena sem arma alguma para defendê-la foi incrível. Jaime tem coração e isso ficou provado. Mais tocante ainda foi ver Brienne reconhecendo o que ele fez e o chamando de Sor. Essa dupla é um dos grandes triunfos da temporada.

Nota: 7.9