Game of Thrones 8×06: The Iron Throne – Crítica

Fui assistir ao series finale de Game of Thrones com as expectativas moderadas e me surpreendi positivamente. Com cerca de 1 hora e 20 minutos, o episódio ofereceu muito daquilo que nos acostumamos ao longo dessas oito temporadas. Teve política, violência, humor e surpresas.

Muitos estão condenando as escolhas dos roteiristas. Há quem diga que personagens foram desconstruídos e que alguns tiveram atitudes que não condizem com o seu passado.

Não podem estar mais enganados.

A reclamação principal é obviamente a transformação de Daenerys em Rainha Louca. Os fãs da Mãe dos Dragões acham que isso surgiu do nada e portanto consideraram o episódio e a temporada uma merda colossal. Parece piada.

Indícios de que Daenerys poderia seguir por esse caminho estão em várias atitudes dela ao longo dos anos. Os roteiristas fizeram questão de colocar Tyrion falando com Jon sobre os atos condenáveis dela. Foi uma maneira
de fazer o público também entender. Pelo jeito, sem muito sucesso.

O fato é que Daenerys era uma tirana por natureza e uma sucessão de acontecimentos fizeram com que ela finalmente explodisse. E uma cidade inteira teve que sofrer as consequências de tamanha fúria. Ela sempre foi do sangue do dragão, no mau sentido.

As primeiras cenas de The Iron Throne revelam o tamanho da destruição perpetrada por ela e pelo dragão. A fotografia cinza realça o caos e a melancolia. A atmosfera é pesada demais. Tyrion, Jon e Arya ficam basicamente sem reação diante de tamanha barbárie.

Tyrion tinha uma pequena esperança de que Jaime tivesse sobrevivido, mas ele logo encontrou os seus dois irmãos unidos sem vida de baixo dos escombros. Uma cena tocante e grandiosa muito por causa da atuação de Peter Dinkalage.

Confesso que não esperava que Jon fosse o responsável por botar um fim na loucura de Daenerys. Parecia que Arya faria o serviço. Se pensarmos de maneira lógica, dificilmente Jon ficaria a sós com Daenerys, mas de qualquer forma, a cena foi bem executada e tanto Emilia Clarke como Kit Harington – sempre tão criticados – fizeram um bom trabalho.

E como foi triste ver Drogon diante do que estava acontecendo. Na sequência, a reação dele não poderia ser mais simbólica: destruir o trono
que impulsionou tudo isso. Espetacular.

A partir dai ficou a dúvida sobre quem comandaria os sete reinos. As coisas foram obviamente apressadas, mas interessantes. Sobrou tempo para uma inspirada piada sobre o sistema político de Westeros. Sam estava inventando a democracia e virou motivo de chacota. Coitado.

Bran, o Quebrado como o rei foi surpreendente de fato. Pelo menos dessa forma justifica-se toda a importância que era dada a ele ao longo das temporadas e faz com que o sacrifício de Hodor de segurar a porta tenha sido essencial. É uma pena que  o ator é bem fraco. E ele parecia promissor quando era um gurizinho.

E que belo final tiveram os Starks. Sansa evoluiu muito e jamais dobraria o joelho. Ela é a pessoa certa para  comandar o Norte. Eu esperava mais de Jon Snow, mas ele é o que é. Um homem justo e com poucas pretensões. No final das contas,ele escolheu um caminho semelhante ao do Meistre Aemon. Arya salvou Westeros do Rei da Noite e agora irá explorar o mundo. Acho que no final das contas, ela é a minha personagem favorita de Game of Thrones.

Vários epílogos para encerrar uma história e deixar claro que as coisas irão continuar.

Game of Thrones contou uma história extremamente ambiciosa, misturando política e fantasia e nos entregou episódios maravilhosos. As últimas duas temporadas foram apressadas e tiveram seus deslizes, mas no geral concluíram de maneira mais do que satisfatória tudo o que foi feito. É impossível agradar a todos. Temos que aceitar que nem todos os personagens terão finais felizes ou grandiosos. Isso está dentro do realismo que a série sempre buscou.

Sou do grupo de quem aprova o que foi feito e agora me despeço
de um dos melhores seriados de todos os tempos com uma salva de palmas e já com um ar nostálgico.

Nota: 9

Crítica | Game of Thrones – 8×04: The Last of the Starks

Fazia tempo que Game of Thrones não entregava um episódio tão intenso como este The Last of the Starks. Aqui a trama nos fez lembrar de grandes momentos do seriado ao investir em intriga, humor, diálogos inteligentes, reviravoltas e mortes realmente chocantes.

No final das contas a guerra contra o Rei da Noite e os Outros foi um mero empecilho para o que realmente importa: a guerra dos tronos. Nem os mortos conseguem ser mais cruéis que os seres humanos. Cersei já ultrapassou todos os limites e talvez justamente por isso esteja viva e com uma coroa na cabeça e uma taça de vinho na mão. Será que vai ser assim no final? Tudo é possível agora.

O povo em Winterfell soube aproveitar a vitória contra o Rei da Noite. Houve tempo para honrar os mortos, brindar e discutir o futuro.

Finalmente o modus operandi de Daenerys é questionado. A rainha dos dragões sempre foi arrogante, mas libertou escravos, matou vilões e trouxe justiça para o outro lado do Mar Estreito. Mas será ela a pessoa ideal para se sentar no trono de ferro? Por que ela quer tanto ser a Rainha dos Sete Reinos?

Varys sempre disse que busca servir o reino da melhor maneira possível e temos que levar em conta quando ele chega a conclusão de que Daenerys não é a melhor opção. Particularmente, gostei quando ele disse que talvez o melhor governante seja aquele não quer governar.

Há quem esteja criticando o episódio pela suposta desconstrução de Daenerys. Bom. Já haviam indícios de que isso seria possível e mesmo se não houvessem, qual o problema? Então todos os personagens precisam sempre evoluir e tomar as atitudes mais corretas? É assim na vida real? Não. Daenerys seguir os passos do Rei Louco não faz Game of Thrones ser ruim. E de qualquer forma, pode ser que isso nem aconteça.

O que aconteceu em The Last of Starks e chamou a atenção foi Brienne com Jaime. Deixem a Cavaleira dos Sete Reinos ser feliz e sofrer em paz. Ela sempre gostou de Jaime e agora que os dois se aproximaram é natural que sofra com a partida dele. Ou quer dizer que a mulher não pode chorar porque é desconstrução da personagem? Me poupem.

O episódio estava bom e aí ele melhorou absurdamente quando testemunhamos duas mortes difíceis de encarar. Que crueldade com o dragão Rhaegal. Confesso que eu não esperava essa morte antes da batalha que está para acontecer. E foi pesado, hein?

E quem achou por um segundo que Cersei aceitaria a proposta de paz? É óbvio que a resposta seria não e quando isso foi ficando cada vez mais evidente tememos por Missandei. Esses 10 minutos finais foram de extrema aflição, no melhor estilo Game of Thrones.

Triste saber que Verme Cinzento e Missandei não vão mais realizar o sonho de viverem juntos longe de Westeros.

O bicho vai pegar no próximo episódio. Será que Daenerys vai incorporar o Rei Louco e queimar tudo em Porto Real? Quero ver passar por aquelas bestas gigantes com flechas sedentas pelo couro do dragão.

E Jon… por quê diabos você não se despediu do Fantasma de maneira decente?

A expectativa para esses últimos episódios está enorme.

Nota: 9.8

Crítica | Game of Thrones – 8×03: The Long Night

Game of Thrones – 8×03: The Long Night

A batalha contra o Rei da Noite e o exército das mortos prometia bastante. O diretor Miguel Sapochnik já havia mostrado sua qualidade com os épicos ‘Hardhome’ e ‘Battle of the Bastards’, então nossa empolgação era compreensível.

Tudo começou da melhor maneira possível: uma trilha sonora espetacular adicionando tensão a cada nota, a disposição dos soldados e os rostos temerosos de nossos personagens preferidos. Aí tivemos a primeira investida com os dothraki e suas espadas flamejantes. Ouvir os gritos cada vez mais baixos e as espadas se apagando a uma a uma foram indícios de que sobreviver a Batalha de Winterfell seria basicamente um milagre.

Infelizmente, minha empolgação foi diminuindo graças a péssima qualidade da imagem da HBO HD. Minha nossa senhora. Por alguns momentos eu achava que estava assistindo a uma fita VHS em minha antiga televisão Sanyo de 20 polegadas. Foi extremamente frustrante me sentir perdido em várias cenas. A noite foi realmente escura e cheia de terrores. Onde estava o Senhor da Luz para nos ajudar um pouco?

Ainda bem que Melissandre e os dragões conseguiram iluminar um pouco o céu de Westeros.

Quando os mortos começaram a subir pelo muro tudo melhorou. A fotografia se revelou extremamente bonita e finalmente pude entender o que ocorria. A carnifica comeu solta. Alguns personagens foram se despedindo, quase sempre após algum sacrifício pessoal. A Lady Mormont levou um gigante junto com ela, Beric ajudou Arya e Edd ajudou Sam.

The Long Night não foi ‘apenas’ ação. Ver o povo escondido mas criptas de Winterfell remeteu a uma situação parecida vivida por Cersei e sua corte no episódio Blackwater. A coitada da Sansa esteve presente nas duas. O pavor era palpável ali dentro.

A intensidade da batalha foi aumentando. É claro que tudo foi bem grandioso, com uma porrada de figurantes, dragões, mortos, gigantes e todo o resto, mas os momentos mais épicos foram reservados para os minutos finais.

Novamente a trilha sonora embalou uma sequência que ganhou contornos grandiosos. Theon! Acho que agora podemos dizer que ele conseguiu sua redenção. Ele precisava disso mais do que ninguém.

E que tal o final? Era óbvio que o Rei da Noite não iria vencer a batalha, mas por um momento tudo pareceu perdido. Nada como um bom Deus Ex Machina para resolver tudo, não é mesmo? Não há outro nome para o que aconteceu. Arya surgiu do nada, matou o vilão e todo o exército morreu em definitivo. Isso me fez lembrar do exército dos mortos resolvendo a batalha em Senhor dos Aneis.

De qualquer forma, o caminho de Arya começou a ser trilhado para isso desde quando empunhou a Agulha pela primeira vez. As lições de Syrio Forel, o tempo que passou com o Cão e o treinamento em Braavos fizeram dela a pessoa certa para evitar o fim do mundo. Que belo arco narrativo, hein?

Agora são apenas mais três episódios e tudo pode acontecer.

Nota: 9.5

Game of Thrones – 8×02: A Knight of The Seven Kingdoms

A Knight of the Seven Kingdoms, segundo episódio da oitava temporada, foi basicamente perfeito ao que se propôs. Trata-se de um episódio de preparação extremamente eficiente. Além de trabalhar a tensão que antecede uma batalha com maestria, ele ainda colocou frente a frente diversos personagens e nos brindou com diálogos inteligentes e emocionantes. Houve tempo também para várias referências a acontecimentos passados, o que não deixa de ser uma bem vinda recompensa para os fãs.

Para quê acelerar as coisas? Outros seriados provavelmente nem se dariam ao trabalho de ter um episódio destes, mas isso é Game of Thrones.

Todos os 58 minutos se passam em Winterfell. Vemos os soldados treinando, as armas com vidro de dragão em fabricação, armadilhas preparadas e estratégias debatidas. Tudo muito verossímil. Não poderia ser diferente quando há um imenso exército de mortos chegando nos portões. Até quem nunca empunhou uma espada irá contribuir de alguma forma. Mesmo com o medo estampado nos olhos.

Eu achava que Jaime sofreria um pouco mais ao retornar a Winterfell, mas não foi bem assim. Graças a Brienne ele foi aceito por Daenerys. Como disse Jon, não dá para desperdiçar um soldado nessas horas.

Daenerys tem o costume de soar irritante quando questiona Tyrion. Todos sabemos do potencial do anão e ela parece esquecer disso às vezes. A Rainha dos Dragões dificilmente assume que cometeu um erro e prefere jogar a culpa na sua Mão. Jorah e Sansa talvez tenham a convencido a acreditar nele em definitivo.

Quando parecia que Sansa e Daenerys iriam se acertar de uma vez, eis que surge a dúvida sobre o que será feito com o Norte depois das batalhas que virão. Claro, essa discussão só existirá mais para frente se as batalhas forem vencidas, mas é algo a se pensar, ainda mais agora que Jon descobriu quem ele é.

Confesso que ainda não sei o que pensar sobre Arya e Gendry. Isso veio meio que do nada. De qualquer forma, é natural alguém buscar conforto (e prazer) em uma noite que antecede uma batalha.

Minha teoria sobre Theon provavelmente irá se concretizar. Gostei de vê-lo ser bem recebido por Sansa e ter o aval de Bran para protegê-lo. Duvido que ele sobreviverá ao próximo episódio e imagino que ele irá se despedir com um ato de bravura. Tomara. Ele merece a rendição agora.

Os melhores momentos de A Knight of the Seven Kingdoms se passaram na roda de conversa em frente da lareira. Brienne, Podrick, Tyrion, Davos, Jaime e Tormund. E vinho. Bastante vinho. Finalmente descobrimos como o selvagem Tormund ficou tão forte: ele mamou nos seios de uma gigante por três meses, óbvio. Atenção marombeiros! Isso é melhor que Whey Protein. Essa inesperada resenha não foi apenas de diálogos engraçados. Apreciamos o prodígio Podrick cantando uma bela canção e testemunhamos Brienne de Tarth receber o título de Cavaleira de Jaime Lannister e ser efusivamente aplaudida por Tormund. A quase sempre impassível Brienne sorriu e ficou com os olhos umedecidos. Nós também.

Este foi um episódio de preparação que beirou a perfeição e o cliffhanger não poderia ter sido melhor executado. Em meio a revelação que Jon fez para Daenerys a trombeta soou três vezes e agora não há mais como adiar: O INVERNO CHEGOU.

Nota: 9.8

Game of Thrones: “Second Sons” Crítica

Game of Thrones | 3×08 – Seconds Sons

O ritmo volta a fluir com naturalidade em Game of Thrones. Já podemos dizer que a terceira temporada é a melhor até agora?

Daenerys segue tentando angariar mais membros para o seu exército. Ela conversou com os líderes dos Segundos Filhos e despertou a cobiça de um e a paixão de outro. Daario Naharis decidiu chamar a atenção de Daenerys de um jeitinho especial. Para ele, decapitar os seus companheiros era uma boa maneira de demonstrar lealdade para a Mãe dos Dragões. Pelo jeito, ela aprovou.

Quando achávamos que as coisas ficaram ruins para Arya com o Cão de Caça, descobrimos que na verdade ele quer levar a garota para a mãe dela. É claro que ele vai querer uma boa recompensa em troca, mas já está mais do que provado que ele está longe de ser um vilão.

Vilão mesmo é o Joffrey. O rapazote queria atazanar o tio e Sansa na noite de núpcias. Ele ainda disse para Sansa que não importa qual Lannister gere um filho nela. Quando alguém vai parar essa peste?

Bom. Quem parece ter um plano para por um fim no Joffrey e também em Balon Greyjoy e Robb é Melisandre. Finalmente entendemos o que ela queria com Gendry. O sangue real tem poder. Ou pelo menos é nisso que ela acredita. As sanguessugas fizeram o seu serviço e Stannis jogou três delas no fogo e disse o nome de Robb, Joffrey e Balon. Será que eles tem tanto poder assim para matar o rei atual e os aspirantes ao trono? Lembremos que através da magia Melisandre deu a luz a uma sombra que matou Renly em um piscar de olhos.

Com o lado político, os casamentos e a criação de laços entre personagens como Brienne e Jaime acabamos nos esquecendo um pouco da ameaça vinda do Norte. A segunda temporada acabou com uma verdadeira horda de mortos-vivos indo em direção a muralha e neste episódio tivemos um lembrete dessa grande ameaça. Coube ao nosso não mais covarde Sam matar um caminhante branco para salvar Gilly. Mas por que diabos ele não pegou a obsidiana do chão?

Só faltam dois episódios.

Alguém aí está com medo do que pode acontecer em The Rains of Castamere?

Nota: 8.2

Game of Thrones: “The Bear and the Maiden Fair” Crítica

Game of Thrones | 3×07 – The Bear and the Maiden Fair

Em outras oportunidades o roteiro de Game of Thrones também abordou vários núcleos e subtramas e conseguiu um ótimo resultado. Em The Bear and the Maiden Fair as coisas ficaram um tanto dispersas e o ritmo irregular. Não se trata de um episódio ruim, porém o resultado final ficou abaixo do esperado. Um tempo precioso foi perdido com sequências pouco interessantes, como o insosso romance entre Robb e Talisa. De relevante aí, só a revelação de que Talisa está gravida. Falando em romance, tivemos um diálogo desnecessário entre um selvagem e Ygritte. Parece que Jon Snow tem um concorrente enciumado.

Theon segue o seu tormento nas mãos do torturador. A tortura é psicológica e física. Ao que tudo indica, Theon se transformará no mais novo eunuco de Westeros. Não sou muito fã dessas cenas, confesso. Por mais que Theon tenha cometido erros, não me agrada vê-lo neste estado.

Daenerys segue evoluindo a cada episódio. A transformação dela em uma verdadeira rainha salta aos olhos. O caminho para o trono é longo. Libertar escravos em uma cidade escravagista parece ser um bom aprendizado para quem quer governar com justiça. Ela tem dragões e um exército, mas também tem firmeza. Estou gostando cada vez mais da mãe dos dragões.

O grande momento aqui foi mesmo a sequência final. Claro que foi impactante ver Brienne duelando com o urso usando apenas uma espada de madeira, mas ver Jaime se jogando na arena sem arma alguma para defendê-la foi incrível. Jaime tem coração e isso ficou provado. Mais tocante ainda foi ver Brienne reconhecendo o que ele fez e o chamando de Sor. Essa dupla é um dos grandes triunfos da temporada.

Nota: 7.9 

 

 

Game of Thrones: “Kissed By Fire” Crítica

Game of Thrones | 3×05 – Kissed by Fire

Sandor Clegane ganhou sua liberdade ao derrotar Beric Dondarrion em um duelo de espadas. A vitória do cão não foi exatamente uma surpresa, mas o fato de Thoros de Myr conseguir trazer Beric de volta a vida sim. A magia é forte em certos lugares de Westeros. E não nos esqueçamos que Thoros é um sacerdote de R’hllor, assim como Melisandre. Arya ficou revoltada ao ver Clegane sendo libertado. Não adianta, é a vontade do deus vermelho. E foi de cortar o coração quando ela perguntou se seria possível reviver alguém que perdeu a cabeça.

Robb está cometendo erros atrás de erros. Desta vez, o seu senso de justiça à la Ned Stark o obrigou a decapitar o líder da Casa Karstark e com isso perdeu praticamente metade do seu exército. Rickard traiu Robb e cometeu um ato de extrema crueldade ao assassinar os garotos Lannisters, mas teria sido mais sábio mantê-lo apenas preso. Não foi por falta de aviso. Catelyn, Talisa e Edmure em vão tentaram convencer o jovem lobo a tomar uma atitude menos intempestiva. Agora, ele irá buscar o apoio dos Freys. Mais um erro colossal à vista.

Quem está nadando na fossa da depressão é Jaime. Perder a mão foi demais para ele. Pelo menos, isso está colaborando para a humanização do personagem. Assim como Theon no episódio anterior, Jaime botou para fora muitas coisas que no fundo o atormentam. Ele será eternamente o regicida e isso geralmente tem uma conotação pejorativa. O que Jaime quer que as pessoas entendam é que Aerys não era chamado de Rei Louco por acaso. O cara era um lunático e estava sendo o responsável pela morte de milhares. E foi extremamente apropriado Jaime ter tido esse momento justamente com Brienne. Os laços destes dois personagens se estreitam cada vez mais.

Ao perceber a movimentação dos Tyrell para ganharem influência no norte, Tywin revelou o seu plano atual: casar Tyrion com Sansa e Cersei com Sor Loras. Obviamente, ambos não estão de acordo com essa resolução, mas como ir contra um cara como Tywin? Eu teria medo em não acatar suas exigências.

No frio cortante do outro lado da Muralha, Jon Snow deu mais um passo para convencer os selvagens que ele não é mais um patrulheiro da noite. É claro que esse não foi o motivo que o fez quebrar seus votos. Jon Snow está apaixonado por Ygritte, a selvagem beijada pelo fogo.

Kissed by Fire começou com um duelo bem coreografado, incrementou o jogo político e investiu em pequenos momentos carregados de emotividade. Mais do que isso, preparou o terreno para a reta final de uma excelente temporada.

Nota: 8

Game of Thrones: “And Now His Watch is Ended” Crítica

A terceira temporada segue em altíssimo nível. Reviravoltas, surpresas, traições e violência foram a tônica deste episódio.

Jaime Lannister está na pior. Ele está sendo constantemente humilhado por Vargo e o seu grupo. É cruel demais fazer ele andar com a mão amputada amarrada no pescoço como se fosse um colar. Jaime está sem totalmente quebrado, mas ele tem Brienne para tentar elevar seu espírito. Aparentemente, um forte laço entre os dois foi criado. O arco narrativo de Jaime está empolgante. Ele já é um dos meus personagens preferidos.

Falando em personagens preferidos, Varys teve bastante destaque aqui. Descobrimos como ele virou eunuco e o que ele tem feito a respeito da pessoa por trás disso. Varys pode ser cruel. Cruel e inteligente. Assim como Mindinho, ele é uma incógnita. Apenas sabemos que ambos geralmente conseguem o que desejam.

Margaery está manipulando Joffrey com sabedoria. O pirralho assassino está basicamente nas mãos de Margaery e isso deixa Cersei cada vez mais preocupada. A futura rainha já caiu nas graças do povo e até Joffrey foi celebrado. Convenhamos, que povinho sem memória, não é?

Do outro lado da muralha o caos toma conta. Esfomeados e fatigados, alguns patrulheiros se cansam do arrogante Craster e se rebelam. Infelizmente, sobra para o comandante Mormont. Sempre achei que algo assim poderia acontecer, afinal muitos dos corvos são assassinos que não levam desaforo para casa. Só não esperava que Mormont também fosse pagar o preço. A patrulha já estava enfraquecida, agora após essa traição ela vai ficar em frangalhos. E não se esqueçam, selvagens estão para invadir Castelo Negro.

E que jogo psicológico doentio foi feito com Theon. Ele achava que estava escapando, botou para fora tudo o que sentia, mostrou-se arrependido e no final das contas voltou exatamente para onde estava. Este é o bastardo de Roose Bolton. A loucura dele é imprevisível. O sofrimento de Theon está apenas começando.

Quem brilhou de um jeito grandioso foi Daenerys. Finalmente a mãe dos dragões mostrou que pode ser uma peça a ser temida na guerra dos tronos. Ela tem os imaculados, ela tem dragões e também tem atitude. Não houve clemência para os senhores de escravos. Agora ela tem seguidores que a respeitam e a admiram. E ela quer atravessar o mar e tomar o que já foi da família dela. Com esse exército poderoso e os três dragões cada vez maiores vai ser difícil alguém fazer frente a ela.

Nota: 9.1

Game of Thrones: “Walk of Punishment” Crítica

Game of Thrones | 3×03 – Walk of Punishment

Este é mais um daqueles episódios que comprovam a inteligência e habilidade dos criadores de Game of Thrones. Mesmo contando uma história repleta de violência e tensão, há tempo para momentos de humor e de sensibilidade. Melhor episódio da terceira temporada até agora, Walk of Punishment nos fez rir, nos fez temer pelo destino de certos personagens, nos comoveu e terminou com uma cena pra lá de impactante.

Daenerys está mudando e para melhor. A cada episódio sentimos que ela está mais confiante sobre o tipo de rainha que quer ser. Ver os supostos ladrões crucificados mexeu com ela e a fez tomar uma atitude que a princípio pode parecer estranha. Ela prometeu o seu maior dragão em troca de 8 mil imaculados. Mas será mesmo que ela vai se livrar de um de seus filhos assim? Eu não apostaria minhas fichas nisso. Gostei de ver Barristan Selmy elogiando Rhaegar Targaryen, o irmão mais velho de Daenerys. Este é um personagem que eu gostaria de ver representado um dia. Claro, isso só seria possível em um flashback.

Os risos que mencionei nos foram proporcionados principalmente em sequências em Porto Real. O pequeno conselho disputando um lugar ao lado de Tywin na mesa foi hilário. A cara de Tywin vendo tudo isso foi impagável. Que ator espetacular! Outro momento de humor foi com Pod e as prostitutas. O garoto fez o serviço tão bem feito que elas não aceitaram o pagamento. Bronn e Tyrion ficaram impressionados e exigiram os mínimos detalhes. Grande Pod!

Novos personagens e um novo lugar foram apresentados. Trata-se dos familiares de Catelyn em Riverrun. A introdução de Edmure e Peixe Negro não poderia ser melhor. Ver Edmure falhando três vezes em acertar o barco que carregava o corpo do seu pai e o Peixe Negro acertando na primeira, mesmo com o barco lá longe, foi o suficiente para entendermos a dinâmica entre eles. Espero que haja tempo suficiente no enredo para o Peixe Negro ser bem trabalhado como no livro.

Arya e Gendry seguem com Thoros de Myr e a Irmandade Sem Bandeiras. Quem ficou para trás foi Torta Quente, não antes sem dar de presente um bolo em forma de urso para a garota Stark. Belo gesto!

Theon quase foi estuprado por um bando de soldados que o capturaram novamente, mas ele foi salvo por um homem misterioso. Quem é ele e o que ele pretende?

Mas a melhor trama de Walk of Punishment foi mesmo a de Jaime e Brienne. Quando um passante notou os dois e trocou algumas palavras, Jaime alertou Brienne que isso poderia representar um perigo e eles deviam matá-lo. Brienne não deu muito bola a Jaime e um pouco mais a frente no caminho ela percebeu que errou. Os dois foram capturados por um grupo liderado por Vargo Hoat. Jaime ganhou mais profundidade aqui ao convencer Vargo a impedir que Brienne fosse estuprada. Ele realmente estava se importando com o destino dela, o que é surpreendente dadas as suas atitudes na série. Trata-se de um personagem que está mudando. Vargo, querendo mandar uma mensagem para Tywin e por odiar tudo o que Jaime representa, corta a mão do Regicida em uma cena chocante. Parecia que os dois estavam se acertando e que Jaime iria encontrar algum conforto, mas as coisas não funciona assim em Game of Thrones.

Um episódio espetacular que conseguiu abordar quase todos os núcleos de maneira mais do que satisfatória e ainda nos brindou com um final grandioso, com direito a uma música totalmente fora dos padrões do seriado, servindo para potencializar ainda mais a nossa reação diante da cena.

Brilhante.

Nota: 9.4