Simplesmente Complicado

Título original: It’s Complicated
Ano: 2009
Diretor: Nancy Meyers

O único pingo de (relativa) originalidade dessa comédia romântica é o fato do trio de personagens principais ter mais de 50 anos. Ao contrário da maioria dos filmes desse tipo, eles não são jovens na flor da idade e sim, pessoas mais experientes e vividas. Jane (Streep) e Jake (Baldwin) estão divorciados há 10 anos, mas a formatura do filho mais novo os aproximam. O problema é que Jake já se casou novamente e Jane não consegue aceitar a ideia de ter um caso com o ex-marido.

Esperava bem mais de um filme com Meryl Streep, Steve Martin e Alec Baldwin. Se não fosse por eles, Simplesmente Complicado seria simplesmente um lixo. Existem bons momentos aqui e ali graças a competência dos atores, mas é daqueles filmes que você logo esquece e jamais vai querer assistir novamente. A única cena realmente marcante envolve os três e uma web cam. O resto, esqueça.

Além de ser uma história  clichê e previsível, os personagens soam um tanto falsos e algumas situações chegam a ser constrangedoras, como exemplo, cito a quase revolta dos três filhos contra a mãe em uma cena pra lá de piegas e inverossímel. Que bando de gente chata. Por outro lado, acompanhar Alec Baldwin todo enciumado perseguindo a Jane é engraçado.

Apesar de não ser um filme totalmente ruim, é algo desnecessário e feito sem a menor paixão. Parece algo artificial para o público engolir e gastar uma grana. Foi um desperdício de talento e porque não, do meu tempo.

Nota: 5

Um Olhar do Paraíso

Título original: The Lovely Bones
Ano: 2009
Diretor: Peter Jackson

Uma garota de 14 anos é brutalmente assassinada por um vizinho e vai parar no paraíso. É de lá que ela nos conta esta triste história e observa sua família e o seu assassino. O filme está sendo malhado pela crítica especializada e também por vários blogueiros cinéfilos. Motivos não faltam.

Há um certo exagero nos efeitos especiais, algo que serve para mascarar o roteiro mal desenvolvido. Claro que existe uma ou outra cena bacana, afinal Peter Jackson sabe trabalhar com computação gráfica, mas no geral elas são irritantes.

Os personagens sofrem por não serem aprofundados, atrapalhando desempenho dos atores. Rachel Weisz desaparece durante filme, Susan Sarandon erra o tom da sua personagem, que parece ter sido criada para uma comédia e não para um filme com um assunto tão triste, Stanley Tucci demonstra muito talento, principalmente quando está cara a cara com a vítima, porém seu personagem não é nada mais do que uma caricatura.

Pelo menos, Mark Wahlberg fez um trabalho competente ao retratar todo o sofrimento de um pai que perde sua filha e Saoirse Ronan está expressiva como sempre.

Peter Jackson erra a mão várias vezes. Caramba, o filme retrata muito sofrimento e tristeza. O ar fantasioso da garota no paraíso já era o suficiente para amezinar um pouco a história. Aquelas cenas supostamente engraçadinhas com a avó são completamente desnecessárias e embaraçosas. E para completar, um desfecho grotesco. Algo extremamente inverossímel e que não deixa de ser uma afronta ao bom senso.

Vocês devem estar pensando que odiei Um Olhar do Paraiso, mas não é verdade. Os poucos pontos positivos me deixaram relativamente satisfeito. A primeira hora do filme, com a apresentação dos personagens e  do assassinato, é muito boa. Me pareceu algo bem orgânico e realmente contagiante. Consegui compartilhar o sofrimento dos pais e da própria garota morta. Quatorze anos. Uma vida inteira pela frente. Não é nada fácil saber que ela não vai terminar a escola, não vai para faculdade, não vai ter filhos… se o filme conseguir te transmitir isso você não vai achá-lo totalmente desprezível.

Pena que Peter Jackson não soube fazer as escolhas certas e nos deu um trabalho cheio de falhas.

Nota: 6

– B.K.

Um Homem Sério

Título original: A Serious Man
Ano: 2009
Diretor: Ethan e Joel Coen

Ainda que Um Homem Sério não seja do nível de Onde os Fracos Não Tem Vez ou O Homem que Não Estava Lá, é um grande avanço após o razoável Queime Depois de Ler. Grande mesmo. Desta vez, os irmãos Coen não utilizam nenhum astro importante de Hollywood e apostam em Michael Stuhlbarg para o personagem principal. Foi uma ótima escolha, pois o ator combinou muito bem com o seu personagem, transformando-se em um dos pontos fortes do filme.

Larry Gopnik (Stuhlbarg) é um professor de física que está enfrentando problemas em sua vida: um aluno coreano tenta suburna-lo para ser aprovado, sua esposa pede o divórcio, o seu irmão não tem emprego e vive às suas custas na sua própria casa, o filho mais novo está devendo 20 dólares para o traficante-mirim da escola e sua filha quer fazer uma plástica no nariz. Todos são judeus e Larry claramente tenta viver de acordo com os ensinamentos do judaísmo, mas o momento é difícil e ele se sente perdido. A solução é se aconselhar com os rabinos.

É interessante ver como o mundo arma um complô contra Larry. Ele é um cara calmo, tranquilo, mas está sobre muita pressão. O que será que Deus quer de Larry? É um teste? Existe um sentido na vida em que vivemos? Uma certa ironia e o tradicional humor peculiar dos irmãos Coen estão por todos os lados de Um Homem Sério, mas chegam ao ápice nas conversas que Larry ou o seu filho têm com os rabinos. Imaginem, um desses rabinos é Simon Helberg, o Howard Wolowitz de Big Bang Theory. Difícil olhar para ele e não rir, mesmo quando ele nem tenta ser engraçado. Essas conversas de Larry com os rabinos funcionam como os irmãos Coen dizendo: “Ei amigo, você quer um sentido para a vida? Continue procurando.”

Elogiar a fotografia de Roger Deakins é redundância, ainda mais em um filme dos Coen. Temos um visual muito bonito e ângulos que tornam algumas cenas mais interessantes. Mas não vou mentir. Não é um filme fácil de se admirar. Eu tive alguns problemas com ele. O principal foi a dificuldade de me importar realmente com os personagens e as situações, mas no geral, gostei muito do filme. Acho que os Coen deveriam seguir nesse caminho e em breve irão criar outra obra-prima como Onde os Fracos Não Tem Vez. A cena final de Um Homem Sério é uma das melhores do ano e mostra toda a qualidade dos irmãos.

Nota: 7

– B.K.

Lost S06E04 The Substitute

Spoilers só depois da foto.

IMPRESSÕES GERAIS
Lost 6×04 – The Substitute é um episódio centrado em Locke na realidade paralela e no falso Locke dentro da ilha. Quem não gosta de episódios no estilo do anterior pode ficar tranquilo. Aqui a trama avança significativamente, ainda que não saibamos exatamente para onde ela está indo. É daquele tipo de episódio que termina de uma forma muita rápido e provavelmente que necessita de mais do que uma assistida. Um dos maiores segredos de toda a série começa a ser respondido e isso é mais do que suficiente para fazer deste um EXCELENTE episódio. Chamo a atenção para as mudanças dos personagens na realidade paralela. Onde está Locke e o homem de fé? Mudanças, mudanças. Estou gostando muito dos flash-sideways, mas não sei se haverá tempo suficiente para termina-los de uma maneira satisfatória. Temos que esperar e confiar.
Nota: 9

NA ILHA
Logo de cara acompanhamos uma sequência fantástica do falso Locke em forma de monstro. Ficamos no seu ponto de vista e percorremos a ilha. Aquele barulinho de engrenagem é um espetáculo.

Há uma conversa do falso Locke com Richard. Eles discutem sobre Locke e o fato deste ser um candidato ou no caso, de ter sido um candidato. Mas… candidato a que e escolhido por quem? Calma. Teremos respostas. (F)locke vai em busca de Sawyer.

Enquanto isso, Ilana recolhe as cinzas de Jacob. O que isso quer dizer? Será simplesmente algo para se proteger do monstro? Illana, Ben, Lapidus e Sun enterram o corpo do verdadeiro Locke. Como disse Lapidus, é o funeral mais estranho possível. Detalhe para o Ben dizendo que Locke era um homem de fé, mas, na realidade paralela, ele demonstra que não acredita em milagres. São essas diferenças entre as realidades que me agradam e muito.

Voltemos para o (F)locke. Ele encontra Sawyer curtindo sua fossa com whisky e rock and roll. Como convencer Sawyer a ir com ele? Que tal isso: “Quer saber porque você está nessa ilha?”. Claro e nós também.

A resposta para isso se encontra num buraco no meio da encosta na ilha. Há uma pedra branca e uma pedra preta equilibrando uma balança. (F)locke pega a pedra branca e a joga no mar, dizendo a Sawyer que isso é uma piada interna. Ótimo simbolismo.

Agora, a surpresa. Na parede estão os nomes dos Losties ao lado dos números. AQUELES números.

4 – Locke
8 – Reyes
15 – Ford
16 – Jarrah
23 – Shepard
42 – Kwon

Todos tiveram contato com Jacob durante suas vidas e influenciados por ele foram parar na ilha. Os números estão aí simplesmente porque Jacob “gosta de números”. Essas pessoas são os candidatos escolhidos por Jacob para protegerem a ilha. Agora, o que mais mexeu com a minha cabeça foi (F)locke dizendo que não tem nada para ser protegido, que é apenas uma ilha. Verdade ou mentira?

Outro detalhe, onde está Kate nisso tudo? Afinal, ela recebeu a visita de Jacob quando criança e estava na lista da primeira temporada.

F.A.N.T.Á.S.T.I.C.O.

FLASH-SIDEWAYS
Já me alonguei demais, portanto serei breve agora.

As cenas aqui mostram um Locke muito desapontado por viver numa cadeira de rodas. Além disso, vemos mudanças. Ele está prestes a se casar com Helen e ao que tudo indica tem um bom relacionamento com o pai. Então, como será que ele ficou paraplégico nesta realidade paralela?

Lock é demitido e desconta sua raiva em um carro amarelo. O dono do carro não é ninguém mais, ninguém menos do que Hurley. Nosso “gordinho” preferido está mesmo sortudo. John Locke não consegue nem arranhar o carrão do Hurley.

Como uma força do destino, ele encontra alguns “conhecidos”. Hurley, Rose e até Ben. Estou louco pra ver como ele e Ben vão se relacionar, já que Locke conseguiu um emprego de professor substituto no mesmo colégio em que Ben é professor de História.

Como já falei, Locke aqui não é mais um homem de fé.

Quando Rose o está ajudando a arrumar um emprego, ela diz que vai encontrar algo que ele possa fazer. Locke apenas a olha com uma cara feia, mas não diz nada. A sua famosa frase: “Não me diga o que não posso fazer” poderia ter sido usado ali, mas não foi. Ela foi usada na ilha pelo falso Locke. Estranho, não? Será que o HOMEM DE PRETO que está no corpo de Locke absorveu alguma coisa da essência do Locke?

De que maneira as coisas vão acontecer para que Locke finalmente encontre Jack? Mal posso esperar.

Preciosa – Uma História de Esperança

Título original: Precious: Based on the Novel Push by Saphire
Ano: 2009
Diretor: Lee Daniels

Vou fazer uma promessa: de agora em diante jamais irei julgar mal um filme antes de assisti-lo. Caramba, eu pensava que Preciosa seria aquele típico filme hollywoodiano que estamos cansados de assistir. Sabe aquela história água-com-açucar de uma pessoa desfavorecida que vence na vida? Achei que Preciosa fosse algo desse tipo. Me enganei.

A Preciosa do título é uma mulher COMPLETAMENTE desfavorecida. Talvez alguns não estejam preparados psicologicamente para entrar na vida dessa garota. Olha só: dezesseis anos, pobre, obesidade morbida, uma filha com Down e grávida de outra criança – ambas resultados de estupros do próprio pai -, analfabeta, humilhada na sala de aula e xingada e agredida constantemente pela mãe. É de abalar qualquer um.

Ainda bem que existem pessoas boas espalhadas pelo mundo e Preciosa recebe uma chance de mudar um pouco a sua vida. Ela é chamada para fazer parte de uma escola alternativa, na qual ela irá tentar aprender a ler e a escrever junto com outras garotas pobres. A atriz Gabourey Sidibe demonstra muito talento logo no seu primeiro papel. A cena em que ela lê o título de um livro a pedido da professora é emblemática. Eu senti a dificuldade dela. Tocante.

O legal do filme é que ele não tenta nos enganar com uma história de redenção simplista. Não vá esperando um final feliz. Espere o fundo do poço. Espere por um choque de realidade e fagulhas de esperança. Espere por uma direção visceral do Lee Daniels. O diretor fez um ótimo trabalho aqui. Ele consegue deixar toda a situação mais tenebrosa ainda.

Vocês gostam de comida? Quem não ficou com vontade de comer alguma coisa após ver filmes como Ratatouille ou Julie e Julia? Pois é. Em Preciosa, Lee Daniels transforma a comida num tipo de vilão grotesco e sujo, sem exageros.

Para finalizar, não dá para não mencionar a atuação Mo’Nique. Oscar obrigatório. Além da mulher ser uma versão feminina do Jules de Pulp Fiction – devido ao linguajar rico em palavras como “fuck” e “motherfucker” – ela tem um monólogo espetacular no final… ESPETACULAR. É de arrepiar mesmo. Não sei se você vai querer dar um tiro no meio da cabeça dela ou sentir pena. Até agora não sei o que pensar a respeito. Só essa cena já vale a indicação do filme para o Oscar.

Preciosa é um filme MUITO difícil, pesado e necessário.

Nota: 8

– B.K.

Lost S06E03 What Kate Does

E ae pessoal! Temos aqui mais um review de Lost para vocês. Este post marca o padrão que os reviews de Lost vão ter aqui no Cultura Intratecal. Espero que gostem. Spoilers só depois da foto! Confiram.

IMPRESSÕES GERAIS
Muitas pessoas vão torcer o nariz para este episódio e eu até entendo os motivos, apesar de não concordar muito. Como diz o título, a história está centrada na Kate e quem não é muito fã da moça e das suas atitudes talvez se decepcione. Não temos aqui um episódio frenético, cheio de ação e empolgante. Não. O que temos aqui é um episódio mais intimista, principalmente nas cenas em que vemos Kate e Sawyer tendo uma triste conversa e no flash-sideway da Kate em LA. Sobra espaço para o desenvolvimento da história da ilha, ainda que de maneira homeopática. O pessoal do templo começa a mostrar quem de fato eles são e o que eles pretendem fazer com Sayid. E como Lost é Lost, há uma interessante surpresa no final, envolvendo um personagem “desaparecido”.
Nota: 7

NA ILHA
Tudo começa com o Sayid voltando do mundo dos mortos. O que de fato aconteceu com ele? Como alguém que morre pode ressucitar dessa forma? Se você está curioso quanto a isso e espera uma resposta completa neste episódio, não vai encontrar. Pistas são deixadas, mas ainda não é o suficiente.

Sawyer está bem diferente. A morte de Juliet destruiu o rapaz psicologicamente. O ator Josh Holloway se mostra cada vez mais competente, transformando Sawyer num personagem circular. Parece que ele não tá mais nem aí para a Ilha e para os outros Losties. Quando ele fala “Claro que ele [sayid] está vivo! Ele torturou e matou crianças, merece estar vivo” percebemos toda a sua ira e revolta.

Ele, então, decide fugir do templo e vagar sozinho pela ilha. Quem vocês acham que vai atrás de Sawyer? Óbvio, a Kate.

O que ela pretende? Será que ela vai atrás do Sawyer por algum sentimento egoísta? Eu acho que ela de fato gosta dele e ainda se sentiu preocupada com a possibilidade dele se matar.

A conversa de Kate com Sawyer no pier é o melhor momento do episódio para mim. Sawyer assume a sua culpa e Kate percebe que provavelmente perdeu ele para sempre. Lost é um excelente seriado, pois além de trabalhar muito bem com ação, mistérios e reviravoltas, ele sabe criar e cuidar muito bem de seus personagens.

E quanto ao Sayid, Jack, Hurley e Miles no templo? É, aí que está o mistério. O líder dos outros finalmente revela o seu nome, é Dongen. Ele se mostra extremamente preocupado com a situação do Sayid e até pede ajuda para o Jack. Antigamente, Jack ia negar e jamais acreditaria nas palavras de Dogen. Afinal, ele é um homem da ciência. Mas algo está mudado em Jack e isso fica evidente aqui.

Segundo o japa, Sayid está infectado. Mas não é uma infecção comum. É algo mais sobrenatural. Seria Jacob? Seria o HOMEM de PRETO? Quem está tomando o corpo de Sayid?

Quase tão misterioso que isso é o surgimento de Claire no final do episódio. Parece que ela ficou na floresta por todo esse tempo e que foi “tomada” por algo ou alguén. Vamos descobrir mais sobre ela logo logo.

FLASH-SIDEWAY
Aqui temos a Kate fazendo o que sabe: fugir. Ela recebe ajuda de um desconhecido para tirar as algêmas e acaba se encontrando com Claire. Não só se encontra com ela, mas a leva a hospital pois as contrações da Claire iniciam-se.

No hospital, o obstreta que vai cuidar de Claire não é ninguém mais, ninguém menos do que Ethan. Aquele mesmo. Só que é um Ethan diferente. Ele é um médico atencioso, simpático, realmente cria uma empatia bacana com Claire.

Acho genial esa ideia da realidade paralela. Além de podermos ver o que os Losties fariam caso o avião não caisse, existem certas pistas e certos deja vu de que eles estão conectados com a outra realidade. Percebam o olhar que Kate dá para Claire no momento em que está diz que vai chamar o bebê de Aaron. Me deu arrepios.

Falando em bebê de Claire, uma coisa que eu curti muito no início da série foi a visita que Claire fez ao vidente. Lembram a preocupação que ele demonstrou para com o bebe, dizendo para ela não dar a criança para ninguém? Eis um mistério que nunca foi respondido. Por que diabos ele é tão importante? Creio que não teremos respostas para isso, infelizmente.

Então, como vocês viram a trama não avançou muito, mas adorei o episódio.

– Por B. Knott

A Moreninha

Autor: Joaquim Manoel de Macedo
Ano: 1884

Joaquim Manoel de Macedo estava no quinto ano da faculdade de medicina quando escreveu este livro. Como ele mesmo nos avisa no prefácio, escreveu sem pretensão alguma. O que ele queria era ocupar o tempo ocioso das férias da faculdade. O fato é que o livro deu muito certo e tornou Joaquim M. de Macedo extremamente famoso, fazendo-o largar a profissão de médico para se dedicar às letras e também à política. A Moreninha foi publicado em folhetim, portanto os cápitulos são curtos, ágeis e geralmente terminam com um certo suspense para o leitor continuar acompanhando. É considerada a primeira obra de romance urbano no Brasil. É um livro feito para o deleite da burguesia da época. Ele celebra vários valores burgueses, por isso fez tanto sucesso. A história, se formos analisar hoje em dia, é muito clichê. Augusto e alguns amigos vão passar um final de semana numa ilha e lá ele faz uma aposta com um deles. Se Augusto ficar apaixonado pela mesma mulher por mais de 15 dias ele deve escrever um livro sobre isso. Augusto é um tipo de pegador da época, extremamente volúvel nos seus relacionamentos. É uma aposta fácil. Quer dizer, seria se ele não conhecesse D. Carolina, obviamente, a Moreninha do título. Claro, é um livro bem datado, mas não deixa de ser divertido acompanhar como eram inocentes e cheios de formalidades os relacionamentos de outrora.

Joaquim M. de Macedo gozou de extrema popularidade, mas nunca evoluiu. Os críticos literários não poupam críticas nesse sentido. Todos os seus próximos livros foram pequenas alterações do seu primeiro. Sua fama começou a decair com a chegada de Machado de Assis e José de Alencar, mas ele é um autor lembrado até os dias de hoje, inclusive no vestibular!

Guerra ao Terror

Título original: The Hurt Locker
Ano: 2008
Diretor: Kathryn Bigelow

Guerra ao Terror estreia neste final de semana nos cinemas brasileiros e eu não tenho medo de recomenda-lo a todos. Este filme de guerra dirigido por Katryin Bigelow (ex-mulher de James Cameron) foi indicado a 9 Oscars, além de ter ganho vários prêmios importantes, como o Directors Guild of America. E não foi obra de marketing, pois o filme é excelente.

Nós acompanhamos a história de um esquadrão de bomba no meio da guerra do Iraque. Isso quer dizer perigo. Temos noção desse perigo logo na cena inicial, quando um soldado interpretado por Guy Pearce tem que desarmar uma bomba, mas as coisas não dão muito certo.

Um novo especialista assume o posto, trata-se do Sargento de Primeira Classe William James (Jeremy Renner). Ele personifica muito bem as legendas no início do filme, que dizem que “a guerra é uma droga”, mas droga no sentido de ser viciante. É isso mesmo. A guerra vicia. Ele me fez lembrar do clássico personagem de Robert Duvall em Apocalypse Now, que adorava sentir o cheiro de Nalpam pela manhã.

A interpretação de Jeremy Renner é digna de um astro do mais alto nível. Ele se destaca sempre que aparece na tela, como um competente e um tanto irresponsável especialista.

Este é um filme de guerra extremamente tenso. Todas os acontecimentos deixam os personagens nos seus limites e a diretora Kathryn Bigelow consegue criar uma carga de suspense muito forte. Aquela cena no meio do deserto envolvendo um Sniper inimigo é prova disso. Sentimos que a vida dos soldados está sempre por um fio e isso é um feito digno de admiração.

Temos muito suspense, ótimas atuações e cenas realmente fortes. Uma delas pode ser considerada a cena mais forte do ano, ganhando até das cenas de canibalismo de A Estrada.

Eu diria que filmes bons também são viciantes e Guerra ao Terror é um exemplo disso.

Nota: 9

– Por B. Knott

Lost S06E01-02 LA X

Alguém conseguia imaginar um melhor retorno da série do que esse? Eu, sinceramente, não. Os produtores de Lost não cansam de nos surpreender com reviravoltas e mudanças na estrutura narrativa do seriado. Mais uma vez somos brindados com algo original e extremamente intrigante. Para quem ainda não viu o episódio e não quer ter algumas surpresas estragadas, sugiro assistir e ler esse post depois. De qualquer forma, saiba que é um excelente Season Premiere.

Lost é cheio de mistérios. Alguns já foram respondidos, outros talvez nunca sejam. O que todos queríamos saber no final da quinta temporada era se a bomba de hidrôgenio tinha funcionado. A resposta? Sim e não.

Jack, Kate, Sawyer e todos os outros queridos Losties estão no avião da oceanic, voltando de Sydney. O avião não cai, Desmond senta do lado de Jack e temos uma tomada que revela a ilha totalmente submersa, com tudo bem destruído. Eles desembarcam. O plano deu certo.

Jack, Sawyer, Kate estão na ilha depois da explosão. Tudo parece como antes. Julliet morrendo, Sayid sangrando até a morte. A diferença é que avançaram no tempo, mas o plano não deu certo.

E agora? O que é real? Qual é a realidade alternativa, se é que existe uma? Muito tem se falado que todo a sequência do LA X não passaa de uma realidade alternativa, mas acredito que as duas coisas podem estar acontecendo ao mesmo tempo, como se fosse uma dimensão paralela. Loucura, eu sei, mas quem disse que Lost não permite esse tipo de coisa?

É bacana ver os Losties fora da ilha, vivendo como se nada tivesse acontecido. Mas, se olharmos de perto, veremos algumas mudanças. Por exemplo: Jack parece um tanto diferente. Ele tem uma conversa reveladora com Locke e uma das coisas que Jack diz é: “Nada é irreversível”. Algo que não seria normal de sair da boca do antigo Jack, o homem da ciência. Hugo não é mais o cara mais azarado do mundo e sim o mais sortudo. Lock fez o seu walkabout e Shannon não voltou da Austrália com Boone.

Foi muito legal ver Boone novamente, principalmente conversando com Locke. Afinal, os dois tiveram uma ligação forte na primeira temporada. E outros personagens aparecem, como o Charlie e a Claire.

E dentro da ilha as coisas estão pegando fogo. O Homem de Preto finalmente encontrou a chance que queria para matar Jacob e o que será que isso vai acarretar? São mistérios que devem ser respondidos com a continuação dessa temporada.

Jacob aparece para o Hugo dizendo que ele tem que levar Sayid até o templo. Que templo? Uma pirâmide na qual reside um tipo de um samurai e sua trupe. Surreal, ok. O fato é que é de extrema importância que Sayid seja levado até lá e ao meu ver, é possível que Jacob reencarne no corpo de Sayid. Não seria surpresa esse tipo de coisa. O diálogo que Locke tem com Jack a respeito do corpo do pai de Jack pode ser uma pista de que reencarnação é um assunto que poderá ser abordado aqui.

Enfim, acho que flashbacks e flashforwards vão ser deixados para trás. Agora temos duas realidades e acredito que, de uma forma ou de outra, elas vão se conectar. Parece meio impossível, mas não para Lost.

Ótimo retorno e mal posso esperar pelo episódio seguinte.

O Equilibrista

Título original: Man on Wire
Ano: 2008
Diretor: James Marsh

Philippe Petit estava em um consultório odontológico, aguardando a sua vez de ser atendido, quando viu em uma revista algo esplêndido: o futuro World Trade Center. As torres gêmeas nem haviam sido construídas ainda, mas tiveram um grande efeito no rapaz. Philippe Petit iria conquistar as duas torres. Não importava quando, mas um dia ele iria de uma torre a outra em um cabo de aço! Dá para imaginar uma coisas dessas?

O filme recria toda a dificuldade que Petit e seus amigos tiveram para conseguir realizar essa façanha. Afinal, para Petit poder fazer a travessia, eles teriam que levar um equipamento pesadíssimo para ambas as torres e em segredo. O diretor James Marsh coloca suspense em quase todas as partes desse processo, mantendo um clima de tensão fabuloso. O próprio Petit conta a sua história e de uma maneira muito agradável. Ele é um excelente contador de histórias, ele fala e você presta atenção, você se sente hipnotizado pelas suas palavras e é claro, pelos seus atos. Antes de chegar ao clímax, vemos Petit fazendo o que sabe em outros lugares, como Notre Dame e na Austrália. Tudo com uma trilha sonora linda e uma fotografia magnífica.

Mas estamos ansiosos para as torres gêmeas! Como o filme é muito bem dirigido o tempo passa voando e rapidamente estamos com Petit no momento derradeiro. Quando ele tem que decidir se transfere o pé da ponta do edíficio para a corda… congelamos. Nossa. Que magnífico. Que inspirador! Ver essas imagens, juntamente com a trilha sonora, torna tudo muito poético, parece um sonho ver alguém andando naquelas alturas. Eu me senti motivado, me sentido tocado por essa história. Fico imaginando o que as pessoas que acompanharam in loco sentiram.

Por alguns instantes esquecemos que as torres não estão mais lá.

Nota: 9,5

– Por B. Knott

Invictus

Título original: Invictus
Ano: 2009
Diretor: Clint Eastwood

O período é o ínicio dos anos 90 e o local é a África do Sul. O apartheid chega ao fim e Nelson Mandela (Freeman) acaba de vencer a  eleição presidencial. Não demora para ele perceber que não vai ser fácil para brancos e negros viverem cordialmente, pois as rusgas do apartheid ainda persistem. Como unir uma nação que precisa se reerguer dentro e fora das suas fronteiras? O rugbi! Um esporte cujos adeptos na África do Sul eram predominantemente brancos. Uma missão díficil, mas como a Copa do Mundo de Rugbi de 1995 seria disputada no país, porque não tentar usar a seleção nacional para unir o povo?

Clint Eastwood, um diretor que eu admiro MUITO, pegou esse rico material e o transformou num bom filme, mas nada extraordinário. O Sr. Eastwood estava numa sequência espetacular desde Sobre Meninos e Lobos e agora fez o seu trabalho mais fraco. Mas… o que não funcionou? Apesar de ser um filme relativamente longo, faltou explorar melhor algumas coisas e decidir os caminhos a serem tomados. É um filme sobre a vida de Mandela e sua maneira de fazer política ou é filme de esportes, tendo como personagem principal François Piennar, o capitão do time de rugbi da África do sul? É possível que você se sinta inspirado com toda a história do filme, mas sinto que Eastwood poderia ter feito algo mais impactante, com pitadas de originalidade. O único momento em que eu pensei: Wow, este é o Sr. Eastwood! foi na final da copa, quando ele realiza tomadas espetaculares do jogo, mostrando que conhece o esporte.

A atuação de Freeman é ótima. Ele lembra fisicamente o Mandela e consegue captar seus trejeitos e criar um sotaque semelhante. Fiquei bastante comovido com certas atitudes do Mandela, como doar uma parte do seu salário para caridade e também a forma como ele tratava seus empregados, sempre com muita cordialidade e afeto. Freeman passou esse jeito do Mandela de uma forma muito convincente. Acredito em uma indicação no Oscar para ele, mas não uma vitória, afinal temos trabalhos melhores por aí, como o do Jeff Bridges e Jeremy Renner (Guerra ao Terror). Matton Damon incorpora bem o espírito do capitão François, que tinha que motivar um time um tanto desacreditado.

É um bom filme, dirigido de maneira correta, mas que empolga apenas no final. Há alguns deslizes além dos que já falei, como a escolha de músicas extremamente melosas, mas no geral é mais um acerto do Eastwood. Qual será o próximo?

Nota: 7

– Por B. Knott (obs: primeiro post em parceria com o Geração Internet)

Dom Quixote

Autor: Miguel de Cervantes y Saavedra
Ano: 1610

Obviamente não tenho a pretensão de fazer uma crítica propriamente dita sobre essa obra, pois ela já foi tão debatida e é tão admirada que tudo o que eu falar é  irrelevante. Vou apenas fazer alguns comentários. Bom, eu geralmente leio rápido. Sou um leitor um tanto voraz. No máximo uma semana para ler a maioria dos livros. Dom Quixote precisou de 23 dias de leitura. E gostei de 90% dele. Demorei pois  não é um livro fácil, principalmente por ser antigo, com um estilo de escrita característico. Ele precisa de concentração. Não é um livro pra ser lido na areia da praia ou dentro de um ônibus.  Quando você se acostuma com o livro, você toma gosto pela leitura. O fato é que o Dom Quixote e o Sancho Pança são personagens extremamente cativantes e interessantes, mesmo sendo tão diferentes. Cervantes cria esses fantásticos personagens e os coloca em situações muito engraçadas, afinal é um livro que faz humor com os antigos cavaleiros andantes, que já estavam um tanto esquecidos na época. São várias as passagens marcantes, como a muito famosa luta entre Dom Quixote contra os moinhos de vento e outras, como o exército de cabras, a libertação dos presos, o afogamento, o duelo com um leão, o “voo” no cavalo, a cova de montesinos e a lista continua… É impossível não se admirar com tudo que envolve O Cavaleiro da Triste Figura. Ele era corajoso, queria ajudar os oprimidos, guardava um amor intenso e platônico por uma suposta Dulcineia, era justo, era inteligente e também completamente louco. Sancho Pança e sua metralhadora de provérbios também não é algo fácil de esquecer. Precisaria de MUITO tempo para escrever sobre os vários temas que o livro aborda, só digo que não você não precisa ter medo de encarar Dom Quixote.  O “esforço” vale a pena.