Crítica | A Grande Muralha

A Grande Muralha é mais um exemplo de como o lado ruim de Hollywood pode ser nocivo para um ótimo diretor. Se considerarmos o invejável currículo de Yimou Zhang, com filmes como Lanternas Vermelhas, Herói e O Clã das Adagas Voadoras, chega a ser deprimente vê-lo por trás de um trabalho tão insosso e descartável como esse.

Sem se preocupar em desenvolver minimamente a trama, em poucos instantes o roteiro nos coloca na companhia de dois ocidentais fazendo parte de uma batalha no oriente. Um exército que fica na muralha da China é responsável por conter a investida de monstros beligerantes a cada 60 anos. E chegou a hora de mais um confronto.

E é isso. Só isso. Por praticamente todo o filme o que vemos é uma sucessão de cenas de batalhas recheadas de um CGI que deixa tudo extremamente artificial. Com tanta computação gráfica e quase nada de trama, a nossa imersão inexiste. Eventualmente há uma ou outra sequência em que a fotografia se destaca, muito pelos contrastes dos figurinos dos soldados e por suas ousadias pouco verossímeis. Pendurar-se em uma corda e usar uma lança pra abater um monstro no meio de centenas de milhares pode parecer bonito na tela, mas é algo inteligente a se fazer? Inteligência é algo que passou longe desse de A Grande Muralha.

Como desgraça pouca é bobagem, as atuações ficaram bem abaixo do que se esperaria. Matt Damon está em um piloto automático irritante e Willem Dafoe é presença nula. Os únicos que trazem um pouco de dignidade para o filme foram Tian Jing e Pedro Pascal.

A união entre China, Hollywood e monstros assassinos nos oferece apenas uma colossal perda de tempo.

4/10

Resenha de Livro | Salem

Publicado em 1975, Salem é o segundo romance de Stephen King. O autor chamou a atenção com Carrie e havia uma boa expectativa em relação a sequência do seu trabalho. Mais de 40 anos depois não há como esconder que se trata de um livro sobre vampiros. Para vocês terem uma ideia, no Brasil ele já foi chamado de A Hora do Vampiro, uma estratégia de marketing que na realidade é um grande spoiler. O ideal seria ler e descobrir aos poucos. De qualquer forma, isso não tira os pontos positivos do livro.

A primeira parte de Salem tem um ritmo mais cadenciado. King cria um grande painel da cidade de Jerusalem Lot e desenvolve vários personagens, sempre de maneira concisa e intrigante.

Ben Mears é um escritor que cresceu em Salem e agora está de volta à cidade. Ele sofreu um trauma importante na infância quando foi provar sua coragem na sombria casa Marsten e parece estar em busca de algumas respostas. Mas não é apenas Ben Mears que chega nessa pacata cidadezinha do interior norte-americano. Kurt Barlow e Richard Straker também estão na região e decidem investir em uma loja de móveis antigos.

E aí coisas cada vez mais estranhas começam a acontecer. Um cachorro empalado, crianças desaparecendo e mortes repentinas trazem o medo e as dúvidas. O que diabos está acontecendo? Como aceitar que algo que vai contra o bom senso pode ser responsável por tudo isso?

Vamos percebendo o perigo maléfico tomando conta da cidade e de seus habitantes. Inicialmente, pequenos detalhes dão indícios sobre qual é esse perigo. O tom de urgência vai ficando cada vez maior, culminando em um inevitável confronto do bem contra o mal. Água benta, crucifixos e estacas de madeira serão extremamente úteis.

Salem tem mistério, um ar de aventura, suspense, terror e até um pouco de romance. É uma ótima opção caso você nunca tenha lido nada de Stephen King. E sugiro memorizar alguns personagens e situações, pois eles serão retomados posteriormente no cultuado A Torre Negra. Testemunhamos aqui um autor trilhando com autoridade o caminho do sucesso.

Brightburn – Filho das Trevas | Crítica

E se o Superman usasse os seus poderes para praticar o mal? É basicamente essa a ideia de Brightburn, uma bem-vinda surpresa que subverte um gênero carente de originalidade.

A premissa tinha potencial para fazer do filme algo realmente memorável, mas algumas decisões equivocadas do roteiro e o ritmo apressado foram minando essa possibilidade.

Primeiro de tudo: por que revelar a origem de Brandon Breyer logo de cara? Seria muito mais intrigante se houvesse uma dúvida sobre quem ele realmente é. Outra coisa que atrapalha a experiência é o fato do garoto começar a praticar seus atos cruéis quase que de uma hora para outra. Faltou desenvolver isso de uma maneira mais natural.

Mas os acertos superam os erros. A atmosfera de terror vai ganhando forma e culmina em algumas cenas do mais puro gore. Confesso que não esperava ver aqui situações dignas de causar tamanho desconforto. E isso é um belo acerto do filme, ainda mais considerando o orçamento enxuto.

Como reagir diante de um filho que começa a cometer atrocidades e que possui poderes incalculáveis? Competente atuação de Elizabeth Banks que transmite bem o misto de sentimentos de uma mãe que se encontra nessa posição. Brightburn surpreende por também investir nesse lado mais emocional e não apenas no suspense e violência.

Resenha de Livro: Toda Luz Que Não Podemos Ver

Como é bom saber que a Segunda Guerra Mundial ainda pode ser abordada na literatura com um frescor de originalidade. Não foi à toa que Anthony Doerr recebeu o pulitzer de ficção em 2015 por este ótimo Toda Luz que Não Podemos Ver.

O livro possui capítulos extremamente curtos, alguns com apenas uma página. Geralmente, um capítulo é dedicado a garota francesa cega Marie-Laure e o seguinte ao menino alemão Werner.

A história se passa um pouco antes, durante e até após a Segunda Guerra. Marie-Laure vive com o pai em uma Paris que se encontra ocupada pelos alemães. Buscando melhor sorte, os dois partem para a pequena Saint-Malo. Werner desde pequeno mostra habilidade com reparos em rádios e transmissores e logo é convocado para a escola da Juventude Hitlerista.

Fica claro que em algum momento o caminho dos dois irá se cruzar, mas não sabemos quando e nem em quais circunstâncias.

Os capítulos enxutos e a escrita acessível fazem de Toda Luz que Não Podemos Ver um daqueles livros que devoramos rapidamente. Anthony Doerr consegue criar belas metáforas e descrever várias situações utilizando poucas palavras. Cada sentença parece ter sido lapidada com extrema dedicação.

Algumas passagens são realmente marcantes. Particularmente, todo o contexto envolvendo a amizade de Werner com Frederick me comoveu. Em meio a vários monstros fabricados pela Juventude Hitlerista haviam garotos repletos de sensibilidade que foram obrigados a estar ali.

Quantas vidas cheias de potencial foram abreviadas por algo absurdo como a guerra? É uma das reflexões que podemos fazer ao longo das 500 e poucas páginas.

Apesar de ter aproveitado a maior parte do livro, senti uma pequena decepção no final da leitura. Basicamente, estava esperando muito mais do encontro dos dois personagens principais. Ficou aquela sensação de uma bela oportunidade perdida. Faltou pouco para Toda Luz Que Não Podemos Ver entrar para o seleto grupo das obras-primas do século XXI.

A Mula (2018) | Crítica

Poucos diretores tem uma filmografia tão sólida como Clint Eastwood. Menina de Ouro, Sobre Meninos e Lobos, Gran Torino, Os Imperdoáveis, As Pontes de Madison, Cartas de Iwo Jimma e Um Mundo Perfeito são realizações de alguém que realmente sabe contar uma história envolvente e marcante. A Mula peca justamente por não ter essas virtudes essenciais para um filme.

Baseado em fatos reais, o filme nos mostra como um senhorzinho de 90 anos parou de trabalhar com flores e passou a colaborar com o cartel mexicano. É isso mesmo. Earl Stone é um homem de outro século e de bom coração que vê o seu negócio ir à falência. Nada mais natural do que servir de mula para narcotraficantes, não é?

Ele é bizarramente abordado por um homem na festa de noivado da neta com essa proposta. E ele aceita. Passamos a acompanhar Earl dirigindo sua caminhonete pelas estradas americanas carregando quilos de cocaína e passando por vários contratempos.

Além dessa linha narrativa principal, temos sequências com a família de Earl – quase sempre negligenciada por ele – e também o ponto de vista de dois agentes do DEA que estão tentando encontrar a tal mula que está batendo recordes.

Earl na estrada transportando cocaína como se fosse sacos de batata rende bons momentos, mas o drama familiar e as cenas com os policiais são irregulares. Eastwood se lembrou de seus tempos de cowboy do cinema e atirou para todos os lados. Só faltou acertar o alvo. Os diálogos expositivos e as situações forçadas também não colaboram.

Eastwood comanda o filme com segurança, mas sem qualquer brilho. Ainda que A Mula seja um entretenimento de relativa qualidade, a trama está bem longe de nos envolver. Não há impacto e nem clímax. Ficam apenas as divertidas imagens de um velhinho cantarolando músicas antigas e fazendo piadas politicamente incorretas enquanto executa o seu novo ‘trabalho’.

É pouco para alguém com uma carreira tão rica.

Nota: 6

 

Chernobyl 1×02 – Please Remain Calm | Crítica

Depois do intenso e inesquecível pesadelo que foi o primeiro episódio, Please Remain Calm nos mostra o alto escalão soviético ainda tentando compreender a magnitude do que aconteceu em Chernobyl. É revoltante ver como muitos ainda queriam fazer vistas grossas diante do perigo de tudo aquilo. O professor Valery Legasov basicamente tem que pedir desculpas para explicar a urgência da situação.

Em um diálogo que serve para que o público leigo (como eu) tenha uma ideia de como funciona uma usina nuclear, Valery convence o vice-presidente do Conselho de Ministros Boris Shcherbina da ameaça que toma conta da atmosfera do leste europeu.

Mas esse desastre pode alcançar proporções ainda maiores. A física Ulana Khomyuk explica que uma nova e ainda maior explosão pode ocorrer se medidas urgentes não forem tomadas.

Três pessoas terão que se sacrificar pela nação. A ideia é entrar na usina para abrir as válvulas e esvaziar o tanque. Conseguimos ter uma noção do que esses três sentiram ao colocar seus pés na água radioativa. Novamente, a tensão é trabalhada com maestria, culminando em uma cena final de deixar qualquer um aflito.

Please Remain Calm também mostrou a situação do hospital local repleto de pacientes com os mais variados sintomas da radiação. Caos total.

E que tal toda uma cidade ter que ser evacuada por causa da explosão? As pessoas simplesmente tiveram que abandonar tudo o mais rápido possível graças a incompetência dos responsáveis pela usina.

A ideia de construir uma usina nuclear para se impor perante o resto do mundo já é condenável, mas tão ruim quanto isso é não possuir alguma estratégia definida para diminuir o impacto de um desastre. Bom, com tanta negligência e desinformação isso deveria ser a última preocupação dos responsáveis pela usina.

A minissérie Chernobyl está funcionando tanto como drama como um lembrete de como aqueles que estão no comando quase sempre são os menos preparados para tal.

Nota: 8

Chernobyl 1×01 – 1:23:45 | Crítica

A estreia de Chernobyl não poderia ser mais promissora. A aposta da HBO para preencher o vazio após o final de Game of Thrones já me conquistou. Pena que é uma minissérie de apenas cinco episódios. Vou ver aos poucos para aproveitar bem. Me recuso a maratonar uma minissérie como essa.

O desastre de Chernobyl se inicia com a explosão do reator nuclear número 4. A falta de informações e a negligência dos superiores faz tudo ser mais caótico e revoltante. Os efeitos da radiação começam a ser sentidos e uma angustiante atmosfera de pesadelo toma conta.

Graças a um absurdo descaso, a esmagadora maioria não sabia que estava colocando sua vida em risco por estar no local. O importante para os engravatados era abafar o desastre e manter as aparências de uma já decadente União Soviética.

As sequências que se seguem a explosão são dignas dos melhores filmes de terror e suspense. Por estarmos diante de um evento real, tudo se torna ainda mais assustador.

A última cena mostrando as pessoas de Pripyat vivendo suas rotinas normalmente enquanto o impacto da radiação se aproxima é perturbadora. Mas mais perturbador ainda é ver como agiram as supostas autoridades.

Este primeiro episódio não se preocupou tanto em desenvolver os personagens principais. O objetivo era nos transportar para os arredores de Pripyat quando o caos nuclear se iniciou. E claro, isso foi feito com maestria.

Vem mais coisas boas por aí.

Nota: 9

Sorte no Amor (Bull Durham, 1988) | Crítica

Se fizermos um levantamento sobre filmes de esportes vamos perceber que a maioria tem uma qualidade duvidosa. Particularmente, sou apreciador do gênero, apesar de ele geralmente me decepcionar.

Sorte no Amor (que de agora em diante chamarei pelo título original) é um filme que tem um grande número de admiradores, principalmente americanos. Será que é porque eles amam baseball? Pode ser.

O fato é que pouco me envolvi com essa tresloucada mistura de comédia, romance, esporte e um tiquinho de drama. O diretor Ron Shelton foi jogador de baseball nas ligas menores, então há autenticidade em várias sequências. Pena que elas não são uma constante.

Nuke LaLoosh é o novo arremessador dos Durham Bulls, um time que participa de algo que seria equivalente a quarta divisão do futebol brasileiro. Ele é uma promessa, um verdadeiro diamante bruto. O braço tem a potência de um canhão, mas suas decisões são as piores possíveis e isso tanto dentro como fora de campo. A comissão técnica contrata um jogador experiente para servir de mentor para o jovem Nuke. Crash Davis chega ao time com uma boa bagagem. Agora tudo depende de os dois se darem bem.

Quem está dividida em relação a Crash e Nuke é Annie Savoy. Fanática por baseball, ela tem o costume de se relacionar com o melhor jogador do time por uma temporada, todos os anos. Quem ela irá escolher desta vez?

Bull Durham acerta em cheio ao nos coloca no do dia a dia de um time das ligas menores de baseball. O atleta enraivecido ao ser mandado embora, o lado supersticioso dos jogadores e a decepção por não ter aproveitado a chance na elite são algumas das situações que o filme aborda com qualidade.

Mas o brilho acaba aí.

O triângulo amoroso não é nada inspirado e bem caricatural. O objetivo era claramente esse, mas infelizmente isso me afastou bastante da trama. Os diálogos um tanto absurdos também não colaboraram. Às vezes achava que estava diante de um filme feito para TV.

O filme diverte com algumas piadas e acerta em alguns detalhes do esporte, mas a mistura de gêneros e o romance novelesco atrapalham bastante. Sinceramente, tenho dificuldade de entender a presença de Bull Durham no livro 1001 filmes para ver antes de morrer.

Na época do lançamento, criou-se uma boa expectativa para o diretor Ron Shelton. Ele até acertou a mão em Homens Brancos Não Sabem Enterrar, mas depois disso foi colecionando desastres. Bull Durham era um indício e muitos não sabiam.

Nota: 6

Crítica: It’s Bruno!

É o Bruno é um seriado despretensioso que pode agradar principalmente aos que gostam de cachorros. São apenas 8 episódios de mais ou menos 15 minutos, o que faz de É o Bruno uma boa opção para se assistir antes de dormir. Bom, pelo menos por uma semana. A ideia é nos fazer rir com boas doses de ironia e de situações exageradas. Muito do que vemos aqui é engraçado por soar absurdo, mas bem sabemos que muitos tratam seus cães como seus próprios filhos. Malcom é um rapaz enfezado que vive em função de seu cão, o extremamente simpático Bruno. Ele faz de tudo pelo cãozinho, inclusive extrapolando o bom senso. Nesses 8 episódios enfrentam desde uma ida ao mercado local em busca de peito de peru até um sequestro, claro que tudo com uma pegada leve e divertida. É uma pena que em dado momento o roteiro invista em um vilão em vez de explorar situações mais comuns com ironia. No geral, é mais um acerto de uma ousada Netflix.

Nota:

Crítica: O Preço de um Homem (1953)

A parceria entre o diretor Anthoy Mann e James Stewart rendeu cinco filmes e muitos apontam O Preço de um Homem como o melhor deles. Não é difícil de entender o porquê.

Este é um western que possui atrativos não tão comuns dentro do gênero. Há muito pouco de bang bang, nada de duelos, saloons ou jogos de pôquer. Mais do que investir em ação, a trama se concentra no dilema moral que o nosso herói deve enfrentar e toda a tensão entre os cinco personagens.

Howard Kemp está na caça do fora da lei Ben Vadergroat pela recompensa de 5 mil dólares. Com essa grana ele quer reaver a terra que perdeu durante a Guerra Civil Americana graças a traição da ex-mulher.

Kemp irá contar com a ajuda de um garimpeiro e de um soldado que foi expulso do corpo militar. Logo nas primeiras cenas o trio consegue capturar Ben, que estava na companhia da jovem Lina Patch.

A jornada pelas montanhas rochosas com Ben planejando maneiras de escapar é muito mais complexa que a captura. Cada um dos cinco tem suas motivações e o resultado final é imprevisível. O jogo psicológico se faz presente com certa qualidade.

Assim como Kemp somos estimulados a refletir se é justo tirar a vida de alguém para benefício próprio. O mundo do velho oeste não era fácil.

Ainda que o Preço de um Homem ofereça uma história mais densa e atuações inspiradas, ele acaba pecando em seu final abrupto e não tão verossímil se analisarmos todo o contexto.

De qualquer forma, o filme permanece como uma obra digna de nota para quem aprecia o gênero.

Nota:

Crítica: A Favorita (2018)

A Favorita é o filme mais acessível do diretor grego Yorgos Lanthimos, mas também é a sua obra menos impactante. Isso não quer dizer que trata-se de um filme ruim, longe disso. A trama nos mostra um triângulo amoroso entre a rainha Anne, a Lady Sarah e uma recém chegada na corte chamada Abigail. Aos poucos percebemos que Lady Sarah e Abigal são capazes de tudo para caírem nas graças da rainha. Ambas podem ser solicitas, manipuladoras ou vingativas. Tudo isso se passa no contexto de uma Inglaterra do Século XVIII enfrentando dificuldades políticas e sociais. Esse lado histórico fica em segundo plano, mas propicia momentos inspirados de um humor negro e satírico. Com uma recriação de época exemplar, uma fotografia que ajuda a transmitir o sentimento das personagens e atuações de primeira grandeza de Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Watson é óbvio que existe muita coisa para se admirar em A Favorita. É uma pena constatar a ausência de momentos realmente memoráveis. Faltou aquele algo a mais que fazem filmes como Amadeus e Bary Lyndon serem admirados por décadas.

Nota: 7

Crítica: Os Donos da Rua (1991)

A carreira do já saudoso diretor John Singleton não atingiu o nível que se esperava, mas ninguém irá tirar o mérito da pequena obra-prima chamada Os Donos da Rua. Este é um poderoso retrato do cotidiano de um bairro de Los Angeles em que a maior parte da população é negra. Pobreza, brigas, corpos apodrecendo nas vielas, tráfico e balas perdidas fazem da vida ali um absurdo desafio. Entramos nesse mundo a partir da perspectiva de Tre Styles, um jovem promissor que precisa dançar conforme a música, assim como todos. Ele e seus amigos não apenas se preocupam com as coisas normais dos jovens, mas precisam também pisar em ovos para não se tornarem mais uma estatística. A crítica social é forte e eficiente em Os Donos da Rua. Trata-se de um filme-denúncia cuja mensagem é cada vez mais relevante. O roteiro bem escrito e as atuações destacadas de Cuba Gooding Jr., Ice Cube e Tyra Ferrell foram essenciais para sua longevidade.

Nota: 9