O Equilibrista

Título original: Man on Wire
Ano: 2008
Diretor: James Marsh

Philippe Petit estava em um consultório odontológico, aguardando a sua vez de ser atendido, quando viu em uma revista algo esplêndido: o futuro World Trade Center. As torres gêmeas nem haviam sido construídas ainda, mas tiveram um grande efeito no rapaz. Philippe Petit iria conquistar as duas torres. Não importava quando, mas um dia ele iria de uma torre a outra em um cabo de aço! Dá para imaginar uma coisas dessas?

O filme recria toda a dificuldade que Petit e seus amigos tiveram para conseguir realizar essa façanha. Afinal, para Petit poder fazer a travessia, eles teriam que levar um equipamento pesadíssimo para ambas as torres e em segredo. O diretor James Marsh coloca suspense em quase todas as partes desse processo, mantendo um clima de tensão fabuloso. O próprio Petit conta a sua história e de uma maneira muito agradável. Ele é um excelente contador de histórias, ele fala e você presta atenção, você se sente hipnotizado pelas suas palavras e é claro, pelos seus atos. Antes de chegar ao clímax, vemos Petit fazendo o que sabe em outros lugares, como Notre Dame e na Austrália. Tudo com uma trilha sonora linda e uma fotografia magnífica.

Mas estamos ansiosos para as torres gêmeas! Como o filme é muito bem dirigido o tempo passa voando e rapidamente estamos com Petit no momento derradeiro. Quando ele tem que decidir se transfere o pé da ponta do edíficio para a corda… congelamos. Nossa. Que magnífico. Que inspirador! Ver essas imagens, juntamente com a trilha sonora, torna tudo muito poético, parece um sonho ver alguém andando naquelas alturas. Eu me senti motivado, me sentido tocado por essa história. Fico imaginando o que as pessoas que acompanharam in loco sentiram.

Por alguns instantes esquecemos que as torres não estão mais lá.

Nota: 9,5

– Por B. Knott

Invictus

Título original: Invictus
Ano: 2009
Diretor: Clint Eastwood

O período é o ínicio dos anos 90 e o local é a África do Sul. O apartheid chega ao fim e Nelson Mandela (Freeman) acaba de vencer a  eleição presidencial. Não demora para ele perceber que não vai ser fácil para brancos e negros viverem cordialmente, pois as rusgas do apartheid ainda persistem. Como unir uma nação que precisa se reerguer dentro e fora das suas fronteiras? O rugbi! Um esporte cujos adeptos na África do Sul eram predominantemente brancos. Uma missão díficil, mas como a Copa do Mundo de Rugbi de 1995 seria disputada no país, porque não tentar usar a seleção nacional para unir o povo?

Clint Eastwood, um diretor que eu admiro MUITO, pegou esse rico material e o transformou num bom filme, mas nada extraordinário. O Sr. Eastwood estava numa sequência espetacular desde Sobre Meninos e Lobos e agora fez o seu trabalho mais fraco. Mas… o que não funcionou? Apesar de ser um filme relativamente longo, faltou explorar melhor algumas coisas e decidir os caminhos a serem tomados. É um filme sobre a vida de Mandela e sua maneira de fazer política ou é filme de esportes, tendo como personagem principal François Piennar, o capitão do time de rugbi da África do sul? É possível que você se sinta inspirado com toda a história do filme, mas sinto que Eastwood poderia ter feito algo mais impactante, com pitadas de originalidade. O único momento em que eu pensei: Wow, este é o Sr. Eastwood! foi na final da copa, quando ele realiza tomadas espetaculares do jogo, mostrando que conhece o esporte.

A atuação de Freeman é ótima. Ele lembra fisicamente o Mandela e consegue captar seus trejeitos e criar um sotaque semelhante. Fiquei bastante comovido com certas atitudes do Mandela, como doar uma parte do seu salário para caridade e também a forma como ele tratava seus empregados, sempre com muita cordialidade e afeto. Freeman passou esse jeito do Mandela de uma forma muito convincente. Acredito em uma indicação no Oscar para ele, mas não uma vitória, afinal temos trabalhos melhores por aí, como o do Jeff Bridges e Jeremy Renner (Guerra ao Terror). Matton Damon incorpora bem o espírito do capitão François, que tinha que motivar um time um tanto desacreditado.

É um bom filme, dirigido de maneira correta, mas que empolga apenas no final. Há alguns deslizes além dos que já falei, como a escolha de músicas extremamente melosas, mas no geral é mais um acerto do Eastwood. Qual será o próximo?

Nota: 7

– Por B. Knott (obs: primeiro post em parceria com o Geração Internet)

Amor Sem Escalas

Título original: Up In The Air
Ano: 2009
Diretor: Jason Reitman

Ryan Bingham (George Clooney) tem um emprego complicado. Ele é contratado para fazer demissões. Quando um chefe não tem coragem suficiente para demitir seus próprios empregados ele recorre a pessoas como Ryan. Acompanhamos várias demissões realizadas por ele e percebemos que não é fácil. A reação dos demitidos varia, mas todas são passadas de uma maneira extremamente convincente, mesmo porque alguns não são atores de verdade, são pessoas comuns compartilhando um dos piores momentos da vida.  No mínimo, tocante. Ter esse emprego faz de Ryan um viajante. Ele é um colecionador de milhas aéreas e é muito interessante acompanhar a rotina dele nos aeroportos e nos hoteis. Isso tudo faz Ryan ser como é. Um cara que quase não para em casa e que não tem tempo para criar conexões fortes com alguém. Ele não tem mulher, não tem filhos e está feliz assim.

Sua rotina tão amada está prestes a virar passado, pois Natalie Keener – uma nova funcionária da empresa – tem uma ideia que vai aumentar os lucros: ao invés de viajar até uma cidade distante para demitir alguém, porque não fazer isso via internet, por uma video conferência? O Chefe gosta da ideia e está irredutível. Mas antes, ele pede para Ryan treinar a moça da maneira antiga, isto é, frente a frente com demitido.

Vamos lá. Primeiramente quero dizer que aproveitei cada minuto desse filme. Sabe quando nem vemos o tempo passar? Aconteceu comigo aqui. Ele é tão agradável, feito com tanta inteligência e habilidade que você tem que se render a ele. Muitas coisas são abordadas, desde ironias relacionadss a ambição sem limites que temos no trabalho, como situações que nos fazem pensar sobre a nossa própria vida. Será que fazemos o que gostamos? Estamos felizes? É importante ter alguém ao seu lado para compartilhar experiências? Ele consegue nos fazer rir e nos emocionar de uma maneira sincera.

George Clooney merece ser indicado ao Oscar, pois o que ele conseguiu em Amor Sem Escalas é algo espetacular. Um exemplo é a cena em que ele tem que incentivar o seu cunhado a casar, mesmo indo contra a sua filosofia de vida. Percebam as discretas reações do Clooney quando o cunhando fala do que o aguarda após um casamento. Excelente. As músicas ajudam a aumentar a qualidade das cenas, pois foram colocadas de maneira precisa, nos momentos certos.

É um feel good movie? Não exatamente, mas é difícil não sair com um sorriso da sessão.

Nota: 9

– Por B. Knott

Premonição 4

Título original: The Final Destination
Ano: 2009
Diretor: David R. Ellis

A expectativa para o filme era a menor possível, queria apenas me divertir com as mortes, torcer para que elas fossem suficientemente macabras, engraçadas e bem montadas. Será que tive o que queria? É basicamente uma repetição dos filmes anteriores, mas aqui o início se dá em um autódromo, em meio a uma corrida da stock car (acho eu). Um grupo de amigos está lá de bobeira, tomando um gim, comendo uma ruffles e assim por diante, até que um deles começa a ver coisas estranhas, alguns sinais de que algo de errado vai acontecer e ACONTECE. Um pequeno objeto provoca uma catástrofe e aí bum…. FOI UMA VISÃO, um aviso!

Repetitivo, eu sei. Exatamente como os outros, mas era o esperado. A Dona Morte fica brabinha por algum bobão ter enganando ela e aí os que escaparam vão morrer em breve. É questão de tempo.

Ok. O que a gente espera quando vai assistir a um filme desses? Mortes bem boladas e com um mínimo de qualidade nos efeitos especiais. Mas não é bem isso que temos aqui. Grande parte das mortes acabam não empolgando e se tornam um tanto previsíveis. No filme anterior tivemos momentos marcantes, que te deixavam arrepiado e que tinham uma certa dose de suspense, mas Premonição 4 parece brincadeira de criança. Achei estranho, pois o diretor David R. Ellis dirigiu o Premonição 2 e o divertido Serpentes a Bordo. Quanto a atuação, dessa vez os caras se superaram ao escolher os piores atores possíveis, do nível de malhação e fica complicado aguentar algumas cenas, pelo menos são apenas 82 minutos. A única exceção fica pelo ator Mykelti Williamson, que é competente e confere um pouco de dignidade nesse quesito.

No geral, vale pela Shantel VanSanten e o seu “pijama” e por uma cena envolvendo um cinema 3D e uma explosão. É uma amostra do 3D sem limites, é o momento mais divertido e inspirado do filme. Vale a grana para ver no cinema? Hmmm ai você decide. Mas te dou uma dica valiosa…

FUJA.

Nota: 4 (de 1 a 10)

– Por B. Knott

Os melhores vencedores do Globo de Ouro

Este post marca a estreia de um novo integrante no Cultura Intratecal. Felipe M, AB vai se juntar a mim nesse desafio que é criar e manter um blog sobre cinema, músicas, livros e seriados.

Como o Globo de Ouro ocorrerá nesse domingo, decidimos fazer uma brincadeira: ambos fizemos um Top 10 dos vencedores de melhor filme de drama no Globo de Ouro e juntamos as duas listas através de fórmulas matemáticas mirabolantes para chegar a um consenso do blog.

Esperamos que vocês comentem sobre ela de alguma forma. Vale concordar e vale dizer o que está faltando.

1. O Poderoso Chefão (1972, Francis Ford Coppola)

Uma visita ao mundo da máfia no ponto de vista da família Corleone. Sabe o filme perfeito? Está aqui. Atuações magníficas, direção soberba e uma trilha sonora marcante. Um dos grandes marcos do cinema. Obrigatório para qualquer amante da sétima arte.

2. Um Estranho no Ninho (1975, Milos Forman)

Ele ganhou os Oscars de melhor filme, diretor, ator, atriz e roteiro. Coisa para poucos. Jack Nicholson em mais um trabalho memorável.

3. Operação França (1971, William Friedkin)

Devemos amar Operação França! Gene Hackman e Roy Scheider são dois policiais que estão atrás de traficantes em New York. É um thriller de ação que tem uma das melhores cenas de perseguição de todos os tempos.

4. Desejo e Reparação (2007, Joe Wright)

Quando vemos que a historia não é contada de maneira usual percebemos que o filme tem um algo a mais. A meia hora inicial é exemplo de uma montagem original e intrigante. A trilha sonora parece fazer parte do filme, como quando as teclas do piano parecem imitar as ações de uma personagem. E o plano sequência de vários minutos? Um espetáculo.

5. Beleza Americana (1999, Sam Mendes)

É ouro. Funciona como uma crítica ao american way of life. Kevin Spacey, na sua melhor interpretação, dá vida a um cara que cansou de ser tão igual aos outros, cansou de respeitar os padrões. Existem outros temas que são abordados de maneira sincera e honesta. Repito, é ouro.

6. O Expresso da Meia-Noite (1978, Alan Parker)

O filme mostra que não é uma boa ser pego com uma alta quantidade de drogas na Turquia. Alan Parker te faz sentir na pele as dificuldades de ficar na cadeia numa terra estrangeira. Aos poucos toda essa situação vai consumindo o personagem principal, que é retratado de maneira visceral pelo finado ator Brad Davis.

7. Chinatown (1974, Roman Polanski)

O deserto que virou uma das cidades mais famosas do mundo (LA). Chinatown é um noir policial que tem um dos melhores roteiros da história, Roman Polanski em seu momento mais conturbado e o mestre Nicholson fazendo o que sabe: impressionar.

8. Lawrence da Arábia (1962, David Lean)

Omar Sharif disse: ‘Se você é um homem com dinheiro e alguém vem para você e diz que quer fazer um filme de 4h, sem estrelas, sem mulheres, sem história de amor, e nem muita ação e ele quer gastar MUITO dinheiro para ir filmar no deserto, o que você diria?’
E foi feito o “Épico dos épicos”.

9. Amadeus (1984, Milos Forman)

Milos Forman, com perfeição, nos coloca frente a frente com Mozart, o rock-star do século XVIII e Salieri, o crítico, cheio de inveja e admiração. Eles são criados, desenvolvidos e biografados exatamente como deveriam. Loucos, gênios, trágicos, admiráveis.

10. O Resgate do Soldado Ryan (1998, Steven Spielberg)

Ele não se resume aos 20 e poucos minutos iniciais.  Sim, a cena da invasão da Normandia é quase um milagre, mas o resto do filme é muito bom tambén. Temos vários atores em grande forma e Steven Spielberg revolucionando a maneira de se fazer um filme de guerra.

Esse post vai ter uma segunda parte, abordando os PERDEDORES de melhor Musical ou Comédia. Aguardem.

Vício Frenético

Título original: The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans
Ano: 2009
Diretor: Werner Herzog

“Tour de Force”. Que bela expressão. Eu NADA entendo de francês, mas uma visita ao google me diz que ela significa uma ação difícil executada com grande habilidade, basicamente, uma proeza. Você deve estar me perguntando o que ela tem a ver com este novo filme do Werner Herzog, certo? Respondo em três palavras: Nicolas (fucking) Cage. Aqui ele interpreta o policial sem noção Terence McDonagh. Logo na primeira cena percebemos que o cara é completamente louco e é nele que reside o diferencial de Vício Frenético.

Cá entre nós, o plot não tem muita importância aqui. Tudo se passa em Nova Orleans pós Katrina.  Temos 5 homícidios envolvendo senegaleses e cabe ao tenente do mal – como diz o título original – Terence a investigar o caso. E o show começa. Há quem diga que a atuação do Cage está exagerada. Eu não concordo. O cara criou um personagem que é uma bomba relógio, totalmente sem escrúpulos, sem remorso de apontar uma magnum .44 pra cabeça de uma velinha e que não tá nem aí de roubar cocaína apreendida para uso próprio. Tudo isso sem ser caricato. Você acredita no personagem e na sua falta de sanidade mental. É uma atuação bem física também. Percebam como ele consegue demonstrar que tem os movimentos reduzidos no braço esquerdo sem soar falso.

Herzog não teve medo de realizar um filme politicamente incorreto, que é espetacular de se assistir. Ficamos esperando a próxima reação de Terrence e morbidamente torcemos para ser algo intenso. E vamos ser recompensados, pode apostar. Será que alguém consegue gostar ou compreender as motivações do personagem? Difícil. O único momento em que vemos um pingo de sentimento nele é quando Terence está com sua namorada, nada mais, nada menos, que uma prostituta de luxo.

Detalhe: Provavelmente sobrou uma carreirinha pro Herzog também, afinal, iguanas e almas que dançam não são coisas muito usuais num filme policial.

Recomendo pelo Nicolas Cage, pela direção do Herzog e também pela trilha sonora, que aumenta o impacto de quase todas as cenas.
Coisa boa aqui.

Nota: 4/5

Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans

Zumbilândia

Título original: Zombieland
Ano: 2009
Diretor: Ruben Fleischer

Filmes de zumbis me agradam. Eu curto mesmo. Desde as criações de George A. Romero até Shaun of the Dead e Extermínio. Caramba, é algo extremamente interessante ver um bando de zumbi cambaleando, sedento por miolos, destruindo tudo e matando todo mundo. Melhor ainda quando existe uma história legal e envolvente junto. Adivinhem! Zumbilândia faz parte desse time.

Hoje o dia estava complicado na minha cidade. A chuva não deu trégua. A atmosfera estava mais cinza que o fog londrino, um clima bem depressivo. Eis que decido assistir a Zumbilândia e ao mesmo tempo parecia que o sol  tinha dado as caras… mas era noite. O sol apareceu em forma de filme e esse filme se chamava Z-U-M-B-I-L-Â-N-D-I-A!!! (dica dada pelo Robson Saldanha).

O filme é curto, pouco mais de uma hora e vinte minutos de duração, portanto, não há tempo a perder. Logo no começo uma narração em off faz um resumo de como está a situação no momento. Nada boa. Os EUA já eram, o que resta é uma terra dominada pelos ZOOOMBIEEESSSS…. Mas existe um sobrevivente, é Columbus, justamente quem está nos informando. Ele só conseguiu se manter vive por seguir algumas regras básicas, como:
– Ter preparo físico
– Atirar duas vezes
– Cuidado no banheiro

e outras.

Dá pra ver que esse filme tem um algo a mais, certo?

Os créditos iniciais não me deixam mentir. É uma sucessão de imagens extremamente BELAS e VIOLENTAS, que mostram assassinatos cometidos por zumbis de uma maneira empolgante.  Aos poucos vamos conhecendo melhor o Colombus e logo entra na história Tallahasse. O que os dois têm que fazer é tentar sobreviver a esse mundo entupido de zumbis e outras coisinhas mais.

Zumbilândia consegue explorar esse cenário de um mundo destruído por zumbis de uma maneira genial. Você vai aproveitar cada cena, cada diálogo. Tem até uma sequência nonsense envolvendo um ator famoso de Hollywood. É muito chá de cogumelo pra uma pessoa só.

Não há economia de sangue, mas também sobra espaço para momentos extremamentes divertidos, engraçados e até um tanto sentimentais, como uma regra que diz para se aproveitar as pequenas coisas. É díficil assistir e não gostar. Eu já quero ver denovo. Na verdade, não queria abandonar essa Terra de Zumbis.

Melhor que Shaun of the Dead? Jogo duro. O tempo vai dizer.

Nota: 4.5/5

Onde Vivem os Monstros

Título original: Where the Wild Things Are
Ano: 2009
Diretor: Spike Jonze

Onde Vivem os Monstros não é para crianças, por mais que dê essa impressão nos trailers. Provavelmente as crianças vão ficar com medo e até mesmo entediadas durante o filme, mesmo no cinema. Este é um filme para adultos. É uma oportunidade fantástica para nos lembrarmos de como era ser criança. De ter seus 9 anos e achar que tudo era possível. Ter essa idade e não precisar mais do que a imaginação para se divertir.

Não se trata de um filme de contos de fada ou algo do tipo. No fundo, é uma experiência um tanto sombria. Provavelmente por causa do personagem principal, o garoto Max. Ele é um garoto perturbado. Seus pais são divorciados, sua irmã não dá a atenção que ele esperava e ele aparentemente não têm muitos amigos. É um garoto solitário. Solitário e não muito são. Após um desentendimento com a mãe o garoto decide fugir e a partir dai a história realmente começa. Ele chega à uma ilha repleta de monstros e passa a ser o rei do local.

Ele está livre para fazer o que quiser. Me peguei me lembrando dos tempos de guri. Dos tempos que brincar de polícia e ladrão era algo extremamente divertido. Era legal, convenhamos. Apesar de não ter nenhuma referência ao natal no filme, me lembrei de como eu ficava ansioso nessa época do ano, esperando a chegada do velho barbudo. Enfim, Onde Vivem os Monstros resgata várias memórias daquele tempo onde tudo era mais fácil, mas nem sempre mais feliz.

Um dos grandes momentos do filme é quando o professor de Max fala que o Sol um dia irá apagar. Max, mesmo não demonstrando, sofre com essa informação, algo que podemos comprovar quando ele está na ilha dos monstros e comenta isso com o Carol, que também fica abalado.

Pode acontecer de você ficar um tanto entediado ou achar tudo extremamente WTF, mas os bons momentos e as memórias que o filme nos traz o fazem valer a pena.

Nota: 4/5

Um Sonho Possível

Título original: The Blind Side
Ano: 2009
Diretor: John Lee Hancock

Sou fã de futebol americano. Depois do nosso “soccer”, é o meu esporte preferido. Sempre acompanho a NFL e tenho uma grande simpatia pelo New York Jets. Já assisti a vários filmes sobre o esporte e eles sofrem de um problema crônico: excesso de clichês. É sempre aquela coisa chata de um time que está perdendo, um time sem futuro, que depois de algum discurso motivador começa a vencer os jogos e vai em busca do título! Claro, existem aqueles que não sofrem tanto desse mal e são ótimos: Invincible, Um Domingo Qualquer, Friday Night Lights (o filme e o seriado) e, é claro, O Lado Cego.

O que temos aqui é uma história real sobre o jogador Michael Oher, do baltimore ravens, que foi escolhido na primeira rodada do draft de 2009. Coisa pra poucos. O filme ficou a cargo do diretor John Lee Hancock, que até agora não tinha feito nada de destaque. Ele já havia trabalhado com esportes antes em O Desafio do Destino, que tem alguns aspectos interessantes, mas nada demais. Agora ele conseguiu chamar a atenção.

Muitas vezes filmes biográficos acabam se tornando arrastados e chatos, mas não foi o caso em O Lado Cego. Você vai aproveitar cada minuto, não sem motivos. A história de Michael Oher é barra-pesada, seu passado é repleto de desgraças. O film retrata a vida do cara quando ela começa a mudar para melhor. Leigh Anne (Sandra Bullock) é uma mulher rica, que viu o “Big Mike”, um cara gigante, negro, calado, andando no frio sem rumo e decidiu ajuda-lo. A partir daí a vida de ambos vai mudar. Big Mike tem problemas com os estudos e com relacionamentos, pois é um cara muito fechado. Algumas pessoas decidem ajuda-lo e logo ele entra para o time de futebol americano da escola. Mas não foi fácil!

O trabalho dos atores foi muito importante para o filme funcionar. Sandra Bullock tem uma performance acima da média. Ela faz de Leigh Anne uma mulher forte, que não leva desaforo para casa, mas que no fundo é extremamente sensível e quer ajudar as pessoas, mesmo sem saber o motivo. Quint Aaron dá vida a Michael Oher de uma maneira magistral. Ao meu ver ele era merecedor de indicação no globo de ouro, mas não aconteceu.

O filme parece um conto de fadas? Parece, mas é uma história real. Pelo menos boa parte dele.

Nota: 4,5/5

BlogBlogs.Com.Br

Gomorra

Título original: Gomorra
Ano: 2008
Diretor: Matteo Garrone

Já vi Gomorrah tentar ser vendido como um Cidade de Deus italiano e lamento. Ambos os filmes retratam duas cidades que estão mergulhadas no crime, mas esta é a única semelhança. As abordagens são completamente diferentes, tanto em termos técnicos, como na maneira que as histórias são contadas. O filme é baseado no livro de Roberto Saviano, que foi corajoso (ou louco?) para escrever sobre a camorra, a máfia de Napoles, no sul da Itália.

Acompanhamos 5 histórias diferentes que se relacionam com o crime organizado de Nápoles das mais variadas formas. Há um menino, Totó, que pretende fazer parte do grupo. Temos dois jovens ingênuos e fãs de Scarface que querem dominar a região. Um alfaiate que decide ganhar uma grana por fora trabalhando para os chineses. Um cara que lucra com o enterro de lixo tóxico e um outro que trabalha levando e trazendo dinheiro.

O detalhe interessante é que não há nenhum chefão na história. Nenhum Don Corleone ou algo assim. O filme desenvolve um painel do crime organizado de uma forma bem palpável. O filme transcorre de uma maneira interessante, mais calma que o normal para filmes desse tipo, o que nos permite sentir o filme e nos importar com os personagens.

Gomorra tem algumas cenas violentas, mas, o mais perturbador é constatar que Nápoles é uma cidade completamente consumida pelo crime, assim como grande parte das importantes cidades do mundo.

Nota: 4/5

A Partida

Título original: Okuribito
Ano: 2008
Diretor: Yôjirô Takita

Sou fã de Valsa com Bashir, mas devo admitir que o Oscar de melhor filme estrangeiro para A Partida foi extremamente merecido. É um filme que passeia por diversos assuntos e temas, sempre fugindo da superficialidade e da pieguisse. Ele é um retrato de uma parte da cultura japonesa e um mergulho na vida de Daigo Kobayashi, o personagem principal. No início temos uma narração em off de Daigo dizendo que sua vida fora inexpressiva até aquele momento. Agora ele encontrou uma razão para viver. Esta razão é mostrada logo no começo, quando vemos Daigo realizando o chamado “ritual de acondicionamento” , que consiste em diversos tipos de  cuidados dados a um falecido, como limpar o corpo e prestar homenagens.

A partir daí temos um flashback mostrando como Daigo foi parar nesse emprego. Aos poucos vamos nos importanto mais e mais com a vida de Daigo e a relação dele com o violoncelo, a mulher, a cidade natal, o patrão e é claro, com o pai, que o abandonou quando ele tinha 6 anos de idade.

Este filme consegue emocionar sem forçar a barra em momento algum. Ele tem a morte como um dos principais assuntos abordados e nunca fica melancólico. A Partida é um filme poético, belo, com um significado. Sobra até espaço para um pouco de humor, principalmente no período no qual Daigo está se adaptando ao novo trabalho.

Vale destacar o trabalho do ator Takashi Sasano, que interpreta um senhor que sofre com a perda de uma grande amiga, não sem antes criar uma analogia entre salmões que nadam contra a corrente e acabam morrendo e a nossa própria vida.

Nota: 5/5