TOP 10 – Melhores Filmes de 2018

2018 vai ficar marcado como um dos anos mais fracos da década em termos de cinema, mas teve coisa boa aí. Nota-se a ausência de obras-primas.

10 A Melhor Escolha

Os diálogos bem escritos e as atuações inspiradas de Bryan Cranston, Laurence Fishburne e Steve Carell como veteranos da Guerra do Vietnã fazem de A Melhor Escolha um pequeno diamante bruto.

9 Nasce uma Estrela

Além de boas músicas, há espaço para críticas ao mundo do show business.

8 O Sacrifício de um Cervo Sagrado

Um thriller psicológico que abraça o bizarro e nos pede para esperar o inesperado.

7 Viva – A Vida é uma Festa

Elementos da cultura mexicana, a música e o significado de se fazer parte de uma família fazem nossos olhos lacrimejarem.

6 Sem Amor

A frieza brutal e revoltante de dois pais resultam no desaparecimento de uma criança inevitavelmente afetada. Experiência dolorosa, melancólica e impactante.

5 A Taxi Driver

Grata surpresa do cinema coreano, A Taxi Driver mostra que em certos momentos sacrifícios pessoais são necessários para ajudar todo um povo.

 

4 Me Chame Pelo Seu Nome

Toda a sensibilidade de um inesperado amor de verão.

3 Western

Uma tensão palpável escancara as rusgas de dois povos .

2 Três Anúncios Para um Crime

Performances de alto nível em uma história de vingança que nos faz refletir.

1 Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi

Uma história sobre o racismo opressor no Mississippi da década de 1940 trabalhada com autenticidade e vigor.

Crítica | Western (2017)

Podem haver conflitos quando um grupo de alemães trabalha em uma região do interior da Bulgária, ainda mais quando alguns destes alemães agem de maneira arrogante. Este não é o caso de Meinhard, um homem de meia idade que procura interagir com o povo local de forma amistosa. A trama se desenrola sem muita pressa, mas a tensão que permeia boa parte das cenas não permite que nosso interesse diminua. O ar de superioridade demonstrado pelos alemães, a dificuldade de comunicação e até a lembrança da Segunda Guerra são elementos que dificultam bastante a relação entre os locais e os de fora. É um mundo complexo, austero e perigoso. De uma hora para outra a hostilidade pode tomar conta. Deve-se respeitar e garantir que você seja respeitado de volta. O título Western não foi á toa. Há muitas características deste seminal gênero do cinema aqui, mesmo com cenários bem diferentes daqueles que nos acostumamos nos filmes americanos. Com um ritmo particular e focando em assuntos delicados, Western demanda um pouco de paciência. Mas não se preocupe. A paciência vai ser bem recompensada com uma das melhores experiências do cinema em 2018.

Nota: 9

 

Crítica | Operação Overlord (2018)

Adicionar um lado sobrenatural envolvendo zumbis na Segunda Guerra poderia render uma ótima experiência, mas não foi o caso com Overlord. Ainda que o filme possua um início dos mais intensos, no qual testemunhamos o caos de sobrevoar a Europa dominada pelos alemães momentos antes do Dia D, as cenas de ação se tornam protocolares e a trama peca por não explorar satisfatoriamente a intrigante premissa.

Um pequeno grupo de soldados americanos tem a missão de destruir uma torre em uma pequena cidade francesa, mas chegando lá eles descobrem que experimentos científicos preocupantes são realizados pelos insanos nazistas. Um tipo de soro é capaz de reviver os mortos e de transformá-los em seres letais no campo de batalha. Haverá tempo e condições para os soldados americanos extrapolarem o objetivo da missão e fazerem algo em relação a essas experiencias?

Overlord começa empolgante e dá indícios de que iria trabalhar o horror com qualidade, mas acaba ficando cada vez mais sem graça. O roteiro não aproveita a ideia dos zumbis como deveria e muito pouco tempo é investido neles. O suspense praticamente não existe e o pseudo gore passa longe de causar aflição. Os personagens rasos e seus diálogos pouco interessantes nos deixam ainda menos investidos na história, que ainda por cima insiste em um clichezento confronto final entre o herói e o vilão.

Nota: 6

Crítica | Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018)

Dentre os diversos gêneros que o cinema contempla, o de ação está longe de ser um dos meus favoritos. Mesmo assim, quando estou diante de exemplares realmente bons não vejo o menor problema em exaltá-los. John Wick, Mad Max: Fury Road e The Raid são provas cabais de que ainda é possível fazer algo bem acima da média dentro do gênero. Missão: Impossível – Efeito Fallout pode se juntar a esse grande time.

Mesmo se você redobrar a atenção e fazer de tudo para absorver as reviravoltas e surpresas da trama, é possível experimentar um pouco de confusão. Sabe aqueles diálogos rápidos repletos de informações e com nomes de personagens que você não tem muita certeza de quem são? Pois é. De qualquer forma, isso atrapalha pouco a nossa experiência. O destaque é obviamente a ação.

As cenas de ação de Missão: Impossível – Efeito Fallout são o estado da arte. O filme é uma junção de diversas sequências de ação, uma mais empolgante e impressionante que a outra. Existem coreografias inspiradas de lutas, perseguições insanas de carro e em telhados e até no ar, tudo isso com movimentos de câmera que potencializam o que vemos. E não podemos esquecer o absurdo fato de que Tom Cruise novamente não precisou de dublê. É surreal um ator desse quilate literalmente encarar a morte para engrandecer o resultado final.

É claro que ele gosta da adrenalina, mas tenho certeza que ele também pensa no público. Saber que o próprio ator faz tudo aquilo que vemos aumenta ainda mais a tensão e o entretenimento.

Outro aspecto que colabora para o filme funcionar tão bem são as bem humoradas interações dos personagens. Os diálogos engraçados estão presentes em doses precisas, sem exageros. É realmente difícil não se divertir aqui. Talvez a duração não precisasse passar de duas horas, mas consigo entender a ambição dos produtores e do diretor.

Se você é fã do gênero, provavelmente irá saborear uma grande quantidade de prazer cinéfilo. Se você não é muito chegado em ação, não hesite em dar uma chance.

Nota: 8

Crítica | Buscando… (Searching, 2018)

Toda a trama de Searching é contada através da tela de um computador. Apesar de não ser uma novidade – o filme Amizade Desfeita trabalhou com essa perspectiva em 2014 -, o diretor Aneesh Chaganty foi capaz de explorar com sabedoria as possibilidades deste estilo pouco usual de se fazer cinema. No comovente prólogo, já começamos a entender a dinâmica da família Kim e a nos acostumar com a linguagem empregada. Mensagens de texto, facepalm, notícias em sites e filmagens em câmera de segurança são alguns dos meios usados em Searching para criar uma eficiente experiência de mistério e suspense. Quando sua filha de 16 anos some após uma noite de estudos, David vai ajudar a detetive Vick de todas as maneiras possíveis. Investigando a fundo os rastros digitais da filha, ele percebe que conhece ela menos do que gostaria. Searching tem um ritmo ágil e permite uma imersão completa na história. Existem reviravoltas, surpresas e momentos tocantes, principalmente graças a ótima atuação de John Cho. Há espaço também para críticas em relação a oportunistas e a anônimos acostumados a fazer maldosos comentários sobre qualquer assunto. Coisas comuns da era da internet, não é? Mesmo lendo criticas favoráveis, eu estava com um pé atrás em relação a este filme. Agora, não mais.

Nota: 8

Game of Thrones: “The Wolf and the Lion” Crítica

Game of Thrones | 1×05 – The Wolf and the Lion

The Wolf and the Lion, quinto episódio da primeira temporada, nos mostrou que o potencial do seriado é gigantesco. A trama vai sendo esculpida com brilhantismo e a intriga fica cada vez mais envolvente. O roteiro acertou em cheio em focar no que acontece em King’s Landing e proximidades. Não há nenhuma cena com Jon Snow ou Daenerys e, mesmo assim, temos o melhor episódio de Game of Thrones até agora.

A violência e a tensão permeiam boa parte do episódio. Tudo se inicia com uma justa entre Sor Loras e O Montanha, com a vitória do cavaleiro das flores. A reação do Montanha é chocante. Coitado do cavalo. E detalhe para o Cão de Caça defendendo Sor Loras e sendo aplaudido pelo público. Posso estar viajando, mas notei um discreto semblante de orgulho no Cão nesse momento.

Catelyn Stark agiu por instinto e demonstrou coragem ao capturar Tyrion, mas ela não deve ter pensado que os desdobramentos disso podem ser temerários. Catelyn leva Tyrion até a casa de sua irmã Lysa Arryn no Ninho da Águia. Lá ele se torna prisioneiro no último lugar em que alguém com medo de altura gostaria de estar. Por sorte, o ‘duende’ não tem essa fobia. Alguém acredita mesmo que ele mandou matar Bran? Ele não seria tão burro ao ponto de emprestar sua própria arma para o matador, não é?

E que familinha bizarra temos no Ninho da Águia. Lysa Arryn está longe de ser mentalmente equilibrada e ainda por cima tem um filho já crescido que ainda é um lactente. E que tal o surtinho dele? Esse moleque é gatilho para enxaqueca.

As investigações de Ned Stark o levam para um caminho sem volta. Há algo de muito estranho acontecendo em King’s Landing. As coisas ficam ainda piores quando Ned discute com o Rei sobre o que fazer com Daenerys e sua gravidez. Apesar da amizade entre Robert e Ned, parece que o rompimento dos dois é definitivo.

Pensem na insuportável situação em que se encontra Ned: ele brigou com o rei, não é mais o Mão e sua esposa mantém Tyrion como cativo.

Jaime deixa as coisas mais claras possíveis ao executar os melhores soldados de Ned. Ele quer o irmão solto! Lembram que no episódio anterior ele teve uma conversa com Jory sobre uma batalha que os dois travaram juntos? Pois é. Agora Jaime não pensa duas vezes antes de trespassar uma lâmina pela órbita do seu antigo ‘colega’ de campo de batalha. Cruel.

E vejam como o roteiro de Game of Thrones é cuidadoso e dificilmente deixa pontas saltas. A condição de Theon é revelada aos poucos e percebemos que ele está começando a se irritar com a sua posição em Winterfell. A semente da vingança está plantada.

Sobra tempo para um diálogo com grande carga emocional entre Robert e Cersei. Apesar do casamento arranjado, houve um momento em que os dois tinham uma certa intimidade. Não mais. Agora é só fachada.

Episódio magnífico!

Nota: 9.2

Crítica: Na Mira do Atirador (The Wall, 2017)

Na Mira do Atirador possui elementos que poderiam torná-lo um bom filme. A tensa situação de estar na Guerra do Iraque sob a mira de um atirador de elite chama a atenção. Os soldados Isaac e Matthews estão em uma complicada missão que fica cada vez pior. Apenas um muro os separa do sniper. O filme acerta em transmitir o caos que toma conta de uma hora para outra. O calor, a areia, os ferimentos complicados, o rádio quebrado e um sniper habilidoso transforam a missão em um pesadelo. O problema é que se pensarmos logicamente vamos encontrar erros absurdos nas condutas dos soldados. Eles até poderiam agir assim por desespero, mas é de se esperar algo mais profissional por parte de militares. Outro aspecto que me incomodou foi a completa falta de emoção nos diálogos. As conversas entre Isaac e o iraquiano são tão vazias quanto o filme. Para mim, o terror psicológico basicamente não existiu. Mesmo com a curta duração a experiência chega a ser cansativa. Aaron Taylor-Johnson recebeu elogios pela sua atuação, mas confesso que me irritei com os gritinhos e gemidos ininterruptos dele. Para piorar, há um final tão pessimista que parece piada.

Nota: 5

Crítica | The Post – A Guerra Secreta

Ninguém em sã consciência pode duvidar da capacidade de Steven Spielberg de contar boas histórias. The Post é mais um exemplo recente de que o diretor ainda tem lenha para queimar. Apesar da trama se passar nos anos 1970, sua essência é algo que jamais deixará de ser relevante.

Baseado em acontecimentos reais, o filme retrata o emblemático caso dos “papeis do pentágono”, um documento que comprovava que os Estados Unidos não tinham a menor chance de vencerem a Guerra do Vietnã. Esse documento caiu nas mãos do The Washington Post, que enfrentou um verdadeiro dilema antes de publicá-lo. A pressão vinda da Casa Branca era muito forte, inclusive com promessas de um processo judicial que poderia levar os responsáveis pela publicação para a cadeia. É claro que a imprensa muitas vezes é responsável por um desserviço à sociedade ao impulsionar noticias falsas – principalmente nos tempos atuais -, mas aquele caso mostrou como uma matéria certa no momento certo pode colaborar para trazer a verdade a tona.

The Post é um tanto arrastado no seu primeiro ato, mas a medida que as coisas avançam a tensão aumenta. Mesmo sabendo os rumos do roteiro, não há como não se envolver com uma situação tão relevante, ainda mais com um Spielberg inspirado. Meryl Streep e Tom Hanks oferecem boas atuações e o resto do elenco é extremamente sólido, inclusive com atores que se destacaram em seriados recentemente.

Além da questão dos “papeis do pentágono” o outro tema de destaque é a quebra de barreiras por parte de Kay Graham, a primeira mulher a comandar uma empresa que ficou na lista das 500 mais importantes da revista Fortune. Ela possui o único arco do filme, já que aos poucos vai ganhando a confiança necessária para fazer o que acha certo. É justamente em alguns momentos com Kay que Spielberg dá uma exagerada na pieguice, mas o que importa é que ele conseguiu eternizar essa editora americana que foi essencial para a imprensa como um todo.

Junto com Ponte de Espiões, The Post é uma prova de que Steven Spielberg não perdeu a mão. Temos que aceitar o fato de que deslizes como Jogador Número 1 podem acontecer.

Nota: 7

Crítica | Oeste Sem Lei (2015)

Como um profundo admirador do western é impossível eu não me empolgar com algo como Oeste Sem Lei. Em apenas 84 minutos de duração, o filme consegue nos presentear com uma verdadeira lufada de ar fresco dentro do gênero. Jay Cavendish é um jovem escocês que cruza o oceano atlântico em busca de sua amada. Jay claramente não está preparado para a hostilidade do velho oeste. Ele é um garoto educado e sensível no lugar errado e na época errada. Mas para ele, vale a pena correr todos os riscos para encontrar Rose.

No meio do caminho ele irá contratar Silas para guiá-lo e servir como um guarda-costas. Silas é um experiente cowboy. Ele sabe contornar os perigos e resolver boa parte dos problemas que se colocam diante deles. Há tempo para que uma inevitável amizade entre os dois surja, mas esperem por uma ou outra reviravolta.

Mesmo com uma curta duração, Oeste Sem Lei não se preocupa em apressar as coisas. O diretor John Maclean opta por investir em algumas sequências mais calmas que permitem que o público se encante com o cenário exuberante. Aliás, as filmagens foram feitas na Nova Zelândia e é impressionante constatar que conseguimos nos sentir no oeste americano. A química entre Jay e Silas também é um dos grandes trunfos do filme, com direito a diálogos inspirados e divertidos.

Mas não podemos nos enganar. O oeste não é lugar para qualquer um. Qualquer erro pode significar o fim de uma vida. Naquela época, não se pensava muito antes de apertar o gatilho.

Esta é uma experiência essencial para os amantes do gênero.

Nota: 8

Crítica | Kill Bill: Vol. 1 (2003)


Talvez dividir Kill Bill em duas partes tenha sido uma mera jogada de marketing, mas isso não atrapalhou tanto a experiência como um todo. Ainda que neste primeiro capítulo não exista um final propriamente dito, a jornada de vingança da Noiva traz praticamente tudo o que podemos desejar de um diretor como Quentin Tarantino.

Kill Bill: Vol. 1 mostra que o cérebro de Tarantino é fervilhante caldeirão de referências cinematográficas. Tais referências são usadas com ousadia e criatividade para contar a história de uma mulher que foi traída e deixada para morrer. Agora ela quer apenas se vingar de todos os responsáveis. Ela faz uma lista de cinco nomes e nós vamos acompanhá-la nessa caçada.

Poucos filmes foram tão divertidos de se assistir na década passada. Uma Thuman está bem a vontade como uma verdadeira máquina de matar. A violência empregada nas cenas é extremamente estilizada, portanto dificilmente alguém poderá sentir aflição. Mas que elas impressionam, não restam dúvidas.

Um dos grandes momentos de Kill Bill é quando o filme dá lugar para um anime que explica as origens de uma personagem. Um prato cheio para quem gosta deste nicho da cultura japonesa.

Vale a pena observar também as relações de Kill Bill com Pulp Fiction, como o uso da espada de Samurai e a cidade de Okinawa (lembram do monólogo de Cristopher Walken?).

Com um ritmo ágil e vibrante, o filme jamais deixa de nos divertir. A trilha sonora escolhida a dedo também colabora para nos deixar no clima. Há ainda tempo para uma interessante reviravolta no final. É meio impossível terminar de assistir essa primeira parte e não querer imediatamente ver a sequência.

E isso é mais uma prova de que as coisas funcionaram muito bem aqui.

Nota: 9

Crítica | Tully (2018)

 

Tully é mais uma parceria entre o diretor Jason Reitman e a roteirista Diablo Cody que deu certo. Contando com uma memorável atuação de Charlize Theron, o filme é um retrato nada glamouroso da maternidade.

O inspirado primeiro ato nos diverte com a rotina diária de cuidar de um recém-nascido. É fralda e choro que não acabam mais. E Marlo não poderia estar mais acabada.  Poucos filmes se preocupam em mostrar o lado complicado de se criar um filho. E além do recém-nascido, Marlo tem outro dois filhos, sendo que o garotinho tem algum problema que ainda ninguém conseguiu diagnosticar.

Uma saída para essa verdadeira batalha pode ser contratar uma babá noturna. Sim. Contratar alguém para cuidar do filho enquanto a mãe consegue algumas horas do sono.

Marlo fica relutante em um primeiro momento, mas logo ela chega no seu limite e decide ir atrás da babá.

A partir daí, Tully vai perdendo sua força.

O que era um divertido e sincero comentário sobre a maternidade, torna-se um filme não tão interessante sobre a amizade de duas mulheres com idades diferentes. Apesar de algumas boas sequências e da química entre Charlize Theron e Mackenzie Davis, é fácil notar a superioridade da primeira parte. O que me incomodou mesmo foi a reviravolta no final. Tully não precisava disso para funcionar. Houve um excesso de preciosismo por parte do roteiro, eu diria.

Ainda bem que quando Tully acerta, acerta em cheio.

Nota: 8

Crítica | Breaking Away (1979)

Se você tem interesse por corridas de bicicleta Breaking Away certamente é uma boa opção de filme para assistir. São quatro cenas em menos de 100 minutos em que o destaque é a velocidade de uma bicicleta. A que envolve um treino na estrada e uma perseguição a um caminhão é a que mais me chamou a atenção. O diretor Peter Yates soube conduzir com segurança esses momentos, inclusive utilizando uma trilha marcante. Mas se você não está nem aí para esse esporte, saiba que Breaking Away tem muitos outros aspectos positivos. Dave, Mike, Cyril e Moocher são jovens que acabaram de terminar o ensino médio e não entraram para a universidade. Há um grau elevado de melancolia e fatalismo em algumas de suas conversas, principalmente quando o personagem Dave (Dennis Quaid) está falando. Eles são da cidade de Bloomington e sofrem preconceito dos universitários que vem de fora. O que eles ainda não sabem é que eles tem sim motivos para se orgulharem do que são e do que podem se tornar. Talvez uma disputa de bicicleta seja uma grande oportunidade para eles entenderem isso. Breaking Away é uma experiência divertida, tocante e que reserva boas doses de adrenalina.

Nota: 8