Tudo o que Gawain – o sobrinho do Rei Artur – mais quer é provar sua coragem e ser considerado uma lenda. A oportunidade de se eternizar surge de uma maneira bizarra e intrigante. No dia do natal o Cavaleiro Verde entra em Camelot e propõe um desafio: quem lhe desferir um golpe ganhará como recompensa o seu enorme machado, porém um ano depois essa pessoa deverá se apresentar diante dele para receber o mesmo golpe em troca.

Gawain se habilita para realizar tal tarefa. O problema é que ele resolve simplesmente decapitar o Cavaleiro Verde. Espera-se que um ano depois ele encontre esse ser mágico e ofereça o seu próprio pescoço.

A jornada de Gawain rumo ao seu destino é recheada de encontros inesperados, reflexões sobre quem ele realmente é e algumas pitadas de fantasia. Gawain está longe de ser o protagonista padrão das histórias arturianas. Ele é extremamente humanizado e está repleto incertezas. Deverá ele cumprir sua palavra com honra e encarar o machado do Cavaleiro Verde ou não aparecer e ser tachado de covarde?

O diretor David Lowery impõe o seu estilo autoral de uma forma um pouco mais contida que em A Ghost Story. Só um pouco. Imprimindo um ritmo lento e utilizando tomadas longas e enquadramentos criativos, ele nos deixa realmente hipnotizados pelos belos visuais concebidos.

Não espere aqui por uma história convencional. Temos o cenário das lendas do rei Artur, mas muita coisa fica subentendida. Muitos personagens não são nomeados, bem como outros aspectos comuns desse universo. Simplesmente acompanhamos um conto desse mundo sem receber muito contexto. E isso não atrapalha a experiência.

O que incomoda um pouco é uma eventual sensação de que as coisas se arrastam mais do que deveriam e também um ou outro detalhe não tão bem feito de computação gráfica que não condiz com a qualidade do resto do que vemos.

É o do menos.

Eis uma jornada de autodescoberta abordada com originalidade em um universo já muito explorado. As coisas rumam com inventividade para um final imprevisível que levantará questionamentos.

O Cavaleiro Verde é um dos filmes mais interessantes de 2021 e comprova mais uma vez o talento de David Lowery, um diretor para se ficar de olho.

Nota: 7.5