Em sua estreia no cinema o diretor Michael Sarnoski demonstra preferência por contar uma história de maneira mais contemplativa. Pig quebra nossas expectativas ao optar por um desenvolvimento mais cadenciado e intimista da trama, focando nas angustias do personagem principal.

Rob é um homem de poucas palavras que vive isolado em uma cabana no meio do nada. Ele não toma cuidados com a aparência e não se importa com conforto. A única coisa preciosa para ele é sua porquinha. Essa simpática suína tem a invejável habilidade de encontrar trufas embaixo de terra, uma iguaria bastante requisitada por restaurantes de classe. Rob usa as trufas como moeda de troca por materiais básicos para seu sustento e também por algum dinheiro. Ele não é nada ambicioso, apenas quer viver em paz e com poucos contatos.

Eis que um dia a porca é roubada e ele não tem outra escolha a não ser deixar sua cabana e ir em busca dela.

Pig poderia escolher um caminho mais sangrento e com pegada de thriller para abordar essa premissa, mas não foi o caso. Calmamente o roteiro revela seus verdadeiros objetivos: mostrar quem é Rob e quais as circunstâncias que o fizeram se transformar nesse ermitão. E isso é feito sem pressa e sem qualquer tipo de exagero.

A sutil e compenetrada atuação de Cage é essencial para nos deixar curiosos e emocionalmente envolvidos. Claro que também queremos que ele encontre a porquinha, mas logo percebemos que o mais importante é entendermos os traumas de Rob e vê-lo os enfrentando.

Caso você estabeleça um bom nível de empatia com o personagem principal é bem possível que se sinta recompensado pelo final, ainda que a jornada até ele seja diferente do que esperávamos.

Nota: 7.5