Coube ao talentoso diretor Denis Villeneuve a complicada tarefa de adaptar a monumental obra de ficção-científica de Frank Herbert e o resultado não poderia ter sido melhor.

Empregando o seu estilo sem pressa de contar uma história, Villeneuve vai nos ambientando aos poucos aos cenários, aos personagens e aos conflitos do mundo de Duna. Os belos visuais constatam a tremenda qualidade técnica do diretor, mas ele se destaca ainda mais por conseguir tornar a trama de Duna acessível até para quem nunca teve contato com o material original.

O filme foca bastante na questão do escolhido, aquela pessoa que tem uma missão decisiva que pode mudar o futuro de todos ao seu redor. Paul Atreides é essa pessoa. Desde cedo ele foi preparado para algo muito maior do que ele e o tempo de assumir esse papel chegou.

Temos aqui um mundo que é explorado pelos poderosos que buscam uma substância chamada especiaria. Essa substância é a mais valiosa do universo e permite a viagem espacial.

Tal como um imperialismo futurístico, um planeta absorve a riqueza do outro mais fraco sem se importar muito com as consequências que podem recair sobre esse povo.

Mas existe uma resistência em Arrakis, esse lugar fascinante, inóspito, ofensivamente quente e que possui em suas profundezas um verme dantesco capaz de rapidamente engolir qualquer ameaça.

A primeira parte de Duna estabelece esse universo com maestria, nos permitindo nos aclimatar em relação aos termos específicos, ao jogo político (que é abordado até que superficialmente) e aos personagens principais.

Pena que as coisas acabam abruptamente. Duna parte 1 não é uma experiência que se basta, portanto teria sido um crime se a parte 2 não fosse confirmada. Agora é só aguardar a conclusão desse começo promissor.

Nota: 8.5