Provavelmente a experiência de se assistir a tick, tick…BOOM! seja diferente para quem conhece Jonathan Larson e seus trabalhos, mas falando como quem não sabia da existência dele posso dizer que mergulhei nesse encantador musical e passei a admirar a sua coragem, persistência e originalidade ao criar arte.

A narração em off já nos adianta que Jonathan Larson morreu cedo e não pôde testemunhar o começo do seu sucesso. E que sucesso! Ele foi um compositor e escritor de peças que explodiu com Rent, considerado um trabalho original e divisor de águas na broadway.

tick, tick…BOOM! mostra a agonia diária de Jon Larson para conceber um musical chamado Superbia, uma ambiciosa sci-fi distópica que poucos entenderam o sentido. Para poder apresentá-la em um workshop falta simplesmente a música principal e ele tem menos de 7 dias para escreve-la.

O problema é que ele tem outras preocupações que também o estão consumindo. Por ainda não ter alcançado o sucesso prestes a fazer trinta anos ele se sente pressionado e extremamente ansioso. A vida dele é uma correria só: um trabalho árduo como garçom em uma Nova York do começo dos anos 90, boletos vencendo, epidemia da AIDS rondando seus amigos e problemas no relacionamento com a namorada. É que ela quer que ele tome uma decisão em relação ao futuro deles como casal e ele ainda não quer desistir do sonho de fazer seu nome na Broadway.

Mas até quando será que vale a pena tentar?

Andrew Garfield é o absoluto destaque de tick, tick… BOOM!. O ator aqui se revela um artista completo, capaz de cantar e dançar de maneira competente. Ele consegue demonstrar toda a sensibilidade, o humor por vezes autodepriciativo e a ambição de Larson. Garfield coloca bastante paixão nessa atuação e cria uma forte empatia com o público.

Esse é um musical que não conta com números espetaculosos, mas é algo mais intimista que aposta nas letras reveladoras, melodias envolventes e na nossa identificação com o personagem principal. Para quem não gosta muito do gênero é bom saber que aqui os personagens não falam cantando, a música vem de forma um pouco mais orgânica.

Na maior parte do tempo ficamos investidos na história e acompanhamos com interesse o processo criativo de Larson, que como a maioria dos artista se inspira nas coisas que acontecem ao seu redor para dar vida à sua obra.

Só que ter êxito não é nada fácil. São batalhas diárias travadas com muita dedicação e esperança de se destacar. tick, tick… BOOM é um bom e inspirador entretenimento que conta a incrível história de Larson para mais pessoas.

2021 se revelou o ano dos musicais e ainda que este não alcance o nível de West Side Story em termos narrativos e que tenha alguns números não tão memoráveis, é sim um respeitável trabalho que merece todos os elogios que vem recebendo.

Nota: 7.5