Thomas de Hookton é um arqueiro do exército inglês em plena Guerra dos Cem Anos, conflito que durou mais de um século entre França e Inglaterra durante a Idade Média. Thomas não é apenas um soldado que mata e tenta sobreviver, mas ele também tem a missão de investigar o paradeiro do Graal e recuperá-lo.

Há quem acredite que o Graal foi um recipiente usado para coletar o sangue de Cristo enquanto ele morria na cruz. Outros dizem que foi onde ele bebeu vinho durante a Última Ceia. O fato é que o fervoroso catolicismo da época acreditava que tal objeto possuiria poderes quase mágicos capazes de dizimar exércitos e tornar a igreja ainda mais forte.

Thomas então parte para várias batalhas e também em busca do Graal. Uma busca que ao longo do tempo levou pessoas sãs a completa loucura.

Bom. Se você for encarar essa trilogia composta por O Arqueiro, O Andarilho e O Herege sugiro estar preparado para alguns problemas da narrativa e para o estilo exageradamente descritivo que Cornwell emprega aqui.

Os três livros possuem doses cavalares de batalhas e Cornwell as descreve com muitos detalhes. Ele consegue estabelecer o clima de tensão dos soldados e nos dar uma ideia da visceralidade dos conflitos, mas há um tremendo exagero em pormenores que não fazem diferença alguma. No primeiro confronto acabamos relevando esses excessos, mas na segunda em diante fica difícil. E acho que foram umas 10 no total.

Falando nessas batalhas, Thomas de Hookton saiu-se vencedor em absolutamente todas elas, não importa em qual exército ele estava e também o grau de desvantagem em que ele se encontrava. Meio absurdo o cara ser esse rei da estratégia, um deus do arco e flecha e um mestre espadachim quando necessário. Esqueça qualquer ar de surpresa nesse sentido.

Há um desenvolvimento sem brilho da personalidade de Thomas. Ele se torna um personagem que pouco ou nada importa para gente, o que atrapalha a apreciação da história como um tudo. Os relacionamentos amorosos dele ao longo dos livros, as amizades e os diálogos são em sua maioria insossos.

A questão da busca do Graal acaba recebendo menos atenção do que deveria. Cornwell prefere gastar inúmeras páginas com conflitos que se tornam extremamente repetitivos e cansativos. Dá vontade até de pular alguns parágrafos, algo que heroicamente não fiz.

De qualquer forma, quando a trama avança e segredos são revelados as coisas melhoram. Surgem personagens e eventos interessantes pelo caminho, o que permitiu que eu não abandonasse a leitura.

A chegada da peste negra também adiciona mais possibilidades para história e é um belo registro histórico do autor.

Mas não me levem a mal. Gosto de Cornwell e da maior parte de seu material. As Crônicas de Artur e As Crônicas Saxônicas são de alto nível. Admiro o grande trabalho de pesquisa para relatar eventos reais e também a forma como ele consegue adicionar um pouco de ironia ao descrever certas situações. Ele também cria imagens de membros decepados como poucos. O problema é que em A Busca do Graal ele comete mais erros do que acertos e torna a experiência quase que impossível para um leitor que não está acostumado com o estilo dele e que não é muito fã do tema.

Caso você seja um entusiasta da Idade Média e queira saber de todas as minúcias de como se desenrolavam os conflitos da época pode ir em frente. A chance é boa de você sair satisfeito. Não foi o meu caso.

Nota: 5.5