O professor Rainer é conhecido na escola de ensino médio pelo seu estilo despojado. Ele é aquele professor com pinta de meninão que usa uma camiseta surrada de banda de punk rock e está um tanto à margem do universo de formalidades comum a esse ambiente. Na semana de um projeto escolar especial, cabe justamente a Rainer a tarefa de ensinar os alunos sobre o que é autocracia. Percebendo um leve desinteresse por parte de seus pupilos e motivado pela descrença da maioria de que um governo desse tipo seria possível novamente na Alemanha, ele decide mostrar na prática que eles estão errados.

Considerando o doloroso passado recente alemão com Hitler e o nazismo, seria de se imaginar que qualquer guinada rumo ao fascismo seria rechaçada pela maioria dos que se julgam seres pensantes. Discutindo sobre os ingredientes que facilitariam o surgimento de um governo autoritário, Rainer e seus alunos citam a inflação e o desemprego e posso mencionar também pessoas que se sentem desamparadas pelos seus pares e a presença de um líder considerado inspirador e carismático.

O professor Rainer assume esse papel e em uma semana transforma toda a classe. Agora os jovens usam uniforme, possuem um símbolo, inventam uma saudação e criam até um nome para o movimento: Die Welle.

Quem antes se sentia perdido e inútil passa a se considerar parte de um todo. Quem enfrentava sozinho as dores de ser alvo de bullying agora tem amigos que podem resolver esse problema facilmente. Os membros da Onda não parecem ter um propósito definido, mas eles se sentem unidos de uma forma como nunca sentiram antes.

É claro que nem todos compactuam com esse experimento, afinal ele soa real e perigoso demais. É o caso de Karo, que rapidamente percebe como a loucura está tomando conta de seus colegas e decide fazer algo a respeito.

Die Welle é uma experiência imersiva e inquietante. A concepção dessa ditadura particular é mostrada de uma maneira verossímil, nos fazendo acreditar que tal projeto não seria nada absurdo de acontecer.

Aliás, temos exemplos bem próximos de nós de muita gente que está se sentindo confortável em expressar em atos e palavras os seus desejos de viver sob um regime autocrático. O final de Die Welle é um tanto exagerado, mas ele cumpre o papel de potencializar uma mensagem de alerta.

Qualquer povo com um mínimo de discernimento deve combater imediatamente qualquer indício de fascismo. Caso alguns brasileiros seguidores de um suposto mito tenham esquecido o que aprenderam no colégio, assistir Die Welle certamente seria muito benéfico para impulsionar reflexões.