Nem o fã mais otimista do The Killers imaginava que a bandaria lançaria um álbum tão espetacular após Wonderful, Wonderful. Não que aquele trabalho seja ruim, mas é uma experiência que pende para a melancolia sem soar realmente especial. Claro que com exceções aqui e ali (The Man, Run for Cover e Tyson vs Douglas).

O fato é que Imploding the Mirage tem tudo o que sempre esperamos de um The Killers em alto nível. Esse álbum é o resultado da constante evolução da banda desde o início de carreira. A fórmula de sucesso se repete, mas com detalhes adicionais que tornam a experiência mais rica.

Temos aqui uma My Own Soul’s Warnig com uma empolgante pegada a la Bruce Springsteen e uma letra inspirada de Flowers. Dying Breed tem uma introdução repetitiva que constrói uma atmosfera peculiar e resulta em uma música perfeita para shows.

Não podemos esquecer também as parcerias com Weyes Blood na teatral, exagerada e excelente My God e também com k.d. lang em Lightning Fields, cujo refrão faz lembrar um pouco de U2.

Shawn Everett e Jonathan Rado trouxeram elementos musicais de seus trabalhos anteriores com The War on Drugs e Foxygen que deixaram o The Killers mais atual, mas sem perder a essência. Nem a falta do guitarrista David Keuning prejudicou. Inclusive, Lindsey Buckingham do Fleetwood Mac toca guitarra na instantaneamente clássica Caution.

Imploding the Mirage foi lançado em um dos picos da pandemia de Covid no Brasil e foi uma experiência mais do que bem-vinda durante esses tempos tenebrosos. Era só dar o play no álbum e esquecer por alguns momentos das nossas desgraças. Quase que uma terapia!

Esse é aquele The Killers que lota festivais e que te convida para cantar os hits a plenos pulmões e saindo do chão. Como bônus, notamos letras cada vez mais elaboradas e poéticas. Pelo jeito, a banda ainda tem muito a nos oferecer.