E com essa maravilhosa terceira temporada The Crown entrou para o meu seleto grupo dos melhores seriados de todos os tempos. Foi inevitável.

Mesmo com a mudança de atores a série aumentou o nível. Olivia Colman, Tobias Menzies, Helena Bonham Carter, Charles Dance e Josh O’Connor conseguiram até nos fazer esquecer um pouco de Claire Foy e Matt Smith.

Vários episódios aqui são pequenas obras-primas e podem ser encarados como histórias que funcionam sozinhas, com começo, meio e fim. Claro, tudo fica melhor ainda olhando o contexto da família real e suas agruras que conhecemos nas duas primeiras temporadas.

Nesta terceira temporada há também um grande destaque para outros personagens: o Príncipe Charles, Princesa Anne, Lord Moutbatten e Princesa Alice da Grécia (mãe de Philip), para citar uns.

E quando digo um grande destaque é que basicamente episódios inteiros são dedicados a esses outros personagens que não a Rainha e Philip e eles funcionam de maneira esplendorosa.

Sabemos que The Crown não é um documentário. A série pega acontecimentos e os dramatiza de uma forma que fique mais impactante. Mas há bastante verdade ao longo dos episódios.

Gostei de ver o amadurecimento de Charles e sua irmã Anne. O episódio em que ele recebe a investidura de Príncipe de Gales é tudo o que eu sempre quis ver em The Crown. Isso foi uma obra de arte. Por 1 hora passamos a entender muito bem a personalidade de Charles e ficamos do lado dele em uma forte discussão com a mãe. O fardo que ele carrega é quase insuportável.

Aberfan é daqueles episódios para irmos às lágrimas e ficarmos novamente um tanto estupefatos com a frieza de Elizabeth. E é um monumental feito técnico.

O primeiro ministro Wilson não tem a presença de Churchill, mas foi um personagem que cresceu ao longo dos episódios. Gostava como ele jamais desrespeitava a Rainha nas reuniões com os seus pares e sempre tentava ajudá-la com algumas orientações, mesmo sendo avesso a monarquia.

E o que dizer da tentativa de golpe de Lord Mountbatten? Charles Dance nos guiou por esse episódio como o grande ator que é. Confesso que eu não me lembrava se ele teve sucesso ou não, portanto foi intrigante acompanhar todo o estudo que ele fez para saber se o golpe era viável. E enquanto a Inglaterra pegava fogo a Rainha viajava para aprender mais sobre a criação dos seus adorados cavalos.

A mãe de Philip também é memorável. Ela é o único membro da família real que despertou algum interesse da mídia que estava fazendo o documentário no palácio de Buckingham. A história de Alice é pesada e ela se transformou em uma senhora autêntica com bastante ensinamentos a oferecer.

Outro momento que me marcou foi o episódio em que vemos o homem indo à lua pela primeira vez. Philip ficou fascinado por tudo isso. Ele estava passando por uma forte crise existencial e imaginava que os astronautas teriam algumas respostas filosóficas sobre o mundo e a vida. A decepção do encontro com os astronautas tomou conta de Philip e o fez abrir mão de sua arrogância, permitindo que se sentasse junto com os padres e pedisse ajuda. Aquele monólogo no final mostra que grande ator Tobias Menzies é.

Finalmente, Margareth se torna o tema principal no começo e no final da temporada. O romance com um homem mais novo reservou momentos divertidos, com ela finalmente sorrindo um pouco e escapando do seu relacionamento bizarro com o marido.

The Crown continua sendo um deleite visual e está cada vez mais competente ao contar suas histórias. Ao longo desses 10 episódios pude experimentar um misto de emoções que um grande pode ofertar. Sinto cada vez mais familiarizado com esses personagens um tanto trágicos e compreendo as adversidades que vivem enfrentando.

Foram várias tramas desenvolvidas com inteligência, criatividade e sensibilidade. Referências a acontecimentos das temporadas anteriores deixam tudo ainda mais rico e especial. The Crown é televisão no seu estado da arte.

Nota: 10