O segundo melhor repórter da gloriosa nação do Cazaquistão está de volta e ainda mais ofensivo. Borat: Fita de Cinema Seguinte repete a fórmula do primeiro filme com seu estilo de falso documentário misturando cenas reais e outras encenadas, mas com a diferença que aqui existe um alvo bem específico para as inspiradíssimas críticas de Sacha Baron Cohen.

Borat recebe a missão de conquistar a amizade do presidente americano Donald Trump e, para isso, ele precisa ir até o Estados Unidos e oferecer um presente inusitado para o vice-presidente Mike Pence. Chegando lá, Borat percebe que ficou muito famoso e por isso precisa andar disfarçado se não quiser chamar tanto a atenção. E não é apenas Borat que está nos Estados Unidos, mas também Tutar, sua filha que rouba a maioria das cenas.

Sacha Baron Cohen e a equipe de roteiristas se mostram absolutamente precisos em suas críticas a tudo de ruim que envolve o partido republicano. As coisas ficam mais interessantes pelo contexto da pandemia do coronavírus e pelas eleições americanas que se aproximavam. Foi um verdadeiro banquete para o filme mostrar na prática todo o pensamento retrógado e o negacionismo dos seus alvos e nos fazer rir deles. A vergonha alheia é algo constante e inevitável aqui.

Borat: Fita de Cinema Seguinte passa do ponto inúmeras vezes, mas quando faz isso mostra ousadia e muita presença de espírito. Até quem gostou do filme reclamou de uma cena ou outra, principalmente aquela da dança da fertilidade na festa de debutante. Particularmente, achei genial.

Talvez o filme não envelheça muito bem por abordar temas bem específicos. De qualquer forma, pode servir como um retrato importante deste período em que vivemos.

E não espere por imparcialidade. Aqueles que se identificam com Trump e os republicanos provavelmente irão odiar a experiências. Mas, convenhamos, existe algo que eles não odeiem?

Nota: 8