Há uma notória melhora de qualidade em The Stand neste segundo episódio. Pocket Savior oferece um olhar mais aprofundado sobre dois intrigantes personagens e também reserva sequências angustiantes e bem elaboradas.

Larry Underwood buscava se reafirmar no cenário musical de Nova York quando o vírus Capitão Viajante começou a se espalhar. Agora ele está perto de um colapso nervoso e está cheirando cocaína segundos após abrir os olhos pela manhã.

Seus relacionamentos amorosos aparentam não ter nenhum significado maior e ele não está dando a devida atenção para a mãe. Pelo menos, é isso que nos parece nos poucos minutos dedicados a mostrar os dias de Larry Underwood no período em que o mundo começa a virar do avesso.

Este personagem está longe de ser um herói padrão. E é justamente pelos seus defeitos que conseguimos nos conectar com ele. A sólida atuação de Jovan Adepo também ajuda.

Larry não está disposto a fazer sacrifícios para salvar alguém que conheceu há pouco tempo. Ele estava iniciando um romance com Rita, mas isso não significa que ele irá fazer uma burrice para evitar que ela se prejudique. Em mundo que caminha para o fim é importante desconfiar de tudo e de todos. As atitudes de Larry soam verossímeis até aqui.

Em Pocket Savior pudemos ter uma ideia da desolação e do caos que tomam conta de Nova York. Os carros estão abandonados nas ruas, focos de incêndio se espalham no horizonte e cadáveres podem ser vistos nos mais diversos locais, fazendo com que um cheiro pútrido envolva todo o ar da cidade.

E Larry logo aprende que existem mais ameaças do que se imagina. Quando ele e Rita são abordados por três homens armados em busca de sexo ele percebe que não será fácil sobreviver nesse novo mundo. Talvez seja hora de aprender a usar a arma que está no seu bolso.

A fuga dele pelos esgotos de Nova York nos reservou sequências de mais puro suspense e tensão. Andar em meio a corredores estreitos em uma escuridão ameaçadora, com uma água imunda chegando quase no pescoço e sentindo seres rastejantes passeando pelo seu corpo não é nada agradável. Pena que há uma quebra de ritmo quando a trama salta para outra época durante essa cena.

Mais uma vez The Stand investe em saltos temporais, algo que já é uma tendência do seriado. Dessa vez acho que conseguimos nos acostumar melhor com essa escolha narrativa, porém o jeito que é feito está longe de ter uma fluidez de Lost, por exemplo.

Pode haver ainda um pouco de confusão em relação ao tempo e a ligação dos personagens. Dá para entender que algo aconteceu com Rita na jornada até Boulder e em algum momento Larry conhece Nadinne. Ao que tudo indica, isso será mostrado nos próximos episódios. Só acho que esse tipo de escolha não está colaborando na carga dramática de The Stand.

Bom, agora algumas palavras sobre outro personagem que foi apresentado neste episódio.

Lloyd Henreid se deu mal em um assalto graças ao seu comparsa extremamente ansioso. Aliás, aquela cena contém um humor inesperado. Não sei se era a intenção dos roteiristas nos fazer rir, mas não pude evitar uma rápida gargalhada quando o bandido vai espirrar e acaba sem querer estourando a cabeça do coitado do atendente com uma espingarda. Humor ácido que chama?

O fato é que Lloyd acaba numa prisão, um dos piores lugares para se estar durante uma pandemia. Enquanto os detentos e os policiais começam a morrer, Lloyd se mostra imune e se mantém vivo. Mas até quando? Ele precisa de suprimentos, mas tudo o que lhe resta é a água da privada e seu companheiro de cela morto e apodrecendo.

Eis que enquanto ele definhava e estava pronto para aceitar o seu destino surge Randall Flagg. Flagg possui certos poderes e claramente tem um plano para Lloyd. Ele quer alguém para ser o seu braço direito nesse novo mundo e Lloyd parece ser o cara certo.

Não resta nada a Lloyd exceto fazer um pacto com Flagg. E assim a porta da cela se abre.

Repararam na pedra que surge nas mãos de Lloyd? É basicamente igual a pedra que vemos Nadinne segurando. O que isso quer dizer? Há algo que ela está escondendo? Em um diálogo no começo do episódio percebemos como ela responde de maneira hesitante sobre ter as visões com a mãe Abagail.

Ainda não sabemos quase nada sobre Randall e muito pouco sobre a mãe Abagail. Vimos que Abagail tem uma lista com cinco escolhidos para liderar a cidade de Bouder e Larry é um deles. Ele diz não entender porque, mas nós vimos que ele pode sim ser apto para tal tarefa.

Pocket Savior acerta ao se concentrar em dois personagens relativamente cativantes e ao trabalhar com sequências intensas de suspense e terror. A impressão é que aos poucos o seriado vai encontrando o seu rumo, ainda que de maneira irregular.

Certas cenas ainda soam forçadas e há problemas quanto a passagem do tempo. Isso sem falar em algumas atuações de qualidade duvidosa. De qualquer forma, começo a sentir que The Stand pode melhorar sensivelmente de agora em diante.

Nota: 7