Dentre os livros de Stephen King que eu já li, A Dança da Morte (The Stand) está sem dúvida entre os meus cinco preferidos. Trata-se de um verdadeiro épico recheado de personagens e acontecimentos memoráveis. Considerando a minha grande afeição por ele e também o fato de ser um material complicado para se adaptar, farei as reviews do seriado The Stand sem tecer qualquer tipo de comparação com o livro.

Vou analisar o seriado pelo o que ele é e não pelo o que poderia ser.

Dito isso, tivemos com The End um início irregular muito por escolhas equivocadas em termos de montagem. Foram poucos os momentos marcantes, mas houve um decente desenvolvimento dos personagens principais. The Stand pode e deve crescer em termos de qualidade nos próximos episódios.

TEREMOS SPOILERS!

Crítica: The Stand – 1×01 The End

O primeiro episódio de The Stand serviu basicamente para duas coisas: apresentar os importantes personagens Stu Redman, Frannie Goldsmith e Harold Lauder e mostrar um mundo dizimado por um vírus mortal.

Em relação aos personagens The Stand consegue se sair bem. Harold Lauder é um jovem que sofre bullying e que tem atitudes um tanto estranhas para com sua antiga babá, Frannie. Harold sofre na mãos de caras mais velhos e mais fortes e também sofre por não ter seus sentimentos correspondidos por Fran.

Desde o início percebemos que há algo de estranho no olhar e nas atitudes dele. Tanto bullying sofrido e a rejeição (mesmo que educada) de Fran só vão o deixando cada vez mais na merda. Dá para ver que ele é perigoso e imprevisível. Aquela risada bizarra na frente do espelho é mais um indício disso. Outra coisa, perceberam que aqueles piás mencionaram que Harold escreveu um conto em que ele matava todo mundo na escola? Tenso.

Aliás, esse foi um dos grandes problemas de The End. Em vez de mostrar, o roteiro preferiu nos encher de diálogos expositivos para estabelecer o contexto do mundo pós-apocalíptico. Mas estou me adiantando.

Quanto a Stu Redman, o acompanhamos em um complexo militar para ser estudado. Parece que ele é um dos pouquíssimos imunes ao vírus letal que está se espalhando. O ator James Marsden demonstra possuir a presença e o carisma necessários para protagonizar essa trama. Assim como ele, ficamos um tanto no escuro em relação aos fatos. Só entendemos que o virús está matando geral e que é melhor que ele encontre um jeito de fugir o mais rápido possível antes que os militares o eliminem.

Se há um competente desenvolvimento dos personagens, algo ficou faltando em relação a pandemia em si. Claro, existem diálogos interessantes que fazem até um paralelo com o que vivemos com o coronavírus, como quando alguém menciona que eles estão diante de uma gripe normal. O problema é que não há a sensação de que isso acontece a nível mundial. As coisas ficam restritas ao que ocorre com Stu, Fran e Harold. Só vemos umas imagens de outros países em monitores É pouco, afinal trata-se do temido Capitão Viajante que matou mais de 99% da população mundial.

E dá para dizer que não é nada agradável ser infectado por esse vírus, hein? O contágio é absurdamente rápido e logo a pessoa ganha um bócio gigante e morre em franca insuficiência respiratória. Brutal. Ponto para a maquiagem bem feita.

Mas voltemos para os problemas. O que dizer da opção pela narrativa não linear? Não consegui notar nenhum benefício em termos dramáticos para tantas idas e vindas no tempo. Aposto que foi confuso para boa parte do público, mesmo com poucos personagens até agora. Pode ser difícil de perceber que aquele povo todo em Boulder são os poucos sobreviventes que tentam botar as coisas nos eixos novamente.

The End perdeu a oportunidade de investir em sequências do mundo acabando. Houve um excesso de exposição e faltou mostrar mais as pessoas reagindo a todo o caos. Será que nos próximos episódios isso será abordado?

Para encerrar esse texto que já está longo uma palavrinha sobre os sonhos de Fran, Stu e Harold. Enquanto Fran atravessou o milharal e recebeu uma mensagem de Abagail Freemantle, Stu se deparou com um lobo e Harold recebeu uma pílula de um homem misterioso vestido de preto.

De um lado o bem e do outro o mal. Essa é a essência de The Stand e parece que teremos bastante disso daqui para frente.

Nota: 6.5