Acreditando na capacidade do público de preencher as lacunas da trama, o diretor Luc Besson nos apresenta a um mundo pós-apocalíptico sem se preocupar em explicar o que aconteceu.

As primeiras cenas de O Último Combate mostram um homem se virando como pode para arranjar comida e prazer em meio ao caos. Neste futuro não tão distante as pessoas vivem em locais semidestruídos, sem eletricidade, com poucos alimentos disponíveis e tendo que praticamente dormir com um olho aberto. A lei do mais forte impera. Para deixar tudo ainda mais interessante e estranho, os seres humanos perderam a capacidade de falar. Só não descobrimos o porquê.

O fato de todo mundo ser mudo enriquece a trama, pois não existem diálogos expositivos. E também parece que estamos diante de homens da caverna, já que eles se comunicam com olhares, expressão corporal e grunhidos. Isso é bem simbólico considerando um mundo que involuiu.

Com poucos recursos, Luc Besson demonstrou habilidade na concepção de seu mundo pós-apocalíptico. Prédios em frangalhos, carros abandonados, roupas e acessórios bizarros, armas improvisadas, peixes caindo do céu (isso mesmo) e até mesmo a fotografia em preto e branco colaboram para nossa imersão e para a autenticidade do filme.

O Último Combate oferece uma experiência com uma pegada mais artística de um gênero que costuma ser abordado em superproduções. Aqui não há espetáculo ou exageros. Acompanhamos o personagem principal nas suas buscas e encontros inusitados e não muito mais do que isso.

Sobra tempo para um pouco de diversão e humor quando o homem faz amizade com o médico, mas ambos sabem que o perigo pode literalmente bater à porta a qualquer momento.

Este é um verdadeiro achado para os entusiastas da temática.

Nota: 8