Como um bom admirador do esporte bretão e torcedor de um time que nunca está exatamente nas cabeças, o seriado Club de Cuervos da Netflix me chamou a atenção. Não se trata de um documentário sobre futebol e sim um drama. Uma mistura de drama e comédia, na verdade.

A trama se inicia com a morte de Salvador Iglesias, lendário presidente dos Cuervos de Nuevo Toledo. Um presidente que ajudou a construir uma bonita história, fazendo o time sair do nada para ganhar respeito nacional, além de se tornar o orgulho de um povo.

O problema é que os Cuervos jamais foram campeões mexicanos. Aliás, eles foram vice em 5 oportunidades. Sei como é.

Com a morte de Salvador há uma disputa entre os irmãos Chava e Isabel. Em uma sociedade extremamente machista como é a do México, era óbvio que Chava ocuparia o cargo. O fato de Isabel ser muito mais competente parece ser algo irrelevante.

Esse início de temporada atribulado só poderia resultar em várias turbulências e é isso o que vemos nesses 13 ótimos episódios.

Chava é ambicioso. Ele quer transformar o time em uma potência mundial, só não sabe como. É impressionante como ele consegue fazer tudo errado. Chega a ser irritante, mas também engraçado.

As discussões de Chava e Isabel são um dos pontos altos do seriado, muito pela competência de Mariana Treviño e Luis Gerardo Méndez.

Em alguns momentos Club de Cuervos quase descamba para um dramalhão mexicano, mas aí ele consegue se segurar e retomar o padrão. A linha que separa o sério do caricato eventualmente é bem tênue aqui e talvez isso seja um dos charmes do seriado.

Muitas situações relacionadas ao mundo do futebol são abordadas com maestria na primeira temporada, às vezes com humor e às vezes puxando mais para o lado emotivo da coisa. Há um atacante que acha que não faz gols por estar amaldiçoado, jogadores fingindo contusão, estrelinhas que se consideram maiores do que o clube, um jogador prestes a se aposentar, noitadas regadas a mulheres e drogas e muito mais.

Infelizmente, Club de Cuervos fica devendo nas sequências dos jogos em si. Poucos atores ali são acima da média jogando bola e talvez isso tenha impossibilitado a realização de cenas plásticas ou mesmo intensas de futebol. Que eu me lembre, só um episódio se destacou nesse sentido.

Mas Club de Cuervos acerta muito mais do que erra. E para fechar com chave de ouro, o final da temporada é totalmente em aberto e nos deixa ansiosos para o que virá a seguir.

Se você gosta de futebol as chances de ficar satisfeito são grandes.

Nota: 8